«aquela magia da música que vem do éter, é um hábito que se está extinguir (…) a rádio enquanto escuta caseira é um hábito que faliu e que nos fugiu, e não há maneira de voltar». António Sérgio in "Suplemento DN" de 08 de Julho de 2005

sábado, 25 de agosto de 2007

A rádio é (mesmo) para todos

Com a proliferação da Internet, Leitores de Áudio Digital, televisão por cabo, música nos telemóveis vendida pelos operadores, etc. - tudo serviços que custam dinheiro – seria fácil chegar-se à conclusão que a rádio – onde o entretenimento e a informação são gratuitos - é um meio que só tem audiências entre as camadas da população com menores recursos económicos. Se alguém tirar esta conclusão, está errado.
O “Bareme Rádio”, da Marktest, mostra que «os quadros médios e superiores são os «targets» que revelam maior afinidade com o meio rádio.Esta é uma das principais conclusões do estudo «Barame Rádio» da Marktest.
Entre os quadros médios e superiores, a audiência acumulada de rádio atinge os 72,5%, mais 31% do que o valor médio.
Os jovens entre os 25 e os 34 anos são os segundos a apresentar maior afinidade com o meio, consumindo mais 30% do que a média, em que mais de 70% revela que tem o hábito de ouvir rádio
».
A rádio ainda é o medium mais universal de todos os media, pois chega a todo o lado e a todos – basta ter um receptor radiofónico, que pode ser adquirido por um euro ou menos.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Quando a televisão não tem ideias procura na rádio

O programa da emissora M80 (em Espanha) No somos nadie foi adaptado ao formato televisivo, e teve um sucesso tão grande que o canal de televisão Cuatro o transformou num programa diário. Agora, a Cuatro quer repetir a receita e adaptar o Anda ya! de los 40 Principales.
São muitos os programas de rádio que foram adaptados ao formato televisivo. Uns são um sucesso outros são um total fracasso. Isto deve-se, principalmente, ao facto de a rádio e a televisão serem meios com características diferentes: a rádio depende apenas de um sentido – a audição – o que permite a acumulação (por exemplo, ler ou conduzir e ouvir rádio). A televisão está dependente da visão e da audição e, por causa disto, requer uma atenção total por parte do espectador. Dadas as características diferentes destes dois meios tem de existir sempre uma adaptação de um formato para o outro.
Um exemplo das diferentes características da rádio e da televisão, e das adaptações necessárias, foi a reportagem "Balcãs fantasmas à solta" transmitido ontem pela Antena 1 e pela RTP 1. Segundo o autor, o jornalista Ricardo Alexandre, «O material recolhido foi basicamente o mesmo, mas (…) são linguagens diferentes. No fundo, foi tirar o áudio, registado pela câmara, para um gravador digital de rádio. Depois, passar para os computadores e para os sistemas de tratamento de som. Há pontos comuns porque a televisão, apesar das imagens, também vive de ambientes e imagens a seco não interessam».

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Para a história da rádio portuguesa - II

O blogue “Rádio Mocidade” relata a história da emissora que estava instalada em Moçambique. O autor, Joaquim Nogueira, foi seu fundador e director, pelo que ninguém melhor do que ele para contar a história da Rádio Mocidade.
A ligação permanente fica na coluna do lado.

Para a história da rádio portuguesa - I

Aqui está uma reportagem interessante, num tempo em que as rádios locais em Frequência Modulada (ainda fora da Lei) estavam a dar os primeiros passos.

Via Rádio Informa

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

A outra rádio

As estações emissoras de radiodifusão sonora, vulgo rádios, são um produto do século XX. A radiodifusão (em inglês broadcasting * ) só foi consolidada na década de 1920, embora desde 1906 que as experiências com emissões electromagnéticas, com música e voz, denotavam rudimentares programas de entretenimento e deixavam antever o que viria ser a radiodifusão nas décadas seguintes.
Em Portugal, a primeira emissão que pode ser considerada um programa de rádio foi efectuada em 1914, por Fernando Cardelho de Medeiros – um radioamador. E foram os radioamadores os percursores da radiodifusão. Aliás, a Rede de Emissores Portugueses – REP – é uma das mais antigas associações do mundo nesta área, existindo desde 1926.
Até à década de 1930, era possível a um radioamador transmitir programas de entretenimento, o que justifica as dezenas de pequenas estações existentes em Portugal até 1939, altura em que, por causa da II Guerra Mundial, todos os postos amadores foram obrigados a suspender a sua actividade e as estações de radiodifusão tiveram de se concentrar em postos únicos, só retornando a funcionar autonomamente algum tempo depois do final da guerra.
Hoje com a crise instalada na radiodifusão, será que o futuro da própria rádio reside nas suas origens?

