«aquela magia da música que vem do éter, é um hábito que se está extinguir (…) a rádio enquanto escuta caseira é um hábito que faliu e que nos fugiu, e não há maneira de voltar». António Sérgio in "Suplemento DN" de 08 de Julho de 2005

sexta-feira, 29 de dezembro de 2006

RCP: ou vai surpreender

...Ou nem vai, sequer, conseguir desiludir. Vale a pena ler o texto de João Paulo Meneses, no Blogouve-se, sobre este assunto.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

Mais uma perda para a rádio portuguesa

Faleceu, com 72 anos, Eduardo Street, realizador de dezenas de folhetins radiofónicos e que deixou um importante contributo para a história do teatro radiofónico português na obra O teatro invisível. História do teatro radiofónico, lançada em Maio deste ano.
Os blogues Indústrias Culturais e A Nossa Rádio fazem homenagens a Eduardo Street.

sábado, 23 de dezembro de 2006

Boas Festas

Para todos os leitores deste blogue votos de um Bom Natal e um Ano Novo feliz, recheado de sucessos.

UM SÉCULO DE RADIODIFUSÃO SONORA

Amanhã, a radiodifusão faz 100 anos. Foi a 24 de Dezembro de 1906 que foi transmitido aquele que é considerado o primeiro programa de rádio.
Hoje em dia, o gesto de ligar um receptor radiofónico e sintonizar a emissora favorita é tão simples, que praticamente nem se dá por isso. A rádio é quase omnipresente nas nossas vidas. Onde quer que se esteja, se existir música é muito provável que a fonte seja uma estação radiofónica.
Com o passar do tempo tempo e com os avanços tecnológicos, a rádio arranjou plataformas de difusão muito diferentes. As emissões podem ser analógicas (AM ou FM), digitais (DRM, DAB, HD ou ISBD-T) hertzianas terrestres ou por satélite e, ainda, através da Internet.
Antes do advento da radiodifusão, as únicas fontes musicais, para além das actuações de músicos ao vivo, eram fonogramas (discos, cilindros ou fios de arame magnetizados) com uma qualidade sonora extremamente fraca e, como tinham um preço elevado, não estavam ao alcance de todos. As notícias praticamente só chegavam com os jornais e nem sempre eram recentes.
Foram muitos os que de alguma forma contribuíram com inventos ou estudos para que a radiodifusão fosse uma realidade. Não só na forma, mas também no conteúdo. Ainda antes do invento da transmissão de sinais à distância sem fios, já se utilizava o telefone de uma forma similar ao que viria a ser a rádio. O húngaro Tivadar Puskas efectuou, em 1893, o primeiro noticiário para vários telefones. Estava criado o princípio Broadcasting – de um para muitos.
A Telegrafia Sem Fios (T.S.F.), cuja patente foi atribuída a Guglielmo Marconi, existia desde 1896, sendo cada vez mais utilizada, dadas as suas vantagens. No entanto, desde logo houve quem tentasse reunir a facilidade de comunicação sem fios à distância com o conforto do telefone, já que este, por possibilitar a modulação de voz ou música, não exigia profundos conhecimentos de código Morse, necessário para as comunicações de T.S.F.. O padre brasileiro Landell de Moura foi um dos que faziam, desde fins do século XIX, estas experiências, tentando – e muitos dizem que o conseguiu – transmitir a voz à distância, através de ondas electromagnéticas. Seria, no entanto, Reginald Aubrey Fessenden que em 1900 - ano em que Marconi inventou a sintonização do comprimento de onda - conseguiria transmitir a sua voz através de um circuito sem fios. A experiência ficou registada para a posteridade num fonograma.
A dificuldade de transmitir a voz humana através de ondas electromagnéticas foi facilitada com várias invenções que surgiram no início do século XX. Em 1904, John Ambrose Fleming desenvolve o tubo de eléctrodos a vácuo (Válvula Termiónica), chamou-lhe Díodo. Em 1906, o cientista norte-americano H. C. Dunwoody descobre que cristais como a Galena (Sulfureto de Chumbo) podiam “detectar” ondas electromagnéticas de forma mais eficaz que o cohesor de Edouard Brandly. Neste ano, Lee DeForest baseia-se na Válvula Termiónica e inventa o Tríodo.
As principais peças electrónicas para que a rádio fosse uma realidade estavam descobertas. Só faltava alguém que reunisse estas invenções, e outros componentes tecnológicos já existentes, e as usasse para criar um emissor capaz de levar a voz humana de forma perceptível aos receptores de T.S.F.. Na noite de natal de 1906, o inventor canadiano Reginald Aubrey Fessenden, que vinha a trabalhar num emissor que reunia a mais moderna tecnologia, efectuou a primeira emissão de radiodifusão sonora, oferecendo aos operadores de Telegrafo dos barcos ao largo de Brant Rock, Massachussets, EUA, o primeiro programa de rádio.
O espanto dos radiotelegrafistas deveria ter sido enorme, pois em vez do crepitar dos sinais de Morse nos auscultadores, ouviram a voz de Fessenden, que leu algumas palavras da Bíblia, tocou o tema natalício Oh Holly Night no seu violino e desejou bom Natal a todos os que o escutavam. Este foi o evento que marcou o nascimento da radiodifusão sonora.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2006

