«aquela magia da música que vem do éter, é um hábito que se está extinguir (…) a rádio enquanto escuta caseira é um hábito que faliu e que nos fugiu, e não há maneira de voltar». António Sérgio in "Suplemento DN" de 08 de Julho de 2005

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Um balanço do 2007 radiofónico

O ano termina com más notícias para a cultura portuguesa, muito particularmente para a rádio e a sua história: o Museu da Rádio fechou portas definitivamente e o prédio (local, também ele, histórico) vai ser demolido. Sobre este assunto, é recomendável a leitura do texto de Rogério Santos no blogue Indústrias Culturais.
Foram editados alguns livros sobre o meio radiofónico, o Rádio Clube apostou em força na informação, na tentativa de conquistar ouvintes e as emissoras portuguesas passaram a estar obrigadas a dedicar 25% da sua programação à música portuguesa.
Em Novembro, finalmente, a radiodifusão em geral passou a ter um Contrato Colectivo de Trabalho, ficando todas as emissoras com uma regulação laboral legal, embora longe das que existem na RDP e na RR. No entanto, são grandes as dúvidas se ele vai ser cumprido pelas estações. E, como estamos em Portugal, certamente não haverá quem inspeccione o cumprimento da Lei ou então não será suficiente.
No último mês de 2007, ficou-se a saber que, afinal, a rádio é imprescindível e António Sérgio, uma das vozes com história na rádio portuguesa, regressou ao éter, na Radar FM, depois de ter sido dispensado da Rádio Comercial.
A rádio espanhola é mais diversificada que a portuguesa, mas, ainda assim, Francisco Amaral foi convidado a fazer uma versão em castelhano do seu "Íntima Fracção". O comunicador não conhecia ninguém da EMA RTV. Um responsável daquela cadeia de comunicação escutou, gostou, e aí está o Íntima Fraccion. É um caso único e o primeiro nestes moldes.
A Altitude FM, a primeira estação radiofónica portuguesa a ter um provedor do ouvinte, nomeou Hélder Sequeira para o cargo. Este é, ainda, um caso único na rádio privada em Portugal.
Outras análises ao 2007 radiofónico em Portugal podem ser lidas no "NetFM" e no "Rádio e Jornalismo". Internacionalmente, Corey Dietz apresenta os dez mais de 2007.
Um 2008 cheio de sucessos.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Uma explicação

Dada a época que atravessamos, os textos são escassos mas, antes de o ano terminar, será apresentada uma resenha do que foi o 2007 radiofónico em Portugal.
Continuação de Boas Festas.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Um Feliz Natal com 101 anos

A radiodifusão está no seu segundo século de existência. Há 101 anos atrás Reginald Aubrey Fessenden fez o primeiro programa de rádio da história. Na noite de natal de 1906, o inventor, que vinha a trabalhar num emissor que reunia a mais moderna tecnologia, efectuou a primeira emissão de radiodifusão sonora, oferecendo aos operadores de Telegrafo dos barcos ao largo de Brant Rock, Massachussets, EUA, o primeiro programa de rádio.
O espanto dos radiotelegrafistas deveria ter sido enorme, pois em vez do crepitar dos sinais de Morse nos auscultadores, ouviram a voz de Fessenden, que leu algumas palavras da Bíblia, tocou o tema natalício Oh Holly Night no seu violino e desejou bom Natal a todos os que o escutavam. Este foi o evento que marcou o nascimento da radiodifusão sonora.
A transmissão de 24 de Dezembro de 1906 é aqui recreada por Derek Gunn.



Em alternativa à escuta online podem optar por descarregar o ficheiro áudio (em wma).

Um Feliz Natal e um 2008 cheio de sucessos

domingo, 23 de dezembro de 2007

O novo director da Rádio Alfa

João Paulo Dinis vai assumir o cargo de director da Rádio Alfa, em Paris. O jornalista, que trabalhou 30 anos na RDP e que chegou a ser assessor de imprensa da Federação Portuguesa de Futebol, em 2003, viu-se, em 2006, no desemprego e colocou «um anúncio a pedir trabalho. No primeiro número do semanário Sol, publicou o apelo que dizia mais ou menos o seguinte: "Quero trabalhar. Jornalista com alguns cabelos brancos..." Na sua sequência, Emídio Rangel escreveu uma crónica a falar dele e a SIC fez uma reportagem sobre a sua situação. Em menos de duas semanas, Manolo Bello, da Comunicasom, arranjou-lhe trabalho no programa das manhãs da SIC, onde se manteve até agora, altura em que recebeu o convite para dirigir a Rádio Alfa, desafio que não hesitou em aceitar».
O nome de João Paulo Dinis pouco dirá aos ouvintes mais novos, mas os que têm mais de 40 anos (e eventualmente mais novos) lembram-se que este jornalista protagonizou um momento chave da história de Portugal. Foi ele quem, no dia 24 de Abril de 1974, às 22 horas e 55 minutos, transmitiu a senha que fez avançar a Revolução dos Cravos. Estava aos microfones dos Emissores Associados de Lisboa quando lançou a música “E depois do adeus”, de Paulo de Carvalho.
A Rádio Alfa existe há cerca de 20 anos e emite 24 horas por dia para a comunidade portuguesa que reside na zona da capital francesa.
Os maiores sucessos ao João Paulo Dinis no desempenho deste novo cargo.

sábado, 22 de dezembro de 2007

Acabou o Museu da Rádio

É de lamentar que um dos melhores museus do mundo no seu género tenha encerrado. A cultura portuguesa está mais pobre, mas não é de estranhar. Afinal não há mais país para além do défice.
O local onde estava localizado o Museu da Rádio, na Rua do Quelhas, 21, faz parte da história da rádio portuguesa. Era o sítio onde durante anos funcionou a Emissora Nacional.
O sítio da Rádio Renascença apresenta uma reportagem da jornalista Dina Soares com imagem e edição da Jornalista Conceição Sampaio, no Museu da Rádio. Artur Agostinho fala dos seus tempos na Emissora Nacional e de outros tempos que serão apagados da memória quando o prédio for demolido.
Na reportagem, o director do núcleo museológico da RTP, Pedro Brauman, afirma que chegou a estar prevista a construção de um novo museu, mas o projecto não avançou por decisão do Governo e da administração da RTP.
Lamentável e lamentáveis!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

António Sala, o Comunicador

Hoje, às 22h55, a RTP 1 vai transmitir o documentário "António Sala, o Comunicador". Figura da Rádio, da televisão, também do teatro e da música, António Sala é, realmente um grande comunicador.
Tudo começou na Rádio Ribatejo há 40 anos. Seguiu-se a RDP e, em 1978, ingressou na Rádio Renascença (RR) onde, no programa da manhã (o famoso "Despertar"), fez dupla com Olga Cardoso - outra grande figura da rádio portuguesa. Hoje, António Sala ainda continua aos microfones da RR aos sábados de manhã.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

A rádio é imprescindível

Num «estudo desenvolvido em Portugal pela agência de meios Nova Expressão para a Columbus Media International, efectuado pela Netsonda, a que o DN teve acesso», revela que 47,6% dos inquiridos responderam, em relação à rádio, que, se a rádio acabasse, “sentiria muito a sua falta”. A mesma resposta foi dada por 45,1% dos inquiridos para a televisão e por 41,3% relação aos jornais. A Internet é considerada imprescindível por 98,1% dos inquiridos.

Decadência das rádios locais de Setúbal*

O diário digital “Rostos.pt” apresenta uma reportagem sobre o colóquio "Conversas do 2.º Balcão", realizada no Fórum Municipal Luísa Todi, na passada sexta-feira, e promovido pela Câmara Municipal de Setúbal. O colóquio teve como tema um assunto pertinente: "O Que é Feito das Rádios Locais?".
Paulo Sérgio, subdirector de informação da Antena 1, que começou a carreira de jornalista na Rádio Azul, constatou um facto: "as rádios locais cumpram muito mal a verdadeira função para que foram criadas". Embora o alvo fossem as emissoras locais de Setúbal, a frase pode aplicar-se – com algumas excepções – à generalidade das emissoras locais portuguesas.
Paulo Pestana, jornalista da Rádio Voz de Setúbal O jornalista não teve dúvidas ao afirmar que "funeral das rádios de Setúbal foi em 1997" e que a "partir daí assiste-se à decadência".