* Jostein Gripsrud, professor no Department of media studies, University of Bergen, Norway, escreve que «o uso original da palavra correspondente na língua inglesa - broadcasting - era como termo agrícola, para descrever o acto de semear ou espalhar as sementes numa vasta área, à mão, em círculos largos. Esta imagem da distribuição de forma generalizada e eficiente a partir de um ponto central, até à distância que o alcance permite, também está presente no significado tecnológico do termo como método de distribuição para a rádio (…)».HARTLEY, John (2002). Comunicação, Estudos Culturais e Media. Conceitos-chave. Lisboa: Quimera Editores, Lda. 1.ª edição portuguesa: 2004, a partir da 3.ª edição inglesa com material suplementar da autoria de Martin Montgomery, Elinor Rennie e Marc Brennan.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

“Omeletes sem ovos”

A Associação portuguesa de Radiodifusão (APR) – que representa uma grande parte das emissoras portuguesas, com excepção da RDP e da RR – e os sindicatos do sector, acordaram a tabela salarial para este ano e que vigora desde o início de Julho. Segundo a nova tabela, o valor mínimo é € 400,24 e o máximo é € 1240,74. De referir que o valor mínimo está abaixo do Salário Mínimo Nacional, que é de € 403,00.
Num texto do ano passado, sobre este mesmo assunto, pode ler-se que «alguns factores contribuem para que a rádio não tenha um nível elevado e um deles é o grau de especialização de quem nelas trabalha. Outro é a fraca retribuição que os trabalhadores das emissoras portuguesas auferem». Há uma relação entre estes factores.
Este é, infelizmente, um espelho do país. O que se passa na rádio, passa-se em outro sectores. E não adianta o governo apresentar figuras públicas em anúncios de televisão onde se diz que “este é o fulano de tal que não acabou os estudos”, quando se pode contrapor com dezenas (centenas?) de jovens que trabalham em lojas, hipermercados, etc. cuja actividade nada tem a ver com a área em que se licenciaram (a maioria na área da comunicação). Claro que, se calhar, até auferem um salário maior a trabalhar no comércio do que a trabalhar em rádio.
Os salários dos trabalhadores da RDP não estão a este nível. E ainda bem. Mas se a função pública é referência para o salário da actividade privada, também não deveriam os salários dos funcionários da RDP (pagos pelo povo) a referência para a tabela salarial do meio?

domingo, 29 de julho de 2007

Mais uma promessa da RCP

Luís Osório, director da Rádio Clube (RCP), em declarações ao jornal Correio da Manhã, afirmou: «Comprometo-me a ganhar 100 mil ouvintes todos os anos». Ou seja atingir, em 2008, os 2,4% de Audiência Acumulada de Véspera. Depois da promessa (nunca cumprida) dos 20 a 25 convidados da RCP, sempre quero ver se consegue cumprir esta, que é muito mais complicada de concretizar.
É certo que as manhãs da RCP são dinâmicas e diferentes das outras estações com que concorre directamente (TSF, A1, RR), mas o resto do dia não. No entanto, o primeiro passo para a RCP atingir os objectivos propostos é uma nova grelha de programas, já a partir de 10 de Setembro.

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Produção radiofónica

Colocaram-me, via e-mail, o desafio de tratar assuntos relacionados com a produção radiofónica, porque a literatura existente em português é escassa e difícil de encontrar, já que são edições antigas. Na verdade, só conheço dois livros de autores portugueses que abordam o assunto: “Rádio: produção realização estética”, de Fernando Curado Ribeiro (1964) e “Telefonia”, de Matos Maia (1995). Duas obras de autores já desaparecidos. Há, ainda, o livro “Produção de Rádio: um guia abrangente de produção radiofónica”, do inglês Robert McLeish (2001), traduzido para português do Brasil.
Dado que esta é a minha área de actuação, e sendo, também, formador na área do áudio e da produção radiofónica, irei colocar aqui alguns textos sobre equipamentos radiofónicos, som, áudio (analógico e digital) e a sua manipulação em radiodifusão.