Previsões americanas para o consumo de media em 2007

Segundo o Statical Abstract, do US Census Bureau*, os norte-americanos gastarão, em média, 65 dias a ver televisão, 41 dias a ouvir rádio, 7 dias a ler notícias na Internet e 7 dias a ler jornais.
Mesmo em sociedades tecnologicamente e economicamente avançadas a rádio ainda é uma forte fonte de entretenimento e informação.

* Via revista "Visão"

quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

As emissoras portuguesas online em tese de mestrado*

Vai ser submetida à apreciação do júri a tese de mestrado de Pedro Portela - docente do Curso de Comunicação Social da Universidade do Minho - cujo título é “Rádio na Internet em Portugal - A Abertura à Participação num Meio em Mudança". A apresentação terá lugar amanhã, às 16 horas, no Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho, em Braga.
A tese será analisada e comentada pelo Prof. Rogério Santos, docente da Universidade Católica Portuguesa.
Pedro Portela é, também, colaborador da Rádio Universitária do Minho, onde é autor do programa "O domínio dos deuses".

segunda-feira, 18 de dezembro de 2006

A rádio no centenário de Fernando Lopes-Graça

Domingo, dia 17, passaram 100 anos sobre o nascimento de um dos maiores vultos da música portuguesa: Fernando Lopes-Graça (1906-1994). Na revista “6ª”, distribuída com o jornal “Diário de Notícias”, pode ler-se que «se Fernando Pessoa é o nosso maior vulto poético do século XX, então outro Fernando (este!) o é também, mas na música». E assim é.
A Antena 2 lançou, na passada terça-feira, uma caixa com 10 CDs “Centenário Fernando Lopes-Graça (1906-1994)” com peças do compositor retiradas do arquivo da RDP. A caixa contém, ainda, um documentário de António Cartaxo e uma entrevista radiofónica feita em 1957, por Igrejas Caeiro.
O Ministério da Cultura criou um sítio para comemorar o centenário de Fernando Lopes-Graça, com uma web radio onde se podem escutar obras deste grande vulto da música portuguesa.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

Ondas agitadas na Antena 2

Segundo o jornal "Correio da Manhã", Jorge Rodrigues - responsável pelo programa Ritornello, da Antena 2 - afirmou que foi proibido de convidar artistas para o seu programa. Rui Pêgo, director da estação, nega esta afirmação.
Segundo o radialista, no dia seguinte a um programa onde entrevistou o Secretário de Estado da Cultura - Mário Vieira de Carvalho - foi chamado à direcção da estação onde lhe terão dito que a entrevista era «má e servil» e informaram-no que «estava expressamente proibido de convidar qualquer artista ou intelectual português [pelo programa passaram, por exemplo, Paula Rego, José Saramago e Maria João Pires], ficando isentas as grandes estrelas internacionais».
Rui Pêgo confirma a reunião, mas disse que o que interessa à Antena 2, naquele horário, ao final da tarde (18h00), é um programa de divulgação musical e não de entrevistas. No entanto, o director da Antena 2 disse ainda que «as entrevistas podem continuar a ser feitas por ele e difundidas, mas noutros programas da estação».

