«aquela magia da música que vem do éter, é um hábito que se está extinguir (…) a rádio enquanto escuta caseira é um hábito que faliu e que nos fugiu, e não há maneira de voltar». António Sérgio in "Suplemento DN" de 08 de Julho de 2005

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Um sapo que a Renascença tem de engolir

A Rádio Renascença (RR) está contra os tempos de antena (obrigatórios e pagos pelo Estado) que tem de transmitir. Sabendo-se da posição da RR, em relação ao proximo referendo, a RR terá de dar voz tanto aos apoiantes do "Não" como aos do "Sim".
O Estado tem 4 milhões de euros para distribuir pelas emissoras que transmitam os tempos de Antena. Enquanto que no referendo de 1998 só se inscreveram duas estações locais, agora estão inscritas 226.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

Ainda é cedo...

...Para avaliar as emissões do renovado Rádio Clube (Português?). No entanto, alguns leitores deste blogue já reagiram, colocando comentários no texto anterior.

domingo, 28 de janeiro de 2007

Amanhã é dia de um renovado Rádio Clube

O Rádio Clube vai, finalmente, arrancar. O arranque será Às 07h00 com João Adelino Faria, que regressa à lides radiofónicas, 17 anos depois de ter saído da Correio da Manhã Rádio.
As metas são ambiciosas: ultrapassar as audiências da – finalmente assumida – concorrência (Antena 1 e TSF).
Também não esqueço os tais 25 convidados, que foram um estandarte deste novo Rádio Clube. Vamos ouvir para crer.
O jornal “Público” descreve como vão ser alguns programas do Rádio Clube.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

Estamos mal de rádio e de jornalismo em Portugal

Já saiu o bareme rádio da Marktest do quarto trimestre de 2006. o jornal público apresenta uma notícia com o título “Rádio perdeu cerca de 300 mil ouvintes nos últimos meses de 2006”. No entanto, Paula Cordeiro, do Blogue NetFM, refuta esta afirmação e conclui que «o título "Rádio perdeu 300 mil ouvintes", parece-me relativamente estafado e recorrente, uma vez que sempre que a Marktest apresenta os resultados para um novo trimestre, as notícias começam com os verbos "perdeu" ou "recuperou"... Que meio tão volátil, a rádio...». É um texto a ler com atenção e que levanta perguntas - algumas delas já formuladas no texto de Paula Cordeiro - sobre o estado do jornalismo em Portugal. Neste contexto, é importante ler o o que escreveu João Paulo Meneses no postal “Um caso exemplar para nos fazer pensar”, no blogouve-se.
Parece que o jornalismo em Portugal está pior que a rádio portuguesa, mas também me quer parecer que não é por causa dos jornalistas, mas sim pelas contínuas reduções de pessoal experiente das redacções, o que leva ao uso (e abuso) de mão de obra gratuiuta, como é o caso dos estagiários. Depois é este o resultado.

terça-feira, 23 de janeiro de 2007

20 perguntas e muitas mais respostas

Há uns tempos, o Francisco Mateus, do blogue “Rádio Crítica”, colocou um texto onde fazia 20 perguntas aos seus leitores. As respostas foram chegando e são interessantes.
Há algumas conclusões que se podem ir tirando: o que é que a rádio portuguesa precisa? De dinâmica. E essa só se consegue com pessoas, não com música sem parar onde um computador está a dirigir a emissão. Sem o elemento humano que mantenha o contacto com o ouvinte, as estações pouco mais são que sistemas de música ambiente para centros comerciais decrépitos.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

Quando a rádio pode ser mortal - II

Segundo o jornal "Correio da Manhã" (a notícia não está online), a estação KDND 107.9 decidiu despedir os dez responsáveis do concurso "Hold your Wee for a Wii", onde se tem de beber água, e que resultou na morte de uma participante (ver texto de 14 de Janeiro).

