«aquela magia da música que vem do éter, é um hábito que se está extinguir (…) a rádio enquanto escuta caseira é um hábito que faliu e que nos fugiu, e não há maneira de voltar». António Sérgio in "Suplemento DN" de 08 de Julho de 2005

segunda-feira, 4 de junho de 2007

A rádio para a infância

No dia 1 de Junho comemorou-se (comemora-se) o Dia Mundial da Criança. A TSF - Rádio Notícias celebrou o dia colocando uma jovem a apresentar os noticiários das 08h e 09h, juntamente com o jornalista Pedro Pinheiro. Diga-se, em abono da verdade, que o desempenho foi excelente, já que os noticiários são editados nos estúdios do Porto, enquanto a jovem estava nos estúdios de Lisboa. A Rádio Renascença assinalou o dia passando, nos noticiários, pequenos registos sonoros com mensagens de crianças. Não foi possível perceber se outras emissoras (nacionais e locais) tiveram alguma iniciativa para marcar a efeméride.
Ainda existem emissoras locais – embora sejam poucas - que têm programas para os mais novos, mas é certo que as emissões para crianças já são uma coisa do passado nas estações de cobertura nacional. É um facto que com a quantidade de programas infantis nas televisões e com vários canais por cabo exclusivamente para crianças, a rádio foi esquecendo os mais novos. As emissões infantis eram escutadas exclusivamente em casa, o local onde hoje existe um ou mais televisores, estando um à disposição das crianças. E, se não houver emissões infantis na TV, há os DVDs com as séries, os filmes e, também, o computador ou a consola de jogos. Muita concorrência de estímulo visual, sonoro (surround 5.1) e interactivo com que a rádio não pode concorrer em pé de igualdade.
Houve, no entanto, épocas em que as estações de radiodifusão tinham várias horas semanais dedicadas aos mais novos. Basta um olhar no livro As Vozes da Rádio, de Rogério Santos, ou no Telefonia, de Matos Maia, para se perceber a importância destas emissões. A imagem que está no topo do blogue Indústrias Culturais é de uma protagonista desses programas infantis – Maria Arlette Rodrigues Moreira, a moreninha da Rádio Peninsular, em 1936.
Fica a memória.

quarta-feira, 30 de maio de 2007

"Antena Aberta": incomoda quem?

A redução de horário de um programa com estas características levanta algumas questões:
- 1.º Rui Pêgo não falou nada sobre este assunto quando apresentou a grelha que iria para o ar a 28 de Maio. No entanto, foi muito rápido a apresentar velhas soluções transvertidas de novidades.
- 2.º Se os fóruns radiofónicos ajudam a consolidar audiências, por que foi o "Antena Aberta" reduzido no seu horário, beneficiando com isso a concorrência directa, em especial a TSF?
- 3.º Sendo um espaço de debate, aberto à sociedade em geral, este programa não é serviço público?
- 4.º O que ganha a Antena 1 em passar música igual à das emissoras privadas, num horário que deveria ser - dentro da filosofia da Antena 1 - de informação?
Há aqui algo que não bate certo. Os assuntos da "Antena Aberta" incomodaram alguém com influência suficiente para forçar uma redução do espaço? se incomodaram, aquele espaço de debate é aberto a todos e quem se sentir lesado pode intervir e desmentir ou confirmar o que quer que seja. terá algo a ver com a jornalista (Eduarda Maio) que apresenta o "Antena Aberta"?
No entanto, perante os acontecimentos que temos vindo a presenciar no nosso país (um político que diz o que lhe apetece sem respeito por ninguém, o caso do professor da DREN, entre outras), não será de admirar que haja pressões politicas, que provocam censura encapotada.

Conferência sobre Rádio

O RadioLab apresenta-nos a conferência "Desafios para o animador na rádio formatada: o caso do Café da Manhã", com Carla Rocha - a animadora do programa. O evento terá lugar no auditório da Boavista, da Universidade Autónoma de Lisboa, quinta-feira, 31 de Maio, pelas 12H.
Nesta conferência, serão focados os seguintes pontos:
1. Características de um programa da manhã e requisitos do apresentador de rádio
2. A importância do humor e a mais valia de fazer alguém sorrir numa manhã de stresse.
3. Como evoluiu a comunicação na rádio nos últimos anos: o discurso formal deu lugar à “conversa de café”.
4. O que cabe num programa da manhã da RFM?
A conferência destina-se a todos os interessados, em especial aos operadores de radiodifusão e a estudantes de comunicação. A entrada é livre.

