«aquela magia da música que vem do éter, é um hábito que se está extinguir (…) a rádio enquanto escuta caseira é um hábito que faliu e que nos fugiu, e não há maneira de voltar». António Sérgio in "Suplemento DN" de 08 de Julho de 2005

sábado, 30 de junho de 2007

Os dias do fim da telefonia – III

A realidade radiofónica difere de país para país. Não se pode comparar sequer a realidade espanhola com a portuguesa. Torna-se, portanto, bastante difícil fazer previsões a longo prazo. Quanto tempo a rádio ainda vai existir é uma incógnita, mas, provavelmente, a próxima década definirá o rumo.
No caso português, são notórios os problemas que as estações atravessam. As dificuldades económicas são uma constante de qualquer emissora particular, e quem sofre com isto é a qualidade das emissões. Não existindo capacidade financeira para suportar uma equipa qualificada (animadores, jornalistas, técnicos, etc.), recorre-se a pessoal sem qualificação profissional. Aliás, a formação na área da radiodifusão é escassa, sendo inexistente no interior do país.
A esmagadora maioria das emissões de radiodifusão sonora é em Frequência Modulada. Existem algumas em Amplitude Modulada (em Onda Média), mas o desinvestimento nesta forma de emissão foi notório a partir da década de 1980, com o aparecimento das emissoras piratas. A legalização, no final dessa década, não contemplou estações de Amplitude Modulada. Desde a década de 1950 que nenhum alvará de radiodifusão em Amplitude Modulada para novas estações foi emitido. As que o possuíam foram perdendo o interesse – inclusive a RDP. As emissoras mais pequenas que possuíam alvarás em AM e FM, foram deixando de fazer programação diferenciada para as duas antenas e, quando os emissores avariaram, deixaram mesmo de emitir, o que valeu a algumas um processo de cassação de alvará, por parte das entidades responsáveis.
A rádio portuguesa teve “mais olhos que barriga” e, após a legalização, todas as emissoras locais passaram a copiar os modelos da Antena 1, Renascença e Comercial, terminando, assim, o período de diversificação que se tinha registado ao longo da década de 1980. Apenas a TSF - Rádio Jornal se apresentou de uma forma diferente.
Grande parte das emissoras locais não percebeu o seu papel afastando-se da sua função de trabalhar para a comunidade onde estava inserida, acabando por se tornarem retransmissores das estações da capital.

(continua)

terça-feira, 26 de junho de 2007

Os dias do fim da telefonia – II

É a segunda vez que a rádio tem um fim anunciado. A primeira foi há cerca de meio século, quando a televisão se popularizou. Só que afinal a rádio não morreu. Adaptou-se… e bem! Mas hoje os desafios são maiores e a rádio não tem estado à altura. Pelo menos em Portugal.
A questão é que a rádio, de uma forma geral, tardou a responder aos desafios do digital e ainda há muita confusão no éter. O Digital Audio Broadcasting (DAB) tem problemas em se impor e já evoluiu, numa tentativa de recuperar terreno perdido, para o Digital Multimedia Broadcasting (DMB). O Digital Radio Mondiale (DRM) começa, aos poucos, a ganhar terreno, já que oferece uma qualidade sonora superior à da Amplitude Modulada (AM). E, para criar mais confusão, os Estados Unidos apostaram no sistema HD Radio - que já se chamou IBOC - e os japoneses no ISBD-T, que, tal como o DAB, está debaixo das normas Eureka 147, mas é diferente deste. Ou seja não há uniformização das emissões a nível mundial, como acontece nas emissões analógicas.
Em Portugal, a rádio digital deixa muito a desejar. Além das emissoras da Rádio e Televisão de Portugal (Antena 1, 2 e 3), que emitem em DAB, mas que se limitam a retransmitir a programação da Frequência Modulada (FM), mais nenhuma estação portuguesa emite digitalmente. Há, no entanto, em território português emissões da Deutsche Welle (DW) em DRM.
A acrescentar a esta confusão, há ainda o preço dos receptores de rádio digital, que são muito elevados para o português médio. Mesmo que a oferta radiofónica digital fosse elevada, as audiências seriam fracas, devido à escassez de receptores.
E há a rádio pela Internet – as Webradios. Mas estas emissoras ainda estão limitadas na recepção, pois não podem, ainda, ser captadas por auto-radios e é no carro que mais se escuta rádio. E acresce a isto o facto de as emissoras na Internet serem cada vez mais condicionadas pela legislação. Hoje, nos Estados Unidos é um “Dia do Silêncio”, como protesto contra as medidas restritivas impostas às emissoras online.
Claro que, no domínio digital, podemos acrescentar os Leitores de Áudio Digital (LAD), que são cada vez mais baratos e a música, em mp3 ou outro áudio comprimido similar, é simples de arranjar, existindo na Internet milhares de sítios onde ela é disponibilizada de forma gratuita, mesmo que isso seja ilegal.
As emissões digitais obrigam a investimentos em novos emissores e muitas estações não têm disponibilidade financeira para tal. Se o "Switch off" analógico decretado pelo parlamento europeu for avante, muitas emissoras terminarão de vez as emissões.