* Via Rádio informa

domingo, 9 de dezembro de 2007

As emissoras e as comissões de agência

Segundo a “Meios & Publicidade” (M&P), «os três principais grupos de rádio irão manter a comissão de agência no próximo ano nos 5%». Esta comissão, que era de 15% em 2006 e tem vindo a diminuir desde aí, estando hoje nos 5%, é o desconto que as emissoras fazem sobre os preços das suas tabelas de publicidade às agências de publicidade.
A publicidade ainda é o único meio de sobrevivência das estações de radiodifusão privadas. As emissoras radiofónicas do serviço público (RTP) beneficiam de uma taxa, que vem incluída na factura da electricidade. Todas as emissoras têm um departamento comercial cujos elementos se ocupam de apresentar o produto – a emissão – a potenciais anunciantes.
A título de curiosidade, a americana National Public Radio não tem publicidade paga por anunciantes, nem beneficia de taxas de rádio, pagas pelos contribuintes, apela ao mecenato - uma vez por ano são contactados possíveis investidores para que a rádio possa continuar “no ar”.
A comissão de agência é de 0% nos canais de televisão, desde 2006, e varia entre os 0% e os 15% na imprensa.

Curso de som e produção áudio II

Terminou o Curso Intensivo de Som e Produção Áudio, da D'Orfeu, em Águeda, mas vem aí uma segunda edição.

Curso de Locução e Realização na RUC

A Rádio Universidade de Coimbra (RUC) vai realizar mais um curso de rádio. «Até 15 de Dezembro, dirige-te ao 3º piso do Edifício AAC e inscreve-te no Curso de Locução e Realização dirigido a futuros locutores da Rádio Universidade de Coimbra. O horário de secretaria é 2as a 6as, 10:30/13 e 15:30/17. Se a tua área for outra, podes inscrever-te ainda no Curso de Informação ou no Curso de Técnica de Radiodifusão».

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Muita TDT e pouca rádio

São congressos (e hoje começa mais um), debates, etc., mas tudo sobre televisão digital terrestre (TDT). Debates sérios sobre a radiodifusão digital são poucos ou nenhuns. A Rádio não tem interesse?

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Extensão do CCT da radiodifusão

Foi publicada no passado dia 20 de Novembro a Portaria n.º 1492/2007, de 20 de Novembro, respeitante ao Contrato Colectivo de Trabalho (CCT) assinado entre a Associação Portuguesa de Radiodifusão (APR), o Sindicato dos Meios Audiovisuais (SMAV), o Sindicato dos Trabalhadores das Telecomunicações e Comunicação Audiovisual (STT) e o Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Telecomunicações e Audiovisual (SINTTAV).
O CCT existente para os profissionais do sector aplica-se apenas ao território continental, abrangendo desta forma todas as rádios, associadas ou não da APR, e todos os trabalhadores, associados ou não nos sindicatos outorgantes do documento.
De fora deste CCT ficam as rádios das regiões autónomas dos Açores e da Madeira, uma vez que as competências quanto a esta matéria pertencem aos respectivos Governos Regionais.
A RDP — Radiodifusão Portuguesa, S. A. e a Rádio Renascença, Lda. têm regulamentação convencional própria, pelo que o CCT também não se aplica às relações de trabalho tituladas por estas empresas.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

A radiodifusão está a mudar

Parafraseando Mark Twain, «a notícia da morte da rádio foi claramente exagerada». A rádio está viva e recomenda-se, no entanto, tem de se adaptar, mas isto é algo a que a rádio já está habituada.
O futuro da rádio é digital. Mesmo para os menos atentos esta era uma evidência. Num mundo onde toda a tecnologia gira em torno de bits, era mais que previsível a transição do analógico para o digital. No entanto, esta mudança não tem sido pacifica, pois não há um padrão digital global para emissões hertzianas, mas vários - DAB, HD Radio, ISBD-T, DRM – o que torna tudo confuso para os ouvintes. Um receptor radiofónico preparado para funcionar em Inglaterra (DAB), por exemplo, não funcionará nos Estados Unidos (HD Radio) e um preparado para funcionar na América não funcionará no Japão (ISBD-T). Acresce a isto que na Europa continental decorrem testes com o DRM, que, por sua vez, é incompatível com outros sistemas. Na rádio analógica as emissões só têm duas modulações, em amplitude (A.M.) e em frequência (F.M.) pelo que um receptor funciona em qualquer parte do mundo.
Em Portugal a emissão digital hertziana em DAB está no mesmo ponto onde começou – apenas as estações radiofónicas da RTP têm emissões digitais, em DAB, que apenas duplicam as analógicas. E os ouvintes em DAB são poucos.
O “Meios & Publicidade”, no artigo “O Fim da Rádio FM?”, apresenta opiniões dos responsáveis das grandes estações de radiodifusão portuguesas sobre os caminhos que a rádio tem de tomar.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Consta que...

António Sérgio vai regressar ao éter nacional, nas ondas da Antena 3.
Espero que sim.
Act. 16h00 - António Sérgio não vai para a Antena 3, mas sim para a Radar FM (F.M. 97.8 MHz, na zona de Lisboa). "Viriato 25 " é o nome do programa que será transmitido de Segunda a Sexta-feira, entre as 23h00 e as 01h00, tendo inicio a 3 de Dezembro.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

"No Ar, 100 histórias de rádio": lançamento na cidade do Porto

Na próxima segunda-feira , 19 de Novembro, pelas 18h, o Café Progresso (Rua Actor João Guedes, n.º 5, Porto) vai ser o palco do lançamento do livro "No Ar, 100 histórias de rádio" de Marcos Pinto, animador do Rádio Clube.
A apresentação da obra estará a cargo de Filipe Gomes, do Rádio Clube e José Araújo, da Rádio Comercial.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

“Revista QSP”: 27 anos a divulgar a rádio

A “QSP - Revista de Rádio e Comunicações” é, sem dúvida, a herdeira das publicações sobre Telegrafia e Telefonia Sem Fios, que tão populares foram nas décadas de 1920, 1930, etc.. Embora os assuntos abordados na “QSP” sejam maioritariamente técnicos e dirigidos a um público radioamador, a revista tem apresentado muitos artigos sobre a história da rádio e da gravação sonora, além de artigos muito interessantes sobre a radiodifusão.
Com o número 317, de Novembro de 2007, a “QSP” comemora 27 anos de publicação ininterrupta. Parabéns à “QSP” e ao seu director e fundador, Adelino Francisco (CT1 AL).

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Timor Radio Connect

A INDE – Intercooperação e Desenvolvimento, vai apreserntar, hoje, pelas 18h, no Hotel Lutécia, em Lisboa, o projecto Timor Radio Connect, que consiste em desenvolver uma plataforma em rede com 14 estações de rádio comunitárias de 12 distritos em Timor-leste.
O projecto Timor Radio Connect é fruto de uma parceria entre a INDE, a Internews Europe e o Timor-Leste Media Development Center e será apresentado no âmbito do Seminário Internacional sobre Migrações e Desenvolvimento.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Uma "Rádio" que é um CD que é um livro

É uma Alegria (mesmo). A rádio continua a ser a musa inspiradora de artistas. Desta vez os afortunados, merecedores de tão grande bênção, foram os "Azeitonas", que lançaram "Rádio Alegria: Uma rádio que é um CD que é um livro".
«Em Portugal, um CD é considerado um "artigo de luxo" e, segundo o Código do IVA, é sujeito a uma taxa de 21%, a ser suportada pelo consumidor final. Já um livro, por sua vez, encaixa na categoria de "artigo de cultura" (apenas 5%). O nosso governo, e bem, promove a cultura a bem de primeira necessidade, metendo no saco do pão, do leite e do "Eu, Carolina", todos aqueles produtos sem os quais a própria subsistência do povo fica comprometida. Já a alta-costura, os relógios de ouro e a música, só mesmo para quem se pode dar a luxos.
Não é que os Azeitonas considerem o seu novíssimo "Rádio Alegria" como pão para a boca do povo. Mas quem quiser abanar o pé ao som destas novas músicas, não terá que pagar um imposto tão pesado. (...)".
Em certos casos, a lei perde-se no meio de tanto papel, ficando por definir com clareza a fronteira entre o que é "luxo" e o que é "primeira necessidade". Por exemplo, um rolo de papel higiénico é tributado a 21%. Qualquer livro é fiscalmente mais leve. Num momento de aperto (fiscal, obviamente) é melhor optar por um. Nestas alturas, mantenha sempre um exemplar do "Código do IVA" sempre à mão. É que convém nunca descurar a limpeza (fiscal).
(...)
A transimssão virtual da imaginária Rádio Alegria conta com as participações dos locutores João Francisco Guerreiro da TSF, Paulino Coelho da Renascença e do guitarrista, vocalista e compositor Rodrigo Amarante dos brasileiros Los Hermanos. Ainda por cima é grátis! Oferecido na compra do magnífico livro "Rádio Alegria". O disco foi mais uma vez composto, tocado e produzido pela banda. A produção executiva ficou a cargo de Rui Veloso(...)».