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

Nova grelha do Rádio Clube adiada

A revolução prometida pela Rádio Clube prevista para dia 15 de Janeiro foi adiada. Escutei um pouco do programa da manhã de ontem e de hoje e era mais do mesmo, nada tinha mudado. O que se escutava na emissão do Rádio Clube era apenas música e mais música, algum transito e noticiários curtos, muito atrás dos da RR, da Antena 1 ou da TSF. Ou seja, nada do que tinha sido prometido.
A nova grelha tem já outra data marcada: 29 de Janeiro. Continuo à espera para ouvir.

domingo, 14 de janeiro de 2007

Quando a rádio pode ser mortal

Os disparates e a irresponsabilidade não são uma coisa exclusiva da televisão. Segundo o sítio da estação radiofónica 680 News (obrigado JPM), citando um médico legista, uma mulher de 28 anos morreu intoxicada com água, após ter tomado parte num concurso da emissora KDND 107.9, onde se tem de beber água. O último concorrente a ir à casa de banho ganha uma consola de jogos Nintendo Wii. O resultado viu-se.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

A Rádio na Internet

As webradios, em Espanha, foram alvo de uma reportagem no jornal “El Mundo”: «Apenas rádio. Sem burocracias, sem necessidade de licenças, sem publicidade. Fazes um programa e transmite-lo. A Internet oferece uma porta aberta de par em par a todos os que desejem emitir. Assim trabalham as rádios da web»*.
A realidade radiofónica espanhola é um pouco diferente da nossa, ainda assim os desafios são idênticos. Este trabalho do “El Mundo” apresenta conclusões interessantes acerca da utilização da web pelas emissoras hertzianas.
Um exemplo das vantagens da Internet para as rádios é o sítio da Rádio Renascença, onde se podem ler resumos de textos, reportagens que já passaram em antena e... vídeos. O jornal “Público” apresenta um texto sobre este assunto.

*Via blogue Rádio e Jornalismo

segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

Dois sítios interessantes

São ambos da autoria de João Paulo Meneses. Um já está disponível há algum tempo e é uma compilação de cerca de 1000 “postais” (para usar a terminologia do autor) do Blogouve-se. «Os textos do Blogouve-se» são «Textos escritos entre Junho de 2003 e Maio de 2006. Primeiro em ouve-se.weblogger.terra.com.br depois em ouve-se.blogspot.com/ (desde 1/12/04); recuperados, em alguns casos editados e arrumados num índice temático; uma espécie de livro virtual».
O outro sítio é “Os formatos da rádio portuguesa - As dez rádios mais ouvidas em Portugal: os formatos nas estratégias de programação” e é o «Trabalho apresentado em Setembro de 2006 no Departamento de Psicologia Evolutiva e Comunicação da Universidade de Vigo, para obtenção do Diploma de Estudos Avançados».

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

Fim das emissões em A.M. está em debate

Os ingleses têm a mania que são diferentes do resto do mundo e se não fossem os americanos tinham a mania que eram os donos do mundo. Na rádio não seria de esperar que fossem diferentes. Segundo o jornal inglês Telegraph, o fim das emissões em Amplitude Modulada (A.M.) no Reino Unido já está em discussão.
É curioso que enquanto o resto do mundo vai desistindo do DAB, em Inglaterra este sistema está em franca expansão. E não entendo porque querem acabar com a A.M., pois só a BBC Rádio Five tem, em Onda Média, 5.7 milhões de ouvintes.
As emissoras de A.M. podem trabalhar em Onda Média (O.M.), Onda Curta (O.C.) e em Onda Longa (O.L.). A O.C. é a mais utilizada para transmissões a longa distância, e sendo a Inglaterra um país com fortes tradições nas emissões em inglês e noutras línguas para territórios longínquos, não vejo como irão chegar aos ouvintes de outros pontos do globo. O DAB não está vocacionado para este tipo de emissões (trabalha em VHF e em UHF, portanto com um curto raio de acção), as emissões radiofónicas via satélite requerem equipamento receptor caro, assim como as emissões em DRM (mas a Inglaterra não se interessa por este sistema). Será que também estão a pensar em terminar com o serviço internacional da BBC?
P.S. - Cheguei a esta notícia do Telegraph através do Atrium.

