«aquela magia da música que vem do éter, é um hábito que se está extinguir (…) a rádio enquanto escuta caseira é um hábito que faliu e que nos fugiu, e não há maneira de voltar». António Sérgio in "Suplemento DN" de 08 de Julho de 2005

sábado, 10 de março de 2007

Conferência sobre Guilhermina Suggia com apoio da Antena 2

A Antena 2 e Associação Guilhermina Suggia promovem uma conferência sobre a vida e a obra de Guilhermina Suggia (1885-1950) – uma das melhores (senão mesmo a melhor) violoncelistas do mundo. O encontro terá lugar no foyer do Teatro Nacional de São Carlos (Lisboa), dia 12 de Março de 2007, pelas 18,30 H.
Na conferência participarão Anita Mercier, professora da Juilliard School de Nova Iorque (estudiosa e biógrafa de Guilhermina Suggia); Isabel Millet, escritora (filha da aluna testamentária de Guilhermina Suggia, Isabel Cerqueira Millet); Paulo Gaio Lima, Violoncelista (aluno de Madalena Sá Costa – aluna de Guilhermina Suggia – e vencedor do Prémio Suggia- Porto 1979).
Estão todos convidados. A entrada é livre.

quarta-feira, 7 de março de 2007

Cinquenta anos de televisão em Portugal

As emissões televisivas em Portugal tiveram início, de forma experimental, a 4 de Setembro de 1956. Só a 07 de Março de 1957 é que a RTP passou a emitir regularmente. Ou seja, passam hoje 50 anos.
A Radiotelevisão Portuguesa ou, como é mais conhecida, RTP (hoje, Rádio e Televisão de Portugal), foi concebida pelo Grupo de Estudos Técnicos de Televisão da Emissora Nacional (EN). O capital para a realização do projecto era elevado - 60 mil contos - mesmo para o estado português, tendo-se optado por repartir em três terços as acções. Os seus accionistas foram o Estado (1/3 do capital social), o público (outro terço) e as estações de rádio particulares: Rádio Clube Português (9260 contos), Rádio Renascença (4630 contos), Emissores do Norte Reunidos (2310 contos), Rádio Clube de Moçambique (2310 contos), Emissores Associados de Lisboa (1400 contos), Rádio Ribatejo (30 contos), Rádio Pólo Norte (30 contos), Posto Emissor de Radiodifusão do Funchal (20 contos), Rádio Clube de Angra (20 contos). Pode-se dizer que a televisão portuguesa nasceu pelas mãos da rádio.
Na década de 1950, eram poucos os países europeus que não dispunham de emissões regulares de televisão, tendo sido a Inglaterra o primeiro sistema público de televisão, em 1926, inaugurado pelo inventor J. L. Baird. O sistema ainda era rudimentar, com apenas 30 linhas (contra as 625 dos dias de hoje), mas foi evoluindo.
No entanto, se recuarmos no tempo, verificamos que o primeiro estudo sobre a transmissão de imagens à distância pertence a um português de Braga – Adriano de Paiva. Este professor da Academia Polytechnica do Porto é considerado por muitos o pai da televisão, devido ao tratado “A telefonia, a telegrafia e a telescopia”, que data de Março de 1878. Ou seja, numa época em que o telefone ainda era um invento recente e a Telegrafia Sem Fios ainda estava longe de ser uma realidade. Também há precisamente 100 anos começava a aparecer o termo televisão e o conceito a ele associado, em enciclopédias e dicionários.
Como curiosidade, o posto emissor portuense O.R.S.E.C. tentou montar uma estação de televisão nos anos 30, mas este projecto pioneiro foi abandonado por dificuldades financeiras, agravadas com a proibição de publicidade nos postos de radiodifusão. Também Abílio Nunes dos Santos pensou em criar uma estação de televisão, em 1937, em vésperas de encerrar a sua CT1AA, mas, devido às complexidades técnicas e elevados custos, o projecto foi deixado de lado.
Parabéns R.T.P.
Bibliografia:
SILVA, Lopes da; TEVES, Vasco Hogan – Vamos Falar de Televisão. Lisboa: Editorial Verbo, 1971.