De volta

Finalmente, após mais uma semana sem conseguir aceder à edição de textos, o Blogger desbloqueou a situação.

domingo, 27 de maio de 2007

Porque não houve textos nestes dias

A razão é que este blogue foi considerado, por uma qualquer máquina, um Spam blog. E foi impossível colocar qualquer texto nestes dias.

terça-feira, 22 de maio de 2007

Antena 1 e Antena 3 alteram grelha de programas

As emissoras radiofónicas do grupo RTP vão sofrer alterações a partir de 28 de Maio. À excepção da Antena 2 - cuja grelha a direcção considera "estabilizada" - tanto Antena 1 como Antena 3 vão ter novidades para o Verão. Estas alterações vão no sentido de tornar a rádio pública mais próxima dos seus ouvintes
Fruto das alterações à grelha de programas, a Antena 1 vai fazer emissões matinais desde cafés emblemáticos Portugueses: Majestic, no Porto; Martinho da Arcada, em Lisboa; Café de Santa Cruz, em Coimbra, etc. Estes são alguns dos locais onde vai ser possível ver e ouvir, ao vivo, a Antena 1. Esta é a principal novidade do principal canal público de rádio
A Antena 3 vai, segundo Rui Pego, director das estações públicas de rádio, deixar de ser uma rádio musical para se tornar numa rádio de conteúdos, com mais programas de autor. Este é um avanço positivo, já que existem dezenas de estações radiofónicas que são musicais, com raros (ou mesmo nenhuns) programas de autor.

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Íntima Fracção no RCP

O Rádio Clube (RCP) vai completar a sua grelha de programas no dia 21 deste mês, e uma das muitas novidades é o programa “Íntima Fracção”, de Francisco Amaral”, que será transmitido aos domingos das 24h às 2 da manhã.
Um dos mais antigos programas da rádio portuguesa volta assim a uma emissora “grande”, depois de ter sido transmitido na Antena 1, TSF e, ultimamente, na Rádio Universidade de Coimbra (RUC).

Homenagem a Milú, na RTP 1

Maria de Lourdes de Almeida Lemos – mais conhecida como Milú - é uma figura da rádio, do teatro e do cinema português e foi homenageada no passado dia 10 de Maio, no Teatro Municipal S. Luiz. Hoje, a RTP 1, às 22h35, transmite a cerimónia, que contou com a presença de S. Ex.ª o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, Artur Agostinho, Raul Solnado, Eládio Clímaco, Ricardo Carriço, Maria João Luís, Ricardo Trepa, entre outros, e onde actuaram Xutos e Pontapés, Ala dos Namorados, Sérgio Godinho e Katia Guerreiro. A apresentação ficou a cargo de Sónia Araújo e Virgílio Castelo.
No “Jornal de Notícias” de hoje também se pode ler uma entrevista a Milú onde ela fala da sua primeira experiência na rádio «(…) Ouvia muito a rádio, era uma miúda cheia de vida, nunca estava calada. A Rádio Graça era a minha preferida. Um dia telefonei para lá, a saber se poderia ir lá cantar. Responderam-me que fosse quando quisesse. E um dia fui e cantei um tema do Tomás de Alcaide, "O amor é cego e vê, não sei porquê..." Foi assim. E depois trabalhei muito, e com muito prazer».
Para muitos, ela continua a ser a “Menina da Rádio”, papel que lhe estava reservado no filme de Artur Duarte, mas que não pôde aceitar, porque estava a caminho de Espanha, onde fez dois filmes. O papel de “A Menina da Rádio” acabou por ser interpretado por Maria Eugénia.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Obercom lança revista online

O Observatório da Comunicação (Obercom) retomou a edição da revista “Obersevatório”, que agora é uma publicação online, disponível no sítio do Obercom.
Nesta edição, destaco o artigo “Os equívocos da rádio generalista: reflexões sobre a rádio em Espanha, nos EUA e em Portugal”, da autoria de João Paulo Meneses: «Se a rádio generalista é um anacronismo histórico nos principais mercados como os Estados Unidos ou a Grã-Bretanha, como explicar que seja dominante em Espanha e que em Portugal se anuncie um novo e ambicioso projecto de rádio generalista? A partir da análise dos fundamentos da própria rádio generalista, nos EUA e em Espanha, o autor analisa alguns dos equívocos na sua categorização que vão confirmar o referido anacronismo, e propõe a sua reconceptualização a partir da análise da formatação e da tendência para a micro-segmentação que esses formatos potenciam».
O artigo completo pode ser descarregado em formato pdf, mediante registo gratuito no sítio do Obercom.