(Continua)

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Os dias do fim da telefonia – I

A propósito da reportagem do jornal “Diário de Notícias” sobre um seminário que decorreu na Sociedade Portuguesa de Autores sobre a sobrevivência da rádio, há algumas considerações a fazer, que serão colocadas em vários textos, dada a extensão e complexidade.
Sobre o texto "A rádio vai morrer muito em breve", já escreveram os blogues O Segundo Choque (este blogue estuda o assunto de uma forma aprofundada), NetFM e Rádio e Jornalismo.

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Quatro anos de “A Rádio em Portugal”

Passam hoje quatro anos sobre o primeiro texto neste blogue, publicado ainda na plataforma weblogger.com.br. Nestes quatro anos, o panorama radiofónico português mudou, mas isso não é de estranhar. Vivemos dias de alteração constante, no entanto, uma mudança que penso ser significativa foi o facto de a rádio ter perdido espaço nos periódicos portugueses. As páginas de media dos jornais são, na sua quase totalidade, dedicadas à televisão, em especial às telenovelas. Quando comecei a minha página da história da rádio portuguesa, recorri a revistas e periódicos de finais do século XIX e da primeira metade do século XX. Há, nos jornais da época, muita informação que permite, pelo menos, ter uma imagem do que era a radiodifusão em Portugal, nos seus primórdios. Daqui a meio século, se algum investigador quiser saber como eram os media na primeira metade do século XXI, vai ter alguma dificuldade em encontrar informações detalhadas sobre a rádio. Pelo menos existem blogues e páginas na Internet sobre o meio, que, de alguma forma, vão colmatando a lacuna deixada pelos jornais.
Das dezenas de revistas que existiam em Portugal sobre a rádio, apenas sobra a “QSP – Revista de Rádio e Comunicações”, no entanto esta publicação é mais virada para o radioamadorismo e é difícil de encontrar nas bancas. Um ponto muito positivo, nestes quatro anos, foi o facto de a literatura referente à rádio ter sido substancialmente aumentada.
Ao longo destes anos este espaço permitiu-me adquirir conhecimentos e criar amizades. A todos os que visitam este espaço, o meu agradecimento.

A ler no DN de hoje: O fim da rádio

O "Diário de Notícias" apresenta uma reportagem sobre um seminário que decorreu na Sociedade Portuguesa de Autores sobre a sobrevivência da rádio.
"A rádio vai morrer muito em breve"! Esta foi a sentença proferida durante o seminário e parece ser consensual entre os palestrantes.
Nos próximos dias voltarei a este assunto, com uma análise mais profunda.