segunda-feira, 5 de março de 2007

A Internet como extensão da rádio - I

É um facto que a Internet é, cada vez mais, um medium agregador. A rádio, a televisão e os jornais já não dependem dos meios físicos tradicionais de difusão (papel e ondas electromagnéticas) que lhe são distintivos, pois passam a fazer parte da mesma plataforma, estando, portanto, praticamente ao mesmo nível, já que neste espaço podem apresentar características que eram exclusivas de apenas um deles. Texto, fotografias, vídeo e áudio já não são exclusivos deste ou daquele meio, mas sim de todos. E pode-se ir muito além disto.
O espectro electromagnético, para transmissão radiofónica, é limitado. Se a banda de radiodifusão permitisse que o número de emissoras temáticas fosse ilimitado, de certeza que seriam uma para cada tipo de gosto. A banda de radiodifusão é limitada, mas a Internet, aparentemente, não. É aqui que as emissoras temáticas, que poderão não ser rentáveis em F.M. ou em A.M., podem existir.
Praticamente todas as estações de radiodifusão tradicionais estão na Internet, com a emissão em linha e com muitas outras informações que se acham relevantes para os ouvintes. Mas outras emissoras, que já deixaram o éter, regressam agora na grande rede mundial.
Um exemplo de uma emissora temática, que emitiu em F.M., na década de 1980, na Holanda, é a Rádio Stad Den Haag - uma emissora pirata que encerrou em 1988, mas que dezassete anos depois regressou... na Internet. O género musical que é o seu suporte (Italo-disco) é um estilo que está praticamente afastado das estações radiofónicas, excepto em rarissímos programas pontuais ou temáticos. No entanto, parece que esta emissora tem algum sucesso - fruto, talvez, da onda nostalgica existente em relação à década de 1980 - pois tem bastantes anúncios publicitários (não sei o que anunciam, já que não compreendo o idioma), tal e qual uma estação hertziana. O espírito positivo está presente, pois os seus responsáveis dizem, e bem, que voltaram «num medium que cobre o mundo».
Quem quiser pode escutar a Rádio Stad Den Haag pode fazê-lo em mp3, em real audio ou em wma.
Pela emissora destacada, este texto é dedicado ao “Queridos Anos Oitenta”, um blogue que nos leva em viagens (a muitos de nós às recordações da adolescência) até à década em que a rádio portuguesa renasceu.

quinta-feira, 1 de março de 2007

82 anos de emissões regulares de rádio em Portugal

Hoje assinalam-se 82 anos do início das emissões regulares de radiodifusão sonora em Portugal. Pelo menos é esta a data oficial. No entanto, Rogério Santos aponta para o Outono de 1924 como o início das emissões regulares. de referir que as primeiras emissões em fonia (palavra, música) datam, em Portugal, de 1914.
A data assinala-se hoje, porque a emissão que foi feita a 1 de Março de 1925, pela estação P1AA - Rádio Lisboa (mais tarde CT1AA – Rádio Portugal) foi anunciada com pompa e circunstância nos jornais da altura. De referir que este posto emissor posto estava instalado nos “Grandes Armazéns do Chiado” - propriedade da família de Abílio Santos.
Fica aqui assinalada a data, mesmo que subsistam dúvidas.