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Censura? Não, Obrigado.

«Se tivesse que decidir se devíamos ter um governo sem jornais ou jornais sem um governo, não hesitaria um momento em preferir a segunda hipótese». Dado que estas palavras foram proferidas por Thomas Jefferson, em 1787, apenas os jornais – o único meio de comunicação social, na altura – foram referidos. Hoje, a palavra "jornais" seria substituída por "media" (Rádio, Televisão, Internet, etc.).
A sentença, ditada há mais de dois séculos, deve ser, hoje, alvo de reflexão por parte da classe politica portuguesa. Principalmente pelo actual governo. Os media têm o dever de informar e, como tal, tornam-se numa espécie de vigilantes das acções dos politicos. É certo e sabido que, por muito que neguem, os governantes não gostam do papel que as rádios, as televisões, os jornais, etc. desempenham, já que estão sob o olhar atento dos jornalistas, que lhes apontam os erros e abusos.
Durante o Estado Novo, a forma encontrada para manter os media sob controlo foi a censura – o tristemente famoso “lápis azul”. Já há poucos jornalistas no activo que tiveram o "prazer" de contornar o censor (cujo desempenho, mais ou menos rigoroso de funções, dependia da sua disposição), mas os jornalistas mais novos arriscam-se, após mais de 30 anos de plena liberdade de imprensa em Portugal, a ter que se reger novas regras, limitativas do desempenho da profissão, impostas pelo governo. Embora os políticos lhe dêem outro nome – Novo Estatuto do Jornalista – esta não é mais do que uma tentativa de limitar a liberdade de imprensa. Porque é que os políticos no governo querem um novo estatuto para os jornalistas? Se nada há a esconder, nada há a temer. Contra este estatuto está um grupo de jornalistas, que criaram o Movimento Informação é Liberdade e que conta com centenas de subscritores.
Para uma melhor compreensão do que está em causa, recomendo uma leitura do texto de Joaquim Fidalgo "Novo Estatuto do Jornalista: um consenso difícil".
Termino como comecei, com uma máxima: George Orwell disse um dia «Se a liberdade significa alguma coisa, será sobretudo o direito de dizer às outras pessoas o que elas não querem ouvir.».

segunda-feira, 23 de julho de 2007

ERC vai fiscalizar as quotas de música na rádio

A partir de Novembro, a Lei da Rádio tem de estar totalmente aplicada, pelo que as emissoras radiofónicas terão de ter uma percentagem mínima de 25% a 40% de música portuguesa.
A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) vai fiscalizar o cumprimento da Lei, com recurso a um software próprio, que contabilizará as músicas transmitidas com base em relatórios diários disponibilizados pelos operadores de radiodifusão sonora.
A Lei prevê que as emissoras de informação tenham uma quota de música portuguesa menor e as estações de serviço público tenham sejam obrigadas a passar 60% de música portuguesa.

domingo, 22 de julho de 2007

"Bamos lá cambada"...

...a mais uma festa do "Queridos Anos Oitenta", desta vez no Clube Mau Mau, no sábado, dia 28 de Julho.
Desta vez o "bailarico" não é numa discoteca iconográfica da noite tripeira da década de 1980, como era o Swing (que se desfez em fumo, literalmente), mas o que importa é o convívio.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Uma sugestão

Aqui está uma forma de os ouvintes atribuírem classificações ao mundo radiofónico português: ir ao sítio revUbox e atribuir uma pontuação às emissoras, aos animadores, etc.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Outras audiências

Quem escuta rádio através do portal da Roli - “Rádios.pt” - pode ver, na janela de media, o número de ouvintes ligados. Não sei se existem estatísticas por parte da Associação Portuguesa de Radiodifusão, mas em todas as consultas efectuadas, as rádios Oxigénio e Orbital, do distrito de Lisboa, eram as estações com mais ouvintes online. Um número esmagador de emissoras estava com apenas um ouvinte ligado, mas isto devido, certamente, à consulta do momento, senão o resultado seria zero.
Uma primeira conclusão parece obvia, o número de ouvintes online depende muito o tipo de ouvinte a quem é dirigida a emissora.