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Ainda sobre "A música portuguesa na NPR"

Álvaro Costa, referido num comentário no texto “A música portuguesa na NPR”, de 7 de Maio, por dificuldades em inserir comentários, respondeu por e-mail, ao último comentário lá colocado:
«Carlos Paredes em inglês? Rodrigo Leão em inglês? Mário Barreiros em inglês? Sativa em inglês? Megaphone em inglês? Paulo Gonzo em inglês? Tony Carreira em inglês? Blind Zero em inglês? Sim.
Em colaboração com o Henrique Amaro, elaborei esta lista, sabendo o que ele iria escolher. O tempo do podcast, cerca de 30 m, nunca permitiria uma viagem real, pela diversidade e história da música portuguesa. Por isso, uma escolha que incluía tradição (Carlos Paredes), neo world exportável / Rodrigo Leão, movimentos de nicho como o jazz (Mário Barreiros) o triangulo África, Brasil, Portugal, e em especial a cena reggae do Porto, as variedades modernas, Paulo Gonzo, a musica popular urbana, Tony Carreira, a etnografia como ponto de partida, Megaphone e o rock, Blind Zero. Todas e quaisquer outras opções eram legítimas, mas se escutarem os 2 programas creio que conseguimos dar uma amostra ampla do que realmente se faz por cá, com evidentes " injustiças" pela falta de tempo
Por acaso, sabia que inicialmente o podcast era para ser apenas um? Fui eu que ao ser motorista e guia turístico da comitiva da NPR que os convenci a fazer 2 programas. Por acaso imagina as dezenas de discos que escutaram pela Foz, Boavista, Pasteleira, Lordelo do Ouro, Aldoar, Matosinhos e Leça?
A sua opinião é legítima, mas dizer que escolhi o inglês é muito injusto. Apenas uma canção que se chama Heroes e que representa uma fatia da produção nacional nessa lingua. De 8 clips sonoros, um ser cantado em inglês, ultrapassa todas as quotas possíveis e imaginárias.
Obrigado por escutarem e felicidades para o blog que visito regularmente
Álvaro Costa».

terça-feira, 19 de junho de 2007

Algo vai mal na informação radiofónica

Há em Portugal quatro emissoras com uma forte componente informativa – TSF, Antena1, Renascença e RCP. Mas, segundo o Blogouve-se, parece que todas passaram ao lado de uma notícia, apenas tendo desenvolvido o assunto 24 horas depois.
Ou todas as estações andam distraídas ou então anda tudo a ver (ouvir) o que as outras fazem, indo depois atrás.

sábado, 16 de junho de 2007

Uma questão de um leitor

Está nos comentários do texto anterior: «porque é que a Antena 2 tem programas de análise de política, como um com o Vicente Jorge Silva, a Inês Pedrosa, entre outros. Esse serviço não existe já na Antena1?Já agora, petição para a Antena 3 também ter um».
Dado o cariz temático da Antena 2, e sendo a Antena 1 uma estação vocacionada para a informação ( e pertenças do mesmo grupo), a pergunta é pertinente.

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Mais um convívio... nos 26 anos do Swing Club


É no próximo sábado à noite a sexta festa do blogue Queridos Anos Oitenta ( o tal que dava um bom programa de rádio). Em parceria com o Swing Club, esta é mais uma noite para recordar a década de 1980. No entanto, esta festa coincide com o 26.º aniversário da discoteca Swing - considerada a raínha da noite do Porto.
Talvez - como se lê no QA80s - se escute o "Parabéns a Você" do António Sala - provávelmente um dos animadores radiofónicos mais queridos dos anos oitenta...