A rádio na escola

O Colégio dos Órfãos do Porto (onde fui aluno no ensino primário) tomou a iniciativa de “apresentar” a rádio aos alunos. O professor Paulo Cardoso foi o impulsionador desta acção, tendo sido feita uma exposição de receptores radiofónicos antigos e aparelhos de reprodução e gravação áudio. Paulo Cardoso teve a gentileza de me convidar para falar sobre rádio aos jovens.
O tempo foi curto para explicar a evolução técnica e social da radiodifusão, pelo que ficaram muitas questões por fazer. No entanto, alguns alunos do 9.º B colocaram-me questões via correio electrónico. Acedi a responder neste blogue, porque para além das minhas respostas serão, certamente, interessantes os comentários que as poderão complementar. Fica aqui o desafio aos meus leitores.
A primeira questão é da Ana Catarina: “É necessário algum tipo de formação específica para ser operador áudio?”
Sim, é. Um operador tem de ter bons conhecimentos do equipamento com que trabalha e conhecimentos de som (produção, propagação e recepção de vibrações acústicas), e noções – umas mais aprofundadas que outras - de música, electrónica, informática e, cada vez mais, de jornalismo.
O Gabriel perguntou: “Perante um imprevisto, durante uma emissão de rádio, o que fazer?”
É uma pergunta de difícil resposta, pois cada caso é um caso e normalmente não acontecem duas situações idênticas. Também é verdade que o imprevisto é o “pão-nosso de cada dia” nas emissões radiofónicas. Estar em directo implica que se trabalhe com muitas variáveis nem sempre controláveis por apresentadores ou operadores. Quem está perante um microfone ou em frente a uma mesa de controlo tem de actuar consoante as circunstâncias, para que as falhas passem, dentro do possível, despercebidas ao ouvinte.
Diogo Miguel: “O que é necessário para que haja uma emissão de rádio, quer em termos materiais, quer em termos humanos?”
Hoje em dia, as emissoras laboram com pouca gente, já que os computadores têm tomado o lugar dos apresentadores. Mas uma verdadeira estação emissora de radiodifusão sonora tem de ter, em termos humanos, apresentadores (também chamados de locutores ou animadores), Jornalistas (editores e repórteres), pessoal técnico (operadores de som, técnicos de emissores, de electrónica, sonorizadores) e pessoal administrativo e um departamento de marketing (a rádio privada vive exclusivamente de apoio publicitário). Em termos materiais, são necessários microfones, máquinas de registo áudio, computadores, cabos áudio, leitores de compact Disc, mesas de mistura, auscultadores, emissores, etc.
Tiago Pinto: “A tecnologia da rádio tem evoluído lenta ou rapidamente nos últimos 10 anos?”
A rádio tem evoluído ao ritmo da tecnologia, pois a rádio é filha da tecnologia. Sempre que há avanços tecnológicos (alguns exemplos: do Disco analógico para o CD, da cassete para o MD, das máquinas de fita magnética para os computadores, etc.) a rádio tem de acompanhar essa evolução. Os últimos dez anos foram, talvez, os que maiores alterações trouxeram à rádio, porque passou-se de tecnologia analógica, para digital.
João Paulo: “Que profissões podemos encontrar dentro de uma estação de rádio?”
Já referi algumas noutra resposta, mas são bastantes e algumas nem sequer são ligadas directamente à emissão: técnicos de som, de electrónica, animadores, escriturários, jornalistas, vendedores de publicidade, telefonistas, motoristas, pessoal de higiene e segurança no trabalho, etc.
Ana Rita: “De que modo é que as rádios têm acompanhado a evolução dos gostos dos ouvintes?”
Nem sempre tem acontecido e, até há bem pouco tempo, era a rádio que guiava o gosto dos ouvintes em termos musicais, pois a música era apresentada em primeira mão nas rádios. A televisão, lentamente, foi adquirindo alguma desta preponderância, sendo que a Internet começa a tomar o lugar dos media tradicionais. Ainda assim, algumas emissoras compram estudos de mercado a empresas especializadas (como a Marktest), outras vão copiando o que se faz lá por fora e adaptam ao mercado português e outras melhoram o que algumas já fazem.
Micail: “Num cenário hipotético de guerra, como sobreviveria uma estação de rádio?”
A rádio já passou, infelizmente, por muitos conflitos. Mas sobreviveu. Em tempo de guerra a rádio passa por dificuldades como todos os ramos industriais e como toda a gente, mas a própria rádio pode ser uma arma na guerra. “A pena é mais forte que a espada” e a utilização da rádio para conduzir as massas através da persuasão – a psicagogia – é uma das muitas formas em que se desenrola um conflito. A rádio é usada como forma de informação e desinformação. Normalmente os governos de países em conflito usam a censura como forma de controlo das emissões. Muitas estações têm de encerrar devido a isto, subsistindo as que são apoiadas pelos governos.
André: “Que medidas a TSF toma para combater a concorrência das outras rádios?”
Essa é uma pergunta que tem de ser o director da TSF a responder, já que é ele o responsável pela emissora. Mas, de uma forma geral, as emissoras tentam fazer melhor que as outras, tentando acompanhar o gosto do maior número possível de ouvintes.
Espero que ter correspondido às expectativas e respondido de forma a esclarecer as dúvidas destes jovens. Mas, já agora, se alguém quiser complementar estas respostas, os alunos, e eu, ficamos agradecidos.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Parabéns TSF

A TSF-Rádio Notícias comemora hoje 19 anos de existência. Embora a história da TSF remonte a 1981, as emissões regulares da TSF - na altura ainda Rádio Jornal - tiveram início a 29 de Fevereiro de 1988, num ano bi-sexto, portanto, pelo que o aniversário é comemorado a 28. Para assinalar a data, a emissão está recheada de sons que fizeram a história da emissora.
Já agora, sobre esta ocasião, nem uma linha nos jornais, nem sequer nos pertencentes ao mesmo grupo (JN, DN e 24 Horas).
Act. 1 de Março - O DN trouxe hoje um texto sobre os 19 anos da TSF (o texto não está online).