domingo, 15 de julho de 2007

O “Império dos Sentidos” e o Provedor

O Provedor do Ouvinte da RDP, José Nuno Martins, deu espaço, no seu programa semanal, a reclamações sobre o “Império dos Sentidos” – o programa da manhã da Antena 2. É uma polémica que tem algum tempo e que já foi abordada por vários blogues, entre eles A Nossa Rádio, Blogouve-se e Rádio e Jornalismo.
Considero que José Nuno Martins tem vindo a fazer um excelente trabalho, embora nem sempre esteja de acordo com as suas posições. Paulo Alves Guerra sempre pautou as suas edições na TSF por um destaque à cultura, que por vezes considerei, pela forma como era exposto, excessivo. Lembro-me, por exemplo, de um noticiário de dez minutos de duração em que oito foram preenchidos com música como se fosse uma peça jornalística. O estilo do Paulo Alves Guerra e as personalidades que são convidada do “Império dos Sentidos” não agradaram a alguns ouvintes.
Mas gostar, ou não, de algo é entrar no pantanoso terreno da subjectividade. Já o facto de o Paulo Alves Guerra se ter recusado a responder ao provedor é censurável, até porque o serviço público de radiodifusão deve-se reger por normas diferentes da rádio privada (parece, no entanto, que não há uma definição clara do que é o serviço público de radiodifusão, em Portugal). Apresentar o seu ponto de vista também seria, certamente, uma forma defender a sua posição. Quando trocou a TSF pela RDP, Paulo Alves Guerra devia de estar preparado para um maior escrutínio do seu trabalho.
Mais palavra não desvirtua o espírito do que deve ser a Antena 2 e o serviço público de rádio. Muito pelo contrário, falar sobre a música clássica (ou de Câmara, Sinfónica, Barroca, Antiga, etc.) pode ser uma forma de fazer crescer o interesse por géneros musicais que não são divulgados por outras emissoras. E não o são porque a generalidade do público não as compreende. E como, normalmente, não se gosta do não se entende… Temos aqui uma “pescadinha de rabo na boca”.
Não acho que a Antena 2 deva ter noticiários como os da Antena 1. São emissoras do mesmo grupo, logo complementares e não concorrentes. Assim sendo, as edições da Antena 2 deviam ter um tratamento jornalístico diferente, mais orientado para a cultura. Outros acontecimentos – bem explorados na Antena 1 – deviam ter menos espaço.

terça-feira, 10 de julho de 2007

Consumo de rádio diminui

A rádio portuguesa perdeu cerca de 100 mil ouvintes no segundo trimestre de 2007, em comparação com o mesmo período de 2006. Segundo o Bareme - Rádio, da Marktest, «as audiências de rádio mantêm a tendência descendente, com uma quebra de 1,8% (…)».
Ainda segundo o Bareme - Rádio, neste segundo trimestre, a estação líder continuou a ser a RFM, com 14% de Audiência Acumulada de Véspera (AAV), seguida pela Rádio Renascença com 10,2% de AAV. Na terceira posição está a Rádio Comercial, com 6,2%, seguida da Antena 1, com 5% de AAV. A Cidade FM é a quinta emissora mais escutada, com 4,6%, sendo que na posição imediata está a TSF - Rádio Notícias com 4,4%. A Antena 3 conseguiu apenas captar 2,9% de AAV, seguida da Mega FM que só atingiu 1,5%.
A Rádio Clube continua em queda, tendo apenas 1,4% de AAV, e na décima posição está a Best Rock FM, com 0,8%. O último lugar é ocupado pela Antena 2, que obteve 0,6% de AAV.
As audiências de rádio devem ser comparadas com o período homólogo de 2006, e com o primeiro trimestre de 2007.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Uma reedição

Na década de 1980, na RDP-Rádio Comercial, existia um programa onde se podiam escutar, entre músicas, coisas como «Cada vez há menos gente que se lembre de ter conhecido D. Afonso Henriques». Ou «Rádio é uma peça do braço do gira-discos». Estes ditos eram da autoria de Carlos Cruz, Joaquim Furtado, José Duarte, José Fanha, Mário Zambujal, Bernardo Brito e Cunha, Eduarda Ferreira e Orlando Neves, que faziam, então, o programa “Pão com Manteiga”.
Uma selecção de ditos jocosos, piadas non-sense e anedotas foram transpostas para dois livros (um editado em 1980, outro em 1981), que agora têm, num só volume, reedição pela editora Oficina do Livro.
É uma amostra da boa rádio que se fazia na década de 1980.