terça-feira, 12 de dezembro de 2006

A rádio nos jornais... ou nem por isso

Quem vai à secção Media dos jornais portugueses lê muito sobre... televisão. São os resumos das novelas e respectivas “fofocas” sobre os actores, são as programações detalhadas, e alguns canais por cabo, nem uma linha sobre a rádio. Há, nos jornais, muitos críticos de cinema, música e televisão. Mas nem um de rádio.
Será que a rádio é um meio secundário que não vale a atenção dos outros media? Não haverá programas que valham a pena analisar?
Só se fala da rádio nos jornais de vez em quando e cada vez mais raramente. A radiodifusão sonora vai comemorar 100 anos no dia 24 de Dezembro. Sempre quero ver o que irão trazer os jornais portugueses sobre esta importante efeméride.

Fernando Correia: 50 anos de rádio

O jornal “Público” trouxe, no dia 26 de Novembro, uma reportagem sobre o meio século de rádio de Fernando Correia. Não há muita gente (haverá mais alguém?) que possa dizer que esteve tanto tempo a trabalhar em rádio. Na altura, por lapso, não fiz nenhum texto, mas o Francisco Mateus, do Rádio Crítica, fez um excelente texto sobre o Fernando Correia e transcreve a reportagem do “Público” (que só está acessível, no sítio do jornal, mediante assinatura), pelo que recomendo a sua leitura.
Fernando Correia é relatador e o responsável do programa “Bancada Central”, na TSF-Rádio Notícias.

De volta...

Após uns dias sem colocar nenhum texto, estou de volta. Há novas ligações na barra do lado.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

Sobre o "Clube de Jornalistas" de ontem na 2:

O programa de ontem do "Clube de Jornalistas" (CJ) focou, principalmente, o futuro do Rádio Clube (RCP). Luis Osório - director do RCP - confirmou que a figura de primeiro plano contratada para o RCP era João Adelino Faria (ex-SIC Notícias) e será o pivô da informação do RCP no período da manhã. Luis Osório revelou também que já está contratado outro jornalista de primeiro plano para o período da noite, mas não quis revelar quem é.
O programa começou com uma pequena viagem ao antigo Rádio Clube Português, fundado por Jorge Botelho Moniz há 75 anos. Claro que a "colagem" a este nome por parte da Media Capital, tem mais a ver com a tentativa de captar ouvintes de uma geração que ainda se recorda da emissora, do que fazer uma rádio à altura do antigo RCP.
Em estúdio estiveram, além de Luis Osório, José Fragoso, director da TSF e João Barreiros, director da Antena 1. José Fragoso ouviu elogios de Luis Osório à TSF - e pareceu consensual que a TSF é a referência do jornalismo radiofónico em Portugal - enquanto que João Barreiros afirmou que a Antena 1 não é herdeira da Emissora Nacional (ou, como recordou Ribeiro Cardoso, a Maçadora Nacional), pois não é uma rádio do Estado, mas sim uma rádio de serviço público, que está ao serviço dos portugueses e não do Estado português - ou seja, não é controlada pelo governo. Se o é ou não...

terça-feira, 5 de dezembro de 2006

Mais um golpe no DAB

As inovações tecnológicas sucedem-se a um ritmo nunca antes visto. Se por um lado é bom, por outro corre-se o risco de uma tecnologia acabada de implementar se tornar obsoleta rapidamente. Este parece ser o caso do Digital Audio Broadcasting (DAB).
Desta vez foi a Suécia que decidiu terminar com as experiências radiofónicas em DAB. Apesar de o governo sueco ter gasto centenas de milhões de coroas na rede DAB, o governo recentemente eleito decidiu não investir mais nesta tecnologia (que muitos especialistas consideram obsoleta), dado que o preço de um receptor DAB ainda é elevado, mesmo para o nível de vida sueco, o que não contribui para que o DAB ganhe ouvintes.