terça-feira, 12 de junho de 2007

Rádios Universitárias em debate na Maia

As rádios universitárias vão a debate, no próximo dia 15 de Junho, a partir das 14h30, no Auditório Venepor, na cidade da Maia. Neste evento, denominado «Universidades.fm – Conferência Nacional de Rádios Universitárias» serão abordadas questões como «Qual a actual situação das rádios universitárias em Portugal?» e «Qual a importância destas para o meio onde se inserem?».
«A conferência terá moderação de Daniel Catalão, jornalista da RTP, e tem como público-alvo os alunos e professores das diversas escolas e universidades participantes. Paralelamente à conferência, estará patente no mesmo espaço, uma pequena Mostra, com a presença de algumas instituições ligadas ao meio, contando ainda com a importante presença da Fundação da Juventude.
O debate de ideias contará com a presença de um relevante painel de oradores, entre os quais, Isidro Lisboa, animador da Rádio Nova, Francisco José Oliveira, vice-presidente da Associação Portuguesa de Radiodifusão, Luís Mendonça, director da Rádio Universidade Marão e Pedro Alexandre Reis, professor de Comunicação Digital na Universidade Fernando Pessoa. Num debate que se quer o mais interactivo possível com a plateia, pretende-se auscultar a opinião de quem pensa, faz e vive este conceito. E porque a participação de todos conta, torna-se importante salientar a presença de diversas delegações de Rádios Universitárias do país, assim como, duas tunas universitárias que prometem encerrar com chave de ouro este evento». A entrada é livre.
Esta conferência é realizada no âmbito da Prova de Aptidão Profissional de Marco Ribeiro, aluno finalista do Curso Técnico de Comunicação/Marketing, Relações Públicas e Publicidade da Escola Profissional de Comércio Externo.

domingo, 10 de junho de 2007

Uma iniciativa interessante

A Rádio Asas da Beira, de Tábua, (distrito de Coimbra), está à procura de parceiros para projectos radiofónicos no resto do país. Pode ler-se no sitio da Asas da beira que «numa lógica de crescimento sustentado e com a clara noção que o panorama radiofónico português, à semelhança de outros sectores da economia, atravessa um período de recessão, quer propor às rádios interessadas o estabelecimento de parcerias, quer em termos de produção de conteúdos, quer em termos de implantação comercial nas zonas onde as rádios locais estão inseridas».
Esta é uma iniciativa interessante, até porque se trata de uma emissora de um pequeno concelho do interior. Mas o que é surpreendente é o facto de a Asas da beira se comprometer a «modernizar tecnicamente as Estações ao nível de sistema de emissão, sistemas informáticos e sistemas de automação».
Propostas destas chegam, normalmente, de estações centralizadas em Lisboa e pertencentes a grupos de media, e não de pequenas emissoras do interior.

terça-feira, 5 de junho de 2007

«Esculpindo a Música…» - Encontros com a arte

A Casa-Museu Teixeira Lopes vai homenagear a violoncelista portuense Guilhermina Suggia - uma das maiores violoncelistas de sempre - dia 15 de Junho, pelas 21h30.
A Casa-Museu Teixeira Lopes é um espaço de sonho íntimo com a arte, a música e a literatura. Pela Casa do Mestre passaram grandes e famosos artistas plásticos, músicos e escritores, que agora oferece aos visitantes os encontros temáticos «Esculpindo a Música…» - um ponto de encontro, de diálogo e de conhecimento com personalidades ilustres da música portuguesa que continuamente nos presenteiam com momentos musicais intemporais, singulares e únicos na Casa-Museu.
Guilhermina Suggia é a personalidade a recordar e a homenagear neste primeiro encontro… Teixeira Lopes foi seu padrinho de casamento e grande amigo… Uma violoncelista virtuosa e incontornável! …
Jorge Rodrigues, músico e radialista que se consagrou no seu programa Ritornello, na Antena 2, anima o diálogo, sobre a vida e actividade musical de Guilhermina Suggia, com a Senhora D. Madalena Sá e Costa, violoncelista, professora de violoncelo (ex-aluna de Suggia), o escritor Mário Cláudio, autor do livro “Guilhermina” e Delfim Sousa, Director da Casa-Museu Teixeira Lopes.
A conversa é ilustrada com trechos musicais de violoncelo tocados por Paulo Gaio Lima, ex-aluno da Profa. Madalena Sá e Costa e actual violoncelo-solo da Orquestra Metropolitana de Lisboa, bem como professor da Academia Nacional Superior de Orquestra.