Contestação às novas frequências da RDP-África

A RDP África vai alargar as emissões em Frequência Modulada às cidades de Faro e de Coimbra. O "Diário de Notícias" ouviu responsáveis da Associação Portuguesa de Radiodifusão (APR), da TSF e da RR, que se mostram contra este alargamento da RDP África. O grupo Media Capital Rádios (MCR) absteve-se de fazer comentários sobre este assunto.
Não vejo o porquê de tanta contestação. Será que existem mais emissoras com a vocação da RDP África? São poucas, muito poucas, as emissoras que dedicam espaços às comunidades de imigrantes. Nas que têm algum programa do género, este só ocupa uma ou duas horas, normalmente só uma vez por semana. Além do mais, a RDP África não vai concorrer no mercado publicitário e não silenciou nenhuma emissora local. Provavelmente será por isso que a MCR não fez comentários.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2007

O 2006 radiofónico

O ano que ontem terminou registou várias alterações no panorama radiofónico português. Infelizmente, muitas foram negativas.
Em Janeiro é dada a conhecer uma proposta de alteração da Lei da Rádio, que obriga as estações de radiodifusão a passar entre 25% e 40% de música portuguesa. Foi uma transformação que motivou protestos de artistas e de emissoras, já que pouco ou nada vinha alterar o panorama radiofónico português. Mas há políticos que têm de mostrar serviço, mesmo que não percebam nada do assunto.
Ainda em Janeiro, viveu-se outros tempos de rádio. A nostalgia dos anos oitenta faz regressar o programa Febre de Sábado de Manhã. Júlio Isidro conseguiu juntar bandas de sucesso dos anos 80, e fez reviver, por algumas horas, o programa da Onda Média da RDP-Rádio Comercial. Os concertos foram televisionados, mostrando que a rádio de outros tempos – não tão distantes assim – era dinâmica e movia milhares de ouvintes. Uma lição para os operadores actuais.
O mês de Fevereiro vê ser criada a Entidade Reguladora da Comunicação (ERC), que viria a substituir a Alta Autoridade para a Comunicação Social (AACS). As suas decisões foram criticadas por jornais, rádios, televisões e pelos blogues. A ERC mostrou em pouco tempo que, afinal, mais valia manter a AACS, porque a ERC não acrescentou nada, pelo contrário.
A RDP comemora os 250 anos de Mozart, e cria uma rádio online dedicada exclusivamente ao famoso compositor.
O Rádio Clube Português (RCP), promessa dos bons velhos tempos, em que o RCP era a melhor rádio portuguesa, revela-se uma desilusão nas audiências e altera o seu formato, passando a chamar-se Rádio Clube. A desilusão continua e, em finais do ano, novo formato é prometido para 2007. No entanto, o director do RCP é ambíguo e diz, repetidamente, em vários órgãos de comunicação social, que o Rádio Clube vai ser uma rádio generalista com muita informação, sem adiantar mais pormenores. Uma certeza apenas: a sigla RCP vai ser extinta. Ou vai ser um sucesso assombroso ou vai ser mais do mesmo e nem sequer vai conseguir desiludir.
Em Março, a RDP decide criar o provedor do ouvinte. A escolhe recai num homem que conheçe bem o meio: José Nuno Martins. Mais um passo positivo da rádio de serviço público e que contribui para a credibilização do meio. As emissoras privadas, que não gostam de críticas, dizem não haver necessidade de criarem um provedor.
A rádio regressa à TV Cabo, que insere no seu pacote digital algumas estações, algumas delas locais.
Abril foi o mês que, em 1974, abriu as portas da liberdade aos portugueses, tendo a rádio sido o elemento catalizador. Neste mês mais um golpe acontece na rádio e na cultura: o museu da rádio encerra portas. Um dos melhores museus do género do mundo, com uma invejável colecção de receptores radiofónicos.
As audiências do primeiro trimestre de 2006, da Marktest, dão números desapontantes: a rádio portuguesa perdeu 307 000 ouvintes. Muitas causas podem ser atribuídas a esta queda nas audiências, mas a principal é, de certeza, o marasmo radiofónico em que o país se encontra, onde prevalecem emissoras erm que o elemento humano foi substituído por um computador ou então as emissões são preenchidas com listas de difusão de gosto duvidoso.
A Internet é um meio cada vez mais utilizado pelas estações e, em Maio, a RDP coloca à disposição dos ouvintes Podcasts, permitindo que interessados escutem programas muito depois de terem sido emitidos. Também a Media Capital Rádios (MCR) criou uma nova rádio online temática - a Rádio Portugal – para acompanhar o campeonato europeu de futebol de sub 21.
Depois dos meses de veraneio, em que a actividade radiofónica abranda, é chegado o tempo de novidades os meses de Setembro e Outubro trazem sonoridades diferentes à Antena 2 e à Rádio Renascença.
Em Novembro as audiências do terceiro trimestre de 2006, da Marktest, mostram que a rádio recuperou alguns ouvintes, no entanto não foram os mais de 300 000 que perdeu no primeiro trimestre.
Em Dezembro, a decisão de Rádio Renascença de tomar posição a favor do “não” no referendo sobre o aborto fez correr muita tinta. Mas só os mais distraídos é que se surpreenderam com esta decisão.
Um excelente ano de 2007.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