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

O “Página Um” das décadas de 1960/70

Ainda a propósito do texto anterior, e porque muitos ouvintes/leitores não sabem – ou não se lembram - o que era o “Página Um”, eis em que consistia o programa.
O "Página Um" era emitido de segunda a sexta-feira, das 19h30 até às 20h30 (mais tarde, o horário foi alargado até às 21h), em Onda Média, pela RR. Teve início a 2 de Janeiro de 1968 e durou até 1974. A realização do programa estava a cargo de José Manuel Nunes e de Luís Paixão Martins. A equipa, para além dos realizadores, era formada por Adelino Gomes, Homero Cardoso, Fernando Santos e Fernando Tenente. Com o programa colaboravam ainda Amaral Marques, Maria Emília Correia, José Vieria Marques, Fernando Cascais, Viriato dias, Joaquim Letria, António Cartaxo, Rui Pedro, Artur Albarran, Moreno Pinto, José Videira, António Borga (da BBC) e elementos da Voz da América e da Deutsche Welle. O programa teve, no início, co-produção da revista “Flama” e o seu primeiro apresentador (só em Janeiro de 1968) foi Jorge Schnitzer.
O programa era constituído por música, informação, reportagens e entrevistas. Se no inicio o programa era uma espécie de revista “Flama” em formato radiofónico, foi, aos poucos, especializando-se em questões políticas e sociais, o que provocou algum mal-estar no poder vigente. Diziam-se coisas e passavam-se músicas incómodas para o regime totalitário português. Em directo, os artistas da “Canção Nova” interpretavam as suas composições. Fausto, Adriano Correia de Oliveira e Manuel Freire foram alguns dos que apresentaram os seus trabalhos no programa. No “Página Um” passaram ainda discos de José Mário Branco, Sérgio Godinho e Zeca Afonso (comemoram-se, hoje, vinte anos da sua morte). Ou seja, autores que estavam debaixo de olho (neste caso, ouvido) da censura.
Nas palavras de Matos Maia, na sua magnífica obra Telefonia, «Naqueles tempos a rádio mexia com o sistema, era saudavelmente incómoda e os programas não se limitavam a ser gira-discos». Não podia concordar mais com estas palavras.
Para este texto foram consultadas as seguintes fontes:
MATOS, Maia - Telefonia. Lisboa: Circulo de Leitores, 1995. ISBN 972-42-1133-9
BRAVO, Manuel – História da Rádio em Datas (1819-1997). Disponível em http://pagina.vizzavi.pt/~nc22723a/radio.htm

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

Inovações na página da RR

A Rádio já não é só som, com a Internet novos horizontes se abriram para a rádio. A Rádio Renascença (RR) disponibiliza na sua página da Internet, desde ontem, ficheiros pdf com «o essencial da informação», duas vezes por dia, de segunda a sexta feira.
O título do "jornal" é "Página 1".A RR recupera o nome de um programa de informação de finais da década de 1960, que foi bastante popular.

domingo, 18 de fevereiro de 2007

Ontem foi dia de retorno aos anos oitenta

Há uma nova viagem agendada para 16 de Março (de Sexta para Sábado).

Um guia ético para o jormalismo da rádio pública... e não só*

Os interessados podem fazer a descarga de um guia ético para o Jornalismo das rádios públicas, mas não faz mal nenhum se as emissoras privadas o seguissem. Claro que todas as emissoras portuguesas vão "fugir com o rabo à seringa", como no caso do provedor dos ouvintes.
O Ethics Guide for Public Radio Journalism está disponível no sítio Corporation for Public Broadcasting.

* Via Ponto Media

sábado, 10 de fevereiro de 2007

No próximo Sábado à noite, no Porto...