segunda-feira, 4 de junho de 2007

A rádio para a infância

No dia 1 de Junho comemorou-se (comemora-se) o Dia Mundial da Criança. A TSF - Rádio Notícias celebrou o dia colocando uma jovem a apresentar os noticiários das 08h e 09h, juntamente com o jornalista Pedro Pinheiro. Diga-se, em abono da verdade, que o desempenho foi excelente, já que os noticiários são editados nos estúdios do Porto, enquanto a jovem estava nos estúdios de Lisboa. A Rádio Renascença assinalou o dia passando, nos noticiários, pequenos registos sonoros com mensagens de crianças. Não foi possível perceber se outras emissoras (nacionais e locais) tiveram alguma iniciativa para marcar a efeméride.
Ainda existem emissoras locais – embora sejam poucas - que têm programas para os mais novos, mas é certo que as emissões para crianças já são uma coisa do passado nas estações de cobertura nacional. É um facto que com a quantidade de programas infantis nas televisões e com vários canais por cabo exclusivamente para crianças, a rádio foi esquecendo os mais novos. As emissões infantis eram escutadas exclusivamente em casa, o local onde hoje existe um ou mais televisores, estando um à disposição das crianças. E, se não houver emissões infantis na TV, há os DVDs com as séries, os filmes e, também, o computador ou a consola de jogos. Muita concorrência de estímulo visual, sonoro (surround 5.1) e interactivo com que a rádio não pode concorrer em pé de igualdade.
Houve, no entanto, épocas em que as estações de radiodifusão tinham várias horas semanais dedicadas aos mais novos. Basta um olhar no livro As Vozes da Rádio, de Rogério Santos, ou no Telefonia, de Matos Maia, para se perceber a importância destas emissões. A imagem que está no topo do blogue Indústrias Culturais é de uma protagonista desses programas infantis – Maria Arlette Rodrigues Moreira, a moreninha da Rádio Peninsular, em 1936.
Fica a memória.

quarta-feira, 30 de maio de 2007

"Antena Aberta": incomoda quem?

A redução de horário de um programa com estas características levanta algumas questões:
- 1.º Rui Pêgo não falou nada sobre este assunto quando apresentou a grelha que iria para o ar a 28 de Maio. No entanto, foi muito rápido a apresentar velhas soluções transvertidas de novidades.
- 2.º Se os fóruns radiofónicos ajudam a consolidar audiências, por que foi o "Antena Aberta" reduzido no seu horário, beneficiando com isso a concorrência directa, em especial a TSF?
- 3.º Sendo um espaço de debate, aberto à sociedade em geral, este programa não é serviço público?
- 4.º O que ganha a Antena 1 em passar música igual à das emissoras privadas, num horário que deveria ser - dentro da filosofia da Antena 1 - de informação?
Há aqui algo que não bate certo. Os assuntos da "Antena Aberta" incomodaram alguém com influência suficiente para forçar uma redução do espaço? se incomodaram, aquele espaço de debate é aberto a todos e quem se sentir lesado pode intervir e desmentir ou confirmar o que quer que seja. terá algo a ver com a jornalista (Eduarda Maio) que apresenta o "Antena Aberta"?
No entanto, perante os acontecimentos que temos vindo a presenciar no nosso país (um político que diz o que lhe apetece sem respeito por ninguém, o caso do professor da DREN, entre outras), não será de admirar que haja pressões politicas, que provocam censura encapotada.

Conferência sobre Rádio

O RadioLab apresenta-nos a conferência "Desafios para o animador na rádio formatada: o caso do Café da Manhã", com Carla Rocha - a animadora do programa. O evento terá lugar no auditório da Boavista, da Universidade Autónoma de Lisboa, quinta-feira, 31 de Maio, pelas 12H.
Nesta conferência, serão focados os seguintes pontos:
1. Características de um programa da manhã e requisitos do apresentador de rádio
2. A importância do humor e a mais valia de fazer alguém sorrir numa manhã de stresse.
3. Como evoluiu a comunicação na rádio nos últimos anos: o discurso formal deu lugar à “conversa de café”.
4. O que cabe num programa da manhã da RFM?
A conferência destina-se a todos os interessados, em especial aos operadores de radiodifusão e a estudantes de comunicação. A entrada é livre.