Mais uma perda para a rádio portuguesa

Faleceu, com 72 anos, Eduardo Street, realizador de dezenas de folhetins radiofónicos e que deixou um importante contributo para a história do teatro radiofónico português na obra O teatro invisível. História do teatro radiofónico, lançada em Maio deste ano.
Os blogues Indústrias Culturais e A Nossa Rádio fazem homenagens a Eduardo Street.

sábado, 23 de dezembro de 2006

Boas Festas

Para todos os leitores deste blogue votos de um Bom Natal e um Ano Novo feliz, recheado de sucessos.

UM SÉCULO DE RADIODIFUSÃO SONORA

Amanhã, a radiodifusão faz 100 anos. Foi a 24 de Dezembro de 1906 que foi transmitido aquele que é considerado o primeiro programa de rádio.
Hoje em dia, o gesto de ligar um receptor radiofónico e sintonizar a emissora favorita é tão simples, que praticamente nem se dá por isso. A rádio é quase omnipresente nas nossas vidas. Onde quer que se esteja, se existir música é muito provável que a fonte seja uma estação radiofónica.
Com o passar do tempo tempo e com os avanços tecnológicos, a rádio arranjou plataformas de difusão muito diferentes. As emissões podem ser analógicas (AM ou FM), digitais (DRM, DAB, HD ou ISBD-T) hertzianas terrestres ou por satélite e, ainda, através da Internet.
Antes do advento da radiodifusão, as únicas fontes musicais, para além das actuações de músicos ao vivo, eram fonogramas (discos, cilindros ou fios de arame magnetizados) com uma qualidade sonora extremamente fraca e, como tinham um preço elevado, não estavam ao alcance de todos. As notícias praticamente só chegavam com os jornais e nem sempre eram recentes.
Foram muitos os que de alguma forma contribuíram com inventos ou estudos para que a radiodifusão fosse uma realidade. Não só na forma, mas também no conteúdo. Ainda antes do invento da transmissão de sinais à distância sem fios, já se utilizava o telefone de uma forma similar ao que viria a ser a rádio. O húngaro Tivadar Puskas efectuou, em 1893, o primeiro noticiário para vários telefones. Estava criado o princípio Broadcasting – de um para muitos.
A Telegrafia Sem Fios (T.S.F.), cuja patente foi atribuída a Guglielmo Marconi, existia desde 1896, sendo cada vez mais utilizada, dadas as suas vantagens. No entanto, desde logo houve quem tentasse reunir a facilidade de comunicação sem fios à distância com o conforto do telefone, já que este, por possibilitar a modulação de voz ou música, não exigia profundos conhecimentos de código Morse, necessário para as comunicações de T.S.F.. O padre brasileiro Landell de Moura foi um dos que faziam, desde fins do século XIX, estas experiências, tentando – e muitos dizem que o conseguiu – transmitir a voz à distância, através de ondas electromagnéticas. Seria, no entanto, Reginald Aubrey Fessenden que em 1900 - ano em que Marconi inventou a sintonização do comprimento de onda - conseguiria transmitir a sua voz através de um circuito sem fios. A experiência ficou registada para a posteridade num fonograma.
A dificuldade de transmitir a voz humana através de ondas electromagnéticas foi facilitada com várias invenções que surgiram no início do século XX. Em 1904, John Ambrose Fleming desenvolve o tubo de eléctrodos a vácuo (Válvula Termiónica), chamou-lhe Díodo. Em 1906, o cientista norte-americano H. C. Dunwoody descobre que cristais como a Galena (Sulfureto de Chumbo) podiam “detectar” ondas electromagnéticas de forma mais eficaz que o cohesor de Edouard Brandly. Neste ano, Lee DeForest baseia-se na Válvula Termiónica e inventa o Tríodo.
As principais peças electrónicas para que a rádio fosse uma realidade estavam descobertas. Só faltava alguém que reunisse estas invenções, e outros componentes tecnológicos já existentes, e as usasse para criar um emissor capaz de levar a voz humana de forma perceptível aos receptores de T.S.F.. Na noite de natal de 1906, o inventor canadiano Reginald Aubrey Fessenden, que vinha a trabalhar num emissor que reunia a mais moderna tecnologia, efectuou a primeira emissão de radiodifusão sonora, oferecendo aos operadores de Telegrafo dos barcos ao largo de Brant Rock, Massachussets, EUA, o primeiro programa de rádio.
O espanto dos radiotelegrafistas deveria ter sido enorme, pois em vez do crepitar dos sinais de Morse nos auscultadores, ouviram a voz de Fessenden, que leu algumas palavras da Bíblia, tocou o tema natalício Oh Holly Night no seu violino e desejou bom Natal a todos os que o escutavam. Este foi o evento que marcou o nascimento da radiodifusão sonora.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2006