Revista “observatório” disponível online

O Obercom – Observatório da Comunicação disponibiliza para descarga, no seu sítio, os onze números da revista “Observatório”. Em vários números desta publicação há textos dedicados à rádio, tendo sido o número 4 praticamente todo dedicado à história da rádio portuguesa.

terça-feira, 3 de julho de 2007

O fim dos dias da telefonia – IV

Tecnologicamente, a rádio avança ao sabor dos tempos. Dos emissores a válvulas termiónicas e receptores de galena, às recentes emissões digitais em surround 5.1, a rádio acompanhou todas as convulsões tecnológicas a que a indústria da electrónica – principalmente no áudio - foi protagonista.
Quando a rádio era um medium sem concorrência, as condições económicas não permitiam que todos tivessem um receptor. Com o avanço da tecnologia (principalmente com a invenção do transístor) e da economia, os receptores tornaram-se mais pequenos e mais acessíveis. Mas isto também se aplicou a outros media. A televisão massificou-se na década de 1950, a cassete áudio aparece na década seguinte (em 1963, mas já descontinuada*), o Walkman da Sony nasce em finais dos anos 70 (1 de Julho de 1979) e os videogravadores tornaram-se um aparelho cada vez mais comum em casa. O Compact Disc inicia a revolução digital no início da década de 1980, tendo, nessa altura, os jogos vídeo dado um passo de gigante. O computador torna-se um centro multimédia nos anos 90, com a Internet, e os Leitores de Áudio Digital são a sua extensão portátil. Todos estes aparelhos, de alguma forma, concorrem com a rádio e contribuem para que ela fique em segundo plano.
A rádio também sofre com a globalização. Quando há uma crise económica, a primeira medida que as empresas tomam é cortar no orçamento publicitário – e a rádio vive exclusivamente de publicidade. Uma empresa pode deslocar a sua produção para um país onde os trabalhadores são pagos miseravelmente, para aumentar os lucros, mas a rádio não pode transferir as suas emissões para, por exemplo, a China.

* A propósito do fim da cassete áudio analógica, o jornal “Público” apresenta, na edição de hoje, um texto interessante sobre este assunto, no caderno P2 (não está online).

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Os Recibos Verdes

O jornal “Diário de Notícias” apresenta uma situação na RTP Porto, em que 30 trabalhadores da RTP Porto, que estavam a recibos verdes «acusam a estação pública de estar a afastá-los de funções por se terem recusado a assinar contrato com uma agência de trabalho temporário para poderem manter a sua ligação à televisão pública (…)».
Talvez por ser televisão, esta situação foi denunciada, mas na rádio é recorrente existirem trabalhadores que prestam serviço nas instalações das emissoras, com ou sem horário definido, e que passam recibos verdes. Ou seja, totalmente contra a lei.
Act. 3 de Julho - O jornal "Diário de Notícias" apresenta novos desenvolvimentos do caso, na notícia "RTP Porto vai buscar técnicos a Lisboa".

sábado, 30 de junho de 2007

Os dias do fim da telefonia – III

A realidade radiofónica difere de país para país. Não se pode comparar sequer a realidade espanhola com a portuguesa. Torna-se, portanto, bastante difícil fazer previsões a longo prazo. Quanto tempo a rádio ainda vai existir é uma incógnita, mas, provavelmente, a próxima década definirá o rumo.
No caso português, são notórios os problemas que as estações atravessam. As dificuldades económicas são uma constante de qualquer emissora particular, e quem sofre com isto é a qualidade das emissões. Não existindo capacidade financeira para suportar uma equipa qualificada (animadores, jornalistas, técnicos, etc.), recorre-se a pessoal sem qualificação profissional. Aliás, a formação na área da radiodifusão é escassa, sendo inexistente no interior do país.
A esmagadora maioria das emissões de radiodifusão sonora é em Frequência Modulada. Existem algumas em Amplitude Modulada (em Onda Média), mas o desinvestimento nesta forma de emissão foi notório a partir da década de 1980, com o aparecimento das emissoras piratas. A legalização, no final dessa década, não contemplou estações de Amplitude Modulada. Desde a década de 1950 que nenhum alvará de radiodifusão em Amplitude Modulada para novas estações foi emitido. As que o possuíam foram perdendo o interesse – inclusive a RDP. As emissoras mais pequenas que possuíam alvarás em AM e FM, foram deixando de fazer programação diferenciada para as duas antenas e, quando os emissores avariaram, deixaram mesmo de emitir, o que valeu a algumas um processo de cassação de alvará, por parte das entidades responsáveis.
A rádio portuguesa teve “mais olhos que barriga” e, após a legalização, todas as emissoras locais passaram a copiar os modelos da Antena 1, Renascença e Comercial, terminando, assim, o período de diversificação que se tinha registado ao longo da década de 1980. Apenas a TSF - Rádio Jornal se apresentou de uma forma diferente.
Grande parte das emissoras locais não percebeu o seu papel afastando-se da sua função de trabalhar para a comunidade onde estava inserida, acabando por se tornarem retransmissores das estações da capital.