De volta

Finalmente, após mais uma semana sem conseguir aceder à edição de textos, o Blogger desbloqueou a situação.

domingo, 27 de maio de 2007

Porque não houve textos nestes dias

A razão é que este blogue foi considerado, por uma qualquer máquina, um Spam blog. E foi impossível colocar qualquer texto nestes dias.

terça-feira, 22 de maio de 2007

Antena 1 e Antena 3 alteram grelha de programas

As emissoras radiofónicas do grupo RTP vão sofrer alterações a partir de 28 de Maio. À excepção da Antena 2 - cuja grelha a direcção considera "estabilizada" - tanto Antena 1 como Antena 3 vão ter novidades para o Verão. Estas alterações vão no sentido de tornar a rádio pública mais próxima dos seus ouvintes
Fruto das alterações à grelha de programas, a Antena 1 vai fazer emissões matinais desde cafés emblemáticos Portugueses: Majestic, no Porto; Martinho da Arcada, em Lisboa; Café de Santa Cruz, em Coimbra, etc. Estes são alguns dos locais onde vai ser possível ver e ouvir, ao vivo, a Antena 1. Esta é a principal novidade do principal canal público de rádio
A Antena 3 vai, segundo Rui Pego, director das estações públicas de rádio, deixar de ser uma rádio musical para se tornar numa rádio de conteúdos, com mais programas de autor. Este é um avanço positivo, já que existem dezenas de estações radiofónicas que são musicais, com raros (ou mesmo nenhuns) programas de autor.

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Íntima Fracção no RCP

O Rádio Clube (RCP) vai completar a sua grelha de programas no dia 21 deste mês, e uma das muitas novidades é o programa “Íntima Fracção”, de Francisco Amaral”, que será transmitido aos domingos das 24h às 2 da manhã.
Um dos mais antigos programas da rádio portuguesa volta assim a uma emissora “grande”, depois de ter sido transmitido na Antena 1, TSF e, ultimamente, na Rádio Universidade de Coimbra (RUC).

Homenagem a Milú, na RTP 1

Maria de Lourdes de Almeida Lemos – mais conhecida como Milú - é uma figura da rádio, do teatro e do cinema português e foi homenageada no passado dia 10 de Maio, no Teatro Municipal S. Luiz. Hoje, a RTP 1, às 22h35, transmite a cerimónia, que contou com a presença de S. Ex.ª o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, Artur Agostinho, Raul Solnado, Eládio Clímaco, Ricardo Carriço, Maria João Luís, Ricardo Trepa, entre outros, e onde actuaram Xutos e Pontapés, Ala dos Namorados, Sérgio Godinho e Katia Guerreiro. A apresentação ficou a cargo de Sónia Araújo e Virgílio Castelo.
No “Jornal de Notícias” de hoje também se pode ler uma entrevista a Milú onde ela fala da sua primeira experiência na rádio «(…) Ouvia muito a rádio, era uma miúda cheia de vida, nunca estava calada. A Rádio Graça era a minha preferida. Um dia telefonei para lá, a saber se poderia ir lá cantar. Responderam-me que fosse quando quisesse. E um dia fui e cantei um tema do Tomás de Alcaide, "O amor é cego e vê, não sei porquê..." Foi assim. E depois trabalhei muito, e com muito prazer».
Para muitos, ela continua a ser a “Menina da Rádio”, papel que lhe estava reservado no filme de Artur Duarte, mas que não pôde aceitar, porque estava a caminho de Espanha, onde fez dois filmes. O papel de “A Menina da Rádio” acabou por ser interpretado por Maria Eugénia.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Obercom lança revista online

O Observatório da Comunicação (Obercom) retomou a edição da revista “Obersevatório”, que agora é uma publicação online, disponível no sítio do Obercom.
Nesta edição, destaco o artigo “Os equívocos da rádio generalista: reflexões sobre a rádio em Espanha, nos EUA e em Portugal”, da autoria de João Paulo Meneses: «Se a rádio generalista é um anacronismo histórico nos principais mercados como os Estados Unidos ou a Grã-Bretanha, como explicar que seja dominante em Espanha e que em Portugal se anuncie um novo e ambicioso projecto de rádio generalista? A partir da análise dos fundamentos da própria rádio generalista, nos EUA e em Espanha, o autor analisa alguns dos equívocos na sua categorização que vão confirmar o referido anacronismo, e propõe a sua reconceptualização a partir da análise da formatação e da tendência para a micro-segmentação que esses formatos potenciam».
O artigo completo pode ser descarregado em formato pdf, mediante registo gratuito no sítio do Obercom.