domingo, 3 de dezembro de 2006

E a rádio gerou mais um livro

O nome de Carlos Vaz Marques ficará ligado à história da rádio portuguesa pelo seu programa Pessoal e... Transmissível, que vai para o ar de segunda a quinta-feira, às 19h15, na TSF. Por aquele espaço radiofónico já passaram dezenas de figuras das artes, das letras, da política, etc. O interesse demonstrado pelo programa foi tanto que rapidamente se passou do áudio às letras e surgiu um livro do Pessoal e... Transmissível com uma selecção de entrevistas.
Agora, eis que surge mais uma obra de Carlos Vaz Marques, que congrega entrevistas a protagonistas da música popular brasileira. MPB.pt inclui um CD (com excertos do programa) e será apresentado em Lisboa, na FNAC do Chiado, dia 5 de Dezembro, às 21h, por José Fragoso (director da TSF) e José Nuno Martins (provedor do ouvinte da RDP).

Lançamento, no Porto, do livro A Fonte Não Quis Revelar

A mais recente obra de Rogério Santos ­- A fonte não quis revelar – um estudo sobre a produção das notícias - vai ser apresentada na livraria FNAC de Santa Catarina, no dia 6 de Dezembro, pelas 18:30, pelo professor Eugénio dos Santos, da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
Este é mais um importante contributo para o estudo e desenvolvimento do jornalismo.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2006

A posição da RR no referendo sobre o aborto

Na quinta-feira, a Rádio Renascença (RR) declarou que iria apoiar o "não" na questão do referendo ao aborto. Sendo uma emissora católica, pertença do episcopado português, a RR teria de seguir as orientações católicas. Portanto, esta tomada de posição não é de estranhar.
As vozes contra a posição da RR fizeram-se ouvir de imediato. Avelino Rodrigues, vice-presidente do Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas, acha absurda a posição da RR e «defende que cada jornalista, independentemente do local onde trabalha, deve ser livre de exprimir a sua opinião em todas as matérias». Um jornalista tem de relatar factos, não tem de dar a sua opinião em antena. Para opinar existem os comentadores. De referir que, embora defenda o “não”, a RR afirma que nos seus espaços informativos «actuará com a objectividade própria dos meios de comunicação social e saberá, por isso, distinguir factos e propaganda, notícia e opinião».
João Paulo Meneses escreveu no Blogouve-se que «os órgãos de comunicação social não devem assumir posições em questões que fracturem os seus leitores/ouvintes/telespectadores (e mesmo os seus jornalistas). Nas outras, nas unânimes, também não há necessidade(…) eu não acho que um jornal, uma rádio ou uma televisão tenham de defender posições. Ideológicas ou não». Não partilho desta opinião. Se a emissora não assumisse publicamente a sua posição, isso sim, seria motivo de reprovação e de forte critica. Assim sendo, os ouvintes sabem o que esperar. E se não gostarem podem sempre mudar de estação.
ACT: 02-12-2006 - Sobre este assunto, o sítio do Clube de Jornalistas tem um artigo muito interessante de João Alferes Gonçalves - RR de Redundância e de Remissão.

quarta-feira, 29 de novembro de 2006

Hipótese de revisão da Lei da Rádio

A Lei da Rádio portuguesa não serve, nem nunca serviu, os interesses de operadores e ouvintes. O meio radiofónico português necessita de um estudo profundo e sério, que permita adequar as particularidades da radiodifusão nacional aos novos desafios tecnológicos e aos interesses dos ouvintes.
A hipótese de a actual Lei da Rádio poder vir a ser revista foi levantada ontem por Augusto Santos Silva, ministro dos Assuntos Parlamentares, nas comemorações do Dia Nacional da Imprensa.
O Correio da Manhã traz uma pequena notícia sobre este assunto, onde se lê que «o ministro disse que “o Governo está aberto a sugestões”, embora não descortine a necessidade de uma revisão. “Estou apenas a lançar uma hipótese”, diz Santos Silva».
Convém que deixe de ser uma hipótese e passe, rapidamente, a ser um facto.