terça-feira, 15 de maio de 2007

5.ª noite do Queridos Anos 80

É na próxima noite de sexta-feira para sábado, no Swing Club, no Porto, que o blogue Queridos Anos 80 vai promovar mais um alegre convívio ao melhor (e, também, ao pior) som musical dos anos oitenta.

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Recomenda-se...

...a leitura do blogue Infoinclusões, de Vitor Soares. O texto de ontem apresenta um resumo, em pdf, do seu trabalho “O espaço público na rádio do século XXI - Interacção para a cidadania ou para o consumo?”, que serviu para a obtenção do Diploma de Estudos Avançados na Faculdade de Ciências da Informação da Universidade Complutense de Madrid.

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Arrufos…

O cantor Pedro Abrunhosa proibiu, através da Sociedade Portuguesa de Autores, a Rádio Nova Era, de Vila Nova de Gaia, de passar os seus temas.
Segundo o jornal “Correio da Manhã”, tudo começou quando o «músico actuou na gala da emissora assumindo que estava a fazer playback». Esta revelação não caiu bem na estação, que deixou de promover ‘Quem Me Leva os Meus Fantasmas” – o último single de Pedro Abrunhosa.

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Apresentação pública do projecto ROLI

A Associação Portuguesa de Radiodifusão (APR) vai inaugurar oficialmente, no próximo dia 19 de Maio, às 11h30, no Centro Multimeios de Espinho, o Projecto ROLI – Rádios on-line na Internet. Nesta sessão, também será apresentado o “Portal Rádio”, que estará disponível em breve.
O “Projecto ROLI” já está a funcionar há algum tempo e disponibiliza mais de 190 emissoras portuguesas.

segunda-feira, 7 de maio de 2007

A música portuguesa na NPR

Bob Boilen’s, animador da National Public Radio (NPR), dos Estados Unidos, esteve recentemente em Portugal, no Festival Black & White. Durante a sua estadia, Bob Boilen’s recolheu depoimentos de Álvaro Costa e de Henrique Amaro, para o programa All Songs Considered.
Bob Boilen’s reuniu vários discos de música portuguesa e, juntamente com os depoimentos recolhidos, fez um programa que está agora disponível em formato podcast, na página da NPR.

sábado, 5 de maio de 2007

O Anuário da Comunicação do Obercom

Está disponível, no sítio do Obercom, o “Anuário da Comunicação 2005-2006”, tendo a rádio portuguesa destaque em três artigos.
No primeiro são examinadas as audiências da rádio portuguesa, baseada no Bareme Rádio, da Marktest. Neste artigo é, também, divulgado o número de emissores e de estações de rádio existentes em Portugal (pp. 104-110).
O segundo é da autoria de Rogério Santos, professor na Universidade Católica Portuguesa. Intitulado "A Rádio em Portugal - estado da arte em 2006" (pp. 220-223), este texto faz uma pequena resenha histórica do meio, apontando ainda caminhos que a rádio portuguesa deverá percorrer em 2007.
Por último, João Porto, do Grupo Renascença, apresenta "Medir o quê? Quando? e para Quê? Como se medem as audiências em Portugal? Como se medirão no futuro?" (pp. 258-261).

segunda-feira, 30 de abril de 2007

A verdade (ou quem a diz) é sempre a primeira vítima

Em certos lugares do planeta, quem trabalha em órgãos de comunicação social é um alvo. Das pressões politicas ao assassínio de jornalistas encontra-se um pouco de tudo. A verdade é incómoda para os que não cumprem as regras da sociedade. O egoísmo é elevado ao estatuto de virtude.
O “primeiro eu” – marca de muitos (quase todos?) políticos, que se governam, em vez de governarem – tem, ainda, um entrave: os órgãos de comunicação social. São estes que desmascaram, divulgam e exigem que a legalidade seja reposta. No entanto, este trabalho é feito por homens e mulheres que são sujeitos a pressões e, pela sua condição humana, muitas vezes cedem. Se não cedem podem, em última instância, ser mortos. Em Portugal ainda não chegamos a isto, mas há pressões vindas de a quem a verdade não interessa. Noutras partes do mundo já se passou à etapa seguinte.
O Committe to Protect Journalists apresenta um trabalho de dois jornalistas brasileiros - Carlos Lauría e Sauro González Rodríguez – sob o tema “No ar: Politica Paixão e notícia”, onde são feitas considerações sobre as pressões que o jornalismo independente está sujeito e as suas consequências.
Por cá, temos o exemplo recente das pressões do primeiro-ministro português sobre jornalistas.