terça-feira, 15 de maio de 2007

5.ª noite do Queridos Anos 80

É na próxima noite de sexta-feira para sábado, no Swing Club, no Porto, que o blogue Queridos Anos 80 vai promovar mais um alegre convívio ao melhor (e, também, ao pior) som musical dos anos oitenta.

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Recomenda-se...

...a leitura do blogue Infoinclusões, de Vitor Soares. O texto de ontem apresenta um resumo, em pdf, do seu trabalho “O espaço público na rádio do século XXI - Interacção para a cidadania ou para o consumo?”, que serviu para a obtenção do Diploma de Estudos Avançados na Faculdade de Ciências da Informação da Universidade Complutense de Madrid.

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Arrufos…

O cantor Pedro Abrunhosa proibiu, através da Sociedade Portuguesa de Autores, a Rádio Nova Era, de Vila Nova de Gaia, de passar os seus temas.
Segundo o jornal “Correio da Manhã”, tudo começou quando o «músico actuou na gala da emissora assumindo que estava a fazer playback». Esta revelação não caiu bem na estação, que deixou de promover ‘Quem Me Leva os Meus Fantasmas” – o último single de Pedro Abrunhosa.

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Apresentação pública do projecto ROLI

A Associação Portuguesa de Radiodifusão (APR) vai inaugurar oficialmente, no próximo dia 19 de Maio, às 11h30, no Centro Multimeios de Espinho, o Projecto ROLI – Rádios on-line na Internet. Nesta sessão, também será apresentado o “Portal Rádio”, que estará disponível em breve.
O “Projecto ROLI” já está a funcionar há algum tempo e disponibiliza mais de 190 emissoras portuguesas.

segunda-feira, 7 de maio de 2007

A música portuguesa na NPR

Bob Boilen’s, animador da National Public Radio (NPR), dos Estados Unidos, esteve recentemente em Portugal, no Festival Black & White. Durante a sua estadia, Bob Boilen’s recolheu depoimentos de Álvaro Costa e de Henrique Amaro, para o programa All Songs Considered.
Bob Boilen’s reuniu vários discos de música portuguesa e, juntamente com os depoimentos recolhidos, fez um programa que está agora disponível em formato podcast, na página da NPR.

sábado, 5 de maio de 2007

O Anuário da Comunicação do Obercom

Está disponível, no sítio do Obercom, o “Anuário da Comunicação 2005-2006”, tendo a rádio portuguesa destaque em três artigos.
No primeiro são examinadas as audiências da rádio portuguesa, baseada no Bareme Rádio, da Marktest. Neste artigo é, também, divulgado o número de emissores e de estações de rádio existentes em Portugal (pp. 104-110).
O segundo é da autoria de Rogério Santos, professor na Universidade Católica Portuguesa. Intitulado "A Rádio em Portugal - estado da arte em 2006" (pp. 220-223), este texto faz uma pequena resenha histórica do meio, apontando ainda caminhos que a rádio portuguesa deverá percorrer em 2007.
Por último, João Porto, do Grupo Renascença, apresenta "Medir o quê? Quando? e para Quê? Como se medem as audiências em Portugal? Como se medirão no futuro?" (pp. 258-261).