(continua)

terça-feira, 26 de junho de 2007

Os dias do fim da telefonia – II

É a segunda vez que a rádio tem um fim anunciado. A primeira foi há cerca de meio século, quando a televisão se popularizou. Só que afinal a rádio não morreu. Adaptou-se… e bem! Mas hoje os desafios são maiores e a rádio não tem estado à altura. Pelo menos em Portugal.
A questão é que a rádio, de uma forma geral, tardou a responder aos desafios do digital e ainda há muita confusão no éter. O Digital Audio Broadcasting (DAB) tem problemas em se impor e já evoluiu, numa tentativa de recuperar terreno perdido, para o Digital Multimedia Broadcasting (DMB). O Digital Radio Mondiale (DRM) começa, aos poucos, a ganhar terreno, já que oferece uma qualidade sonora superior à da Amplitude Modulada (AM). E, para criar mais confusão, os Estados Unidos apostaram no sistema HD Radio - que já se chamou IBOC - e os japoneses no ISBD-T, que, tal como o DAB, está debaixo das normas Eureka 147, mas é diferente deste. Ou seja não há uniformização das emissões a nível mundial, como acontece nas emissões analógicas.
Em Portugal, a rádio digital deixa muito a desejar. Além das emissoras da Rádio e Televisão de Portugal (Antena 1, 2 e 3), que emitem em DAB, mas que se limitam a retransmitir a programação da Frequência Modulada (FM), mais nenhuma estação portuguesa emite digitalmente. Há, no entanto, em território português emissões da Deutsche Welle (DW) em DRM.
A acrescentar a esta confusão, há ainda o preço dos receptores de rádio digital, que são muito elevados para o português médio. Mesmo que a oferta radiofónica digital fosse elevada, as audiências seriam fracas, devido à escassez de receptores.
E há a rádio pela Internet – as Webradios. Mas estas emissoras ainda estão limitadas na recepção, pois não podem, ainda, ser captadas por auto-radios e é no carro que mais se escuta rádio. E acresce a isto o facto de as emissoras na Internet serem cada vez mais condicionadas pela legislação. Hoje, nos Estados Unidos é um “Dia do Silêncio”, como protesto contra as medidas restritivas impostas às emissoras online.
Claro que, no domínio digital, podemos acrescentar os Leitores de Áudio Digital (LAD), que são cada vez mais baratos e a música, em mp3 ou outro áudio comprimido similar, é simples de arranjar, existindo na Internet milhares de sítios onde ela é disponibilizada de forma gratuita, mesmo que isso seja ilegal.
As emissões digitais obrigam a investimentos em novos emissores e muitas estações não têm disponibilidade financeira para tal. Se o "Switch off" analógico decretado pelo parlamento europeu for avante, muitas emissoras terminarão de vez as emissões.

(Continua)

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Os dias do fim da telefonia – I

A propósito da reportagem do jornal “Diário de Notícias” sobre um seminário que decorreu na Sociedade Portuguesa de Autores sobre a sobrevivência da rádio, há algumas considerações a fazer, que serão colocadas em vários textos, dada a extensão e complexidade.
Sobre o texto "A rádio vai morrer muito em breve", já escreveram os blogues O Segundo Choque (este blogue estuda o assunto de uma forma aprofundada), NetFM e Rádio e Jornalismo.