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Reescrevendo a história II

Por via de um comentário no texto anterior, cheguei a esta interessante história, no blogue Rua da Judiaria: Johann Philipp Reis - O judeu “português” que inventou o Telefone.
«(...) Johann Reis lê um interessante artigo do telegrafista francês Charles Bourseul, publicado na revista L’Illustration de Paris, no qual ele descreve a possibilidade de transmitir sons através de uma corrente eléctrica intermitente. O artigo de Bourseul concedia uma base teórica às experiências de Johann Reis, permitindo-lhe avançar com o seu projecto, ao qual deu o nome de “telefone”, cunhando pela primeira vez o termo que viria a fazer parte do vocabulário de todo o planeta nos séculos que se seguiram.
Em 1860, quase dez anos após as suas primeiras experiências, as tentativas de Johann Reis davam frutos significativos, 16 anos antes do escocês Alexander Graham Bell reclamar a sua patente. A primeira frase transmitida pelo telefone de Reis foi “das pferd frisst keinen gurkensalat” (literalmente “o cavalo não come salada de pepino”). A demonstração pública do novo invento foi efectuada perante a Sociedade de Físicos de Frankfurt (Der Physikalische Verein) a 26 de Outubro de 1861. Na altura com apenas 27 anos de idade, Johann Philipp Reis proferiu uma palestra intitulada “Das Telefonieren Durch Galvanischen Strom” (“Telefonia Utilizando Corrente Galvânica”) e transmitiu os versos de uma canção através de um cabo de 100 metros, naquela que seria a primeira exibição pública que provava com sucesso a possibilidade teórica da conversão de variações de corrente eléctrica em ondas sonoras».
Afinal ainda há muita história para contar.

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Reescrevendo a história

Há acontecimentos históricos que são atribuídos, erradamente, a determinadas personalidades. Em 2001, o congresso americano retirou a patente do telefone a Alexandre Graham Bell e atribuiu-a a António Meucci.
Agora é a Tesla Memorial Society of New York que quer que a primeira comunicação transatlântica de Telegrafia Sem Fios (T.S.F.) seja atribuída a Nikola Tesla e não a Marconi. A apoiar esta pretensão, está um artigo do Jornal “O Século” que data de 25 de Fevereiro de 1901, onde diz que «O engenheiro electricista Galbraille partiu para Lisboa, onde vae tomar parte nas experiencias da telegraphia sem fios, pelo systhema Tesla. Este ultimo espera communicar facilmente entre Nova Jersey e a costa de Portugal». Marconi efectuou uma experiência de T.S.F. transatlântica com sucesso a 12 de Dezembro de 1901, entre Poldhu (Cornwall, Inglaterra) e St. John (Terra Nova, Canadá) - ou seja quase dez meses após esta notícia.
Há muitas dúvidas acerca de quem fez realmente a primeira transmissão via rádio. Entre outros, Landell de Moura e Nikola Tesla são candidatos ao lugar. O século XIX foi pródigo em situações dúbias, em que uma invenção era atribuída a um autor, que, afinal, se tinha apropriado indevidamente da ideia.

terça-feira, 24 de abril de 2007

A primeira senha da liberdade




Eram 22 horas e 55 minutos do dia 24 de Abril de 1974. Passam hoje 33 anos.

"A Rádio em Portugal" em blogues estrangeiros

Aqui está um blogue interessante: Radiopassioni. Este blogue italiano - escrito desde Milão - trata de assuntos relacionados com a rádio em geral. A Rádio Altitude é assunto num dos seus últimos textos, precisamente pela reactivação da Onda Média.
Agradeço ao Andrea, o autor do Radiopassioni, a referência a este blogue e à minha página da “História da Rádio em Portugal”.

segunda-feira, 23 de abril de 2007

“Percursos da Rádio” em reportagem

O Diogo Emanuel e a Ana Catarina, alunos do 9.º B, do Colégio dos Órfãos do Porto, fizeram uma reportagem sobre a conferência “Percursos da Rádio”, que teve lugar naquela instituição de ensino, no passado mês de Fevereiro, inserido no "Mês das Línguas, Linguagens e Comunicação".
O texto, publicado no Jornal Escolar Ribadouro, está disponível para descarga em formato pdf.
Ao Diogo e à Ana os meus parabéns pelo trabalho.