... vamos ao Swing Club recordar o tempo em que a música tinha na rádio o seu principal divulgador; os discos eram pretos, grandes, analógicos e feitos de vinil; havia Rádios Piratas com muita gente a falar aos microfones e ninguém se importava com isso; as rádios legais pertenciam ao estado, mas tinham excelentes programas de autor; a pirataria musical consistia numa cassete de fita magnética (gravada directamente do nosso gira-discos, da rádio ou copiada de outra qualquer cassete) e a indústria fonográfica não se queixava (muito, pelo menos); a música portátil era escutada ou num "transístor"* ou num Walkman; metiam-se moedas de cinco "paus" nas máquinas de flippers para uma "joga" de pouco mais de um minuto; os computadores em casa - para os mais sortudos - eram os ZX Spectrum; o café, no Porto, era um cimbalino (está em desuso a expressão); os centros comerciais eram escassos; ganhava-se mal (nisto nada mudou); os governos... é melhor nem comentar. O melhor de tudo eram as discotecas que abriam ao domingo de tarde e passavam slows (o momento mais esperado do dia).
Podem agradecer ao blogue "Queridos Anos Oitenta". Eu vou ao Swing agradecer pessoalmente.

Em escuta: Spot promocional da festa, que passa na Rádio Nova.
* Transistor - nome popular por que eram conhecidos os receptores radiofónicos de bolso.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

E vão duas...

O programa “O amor é...”, da autoria de Júlio Machado Vaz, que passa na Antena 1, ficou hoje por transmitir. Segundo a direcção de programas da Antena 1, «As posições aí tomadas pelos autores sobre o Referendo do próximo dia 11, colidem frontalmente com o princípio de neutralidade a que a rádio pública está obrigada e com o imperativo de independência que caracteriza o próprio conceito de serviço público». Júlio Machado Vaz já se pronunciou sobre este assunto no blogue “Murcon”.
E com esta, são já duas as vezes que o programa é retirado do ar. A primeira foi a 10 de Abril de 2005, aquando da morte de João Paulo II.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

Internet: ameaça ou oportunidade para a rádio?

Está disponível, para leitura ou descarga, na Biblioteca On-Line de Ciências da Comunicação, um trabalho de João Paulo Meneses como título Internet: possibilidades e ameaças para a rádio musical.
Neste texto são apresentadas conclusões interessantes, onde se apresentam caminhos que a rádio terá de seguir (o que já acontece em muitas situações).

Anotem na agenda

Lembram-se do tempo das rádios piratas e da música que muitas delas passavam? Pois o blogue “Queridos anos oitenta” convida todos a fazer uma viagem a esse tempo, na discoteca Swing, no Porto, na noite de sábado para domingo da próxima semana (17 para 18 de Fevereiro).

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Sobre a Rádio Clube

Dizer bem da Rádio Clube:
É uma rádio de informação e palavra, remando contra a maré do “mais música e menos palavra”.
É, sem dúvida, diferente do que se fez até agora na rádio portuguesa. Copia o modelo espanhol da Cadena Ser (influência da Prisa). No entanto, não tem o nível qualitativo das emissoras espanholas.
Dizer mal:
Não foi uma entrada de campeão nem surpreendeu, como Luís Osório tantas vezes afirmou que ia acontecer. Tal como seria previsível, 25 convidados numa manhã era uma tarefa difícil de concretizar. Existiram alguns convidados, mas nunca chegaram, nem de perto, aquele número tantas vezes anunciado. Pela boca morre o peixe.
Existiram falhas técnicas, que não são desculpáveis numa emissora – como os responsáveis tantas vezes fizeram questão de frisar – altamente profissional.
A informação de trânsito incorre nos mesmos erros de outras emissoras: só o há sobre Lisboa e, algumas vezes, sobre o Porto. O resto do país é paisagem.
As manhãs da Rádio Clube são diferentes da concorrência (RR, TSF e A1). Escolhem um tema e desenvolvem-no durante toda a manhã, relegando para segundo plano outras notícias. Os noticiários da tarde e noite são inferiores ao das outras estações emissoras.
A frequência no Porto mudou. Dos 89.50 MHz sedeados em Matosinhos, e de difícil escuta em alguns pontos do Porto, passou-se para os 90.00 MHz da cidade Invicta, frequência onde era retransmitida a Foxx FM e depois a Cidade FM (que, entretanto, voltou aos 107.20 MHz). Uma confusão.
Nos dois textos anteriores sobre a Rádio Clube foram colocados quase três dezenas de comentários. Neles analisa-se, critica-se ou sugerem-se alterações. Também se escreveu no Blogouve-se e no Rádio e Jornalismo sobre a nova Rádio Clube.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Um sapo que a Renascença tem de engolir

A Rádio Renascença (RR) está contra os tempos de antena (obrigatórios e pagos pelo Estado) que tem de transmitir. Sabendo-se da posição da RR, em relação ao proximo referendo, a RR terá de dar voz tanto aos apoiantes do "Não" como aos do "Sim".
O Estado tem 4 milhões de euros para distribuir pelas emissoras que transmitam os tempos de Antena. Enquanto que no referendo de 1998 só se inscreveram duas estações locais, agora estão inscritas 226.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

Ainda é cedo...