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

“Íntima Fracção” na rádio espanhola.

Estreou na noite de ontem (às 23 horas de Portugal) na EMA RTV , atravéz da Onda Local de Andalucía (OLA), o “Íntima Fracción”, a versão em castelhano de um dos mais antigos programas radiofónicos portugueses.
Um programa de rádio português ter uma versão espanhola é digno de registo, já que o mercado radiofónico espanhol é muito mais diversificado e competitivo que o português.
O “Íntima Fracción” vai para o ar às quartas-feiras e aos domingos às 00h00 (menos uma hora em Portugal), e pode ser escutado, em directo, na Internet ou por satélite (Hispasat: frequência 12.149 vertical, SR 27.500).
Parabéns ao Francisco Amaral, que demonstrou que, por cá, ainda se fazem bons programas de rádio.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Conferência Europeia de Rádio

Termina hoje, em Barcelona, o NAB European Radio Conference, onde estão reunidos especialistas do meio para discutir o presente e o futuro da radiodifusão. Neste encontro esteve em destaque a rádio digital, que dispõe de plataformas de difusão (via satélite, via Internet, etc.) que abrem novos caminhos.
Gerry Fabio, especialista em consultadoria de marketing e o orador que abriu a conferência, disse que «a indústria da rádio está muito mal explorada». Esta afirmação baseia-se no facto de a radiodifusão sonora, actualmente, é mais que uma simples emissora de áudio, pois, com os recursos da Internet, as estações passam a dispor de ferramentas até agora exclusivas dos jornais e da televisão, como fotos, texto e vídeo, além de permitir que se crie arquivos de programas, disponíveis a todos. Sem dúvida que a Internet é uma plataforma alargada para desenvolvimento de novos produtos radiofónicos e uma fonte de receitas.
Como curiosidade, os jornalistas do “Diário Económico” e da “Meios & Publicidade” viajaram para o NAB European Radio Conference a convite da Rádio Renascença, uma estação que tem estado bastante atenta aos desenvolvimentos do meio.

sábado, 3 de novembro de 2007

100 Histórias da rádio num livro

É mais um livro que fala de rádio: «No Ar 100 Histórias da Rádio». O autor é Marcos Pinto, jornalista do programa “Toda a Tarde” (Sábado e Domingo, entre as 16h e as 19h), do Rádio Clube.
Esta nova obra fala de histórias da nossa rádio. «Portugal inteiro sabe que foi Joaquim Furtado que deu a voz à leitura do comunicado do Movimento das Forças Armadas (MFA) na madrugada de 25 de Abril de 1974, quando este ocupou as instalações do Rádio Clube Português, na Rua Sampaio Pina, mas poucos saberão o que fez o jornalista a seguir».
Como as histórias da rádio são muitas, o autor promete outro livro, com outros protagonistas.
Act. 04/11 - O livro No Ar 100 Histórias de Rádio vai ser apresentado dia 5 de Novembro, pelas 19 horas, na livraria Almedina do Atrium Saldanha, em Lisboa. A apresentação será de Fernando Correia, do Rádio Clube, e conta, também, com a presença de várias figuras da rádio portuguesa, entre elas estarão Artur Agostinho, Carlos Cruz, Júlio Isidro, António Sala, António Macedo, Fernando Alves, Emídio Rangel, João David Nunes, Jaime Fernandes, Luís Filipe Costa, Paulo Fernando, Cândido Mota, Ruy Castelar e Victor Espadinha.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Programas de rádio em livros

Muitos foram os programas, rubricas ou excertos de programas radiofónicos, que passaram do éter ao papel, perpetuando, assim, momentos inesquecíveis de rádio.
Com edição prevista para Novembro estão “O Amor É” e “Linha Avançada” e “Caixilhos e Laminados” . Estes três títulos vêm juntar-se a outros, como “Pão Com Manteiga” ou “As Noites Longas do FM Estéreo”, pela mão da Texto Editora, que lançou títulos que foram êxitos de vendas como é o caso de “O Homem que Mordeu o Cão”.

domingo, 28 de outubro de 2007

Festival Radioaactive Radiophony

A Radia, uma rede mundial de emissoras (hertzianas e web) promove mais um festival de radiodifusão - o Radioaactive Radiophony. Neste festival, Portugal está representado pela Rádio Zero, uma webradio mantida pela Associação dos Estudantes do Instituto Superior Técnico.
Hoje, entre as 19h e as 23h, a Rádio Zero transmite o Radiophonic 2007 em directo de Bruxelas. Às 19:20, Paulo Raposo faz a sua intervenção no festival, numa actuação a partir do estúdio da Zero, em Lisboa. A rádio é um meio criativo que fomenta o experimentalismo e o desenvolvimento de obras de arte em formato sonoro.

«A rádio intervém na sociedade através de conteúdo de cariz comunitário e da promoção de actividades culturais.

A rádio assume-se como um meio de acesso do indivíduo à radiodifusão.

Sendo apologista da liberdade e criatividade, a rádio dá preferência total ao formato de autor».

sábado, 27 de outubro de 2007

Sons da história da rádio no sítio da RTP *

A Rádio e Televisão de Portugal (RTP) vai disponibilizar, através da Internet, sons históricos da rádio portuguesa. A autora deste projecto é Inês Forjaz, jornalista da RDP, que lembra «que são fragmentos de história (...) que o arquivo da rádio guarda e que deviam ser acessíveis ao público em geral (…)».
O projecto tem como modelo as experiências da BBC, em Inglaterra, ou da norte-americana National Public Radio e colocará on-line sons desde 1936».
O Público On-line disponibiliza parte de uma reportagem da Emissora Nacional, aquando da partida de um contingente de soldados para o ultramar, em Junho de 1961. O repórter tenta passar uma imagem de festa e despede-se com um «até breve». Em fundo, escutam-se gritos de dor... lamentos de quem vê partir entes queridos... presságio de que para muitos não seria um até breve, mas sim adeus.
O arquivo da RTP não abrange só os sons da Emissora Nacional, mas também é detentora de arquivos do antigo Rádio Clube Português, dos Emissores do Norte Reunidos e dos Emissores Associados de Lisboa. Seria interessante não fosse só disponibilizados sons da Emissora Nacional, mas também das outras estações.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Três em UM

No próximo sábado à noite o blogue "Queridos Anos 80" realiza mais uma festa dedicada à década de 1980, no Clube Mau Mau. Nesta festa, comemora-se, também, o 18º aniversário da Rádio Nova, do Porto, e o quarto aniversário do "Queridos Anos 80".

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Indústrias Culturais em livro

Rogério Santos, autor, entre outras obras notáveis, do livro “As Vozes da Rádio - 1924-1939” e do blogue Indústrias Culturais, tem um novo livro, que teve como ponto de partida o seu blogue: INDÚSTRIAS CULTURAIS – Imagens, valores e Consumos.
A apresentação da obra terá lugar no dia 25 de Outubro de 2007, quinta-feira, pelas 19h, na Livraria Almedina Atrium Saldanha, loja 71, 2.º piso, Lisboa.O livro é prefaciado por Isabel Gil, directora da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa. Convidados-surpresa darão curtos depoimentos.