RCP: programação na “corda Bambo

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Prémio Valorsul: candidaturas abertas

A Valorsul instituiu um prémio de 25 000 euros para jornalistas e outros profissionais que dediquem trabalhos à causa do ambiente, mais concretamente à divulgação de boas práticas de redução, reciclagem ou reutilização de Resíduos Sólidos Urbanos. Este Prémio, atribuído anualmente, prevê ainda a existência de até 3 menções honrosas no valor de 5 000 euros.
Os interessados podem- se candidatar com trabalhos publicados entre 1 de Outubro de 2006 e 31 de Maio de 2007, sendo que o prazo de entrega só termina a 31 de Maio.
Para participar basta preencher a ficha de candidatura, disponível no sítio da Valorsul, juntar os documentos previstos no regulamento e enviar para a sede da Valorsul ao cuidado do presidente do júri.

quinta-feira, 19 de abril de 2007

RCF, Química FM e outras…

Muitas estações radiofónicas portuguesas têm sofrido alterações ao longo dos anos. Umas encerram, por falta de viabilidade financeira, outras tornam-se projectos diferentes, sendo que nos grandes centros urbanos – ou nos arredores – são alugadas ou vendidas a grandes grupos de comunicação que as tornam retransmissores de emissoras de Lisboa. E, normalmente, quem trabalha nessas estações locais vai para o desemprego.
Relata-nos o blogue NetFM que esta situação ocorreu mais uma vez. Em Cascais, a Química FM teve uma vida efémera. A estação que ia «devolver à área da Grande Lisboa o amor pela rádio» durou quatro meses - terminou em 31 de Janeiro. Segundo o relato de um ex-colaborador da Química FM, «Um grupo ligado a uma multinacional comprou o espaço e correu literalmente com todos na rádio». Esta é, infelizmente, uma situação que se tornou prática comum: um novo dono assume a direcção da emissora e a primeira coisa que faz é despedir toda a gente.
Recentemente veio a público nos jornais “Diário de Aveiro”, “Correio da Manhã” e “Diário de Notícias” umas notícias sobre um conflito entre um empresário da comunicação e um colaborador seu. A notícia não está disponível para consulta na Internet, mas o blogue Kolaborador transcreveu-a. O empresário em questão – Marcelo Reis – tomou posse da Rádio Clube da Feira (RCF) em Julho de 1995. A primeira coisa que fez, ao chegar à emissora, foi colocar toda a gente na rua. E quem protestou com a situação foi ameaçado - eu vi e ouvi. Estava lá. A RCF pertence a uma cooperativa de radio que tenta rentabilizar a emissora, concessionando-a, contando apenas com um empregado seu a laborar na estação, que foi o único que não foi despedido, porque Marcelo Reis não o podia fazer. Os outros, contratados pelo concessionário, não tiveram outro remédio senão partir.
O concessionário anterior a Marcelo Reis – Justino Silva – é um homem da rádio. Colaborou com a Rádio Clube do Centro – Emissora das Beiras e com a RDP - Rádio Comercial Norte, entre outras. Mas as coisas não correram pelo melhor e Justino Silva aceitou empréstimos monetários de Marcelo Reis. Um dia foi colocado entre a espada e a parede: ou pagava o que devia ou passava a concessão da RCF a Marcelo Reis. A cooperativa, na altura, foi conivente com esta situação, mas viria a arrepender-se. Acontece que quem trabalhava na estação estava na maior ilegalidade, já que não tinham contrato de trabalho, nem sequer faziam descontos para a Segurança Social. Toda a gente veio embora sem direitos nenhuns.
Finalmente, depois de uma dúzia de anos, Marcelo Reis perdeu a concessão por falta de pagamento à cooperativa detentora do alvará da RCF. Um antigo colaborador – que também tinha sido despedido em 1995, Nelson Pais – está agora à frente dos destinos da RCF.
Este é um exemplo, mas isto é o que tem acontecido em muitas rádios locais do país.

segunda-feira, 16 de abril de 2007

sábado, 14 de abril de 2007

Ainda faz sentido falar em rádios locais?