...Para avaliar as emissões do renovado Rádio Clube (Português?). No entanto, alguns leitores deste blogue já reagiram, colocando comentários no texto anterior.

domingo, 28 de janeiro de 2007

Amanhã é dia de um renovado Rádio Clube

O Rádio Clube vai, finalmente, arrancar. O arranque será Às 07h00 com João Adelino Faria, que regressa à lides radiofónicas, 17 anos depois de ter saído da Correio da Manhã Rádio.
As metas são ambiciosas: ultrapassar as audiências da – finalmente assumida – concorrência (Antena 1 e TSF).
Também não esqueço os tais 25 convidados, que foram um estandarte deste novo Rádio Clube. Vamos ouvir para crer.
O jornal “Público” descreve como vão ser alguns programas do Rádio Clube.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

Estamos mal de rádio e de jornalismo em Portugal

Já saiu o bareme rádio da Marktest do quarto trimestre de 2006. o jornal público apresenta uma notícia com o título “Rádio perdeu cerca de 300 mil ouvintes nos últimos meses de 2006”. No entanto, Paula Cordeiro, do Blogue NetFM, refuta esta afirmação e conclui que «o título "Rádio perdeu 300 mil ouvintes", parece-me relativamente estafado e recorrente, uma vez que sempre que a Marktest apresenta os resultados para um novo trimestre, as notícias começam com os verbos "perdeu" ou "recuperou"... Que meio tão volátil, a rádio...». É um texto a ler com atenção e que levanta perguntas - algumas delas já formuladas no texto de Paula Cordeiro - sobre o estado do jornalismo em Portugal. Neste contexto, é importante ler o o que escreveu João Paulo Meneses no postal “Um caso exemplar para nos fazer pensar”, no blogouve-se.
Parece que o jornalismo em Portugal está pior que a rádio portuguesa, mas também me quer parecer que não é por causa dos jornalistas, mas sim pelas contínuas reduções de pessoal experiente das redacções, o que leva ao uso (e abuso) de mão de obra gratuiuta, como é o caso dos estagiários. Depois é este o resultado.

terça-feira, 23 de janeiro de 2007

20 perguntas e muitas mais respostas

Há uns tempos, o Francisco Mateus, do blogue “Rádio Crítica”, colocou um texto onde fazia 20 perguntas aos seus leitores. As respostas foram chegando e são interessantes.
Há algumas conclusões que se podem ir tirando: o que é que a rádio portuguesa precisa? De dinâmica. E essa só se consegue com pessoas, não com música sem parar onde um computador está a dirigir a emissão. Sem o elemento humano que mantenha o contacto com o ouvinte, as estações pouco mais são que sistemas de música ambiente para centros comerciais decrépitos.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

Quando a rádio pode ser mortal - II

Segundo o jornal "Correio da Manhã" (a notícia não está online), a estação KDND 107.9 decidiu despedir os dez responsáveis do concurso "Hold your Wee for a Wii", onde se tem de beber água, e que resultou na morte de uma participante (ver texto de 14 de Janeiro).

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

Nova grelha do Rádio Clube adiada

A revolução prometida pela Rádio Clube prevista para dia 15 de Janeiro foi adiada. Escutei um pouco do programa da manhã de ontem e de hoje e era mais do mesmo, nada tinha mudado. O que se escutava na emissão do Rádio Clube era apenas música e mais música, algum transito e noticiários curtos, muito atrás dos da RR, da Antena 1 ou da TSF. Ou seja, nada do que tinha sido prometido.
A nova grelha tem já outra data marcada: 29 de Janeiro. Continuo à espera para ouvir.