Uma análise à nova grelha da Antena 3

Muitas emissoras modificaram as suas grelhas de programas em Setembro/Outubro e a Antena 3 não foi excepção.
O Blogouve-se faz uma primeira análise à nova grelha daquela estação emissora de radiodifusão do grupo RTP: «Não é a Antena 3 que eu gostaria de ouvir mas parece-me estar mais próxima. Não é uma nova Antena 3, mas a rádio está melhor».
Também não desgosto do que tenho escutado até agora.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Bareme rádio – II

Segundo dados do Bareme Rádio, da Marktest, no total, 4 438 000 pessoas escutaram rádio, mas no terceiro trimestre de 2007 a rádio perdeu 316 000 ouvintes, em relação ao mesmo período de 2006.
Ficam, assim, alinhadas as emissoras, em termos de Audiência Acumulada de Véspera (AAV):
RFM – 14%
RR – 9,2%
Comercial – 6,7%
Antena 1 – 4,6%
Cidade FM – 4,1%
TSF – 3,8%
Antena 3 – 3,4%
Mega FM – 1,6%
RCP – 1%
M80 – 0,7%
Best Rock FM – 0,6%
Antena 2 – 0,5%
Outras emissoras – 11,4%

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Bareme rádio - I

Segundo o Bareme Rádio, da Marktest, no terceiro trimestre de 2007, o Grupo Renascença continua liderar, mas foi o que mais desceu nas audiências, sendo a Mega FM a única estação do grupo a conquistar ouvintes.
A Media Capital Rádios (MCR) é o segundo grupo preferido dos portugueses. A Rádio Comercial continua a liderar o grupo, enquanto o Rádio Clube perdeu ouvintes. A novidade é a entrada da nova estação da MCR, a M80.
A TSF - Rádio Notícias desceu nas audiências, enquanto que nas emissoras radiofónicas do grupo RTP só a Antena 3 conquistou ouvintes, mas a liderança do grupo pertence à Antena 1, que também desceu.
É normal a rádio perder ouvintes no terceiro trimestre, dado que é um período de férias em que os hábitos de escuta radiofónica são alterados. Provavelmente, algumas estações emissoras voltarão a subir nas audiências.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Uma festa no Rádio Bar

O nome é sugestivo, o espaço nostálgico. É assim o Rádio Bar. Sugestivo, porque se chama Rádio, nostálgico porque está decorado com uma velha telefonia (década de 1940?) e dezenas de discos de vinil pendurados nas paredes.
Naquele bar tripeiro, situado numa zona característica da cidade Invicta, a noite do próximo sábado é dedicada à década de 1980. A partir das 23h00 o autor do blogue “Queridos Anos Oitenta” (A.K.A. tarzanboy) estará ao destino dos sons que animarão a noite, acompanhado pelo Ivo T.
O Rádio Bar fica situado em frente à Alfândega do Porto (onde existe uma exposição permanente dedicada à radiodifusão).

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Altitude FM: um exemplo a seguir

A Altitude FM, sediada na Guarda, e a mais antiga emissora local portuguesa em actividade, vai dar início, a 15 de Outubro, à sua nova grelha de programas, onde é notório o cuidado em tratar de assuntos locais, existindo, para isso, vários espaços de informação, de debate, entrevista, etc.. Um importante aspecto é a existência de um Provedor do Ouvinte – figura que apenas está regulamentada para os operadores públicos de Rádio e Televisão.
O novo provedor da Altitude FM é Hélder Sequeira, licenciado em História e Mestre em Museologia pela Universidade de Coimbra, é um conhecedor do meio rádio e da própria emissora, pois foi seu director até 1994, sendo, também, autor do livro “O Dever da Memória – Uma rádio no sanatório da montanha” - um dos raros contributos bibliográficos para a história da rádio portuguesa e onde é retratada a criação e evolução da Rádio Altitude (hoje, Altitude FM). No sítio da estação podem-se ver alguns equipamentos que fizeram história.
A postura da Altitude FM é exemplar e deve ser seguida por outras emissoras. Mais e melhor rádio só se consegue criando-se um canal eficaz e transparente de comunicação entre os ouvintes e a emissora, permitindo, assim, uma relação que só poderá melhorar a prestação de uma estação emissora de radiodifusão sonora.
A Altitude FM pode ser escutada em Frequência Modulada, sendo também detentora de um alvará de Amplitude Modulada, e pode ser escutada em todo mundo através da Internet.

domingo, 7 de outubro de 2007

A nova temporada radiofónica

Muitas emissoras – principalmente as de cobertura nacional – têm grelhas de programação pensadas para os meses de Setembro a Junho. Como Julho e Agosto são, tradicionalmente, os meses de férias escolhidos pela maior parte dos portugueses, assiste-se a um menor consumo de rádio ou alteração dos hábitos de escuta.
Como tem sido hábito, as grelhas foram apresentadas em Setembro. Rádio Clube, TSF – Rádio Notícias, Rádio Renascença, RFM, Rádio Comercial, etc. mostraram os seus argumentos para conquistar novos ouvintes e manter fiéis os já existentes. A RFM e Rádio Comercial têm uma componente musical forte, enquanto as outras apostam, de uma forma geral, na informação, desporto e programas de entrevista e de contacto com os ouvintes, sendo que a música tem menor expressão.
As emissoras radiofónicas da Rádio e Televisão de Portugal (Antena 1 e Antena 3, de referir que a Antena 2 já tinha afirmado que a grelha estava estabilizada) também mudaram a programação e, no Porto, mudaram de morada, já que a RDP deixou as instalações na Rua Cândido dos Reis e foi para o moderníssimo centro de produção, em Vila Nova de Gaia.
Neste trimestre, o Rádio Clube vai tentar ganhar ouvintes – e provavelmente irá conseguir – já que apostou mais em programas de palavra e contratou profissionais conhecidos dos ouvintes em geral e que têm experiência em emissoras informativas.
A TSF – Rádio Notícias mantém o cariz informativo que a caracteriza, apostando no humor e em novos programas de informação e de opinião.
A Rádio Renascença continua igual, mas aderiu à onda nostálgica da década de 1980, criando um programa que terá festas em locais de diversão nocturna exclusivamente com música dos anos 80.
A alteração na rádio portuguesa mais lamentada pelos ouvintes, nesta nova temporada, foi o afastamento pela Rádio Comercial de António Sérgio – uma voz que atravessou gerações e teve a ousadia de apresentar novas músicas num éter nacional repleto lugares comuns.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Nos anos de ouro da radiodifusão

São cenas de uma telenovela brasileira, onde foi recreado um estúdio de rádio da década de 1940. Algumas curiosidades sobre as gravações das podem ser lidas no sítio "Eterna Magia", assim como informações sobre a história da rádio brasileira.

sábado, 29 de setembro de 2007

Isto não se faz

Já não é a primeira vez que sucede com emissoras locais, e desta vez foi a Rádio Globo Azul, de Espinho, que fechou as portas. O mais grave é que os trabalhadores não foram avisados da suspensão.

Jornalistas e políticos não são incompatíveis

A incompatibilidade só existe entre políticos que se servem do poder para salvaguardar os seus interesses pessoais e não os dos que os elegeram e os bons jornalistas.
«Rui Rio, responsabilizou, esta noite, os jornalistas por haver "cada vez menos gente na política. No entanto, «evitar o sensacionalismo e distinguir realidade de criação mediática são desafios cada vez mais complexos».
Thomas Jefferson (1743-1826), segundo presidente dos Estados Unidos da América, disse um dia: «se me coubesse decidir se deveríamos ter um governo sem jornais ou jornais sem um governo, eu não hesitaria um momento em preferir a segunda alternativa». Os políticos deviam de se lembrar mais vezes destas palavras.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Troca de conhecimentos com emissoras finlandesas

A troca de conhecimentos sobre a forma de trabalhar em radiodifusão entre emissoras de diferentes países é uma excelente forma de melhorar a rádio que por cá se faz. Um exemplo disso é o projecto Radio Camp, cuja segunda edição decorreu em Saarilla, na Finlândia. Integrado no projecto “Village Radio”, a iniciativa decorreu no âmbito do Programa LEADER +, de que é Entidade Promotora, a ADIBER – Associação de Desenvolvimento Integrado da Beira Serra, em parceria com as suas congéneres finlandesas, Joensuu Region LAG e Kalakukko Development Association.
«Os representantes portugueses e os finlandeses receberam formação em técnicas de planificação de reportagens de exterior, redacção de notícias e entrevistas, aprendendo a conduzir e a registar entrevistas que, posteriormente, são tratadas em software específico de edição de áudio. Passaram por várias aldeias e instituições locais onde recolheram e registaram em áudio vários depoimentos e histórias de vida de habitantes dessas aldeias.
O trabalho de campo resultará na edição de vários programas de rádio, temáticos, com a duração média de 6 minutos que irão ser emitidos pelas 4 rádios envolvidas no projecto – R.C. Arganil e Boa Nova, de Portugal; Rádio Rex e Oikea Asema, da Finlândia
».
O “I Radio Camp” realizou-se em Maio, em Portugal.

sábado, 22 de setembro de 2007

Sobre a falha de energia na Rádio Santiago

A respeito do texto de 28 de Agosto - Quando falha a energia – Joaquim Fernandes, director de informação daquela estação emissora esclareceu que o emissor da Rádio Santiago tem um gerador de emergência para situações de falha de energia. 17 horas é que são um tempo excessivo para a EDP resolver um problema que estava situado numa caixa de distribuição da EDP, a escassos 20 metros dos estúdios da Rádio Santiago.
Fica o esclarecimento. A notícia sobre a falha de energia pode ser lida no "Guimarães Digital".