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Quatro anos de “A Rádio em Portugal”

Passam hoje quatro anos sobre o primeiro texto neste blogue, publicado ainda na plataforma weblogger.com.br. Nestes quatro anos, o panorama radiofónico português mudou, mas isso não é de estranhar. Vivemos dias de alteração constante, no entanto, uma mudança que penso ser significativa foi o facto de a rádio ter perdido espaço nos periódicos portugueses. As páginas de media dos jornais são, na sua quase totalidade, dedicadas à televisão, em especial às telenovelas. Quando comecei a minha página da história da rádio portuguesa, recorri a revistas e periódicos de finais do século XIX e da primeira metade do século XX. Há, nos jornais da época, muita informação que permite, pelo menos, ter uma imagem do que era a radiodifusão em Portugal, nos seus primórdios. Daqui a meio século, se algum investigador quiser saber como eram os media na primeira metade do século XXI, vai ter alguma dificuldade em encontrar informações detalhadas sobre a rádio. Pelo menos existem blogues e páginas na Internet sobre o meio, que, de alguma forma, vão colmatando a lacuna deixada pelos jornais.
Das dezenas de revistas que existiam em Portugal sobre a rádio, apenas sobra a “QSP – Revista de Rádio e Comunicações”, no entanto esta publicação é mais virada para o radioamadorismo e é difícil de encontrar nas bancas. Um ponto muito positivo, nestes quatro anos, foi o facto de a literatura referente à rádio ter sido substancialmente aumentada.
Ao longo destes anos este espaço permitiu-me adquirir conhecimentos e criar amizades. A todos os que visitam este espaço, o meu agradecimento.

A ler no DN de hoje: O fim da rádio

O "Diário de Notícias" apresenta uma reportagem sobre um seminário que decorreu na Sociedade Portuguesa de Autores sobre a sobrevivência da rádio.
"A rádio vai morrer muito em breve"! Esta foi a sentença proferida durante o seminário e parece ser consensual entre os palestrantes.
Nos próximos dias voltarei a este assunto, com uma análise mais profunda.

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Ainda sobre "A música portuguesa na NPR"

Álvaro Costa, referido num comentário no texto “A música portuguesa na NPR”, de 7 de Maio, por dificuldades em inserir comentários, respondeu por e-mail, ao último comentário lá colocado:
«Carlos Paredes em inglês? Rodrigo Leão em inglês? Mário Barreiros em inglês? Sativa em inglês? Megaphone em inglês? Paulo Gonzo em inglês? Tony Carreira em inglês? Blind Zero em inglês? Sim.
Em colaboração com o Henrique Amaro, elaborei esta lista, sabendo o que ele iria escolher. O tempo do podcast, cerca de 30 m, nunca permitiria uma viagem real, pela diversidade e história da música portuguesa. Por isso, uma escolha que incluía tradição (Carlos Paredes), neo world exportável / Rodrigo Leão, movimentos de nicho como o jazz (Mário Barreiros) o triangulo África, Brasil, Portugal, e em especial a cena reggae do Porto, as variedades modernas, Paulo Gonzo, a musica popular urbana, Tony Carreira, a etnografia como ponto de partida, Megaphone e o rock, Blind Zero. Todas e quaisquer outras opções eram legítimas, mas se escutarem os 2 programas creio que conseguimos dar uma amostra ampla do que realmente se faz por cá, com evidentes " injustiças" pela falta de tempo
Por acaso, sabia que inicialmente o podcast era para ser apenas um? Fui eu que ao ser motorista e guia turístico da comitiva da NPR que os convenci a fazer 2 programas. Por acaso imagina as dezenas de discos que escutaram pela Foz, Boavista, Pasteleira, Lordelo do Ouro, Aldoar, Matosinhos e Leça?
A sua opinião é legítima, mas dizer que escolhi o inglês é muito injusto. Apenas uma canção que se chama Heroes e que representa uma fatia da produção nacional nessa lingua. De 8 clips sonoros, um ser cantado em inglês, ultrapassa todas as quotas possíveis e imaginárias.
Obrigado por escutarem e felicidades para o blog que visito regularmente
Álvaro Costa».

terça-feira, 19 de junho de 2007

Algo vai mal na informação radiofónica

Há em Portugal quatro emissoras com uma forte componente informativa – TSF, Antena1, Renascença e RCP. Mas, segundo o Blogouve-se, parece que todas passaram ao lado de uma notícia, apenas tendo desenvolvido o assunto 24 horas depois.
Ou todas as estações andam distraídas ou então anda tudo a ver (ouvir) o que as outras fazem, indo depois atrás.