domingo, 14 de janeiro de 2007

Quando a rádio pode ser mortal

Os disparates e a irresponsabilidade não são uma coisa exclusiva da televisão. Segundo o sítio da estação radiofónica 680 News (obrigado JPM), citando um médico legista, uma mulher de 28 anos morreu intoxicada com água, após ter tomado parte num concurso da emissora KDND 107.9, onde se tem de beber água. O último concorrente a ir à casa de banho ganha uma consola de jogos Nintendo Wii. O resultado viu-se.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

A Rádio na Internet

As webradios, em Espanha, foram alvo de uma reportagem no jornal “El Mundo”: «Apenas rádio. Sem burocracias, sem necessidade de licenças, sem publicidade. Fazes um programa e transmite-lo. A Internet oferece uma porta aberta de par em par a todos os que desejem emitir. Assim trabalham as rádios da web»*.
A realidade radiofónica espanhola é um pouco diferente da nossa, ainda assim os desafios são idênticos. Este trabalho do “El Mundo” apresenta conclusões interessantes acerca da utilização da web pelas emissoras hertzianas.
Um exemplo das vantagens da Internet para as rádios é o sítio da Rádio Renascença, onde se podem ler resumos de textos, reportagens que já passaram em antena e... vídeos. O jornal “Público” apresenta um texto sobre este assunto.

*Via blogue Rádio e Jornalismo

segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

Dois sítios interessantes

São ambos da autoria de João Paulo Meneses. Um já está disponível há algum tempo e é uma compilação de cerca de 1000 “postais” (para usar a terminologia do autor) do Blogouve-se. «Os textos do Blogouve-se» são «Textos escritos entre Junho de 2003 e Maio de 2006. Primeiro em ouve-se.weblogger.terra.com.br depois em ouve-se.blogspot.com/ (desde 1/12/04); recuperados, em alguns casos editados e arrumados num índice temático; uma espécie de livro virtual».
O outro sítio é “Os formatos da rádio portuguesa - As dez rádios mais ouvidas em Portugal: os formatos nas estratégias de programação” e é o «Trabalho apresentado em Setembro de 2006 no Departamento de Psicologia Evolutiva e Comunicação da Universidade de Vigo, para obtenção do Diploma de Estudos Avançados».

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

Fim das emissões em A.M. está em debate

Os ingleses têm a mania que são diferentes do resto do mundo e se não fossem os americanos tinham a mania que eram os donos do mundo. Na rádio não seria de esperar que fossem diferentes. Segundo o jornal inglês Telegraph, o fim das emissões em Amplitude Modulada (A.M.) no Reino Unido já está em discussão.
É curioso que enquanto o resto do mundo vai desistindo do DAB, em Inglaterra este sistema está em franca expansão. E não entendo porque querem acabar com a A.M., pois só a BBC Rádio Five tem, em Onda Média, 5.7 milhões de ouvintes.
As emissoras de A.M. podem trabalhar em Onda Média (O.M.), Onda Curta (O.C.) e em Onda Longa (O.L.). A O.C. é a mais utilizada para transmissões a longa distância, e sendo a Inglaterra um país com fortes tradições nas emissões em inglês e noutras línguas para territórios longínquos, não vejo como irão chegar aos ouvintes de outros pontos do globo. O DAB não está vocacionado para este tipo de emissões (trabalha em VHF e em UHF, portanto com um curto raio de acção), as emissões radiofónicas via satélite requerem equipamento receptor caro, assim como as emissões em DRM (mas a Inglaterra não se interessa por este sistema). Será que também estão a pensar em terminar com o serviço internacional da BBC?
P.S. - Cheguei a esta notícia do Telegraph através do Atrium.

Contestação às novas frequências da RDP-África

A RDP África vai alargar as emissões em Frequência Modulada às cidades de Faro e de Coimbra. O "Diário de Notícias" ouviu responsáveis da Associação Portuguesa de Radiodifusão (APR), da TSF e da RR, que se mostram contra este alargamento da RDP África. O grupo Media Capital Rádios (MCR) absteve-se de fazer comentários sobre este assunto.
Não vejo o porquê de tanta contestação. Será que existem mais emissoras com a vocação da RDP África? São poucas, muito poucas, as emissoras que dedicam espaços às comunidades de imigrantes. Nas que têm algum programa do género, este só ocupa uma ou duas horas, normalmente só uma vez por semana. Além do mais, a RDP África não vai concorrer no mercado publicitário e não silenciou nenhuma emissora local. Provavelmente será por isso que a MCR não fez comentários.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2007