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Futuro da rádio em análise

O Clube Renascença promove uma conferência sobre o que será a rádio nos tempos vindouros. “Novos desafios da Rádio” é o tema do colóquio que terá lugar a 2 de Outubro, às 21h00, na Fundação António de Almeida, no Porto.
No debate, estarão presentes D. Manuel Clemente, Bispo do Porto, Nelson Ribeiro, Director de Programas da Rádio Renascença e Luís Montez, empresário ligado à rádio e ao espectáculo (Grupo Lusocanal e Música no Coração). A moderação do debate estará a cargo de Francisco Sarsfield Cabral, Director de Informação da Renascença.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Emissora do Japão com programa em português

A Rádio Mie transmite, desde Agosto, o programa Info Mie, destinado aos estrangeiros que moram na província de Mie, no Japão.
O programa é transmitido todos os sábados, a partir das 21h55 em inglês, e no mesmo horário, aos domingos, em português.
A duração do programa provávelmente é proporcional aos lusófonos que habitam o local: 5 minutos.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Rádio Comercial termina relação com António Sérgio

O "Diário de Notícias" anuncia o fim do programa "Nas Horas" (não está online) e a saída de António Sérgio da Rádio Comercial. O programa terá a sua última emissão na madrugada de Sábado, entre as 00h00 e as 03h00.
António Sérgio é uma das referências radiofónicas em Portugal. Segundo o DN, começou na Rádio Renascença, em 1977, com o programa Rotação "Rotações". Em 1980 mudou-se para a então RDP-Rádio Comercial onde apresentou "Rolls Rock" e "Som da Frente". Quando foi criada a XFM, António Sérgio criou "O Grande Delta". Após a extinção daquela emissora, em 1997, o animador voltou à Rádio Comercial - agora privatizada e pertença da Media Capital Rádios - onde realizou vários programas, dos quais se destaca "A Hora do Lobo" - agora denominado "Nas Horas".
Termina, assim, «a magia da música que vem do éter». Falta saber se António Sérgio vai continuar aos microfones de outra emissora. Espero que sim.
ACT. 19 Set. - Segundo Vitor Soares, António Sérgio no «início dos anos 70 podia ser ouvido na mesma Renascença, ao lado de Odete Ferrão, apresentando o "Encontro para dois" ou, então, no "Tic-tac", dois programas que não se identificavam sequer com qualquer cultura musical de vanguarda, antes pelo contrário, e onde imperava a chamada música ligeira».

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Para escutar

Na próxima segunda-feira, 17 de Setembro, retorna à antena da TSF, a partir das 14 horas, o programa "Mais Cedo ou Mais Tarde". Neste programa vai ser focada a Rádio Bakhita, uma emissora da região de Juba, no Sul do Sudão, e cujo director de informação é o missionário português Padre José da Silva Vieira.
No programa serão focadas as dificuldades sentidas por uma estação de rádio numa terra flagelada por uma guerra civil e onde tudo falta.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Os dinheiros da Rádio e Televisão de Portugal

Segundo o “Diário de Notícias”, «cada português pagou, em média, 434 euros por ano para a RTP». A questão é esta: com esta verba não seria de termos um melhor serviço público de radiodifusão? Os ordenados da RTP e RDP são bem superiores aos de qualquer emissora privada e os equipamentos técnicos também, mas nem sempre o serviço prestado é superior ao das estações privadas.
Num país onde muitos portugueses auferem o ordenado mínimo (pouco mais de 400 euros), onde o governo propaga que é necessário diminuir a dívida pública, etc., paga-se verbas absurdas para um serviço que muitas vezes é prestado por estações privadas.
Corr. 12/09 - O “Diário de Notícias” corrigiu a notícia. Afinal são 43 euros por ano, que cada português paga, em média, para o serviço público de radiodifusão.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Blog do Azinhas

O jornalista Nuno Azinheira, do Diário de Notícias, criou o "Blog do Azinhas", onde «se falará de tudo. Haja tempo e vontade». O texto de hoje é construído em torno de uma figura da rádio e da televisão: Carlos Cruz.
O texto termina com uma série de questões, que são pertinentes e deviam ser motivo de reflexão por parte da sociedade portuguesa: «E se, no final deste julgamento, a Justiça portuguesa não conseguir dar por provado o seu envolvimento no crime de pedofilia? Que Estado de Direito é este, que jornalismo fazemos nós, que País estamos a construir? Onde fica a vida de uma pessoa interrompida há cinco anos no auge da sua carreira? Que crime é este? Tem retorno? Tem desculpa?»

Nova grelha do RCP arranca hoje

O Rádio Clube (RCP) arranca hoje com a nova grelha de programas. A meta é conquistar 100 mil novos ouvintes e ter 220 mil em Setembro de 2008. Segundo Luís Osório, director do RCP, se esta meta não for concretizada será «um enorme fracasso».
Uma coisa é certa, com o anúncio da nova grelha, o RCP conseguiu que os grandes jornais lhe dedicassem grandes espaços nas suas páginas.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

5.º SOPCOM


Para quem não pode assistir na Universidade do Minho ao 5º Congresso da Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação (SOPCOM), pode pode acompanhar o evento através da Internet, já que as sessões plenárias do 5º SOPCOM estão a ser transmitidas em directo.
Também foi criado um blogue para acompanhar o que se vai passando em volta do congresso.

Brasil: uma rádio dirigida a um público especial

É uma emissora dirigida às... prostitutas. A Rádio Zona - cuja sede é em Salvador - só emite pela internet, já que aguarda alvará para transmissão hertziana. Esta é a primeira estação a oferecer programação sobre saúde, cultura, direitos humanos e cidadania especialmente dirigido aquele segmento da população.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Um LAD com recepção DAB

O Cowon iAudio D1 é o primeiro Leitor de Áudio Digital (LAD) a incorporar um receptor Digital Audio Broadcast (DAB) e tem a particularidade de caber num bolso. Até aqui só era possível escutar as emissoras DAB em sintonizadores de mesa ou em auto-rádios, existindo poucos modelos portáteis, mas nenhum de tamanho suficientemente reduzido para ser transportado numa algibeira.
Este receptor está à venda no Reino Unido e custa £ 189,90 (mais ou menos € 250,00). Ou seja, muito caro para o consumidor médio português. De referir que o DAB apenas é popular no Reino Unido, enquanto que no resto da Europa (e não só) tem uma expressão residual, sendo inexistente em muitos países.

domingo, 2 de setembro de 2007

Para terminar o Verão em grande

Aí está mais uma festa do blogue “Queridos anos oitenta”. No próximo Sábado, 8 de Setembro, no Clube Mau Mau (Porto), a noite é para recordar sons da década de 1980.


Act. 8 de Agosto, 17h30 - A festa prevista para hoje, sábado (08/09), foi cancelada por motivos que se prendem com os recentes desenvolvimentos relativos à fiscalização de espaços de diversão nocturna levada a cabo pela ASAE no Porto. Não se trata de assumir qualquer situação menos correcta tanto da parte da organização como do Club Mau Mau, mas, nesta altura, preferimos jogar pelo seguro. O Queridos Anos 80 pede desculpas a todos aqueles a quem esta decisão causa, naturalmente, incómodo.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Uma via alternativa de receitas

Até há pouco tempo a única fonte de receitas das emissoras era a publicidade. Algumas estações criavam compilações de música em CD ou faziam espectáculos com artistas conhecidos, mas as receitas geradas por estas acções eram residuais.
Com o crescimento da música em formatos comprimidos (mp3, wma, etc.) há uma nova fonte de receita: a venda de música online. E aqui está um exemplo: a Rádio Maior FM. Esta estação disponibiliza no seu sítio êxitos musicais que podem ser descarregados através do iTunes.
Para que a rádio sobreviva nas próximas décadas há que arranjar alternativas às receitas publicitárias geradas pelo aluguer de espaço em antena. Esta é uma delas.