Previsões americanas para o consumo de media em 2007

Segundo o Statical Abstract, do US Census Bureau*, os norte-americanos gastarão, em média, 65 dias a ver televisão, 41 dias a ouvir rádio, 7 dias a ler notícias na Internet e 7 dias a ler jornais.
Mesmo em sociedades tecnologicamente e economicamente avançadas a rádio ainda é uma forte fonte de entretenimento e informação.

* Via revista "Visão"

quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

As emissoras portuguesas online em tese de mestrado*

Vai ser submetida à apreciação do júri a tese de mestrado de Pedro Portela - docente do Curso de Comunicação Social da Universidade do Minho - cujo título é “Rádio na Internet em Portugal - A Abertura à Participação num Meio em Mudança". A apresentação terá lugar amanhã, às 16 horas, no Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho, em Braga.
A tese será analisada e comentada pelo Prof. Rogério Santos, docente da Universidade Católica Portuguesa.
Pedro Portela é, também, colaborador da Rádio Universitária do Minho, onde é autor do programa "O domínio dos deuses".

segunda-feira, 18 de dezembro de 2006

A rádio no centenário de Fernando Lopes-Graça

Domingo, dia 17, passaram 100 anos sobre o nascimento de um dos maiores vultos da música portuguesa: Fernando Lopes-Graça (1906-1994). Na revista “6ª”, distribuída com o jornal “Diário de Notícias”, pode ler-se que «se Fernando Pessoa é o nosso maior vulto poético do século XX, então outro Fernando (este!) o é também, mas na música». E assim é.
A Antena 2 lançou, na passada terça-feira, uma caixa com 10 CDs “Centenário Fernando Lopes-Graça (1906-1994)” com peças do compositor retiradas do arquivo da RDP. A caixa contém, ainda, um documentário de António Cartaxo e uma entrevista radiofónica feita em 1957, por Igrejas Caeiro.
O Ministério da Cultura criou um sítio para comemorar o centenário de Fernando Lopes-Graça, com uma web radio onde se podem escutar obras deste grande vulto da música portuguesa.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

