«aquela magia da música que vem do éter, é um hábito que se está extinguir (…) a rádio enquanto escuta caseira é um hábito que faliu e que nos fugiu, e não há maneira de voltar». António Sérgio in "Suplemento DN" de 08 de Julho de 2005

quinta-feira, 15 de junho de 2006

Falar na Rádio

Uma das funções da rádio é formar. Mas é certo e sabido que muitos jornalistas e animadores não dão o devido valor a esta função - ou porque não querem, ou porque não sabem. Falar correctamente na rádio é uma maneira de formar, pois o ouvinte repete o que é dito, podendo mesmo corrigir o português que usa no dia-a-dia. Mas o contrário também é verdade.
A linguagem radiofónica deve de ser simples e a dicção deve ser correcta, para que a mensagem possa ser entendida pelo maior número possível de ouvintes. Termos eruditos ou demasiado técnicos não são desejáveis, pois ao serem utilizadas palavras menos comuns, estas tornam-se ruído para quem não as descodifica de imediato. João Paulo Meneses, no livro Tudo o que se passa na TSF ...Para um “livro de estilo”, cita C. Terrien*: «Não estás cá para fazeres carreira de escritor. Na imprensa escrita podemos sempre reler-nos, completar-nos. Não quando nos encontramos diante de um microfone. O mesmo acontece com o ouvinte: é preciso que ele compreenda, que capte imediatamente, senão deixa de ouvir».
Já ouvi (e li, o que é pior) erros como “interviu” (interveio); “madrasto” (ou é padrasto ou é madrasta); “ouvisto” (ou é vi, ou é ouvi); e, já agora, “Hades” (palavra que muito confundem com “hás-de”) é, na mitologia grega, o deus do mundo inferior, soberano dos mortos. Por estas e por outras, quem escreve e fala nos media e não tem o cuidado necessário com o português é, agora, candidato a figurar numa lista de prevaricadores que Lauro Portugal vai apresentar no sítio do Clube dos Jornalistas.

* Lavoinne, Yves. A Rádio. Editora Vega, Lisboa, pag.67.

2 comentários:

Anónimo disse...

É uma belíssima atitude! E já lá estão algumas "pérolas"!
RC

PC disse...

Também gosto muito do «aderência» (adesão) à greve!