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Quando falha a energia

A Rádio Santiago, de Guimarães, esteve sem emissão durante 17 horas, devido a um corte na rede eléctrica, por causa do mau tempo.
A emissora ficou em silêncio, mas aquando do concurso para o licenciamento das rádios locais, em 1988, era obrigatória a inclusão de um gerador eléctrico, precisamente para evitar situações destas.
Hoje em dia, existem sistemas acumuladores de energia (UPS) que permitem uma grande autonomia evitam o silenciamento das estações de radiodifusão.

domingo, 26 de agosto de 2007

Cinco anos de “História da Rádio em Portugal”

Foi a 26 de Agosto de 2002 que dei início ao sítio “História da Rádio em Portugal”. Primeiro uma simples página, com datas relevantes da história da rádio e depois, aos poucos, a informação foi aumentando. No entanto, ainda há muito para fazer e investigar sobre a história da rádio portuguesa.

sábado, 25 de agosto de 2007

A rádio é (mesmo) para todos

Com a proliferação da Internet, Leitores de Áudio Digital, televisão por cabo, música nos telemóveis vendida pelos operadores, etc. - tudo serviços que custam dinheiro – seria fácil chegar-se à conclusão que a rádio – onde o entretenimento e a informação são gratuitos - é um meio que só tem audiências entre as camadas da população com menores recursos económicos. Se alguém tirar esta conclusão, está errado.
O “Bareme Rádio”, da Marktest, mostra que «os quadros médios e superiores são os «targets» que revelam maior afinidade com o meio rádio.Esta é uma das principais conclusões do estudo «Barame Rádio» da Marktest.
Entre os quadros médios e superiores, a audiência acumulada de rádio atinge os 72,5%, mais 31% do que o valor médio.
Os jovens entre os 25 e os 34 anos são os segundos a apresentar maior afinidade com o meio, consumindo mais 30% do que a média, em que mais de 70% revela que tem o hábito de ouvir rádio
».
A rádio ainda é o medium mais universal de todos os media, pois chega a todo o lado e a todos – basta ter um receptor radiofónico, que pode ser adquirido por um euro ou menos.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Quando a televisão não tem ideias procura na rádio

O programa da emissora M80 (em Espanha) No somos nadie foi adaptado ao formato televisivo, e teve um sucesso tão grande que o canal de televisão Cuatro o transformou num programa diário. Agora, a Cuatro quer repetir a receita e adaptar o Anda ya! de los 40 Principales.
São muitos os programas de rádio que foram adaptados ao formato televisivo. Uns são um sucesso outros são um total fracasso. Isto deve-se, principalmente, ao facto de a rádio e a televisão serem meios com características diferentes: a rádio depende apenas de um sentido – a audição – o que permite a acumulação (por exemplo, ler ou conduzir e ouvir rádio). A televisão está dependente da visão e da audição e, por causa disto, requer uma atenção total por parte do espectador. Dadas as características diferentes destes dois meios tem de existir sempre uma adaptação de um formato para o outro.
Um exemplo das diferentes características da rádio e da televisão, e das adaptações necessárias, foi a reportagem "Balcãs fantasmas à solta" transmitido ontem pela Antena 1 e pela RTP 1. Segundo o autor, o jornalista Ricardo Alexandre, «O material recolhido foi basicamente o mesmo, mas (…) são linguagens diferentes. No fundo, foi tirar o áudio, registado pela câmara, para um gravador digital de rádio. Depois, passar para os computadores e para os sistemas de tratamento de som. Há pontos comuns porque a televisão, apesar das imagens, também vive de ambientes e imagens a seco não interessam».

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Para a história da rádio portuguesa - II

O blogue “Rádio Mocidade” relata a história da emissora que estava instalada em Moçambique. O autor, Joaquim Nogueira, foi seu fundador e director, pelo que ninguém melhor do que ele para contar a história da Rádio Mocidade.
A ligação permanente fica na coluna do lado.

Para a história da rádio portuguesa - I

Aqui está uma reportagem interessante, num tempo em que as rádios locais em Frequência Modulada (ainda fora da Lei) estavam a dar os primeiros passos.

Via Rádio Informa

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

A outra rádio

As estações emissoras de radiodifusão sonora, vulgo rádios, são um produto do século XX. A radiodifusão (em inglês broadcasting * ) só foi consolidada na década de 1920, embora desde 1906 que as experiências com emissões electromagnéticas, com música e voz, denotavam rudimentares programas de entretenimento e deixavam antever o que viria ser a radiodifusão nas décadas seguintes.
Em Portugal, a primeira emissão que pode ser considerada um programa de rádio foi efectuada em 1914, por Fernando Cardelho de Medeiros – um radioamador. E foram os radioamadores os percursores da radiodifusão. Aliás, a Rede de Emissores Portugueses – REP – é uma das mais antigas associações do mundo nesta área, existindo desde 1926.
Até à década de 1930, era possível a um radioamador transmitir programas de entretenimento, o que justifica as dezenas de pequenas estações existentes em Portugal até 1939, altura em que, por causa da II Guerra Mundial, todos os postos amadores foram obrigados a suspender a sua actividade e as estações de radiodifusão tiveram de se concentrar em postos únicos, só retornando a funcionar autonomamente algum tempo depois do final da guerra.
Hoje com a crise instalada na radiodifusão, será que o futuro da própria rádio reside nas suas origens?

* Jostein Gripsrud, professor no Department of media studies, University of Bergen, Norway, escreve que «o uso original da palavra correspondente na língua inglesa - broadcasting - era como termo agrícola, para descrever o acto de semear ou espalhar as sementes numa vasta área, à mão, em círculos largos. Esta imagem da distribuição de forma generalizada e eficiente a partir de um ponto central, até à distância que o alcance permite, também está presente no significado tecnológico do termo como método de distribuição para a rádio (…)».HARTLEY, John (2002). Comunicação, Estudos Culturais e Media. Conceitos-chave. Lisboa: Quimera Editores, Lda. 1.ª edição portuguesa: 2004, a partir da 3.ª edição inglesa com material suplementar da autoria de Martin Montgomery, Elinor Rennie e Marc Brennan.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

“Omeletes sem ovos”

A Associação portuguesa de Radiodifusão (APR) – que representa uma grande parte das emissoras portuguesas, com excepção da RDP e da RR – e os sindicatos do sector, acordaram a tabela salarial para este ano e que vigora desde o início de Julho. Segundo a nova tabela, o valor mínimo é € 400,24 e o máximo é € 1240,74. De referir que o valor mínimo está abaixo do Salário Mínimo Nacional, que é de € 403,00.
Num texto do ano passado, sobre este mesmo assunto, pode ler-se que «alguns factores contribuem para que a rádio não tenha um nível elevado e um deles é o grau de especialização de quem nelas trabalha. Outro é a fraca retribuição que os trabalhadores das emissoras portuguesas auferem». Há uma relação entre estes factores.
Este é, infelizmente, um espelho do país. O que se passa na rádio, passa-se em outro sectores. E não adianta o governo apresentar figuras públicas em anúncios de televisão onde se diz que “este é o fulano de tal que não acabou os estudos”, quando se pode contrapor com dezenas (centenas?) de jovens que trabalham em lojas, hipermercados, etc. cuja actividade nada tem a ver com a área em que se licenciaram (a maioria na área da comunicação). Claro que, se calhar, até auferem um salário maior a trabalhar no comércio do que a trabalhar em rádio.
Os salários dos trabalhadores da RDP não estão a este nível. E ainda bem. Mas se a função pública é referência para o salário da actividade privada, também não deveriam os salários dos funcionários da RDP (pagos pelo povo) a referência para a tabela salarial do meio?

domingo, 29 de julho de 2007

Mais uma promessa da RCP

Luís Osório, director da Rádio Clube (RCP), em declarações ao jornal Correio da Manhã, afirmou: «Comprometo-me a ganhar 100 mil ouvintes todos os anos». Ou seja atingir, em 2008, os 2,4% de Audiência Acumulada de Véspera. Depois da promessa (nunca cumprida) dos 20 a 25 convidados da RCP, sempre quero ver se consegue cumprir esta, que é muito mais complicada de concretizar.
É certo que as manhãs da RCP são dinâmicas e diferentes das outras estações com que concorre directamente (TSF, A1, RR), mas o resto do dia não. No entanto, o primeiro passo para a RCP atingir os objectivos propostos é uma nova grelha de programas, já a partir de 10 de Setembro.