O 2006 radiofónico

O ano que ontem terminou registou várias alterações no panorama radiofónico português. Infelizmente, muitas foram negativas.
Em Janeiro é dada a conhecer uma proposta de alteração da Lei da Rádio, que obriga as estações de radiodifusão a passar entre 25% e 40% de música portuguesa. Foi uma transformação que motivou protestos de artistas e de emissoras, já que pouco ou nada vinha alterar o panorama radiofónico português. Mas há políticos que têm de mostrar serviço, mesmo que não percebam nada do assunto.
Ainda em Janeiro, viveu-se outros tempos de rádio. A nostalgia dos anos oitenta faz regressar o programa Febre de Sábado de Manhã. Júlio Isidro conseguiu juntar bandas de sucesso dos anos 80, e fez reviver, por algumas horas, o programa da Onda Média da RDP-Rádio Comercial. Os concertos foram televisionados, mostrando que a rádio de outros tempos – não tão distantes assim – era dinâmica e movia milhares de ouvintes. Uma lição para os operadores actuais.
O mês de Fevereiro vê ser criada a Entidade Reguladora da Comunicação (ERC), que viria a substituir a Alta Autoridade para a Comunicação Social (AACS). As suas decisões foram criticadas por jornais, rádios, televisões e pelos blogues. A ERC mostrou em pouco tempo que, afinal, mais valia manter a AACS, porque a ERC não acrescentou nada, pelo contrário.
A RDP comemora os 250 anos de Mozart, e cria uma rádio online dedicada exclusivamente ao famoso compositor.
O Rádio Clube Português (RCP), promessa dos bons velhos tempos, em que o RCP era a melhor rádio portuguesa, revela-se uma desilusão nas audiências e altera o seu formato, passando a chamar-se Rádio Clube. A desilusão continua e, em finais do ano, novo formato é prometido para 2007. No entanto, o director do RCP é ambíguo e diz, repetidamente, em vários órgãos de comunicação social, que o Rádio Clube vai ser uma rádio generalista com muita informação, sem adiantar mais pormenores. Uma certeza apenas: a sigla RCP vai ser extinta. Ou vai ser um sucesso assombroso ou vai ser mais do mesmo e nem sequer vai conseguir desiludir.
Em Março, a RDP decide criar o provedor do ouvinte. A escolhe recai num homem que conheçe bem o meio: José Nuno Martins. Mais um passo positivo da rádio de serviço público e que contribui para a credibilização do meio. As emissoras privadas, que não gostam de críticas, dizem não haver necessidade de criarem um provedor.
A rádio regressa à TV Cabo, que insere no seu pacote digital algumas estações, algumas delas locais.
Abril foi o mês que, em 1974, abriu as portas da liberdade aos portugueses, tendo a rádio sido o elemento catalizador. Neste mês mais um golpe acontece na rádio e na cultura: o museu da rádio encerra portas. Um dos melhores museus do género do mundo, com uma invejável colecção de receptores radiofónicos.
As audiências do primeiro trimestre de 2006, da Marktest, dão números desapontantes: a rádio portuguesa perdeu 307 000 ouvintes. Muitas causas podem ser atribuídas a esta queda nas audiências, mas a principal é, de certeza, o marasmo radiofónico em que o país se encontra, onde prevalecem emissoras erm que o elemento humano foi substituído por um computador ou então as emissões são preenchidas com listas de difusão de gosto duvidoso.
A Internet é um meio cada vez mais utilizado pelas estações e, em Maio, a RDP coloca à disposição dos ouvintes Podcasts, permitindo que interessados escutem programas muito depois de terem sido emitidos. Também a Media Capital Rádios (MCR) criou uma nova rádio online temática - a Rádio Portugal – para acompanhar o campeonato europeu de futebol de sub 21.
Depois dos meses de veraneio, em que a actividade radiofónica abranda, é chegado o tempo de novidades os meses de Setembro e Outubro trazem sonoridades diferentes à Antena 2 e à Rádio Renascença.
Em Novembro as audiências do terceiro trimestre de 2006, da Marktest, mostram que a rádio recuperou alguns ouvintes, no entanto não foram os mais de 300 000 que perdeu no primeiro trimestre.
Em Dezembro, a decisão de Rádio Renascença de tomar posição a favor do “não” no referendo sobre o aborto fez correr muita tinta. Mas só os mais distraídos é que se surpreenderam com esta decisão.
Um excelente ano de 2007.