segunda-feira, 30 de abril de 2007

A verdade (ou quem a diz) é sempre a primeira vítima

Em certos lugares do planeta, quem trabalha em órgãos de comunicação social é um alvo. Das pressões politicas ao assassínio de jornalistas encontra-se um pouco de tudo. A verdade é incómoda para os que não cumprem as regras da sociedade. O egoísmo é elevado ao estatuto de virtude.
O “primeiro eu” – marca de muitos (quase todos?) políticos, que se governam, em vez de governarem – tem, ainda, um entrave: os órgãos de comunicação social. São estes que desmascaram, divulgam e exigem que a legalidade seja reposta. No entanto, este trabalho é feito por homens e mulheres que são sujeitos a pressões e, pela sua condição humana, muitas vezes cedem. Se não cedem podem, em última instância, ser mortos. Em Portugal ainda não chegamos a isto, mas há pressões vindas de a quem a verdade não interessa. Noutras partes do mundo já se passou à etapa seguinte.
O Committe to Protect Journalists apresenta um trabalho de dois jornalistas brasileiros - Carlos Lauría e Sauro González Rodríguez – sob o tema “No ar: Politica Paixão e notícia”, onde são feitas considerações sobre as pressões que o jornalismo independente está sujeito e as suas consequências.
Por cá, temos o exemplo recente das pressões do primeiro-ministro português sobre jornalistas.

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Reescrevendo a história II

Por via de um comentário no texto anterior, cheguei a esta interessante história, no blogue Rua da Judiaria: Johann Philipp Reis - O judeu “português” que inventou o Telefone.
«(...) Johann Reis lê um interessante artigo do telegrafista francês Charles Bourseul, publicado na revista L’Illustration de Paris, no qual ele descreve a possibilidade de transmitir sons através de uma corrente eléctrica intermitente. O artigo de Bourseul concedia uma base teórica às experiências de Johann Reis, permitindo-lhe avançar com o seu projecto, ao qual deu o nome de “telefone”, cunhando pela primeira vez o termo que viria a fazer parte do vocabulário de todo o planeta nos séculos que se seguiram.
Em 1860, quase dez anos após as suas primeiras experiências, as tentativas de Johann Reis davam frutos significativos, 16 anos antes do escocês Alexander Graham Bell reclamar a sua patente. A primeira frase transmitida pelo telefone de Reis foi “das pferd frisst keinen gurkensalat” (literalmente “o cavalo não come salada de pepino”). A demonstração pública do novo invento foi efectuada perante a Sociedade de Físicos de Frankfurt (Der Physikalische Verein) a 26 de Outubro de 1861. Na altura com apenas 27 anos de idade, Johann Philipp Reis proferiu uma palestra intitulada “Das Telefonieren Durch Galvanischen Strom” (“Telefonia Utilizando Corrente Galvânica”) e transmitiu os versos de uma canção através de um cabo de 100 metros, naquela que seria a primeira exibição pública que provava com sucesso a possibilidade teórica da conversão de variações de corrente eléctrica em ondas sonoras».
Afinal ainda há muita história para contar.

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Reescrevendo a história

Há acontecimentos históricos que são atribuídos, erradamente, a determinadas personalidades. Em 2001, o congresso americano retirou a patente do telefone a Alexandre Graham Bell e atribuiu-a a António Meucci.
Agora é a Tesla Memorial Society of New York que quer que a primeira comunicação transatlântica de Telegrafia Sem Fios (T.S.F.) seja atribuída a Nikola Tesla e não a Marconi. A apoiar esta pretensão, está um artigo do Jornal “O Século” que data de 25 de Fevereiro de 1901, onde diz que «O engenheiro electricista Galbraille partiu para Lisboa, onde vae tomar parte nas experiencias da telegraphia sem fios, pelo systhema Tesla. Este ultimo espera communicar facilmente entre Nova Jersey e a costa de Portugal». Marconi efectuou uma experiência de T.S.F. transatlântica com sucesso a 12 de Dezembro de 1901, entre Poldhu (Cornwall, Inglaterra) e St. John (Terra Nova, Canadá) - ou seja quase dez meses após esta notícia.
Há muitas dúvidas acerca de quem fez realmente a primeira transmissão via rádio. Entre outros, Landell de Moura e Nikola Tesla são candidatos ao lugar. O século XIX foi pródigo em situações dúbias, em que uma invenção era atribuída a um autor, que, afinal, se tinha apropriado indevidamente da ideia.