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Produção radiofónica

Colocaram-me, via e-mail, o desafio de tratar assuntos relacionados com a produção radiofónica, porque a literatura existente em português é escassa e difícil de encontrar, já que são edições antigas. Na verdade, só conheço dois livros de autores portugueses que abordam o assunto: “Rádio: produção realização estética”, de Fernando Curado Ribeiro (1964) e “Telefonia”, de Matos Maia (1995). Duas obras de autores já desaparecidos. Há, ainda, o livro “Produção de Rádio: um guia abrangente de produção radiofónica”, do inglês Robert McLeish (2001), traduzido para português do Brasil.
Dado que esta é a minha área de actuação, e sendo, também, formador na área do áudio e da produção radiofónica, irei colocar aqui alguns textos sobre equipamentos radiofónicos, som, áudio (analógico e digital) e a sua manipulação em radiodifusão.

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Censura? Não, Obrigado.

«Se tivesse que decidir se devíamos ter um governo sem jornais ou jornais sem um governo, não hesitaria um momento em preferir a segunda hipótese». Dado que estas palavras foram proferidas por Thomas Jefferson, em 1787, apenas os jornais – o único meio de comunicação social, na altura – foram referidos. Hoje, a palavra "jornais" seria substituída por "media" (Rádio, Televisão, Internet, etc.).
A sentença, ditada há mais de dois séculos, deve ser, hoje, alvo de reflexão por parte da classe politica portuguesa. Principalmente pelo actual governo. Os media têm o dever de informar e, como tal, tornam-se numa espécie de vigilantes das acções dos politicos. É certo e sabido que, por muito que neguem, os governantes não gostam do papel que as rádios, as televisões, os jornais, etc. desempenham, já que estão sob o olhar atento dos jornalistas, que lhes apontam os erros e abusos.
Durante o Estado Novo, a forma encontrada para manter os media sob controlo foi a censura – o tristemente famoso “lápis azul”. Já há poucos jornalistas no activo que tiveram o "prazer" de contornar o censor (cujo desempenho, mais ou menos rigoroso de funções, dependia da sua disposição), mas os jornalistas mais novos arriscam-se, após mais de 30 anos de plena liberdade de imprensa em Portugal, a ter que se reger novas regras, limitativas do desempenho da profissão, impostas pelo governo. Embora os políticos lhe dêem outro nome – Novo Estatuto do Jornalista – esta não é mais do que uma tentativa de limitar a liberdade de imprensa. Porque é que os políticos no governo querem um novo estatuto para os jornalistas? Se nada há a esconder, nada há a temer. Contra este estatuto está um grupo de jornalistas, que criaram o Movimento Informação é Liberdade e que conta com centenas de subscritores.
Para uma melhor compreensão do que está em causa, recomendo uma leitura do texto de Joaquim Fidalgo "Novo Estatuto do Jornalista: um consenso difícil".
Termino como comecei, com uma máxima: George Orwell disse um dia «Se a liberdade significa alguma coisa, será sobretudo o direito de dizer às outras pessoas o que elas não querem ouvir.».

segunda-feira, 23 de julho de 2007

ERC vai fiscalizar as quotas de música na rádio

A partir de Novembro, a Lei da Rádio tem de estar totalmente aplicada, pelo que as emissoras radiofónicas terão de ter uma percentagem mínima de 25% a 40% de música portuguesa.
A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) vai fiscalizar o cumprimento da Lei, com recurso a um software próprio, que contabilizará as músicas transmitidas com base em relatórios diários disponibilizados pelos operadores de radiodifusão sonora.
A Lei prevê que as emissoras de informação tenham uma quota de música portuguesa menor e as estações de serviço público tenham sejam obrigadas a passar 60% de música portuguesa.

domingo, 22 de julho de 2007

"Bamos lá cambada"...

...a mais uma festa do "Queridos Anos Oitenta", desta vez no Clube Mau Mau, no sábado, dia 28 de Julho.
Desta vez o "bailarico" não é numa discoteca iconográfica da noite tripeira da década de 1980, como era o Swing (que se desfez em fumo, literalmente), mas o que importa é o convívio.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Uma sugestão

Aqui está uma forma de os ouvintes atribuírem classificações ao mundo radiofónico português: ir ao sítio revUbox e atribuir uma pontuação às emissoras, aos animadores, etc.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Outras audiências

Quem escuta rádio através do portal da Roli - “Rádios.pt” - pode ver, na janela de media, o número de ouvintes ligados. Não sei se existem estatísticas por parte da Associação Portuguesa de Radiodifusão, mas em todas as consultas efectuadas, as rádios Oxigénio e Orbital, do distrito de Lisboa, eram as estações com mais ouvintes online. Um número esmagador de emissoras estava com apenas um ouvinte ligado, mas isto devido, certamente, à consulta do momento, senão o resultado seria zero.
Uma primeira conclusão parece obvia, o número de ouvintes online depende muito o tipo de ouvinte a quem é dirigida a emissora.

domingo, 15 de julho de 2007

O “Império dos Sentidos” e o Provedor

O Provedor do Ouvinte da RDP, José Nuno Martins, deu espaço, no seu programa semanal, a reclamações sobre o “Império dos Sentidos” – o programa da manhã da Antena 2. É uma polémica que tem algum tempo e que já foi abordada por vários blogues, entre eles A Nossa Rádio, Blogouve-se e Rádio e Jornalismo.
Considero que José Nuno Martins tem vindo a fazer um excelente trabalho, embora nem sempre esteja de acordo com as suas posições. Paulo Alves Guerra sempre pautou as suas edições na TSF por um destaque à cultura, que por vezes considerei, pela forma como era exposto, excessivo. Lembro-me, por exemplo, de um noticiário de dez minutos de duração em que oito foram preenchidos com música como se fosse uma peça jornalística. O estilo do Paulo Alves Guerra e as personalidades que são convidada do “Império dos Sentidos” não agradaram a alguns ouvintes.
Mas gostar, ou não, de algo é entrar no pantanoso terreno da subjectividade. Já o facto de o Paulo Alves Guerra se ter recusado a responder ao provedor é censurável, até porque o serviço público de radiodifusão deve-se reger por normas diferentes da rádio privada (parece, no entanto, que não há uma definição clara do que é o serviço público de radiodifusão, em Portugal). Apresentar o seu ponto de vista também seria, certamente, uma forma defender a sua posição. Quando trocou a TSF pela RDP, Paulo Alves Guerra devia de estar preparado para um maior escrutínio do seu trabalho.
Mais palavra não desvirtua o espírito do que deve ser a Antena 2 e o serviço público de rádio. Muito pelo contrário, falar sobre a música clássica (ou de Câmara, Sinfónica, Barroca, Antiga, etc.) pode ser uma forma de fazer crescer o interesse por géneros musicais que não são divulgados por outras emissoras. E não o são porque a generalidade do público não as compreende. E como, normalmente, não se gosta do não se entende… Temos aqui uma “pescadinha de rabo na boca”.
Não acho que a Antena 2 deva ter noticiários como os da Antena 1. São emissoras do mesmo grupo, logo complementares e não concorrentes. Assim sendo, as edições da Antena 2 deviam ter um tratamento jornalístico diferente, mais orientado para a cultura. Outros acontecimentos – bem explorados na Antena 1 – deviam ter menos espaço.

terça-feira, 10 de julho de 2007

Consumo de rádio diminui

A rádio portuguesa perdeu cerca de 100 mil ouvintes no segundo trimestre de 2007, em comparação com o mesmo período de 2006. Segundo o Bareme - Rádio, da Marktest, «as audiências de rádio mantêm a tendência descendente, com uma quebra de 1,8% (…)».
Ainda segundo o Bareme - Rádio, neste segundo trimestre, a estação líder continuou a ser a RFM, com 14% de Audiência Acumulada de Véspera (AAV), seguida pela Rádio Renascença com 10,2% de AAV. Na terceira posição está a Rádio Comercial, com 6,2%, seguida da Antena 1, com 5% de AAV. A Cidade FM é a quinta emissora mais escutada, com 4,6%, sendo que na posição imediata está a TSF - Rádio Notícias com 4,4%. A Antena 3 conseguiu apenas captar 2,9% de AAV, seguida da Mega FM que só atingiu 1,5%.
A Rádio Clube continua em queda, tendo apenas 1,4% de AAV, e na décima posição está a Best Rock FM, com 0,8%. O último lugar é ocupado pela Antena 2, que obteve 0,6% de AAV.
As audiências de rádio devem ser comparadas com o período homólogo de 2006, e com o primeiro trimestre de 2007.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Uma reedição

Na década de 1980, na RDP-Rádio Comercial, existia um programa onde se podiam escutar, entre músicas, coisas como «Cada vez há menos gente que se lembre de ter conhecido D. Afonso Henriques». Ou «Rádio é uma peça do braço do gira-discos». Estes ditos eram da autoria de Carlos Cruz, Joaquim Furtado, José Duarte, José Fanha, Mário Zambujal, Bernardo Brito e Cunha, Eduarda Ferreira e Orlando Neves, que faziam, então, o programa “Pão com Manteiga”.
Uma selecção de ditos jocosos, piadas non-sense e anedotas foram transpostas para dois livros (um editado em 1980, outro em 1981), que agora têm, num só volume, reedição pela editora Oficina do Livro.
É uma amostra da boa rádio que se fazia na década de 1980.