Ondas agitadas na Antena 2

Segundo o jornal "Correio da Manhã", Jorge Rodrigues - responsável pelo programa Ritornello, da Antena 2 - afirmou que foi proibido de convidar artistas para o seu programa. Rui Pêgo, director da estação, nega esta afirmação.
Segundo o radialista, no dia seguinte a um programa onde entrevistou o Secretário de Estado da Cultura - Mário Vieira de Carvalho - foi chamado à direcção da estação onde lhe terão dito que a entrevista era «má e servil» e informaram-no que «estava expressamente proibido de convidar qualquer artista ou intelectual português [pelo programa passaram, por exemplo, Paula Rego, José Saramago e Maria João Pires], ficando isentas as grandes estrelas internacionais».
Rui Pêgo confirma a reunião, mas disse que o que interessa à Antena 2, naquele horário, ao final da tarde (18h00), é um programa de divulgação musical e não de entrevistas. No entanto, o director da Antena 2 disse ainda que «as entrevistas podem continuar a ser feitas por ele e difundidas, mas noutros programas da estação».

terça-feira, 12 de dezembro de 2006

A rádio nos jornais... ou nem por isso

Quem vai à secção Media dos jornais portugueses lê muito sobre... televisão. São os resumos das novelas e respectivas “fofocas” sobre os actores, são as programações detalhadas, e alguns canais por cabo, nem uma linha sobre a rádio. Há, nos jornais, muitos críticos de cinema, música e televisão. Mas nem um de rádio.
Será que a rádio é um meio secundário que não vale a atenção dos outros media? Não haverá programas que valham a pena analisar?
Só se fala da rádio nos jornais de vez em quando e cada vez mais raramente. A radiodifusão sonora vai comemorar 100 anos no dia 24 de Dezembro. Sempre quero ver o que irão trazer os jornais portugueses sobre esta importante efeméride.

Fernando Correia: 50 anos de rádio

O jornal “Público” trouxe, no dia 26 de Novembro, uma reportagem sobre o meio século de rádio de Fernando Correia. Não há muita gente (haverá mais alguém?) que possa dizer que esteve tanto tempo a trabalhar em rádio. Na altura, por lapso, não fiz nenhum texto, mas o Francisco Mateus, do Rádio Crítica, fez um excelente texto sobre o Fernando Correia e transcreve a reportagem do “Público” (que só está acessível, no sítio do jornal, mediante assinatura), pelo que recomendo a sua leitura.
Fernando Correia é relatador e o responsável do programa “Bancada Central”, na TSF-Rádio Notícias.

De volta...

Após uns dias sem colocar nenhum texto, estou de volta. Há novas ligações na barra do lado.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

Sobre o "Clube de Jornalistas" de ontem na 2:

O programa de ontem do "Clube de Jornalistas" (CJ) focou, principalmente, o futuro do Rádio Clube (RCP). Luis Osório - director do RCP - confirmou que a figura de primeiro plano contratada para o RCP era João Adelino Faria (ex-SIC Notícias) e será o pivô da informação do RCP no período da manhã. Luis Osório revelou também que já está contratado outro jornalista de primeiro plano para o período da noite, mas não quis revelar quem é.
O programa começou com uma pequena viagem ao antigo Rádio Clube Português, fundado por Jorge Botelho Moniz há 75 anos. Claro que a "colagem" a este nome por parte da Media Capital, tem mais a ver com a tentativa de captar ouvintes de uma geração que ainda se recorda da emissora, do que fazer uma rádio à altura do antigo RCP.
Em estúdio estiveram, além de Luis Osório, José Fragoso, director da TSF e João Barreiros, director da Antena 1. José Fragoso ouviu elogios de Luis Osório à TSF - e pareceu consensual que a TSF é a referência do jornalismo radiofónico em Portugal - enquanto que João Barreiros afirmou que a Antena 1 não é herdeira da Emissora Nacional (ou, como recordou Ribeiro Cardoso, a Maçadora Nacional), pois não é uma rádio do Estado, mas sim uma rádio de serviço público, que está ao serviço dos portugueses e não do Estado português - ou seja, não é controlada pelo governo. Se o é ou não...