A frase em epígrafe está no final do texto “A M80, a Best Rock e outros delírios” no blogue “Rádio e Jornalismo”. Luís Bonixe faz uma pequena, mas pertinente, análise às alterações ocorridas ao longo dos anos nas emissoras locais à volta de Lisboa.
Todas estas transformações nas estações de concelhos limítrofes da capital «implicaram a mudança dos estúdios de emissão para Lisboa, afastando-se, por essa razão, das localidades às quais foram atribuídas as frequências.
Actualmente, concelhos como Amadora, Barreiro, Almada ou Moita, apesar de terem duas frequências locais, não possuem verdadeiramente uma rádio local(…)
».
E conforme Luís Bonixe lembra, «há três décadas foi criada aquela que terá sido a primeira rádio pirata portuguesa: A Rádio Juventude surgida em 1977». Devido ao estado a que chegamos, se calhar estamos a precisar de uma nova vaga de rádios piratas…

sexta-feira, 13 de abril de 2007

Audiências do 1.º trimestre de 2007

As audiências do primeiro trimestre deste ano, medidas pelo Bareme Rádio da Marktest, não apresentam grandes surpresas, continuando a RFM (do grupo Renascença) a liderar, mas apenas as emissoras do grupo RTP registaram uma subida nas audiências. A Rádio Clube (RCP), do grupo Media Capital (MCR), perdeu mais de 30% dos seus ouvintes - o que é natural - já que o RCP sofreu uma transformação, passando de emissora musical para generalista. Devido ao curto espaço de tempo entre esta alteração e a divulgação do Bareme não é possível tirar conclusões acerca desta queda do RCP nas audiências.
Em termos gerais, a escuta de rádio aumentou, tendo a Audiência Acumulada de Véspera (AAV) crescido 0,7% face ao último trimestre de 2006, atingindo os 55,8%.
Em termos de AAV, a RFM apresentou 12,6%, seguida da emissora mãe, a Rádio Renascença, com 9,6%. No terceiro lugar está a Rádio Comercial (grupo Media Capital - MCR), com 7,2%. A Antena 1 situa-se em quinto lugar, com 5%. Na posição seguinte, e com 4,7%, está a Cidade FM (grupo MCR) e em sétimo lugar está a TSF-Rádio Notícias (grupo Controlinveste) com 4,4%. A Antena 3 (grupo RTP) atingiu 3,8%, seguida da RCP, que apenas conseguiu 2,2%. A Mega FM (grupo Renascença) está em 10.º lugar nas audiências, com apenas 1,3%, mas ainda assim à frente da Best Rock FM (grupo MCR) que só obteve 0,9%. Por último aparece a Antena 2 (grupo RTP), a estação que, pelas suas especificidades, melhor fideliza os ouvintes, continua com 0,7% de AAV.
Para comparação, devem ser consultadas as audiências do período homólogo de 2006 e as do quarto trimestre do ano passado.
De referir que só Antena 1, Antena 2, Antena 3, RFM, Renascença e Comercial têm cobertura total do território português, já que são emissoras nacionais. A TSF-Rádio Notícias é a emissora regional Norte, que detém estações retransmissoras no sul do país, assim como a Rádio Clube é a emissora regional Sul, com algumas estações no Norte do país a retransmitiram o sinal que chega de Lisboa. Mega FM e Best Rock também têm sede em Lisboa e a cobertura é complementada com umas poucas estações retransmissoras de Norte a Sul.

Uma nova funcionalidade neste blogue

Para melhor se encontrar os assuntos pretendidos, este blogue passa a disponibilizar Etiquetas no final dos textos.
Dentro do possível, serão adicionadas etiquetas aos textos anteriores. Os textos do ano de 2007 já estão todos catalogados.

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Um catalão ao leme da MCR

Segundo a "Meios & Publicidade", Jordi Jordà - quadro da Prisa e que até agora desempenhava as funções de director da Ona Catalana, estação comprada pela Cadena Ser em 2005 - deverá assumir as funções de director-geral das rádios da Media Capital a partir de Maio.
António Craveiro, administrador-delegado da Media Capital Rádios (MCR), vai deixar as rádios do grupo, mas deverá desempenhar outras funções dentro do grupo.