Revista “observatório” disponível online

O Obercom – Observatório da Comunicação disponibiliza para descarga, no seu sítio, os onze números da revista “Observatório”. Em vários números desta publicação há textos dedicados à rádio, tendo sido o número 4 praticamente todo dedicado à história da rádio portuguesa.

terça-feira, 3 de julho de 2007

O fim dos dias da telefonia – IV

Tecnologicamente, a rádio avança ao sabor dos tempos. Dos emissores a válvulas termiónicas e receptores de galena, às recentes emissões digitais em surround 5.1, a rádio acompanhou todas as convulsões tecnológicas a que a indústria da electrónica – principalmente no áudio - foi protagonista.
Quando a rádio era um medium sem concorrência, as condições económicas não permitiam que todos tivessem um receptor. Com o avanço da tecnologia (principalmente com a invenção do transístor) e da economia, os receptores tornaram-se mais pequenos e mais acessíveis. Mas isto também se aplicou a outros media. A televisão massificou-se na década de 1950, a cassete áudio aparece na década seguinte (em 1963, mas já descontinuada*), o Walkman da Sony nasce em finais dos anos 70 (1 de Julho de 1979) e os videogravadores tornaram-se um aparelho cada vez mais comum em casa. O Compact Disc inicia a revolução digital no início da década de 1980, tendo, nessa altura, os jogos vídeo dado um passo de gigante. O computador torna-se um centro multimédia nos anos 90, com a Internet, e os Leitores de Áudio Digital são a sua extensão portátil. Todos estes aparelhos, de alguma forma, concorrem com a rádio e contribuem para que ela fique em segundo plano.
A rádio também sofre com a globalização. Quando há uma crise económica, a primeira medida que as empresas tomam é cortar no orçamento publicitário – e a rádio vive exclusivamente de publicidade. Uma empresa pode deslocar a sua produção para um país onde os trabalhadores são pagos miseravelmente, para aumentar os lucros, mas a rádio não pode transferir as suas emissões para, por exemplo, a China.

* A propósito do fim da cassete áudio analógica, o jornal “Público” apresenta, na edição de hoje, um texto interessante sobre este assunto, no caderno P2 (não está online).

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Os Recibos Verdes

O jornal “Diário de Notícias” apresenta uma situação na RTP Porto, em que 30 trabalhadores da RTP Porto, que estavam a recibos verdes «acusam a estação pública de estar a afastá-los de funções por se terem recusado a assinar contrato com uma agência de trabalho temporário para poderem manter a sua ligação à televisão pública (…)».
Talvez por ser televisão, esta situação foi denunciada, mas na rádio é recorrente existirem trabalhadores que prestam serviço nas instalações das emissoras, com ou sem horário definido, e que passam recibos verdes. Ou seja, totalmente contra a lei.
Act. 3 de Julho - O jornal "Diário de Notícias" apresenta novos desenvolvimentos do caso, na notícia "RTP Porto vai buscar técnicos a Lisboa".

sábado, 30 de junho de 2007

Os dias do fim da telefonia – III

A realidade radiofónica difere de país para país. Não se pode comparar sequer a realidade espanhola com a portuguesa. Torna-se, portanto, bastante difícil fazer previsões a longo prazo. Quanto tempo a rádio ainda vai existir é uma incógnita, mas, provavelmente, a próxima década definirá o rumo.
No caso português, são notórios os problemas que as estações atravessam. As dificuldades económicas são uma constante de qualquer emissora particular, e quem sofre com isto é a qualidade das emissões. Não existindo capacidade financeira para suportar uma equipa qualificada (animadores, jornalistas, técnicos, etc.), recorre-se a pessoal sem qualificação profissional. Aliás, a formação na área da radiodifusão é escassa, sendo inexistente no interior do país.
A esmagadora maioria das emissões de radiodifusão sonora é em Frequência Modulada. Existem algumas em Amplitude Modulada (em Onda Média), mas o desinvestimento nesta forma de emissão foi notório a partir da década de 1980, com o aparecimento das emissoras piratas. A legalização, no final dessa década, não contemplou estações de Amplitude Modulada. Desde a década de 1950 que nenhum alvará de radiodifusão em Amplitude Modulada para novas estações foi emitido. As que o possuíam foram perdendo o interesse – inclusive a RDP. As emissoras mais pequenas que possuíam alvarás em AM e FM, foram deixando de fazer programação diferenciada para as duas antenas e, quando os emissores avariaram, deixaram mesmo de emitir, o que valeu a algumas um processo de cassação de alvará, por parte das entidades responsáveis.
A rádio portuguesa teve “mais olhos que barriga” e, após a legalização, todas as emissoras locais passaram a copiar os modelos da Antena 1, Renascença e Comercial, terminando, assim, o período de diversificação que se tinha registado ao longo da década de 1980. Apenas a TSF - Rádio Jornal se apresentou de uma forma diferente.
Grande parte das emissoras locais não percebeu o seu papel afastando-se da sua função de trabalhar para a comunidade onde estava inserida, acabando por se tornarem retransmissores das estações da capital.

(continua)

terça-feira, 26 de junho de 2007

Os dias do fim da telefonia – II

É a segunda vez que a rádio tem um fim anunciado. A primeira foi há cerca de meio século, quando a televisão se popularizou. Só que afinal a rádio não morreu. Adaptou-se… e bem! Mas hoje os desafios são maiores e a rádio não tem estado à altura. Pelo menos em Portugal.
A questão é que a rádio, de uma forma geral, tardou a responder aos desafios do digital e ainda há muita confusão no éter. O Digital Audio Broadcasting (DAB) tem problemas em se impor e já evoluiu, numa tentativa de recuperar terreno perdido, para o Digital Multimedia Broadcasting (DMB). O Digital Radio Mondiale (DRM) começa, aos poucos, a ganhar terreno, já que oferece uma qualidade sonora superior à da Amplitude Modulada (AM). E, para criar mais confusão, os Estados Unidos apostaram no sistema HD Radio - que já se chamou IBOC - e os japoneses no ISBD-T, que, tal como o DAB, está debaixo das normas Eureka 147, mas é diferente deste. Ou seja não há uniformização das emissões a nível mundial, como acontece nas emissões analógicas.
Em Portugal, a rádio digital deixa muito a desejar. Além das emissoras da Rádio e Televisão de Portugal (Antena 1, 2 e 3), que emitem em DAB, mas que se limitam a retransmitir a programação da Frequência Modulada (FM), mais nenhuma estação portuguesa emite digitalmente. Há, no entanto, em território português emissões da Deutsche Welle (DW) em DRM.
A acrescentar a esta confusão, há ainda o preço dos receptores de rádio digital, que são muito elevados para o português médio. Mesmo que a oferta radiofónica digital fosse elevada, as audiências seriam fracas, devido à escassez de receptores.
E há a rádio pela Internet – as Webradios. Mas estas emissoras ainda estão limitadas na recepção, pois não podem, ainda, ser captadas por auto-radios e é no carro que mais se escuta rádio. E acresce a isto o facto de as emissoras na Internet serem cada vez mais condicionadas pela legislação. Hoje, nos Estados Unidos é um “Dia do Silêncio”, como protesto contra as medidas restritivas impostas às emissoras online.
Claro que, no domínio digital, podemos acrescentar os Leitores de Áudio Digital (LAD), que são cada vez mais baratos e a música, em mp3 ou outro áudio comprimido similar, é simples de arranjar, existindo na Internet milhares de sítios onde ela é disponibilizada de forma gratuita, mesmo que isso seja ilegal.
As emissões digitais obrigam a investimentos em novos emissores e muitas estações não têm disponibilidade financeira para tal. Se o "Switch off" analógico decretado pelo parlamento europeu for avante, muitas emissoras terminarão de vez as emissões.

(Continua)