terça-feira, 5 de dezembro de 2006

Mais um golpe no DAB

As inovações tecnológicas sucedem-se a um ritmo nunca antes visto. Se por um lado é bom, por outro corre-se o risco de uma tecnologia acabada de implementar se tornar obsoleta rapidamente. Este parece ser o caso do Digital Audio Broadcasting (DAB).
Desta vez foi a Suécia que decidiu terminar com as experiências radiofónicas em DAB. Apesar de o governo sueco ter gasto centenas de milhões de coroas na rede DAB, o governo recentemente eleito decidiu não investir mais nesta tecnologia (que muitos especialistas consideram obsoleta), dado que o preço de um receptor DAB ainda é elevado, mesmo para o nível de vida sueco, o que não contribui para que o DAB ganhe ouvintes.

domingo, 3 de dezembro de 2006

E a rádio gerou mais um livro

O nome de Carlos Vaz Marques ficará ligado à história da rádio portuguesa pelo seu programa Pessoal e... Transmissível, que vai para o ar de segunda a quinta-feira, às 19h15, na TSF. Por aquele espaço radiofónico já passaram dezenas de figuras das artes, das letras, da política, etc. O interesse demonstrado pelo programa foi tanto que rapidamente se passou do áudio às letras e surgiu um livro do Pessoal e... Transmissível com uma selecção de entrevistas.
Agora, eis que surge mais uma obra de Carlos Vaz Marques, que congrega entrevistas a protagonistas da música popular brasileira. MPB.pt inclui um CD (com excertos do programa) e será apresentado em Lisboa, na FNAC do Chiado, dia 5 de Dezembro, às 21h, por José Fragoso (director da TSF) e José Nuno Martins (provedor do ouvinte da RDP).

Lançamento, no Porto, do livro A Fonte Não Quis Revelar

A mais recente obra de Rogério Santos ­- A fonte não quis revelar – um estudo sobre a produção das notícias - vai ser apresentada na livraria FNAC de Santa Catarina, no dia 6 de Dezembro, pelas 18:30, pelo professor Eugénio dos Santos, da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
Este é mais um importante contributo para o estudo e desenvolvimento do jornalismo.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2006

A posição da RR no referendo sobre o aborto

Na quinta-feira, a Rádio Renascença (RR) declarou que iria apoiar o "não" na questão do referendo ao aborto. Sendo uma emissora católica, pertença do episcopado português, a RR teria de seguir as orientações católicas. Portanto, esta tomada de posição não é de estranhar.
As vozes contra a posição da RR fizeram-se ouvir de imediato. Avelino Rodrigues, vice-presidente do Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas, acha absurda a posição da RR e «defende que cada jornalista, independentemente do local onde trabalha, deve ser livre de exprimir a sua opinião em todas as matérias». Um jornalista tem de relatar factos, não tem de dar a sua opinião em antena. Para opinar existem os comentadores. De referir que, embora defenda o “não”, a RR afirma que nos seus espaços informativos «actuará com a objectividade própria dos meios de comunicação social e saberá, por isso, distinguir factos e propaganda, notícia e opinião».
João Paulo Meneses escreveu no Blogouve-se que «os órgãos de comunicação social não devem assumir posições em questões que fracturem os seus leitores/ouvintes/telespectadores (e mesmo os seus jornalistas). Nas outras, nas unânimes, também não há necessidade(…) eu não acho que um jornal, uma rádio ou uma televisão tenham de defender posições. Ideológicas ou não». Não partilho desta opinião. Se a emissora não assumisse publicamente a sua posição, isso sim, seria motivo de reprovação e de forte critica. Assim sendo, os ouvintes sabem o que esperar. E se não gostarem podem sempre mudar de estação.
ACT: 02-12-2006 - Sobre este assunto, o sítio do Clube de Jornalistas tem um artigo muito interessante de João Alferes Gonçalves - RR de Redundância e de Remissão.