«aquela magia da música que vem do éter, é um hábito que se está extinguir (…) a rádio enquanto escuta caseira é um hábito que faliu e que nos fugiu, e não há maneira de voltar». António Sérgio in "Suplemento DN" de 08 de Julho de 2005
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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Isto é Que é Censura

Da revista "Sábado": «Os arquitectos também estavam proibidos de ouvir rádio - porque a música e as notícias os podiam distraír».

O nome do ateliê de arquitectura?  Tomás Taveira. Ouvir rádio não, porque ali só filmes (daqueles que rivalizam com os produzidos em San PornandoValley).

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Censura? Não, Obrigado.

«Se tivesse que decidir se devíamos ter um governo sem jornais ou jornais sem um governo, não hesitaria um momento em preferir a segunda hipótese». Dado que estas palavras foram proferidas por Thomas Jefferson, em 1787, apenas os jornais – o único meio de comunicação social, na altura – foram referidos. Hoje, a palavra "jornais" seria substituída por "media" (Rádio, Televisão, Internet, etc.).
A sentença, ditada há mais de dois séculos, deve ser, hoje, alvo de reflexão por parte da classe politica portuguesa. Principalmente pelo actual governo. Os media têm o dever de informar e, como tal, tornam-se numa espécie de vigilantes das acções dos politicos. É certo e sabido que, por muito que neguem, os governantes não gostam do papel que as rádios, as televisões, os jornais, etc. desempenham, já que estão sob o olhar atento dos jornalistas, que lhes apontam os erros e abusos.
Durante o Estado Novo, a forma encontrada para manter os media sob controlo foi a censura – o tristemente famoso “lápis azul”. Já há poucos jornalistas no activo que tiveram o "prazer" de contornar o censor (cujo desempenho, mais ou menos rigoroso de funções, dependia da sua disposição), mas os jornalistas mais novos arriscam-se, após mais de 30 anos de plena liberdade de imprensa em Portugal, a ter que se reger novas regras, limitativas do desempenho da profissão, impostas pelo governo. Embora os políticos lhe dêem outro nome – Novo Estatuto do Jornalista – esta não é mais do que uma tentativa de limitar a liberdade de imprensa. Porque é que os políticos no governo querem um novo estatuto para os jornalistas? Se nada há a esconder, nada há a temer. Contra este estatuto está um grupo de jornalistas, que criaram o Movimento Informação é Liberdade e que conta com centenas de subscritores.
Para uma melhor compreensão do que está em causa, recomendo uma leitura do texto de Joaquim Fidalgo "Novo Estatuto do Jornalista: um consenso difícil".
Termino como comecei, com uma máxima: George Orwell disse um dia «Se a liberdade significa alguma coisa, será sobretudo o direito de dizer às outras pessoas o que elas não querem ouvir.».

segunda-feira, 30 de abril de 2007

A verdade (ou quem a diz) é sempre a primeira vítima

Em certos lugares do planeta, quem trabalha em órgãos de comunicação social é um alvo. Das pressões politicas ao assassínio de jornalistas encontra-se um pouco de tudo. A verdade é incómoda para os que não cumprem as regras da sociedade. O egoísmo é elevado ao estatuto de virtude.
O “primeiro eu” – marca de muitos (quase todos?) políticos, que se governam, em vez de governarem – tem, ainda, um entrave: os órgãos de comunicação social. São estes que desmascaram, divulgam e exigem que a legalidade seja reposta. No entanto, este trabalho é feito por homens e mulheres que são sujeitos a pressões e, pela sua condição humana, muitas vezes cedem. Se não cedem podem, em última instância, ser mortos. Em Portugal ainda não chegamos a isto, mas há pressões vindas de a quem a verdade não interessa. Noutras partes do mundo já se passou à etapa seguinte.
O Committe to Protect Journalists apresenta um trabalho de dois jornalistas brasileiros - Carlos Lauría e Sauro González Rodríguez – sob o tema “No ar: Politica Paixão e notícia”, onde são feitas considerações sobre as pressões que o jornalismo independente está sujeito e as suas consequências.
Por cá, temos o exemplo recente das pressões do primeiro-ministro português sobre jornalistas.

segunda-feira, 26 de março de 2007

Nunca pensei que chegássemos a isto

Não acompanhei o programa “Grandes Portugueses”, da RTP, mas o resultado final deixa-me perplexo. Nunca pensei que António Oliveira Salazar fosse o escolhido. Não vi o documentário em que se falou de Salazar, mas certamente focaram o regime por ele criado, que permitia que patrões explorassem operários por uns míseros tostões, a polícia politica (PIDE-DGS) que praticava todo o tipo de tortura, as centenas (milhares?) de presos políticos que existiram, o número indeterminado de pessoas que eram contra o regime e que foram mortas, o assassínio de Humberto Delgado, a censura à imprensa. A guerra em África...
Resta-me como consolação que apenas um punhado de pessoas (as dez figuras tiveram, no total, 159.245 votos e o 1.º classificado apenas 41% destes votos) votou no ditador, certamente porque, pelo nome, acharam que votavam no cãozito (de seu nome Salazar) que entrou num pequeno filme televisivo (em que um jovem negro faz de Skinhead) ou então esqueceram-se que, precisamente, porque o regime instaurado por Salazar em Portugal já não existe, é que puderam votar livremente em quem queriam.
De qualquer forma, é para isto que serve o dinheiro que dou, de dois em dois meses, na factura da electricidade, para o serviço público de radiodifusão. Se um dia Adolf Hilter vier a ser considerado um grande europeu, já não me vou espantar...

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

E vão duas...

O programa “O amor é...”, da autoria de Júlio Machado Vaz, que passa na Antena 1, ficou hoje por transmitir. Segundo a direcção de programas da Antena 1, «As posições aí tomadas pelos autores sobre o Referendo do próximo dia 11, colidem frontalmente com o princípio de neutralidade a que a rádio pública está obrigada e com o imperativo de independência que caracteriza o próprio conceito de serviço público». Júlio Machado Vaz já se pronunciou sobre este assunto no blogue “Murcon”.
E com esta, são já duas as vezes que o programa é retirado do ar. A primeira foi a 10 de Abril de 2005, aquando da morte de João Paulo II.