sábado, 25 de novembro de 2006

RCP: Espero para ouvir

Quase todos os jornais nacionais falaram dos 75 anos do Rádio Clube Português (RCP). "Jornal de Notícias", "Diário de Notícias", "Público", "Jornal de Negócios", "Diário Económico", "Correio da Manhã" e "24 Horas" (não tem sítio na Internet), apresentaram reportagens sobre o RCP, assim como os meios electrónicos Diário Digital, Agência Financeira e Meios & Publicidade (registo necessário). De uma forma ou de outra evocaram uma estação que desapareceu em 1975 (ver texto de 25 de Outubro). Muito se escreveu, também, sobre o futuro da Rádio Clube (a tal emissora que diz que é o RCP). Tudo muito baseado na conferência de imprensa dada pelo seu director, Luís Osório (ver comunicado de imprensa)
Olhando para o futuro, o Rádio Clube promete 20 a 25 convidados no programa da manhã (07h – 10h) e cinco horas de emissões próprias (entre as 12h e as 17h) no Porto, Vila Real, Braga, Coimbra e Aveiro. O número de convidados parece-me francamente exagerado, porque três horas são um tempo limitado para ouvir tanta gente. Presumo que a Rádio Clube convide especialistas nas diversas matérias, porque se forem cidadãos comuns e anónimos a falarem sobre os assuntos do dia, então até se arranjam 50 ou mais. Quanto às cinco horas de emissão local, não serão transmitidas através da rede nacional do Rádio Clube, não chegando as emissões de Vila Real ou Porto, por exemplo, nem a Lisboa, nem às outras terras fora do alcance do emissor local. Já agora, por curiosidade, a Lei da Rádio obriga a 8 horas de emissão local e não apenas 5.
Parafraseando Luís Osório (está escrito em quase todos os jornais), o Rádio Clube vai ser uma estação generalista de informação, que pretende discutir a liderança das audiências em todos os horários sem, no entanto, fazer concorrência à TSF, Renascença ou Antena 1. Mas afinal em que é que ficamos? Se vai ser uma rádio com informação, então vai fazer concorrências às outras três estações de certeza, se vai ser generalista vai ser a mesma coisa. Isto é mesmo conversa de treinador de futebol com "o lugar a arder": “a outra equipa é favorita, mas vamos entrar para ganhar”. E no “fim do jogo” diz: “perdemos, mas fomos melhores em campo”. Somos um país de “rodriguinhos”, nunca vamos directos ao assunto, nunca tomamos posições de confronto (vulgo ”agarrar o touro pelos cornos”), nem assuminos responsabilidades e depois, quando as coisas correm mal, queixamo-nos de tudo e de todos, culpabilizando os imponderáveis e “sacudindo a água do capote”. Se as audiências não forem as esperadas, quero ouvir as desculpas esfarrapadas que serão dadas. Seria muito mais interessante que o director do Rádio Clube assumisse que está no mercado para vencer, retirando ouvintes (para subir nas audiências só pode ser assim) às outras estações.
Em Janeiro de 2007 começa o novo Rádio Clube. Desejo-lhe muitas felicidades e que seja realmente uma emissora diferente, mas espero para ouvir porque tenho as minhas dúvidas.

P.S. 1 – Luís Osório afirmou que o jornalista do programa da manhã "Será uma figura de referência no jornalismo", após uma primeira análise, o personagem que melhor encaixa neste perfil é Sena Santos. Será ele?
Act. 28/11 - Afinal não é Sena Santos.

P.S. 2 - A propósito dos 75 anos do RCP, Rogério Santos escreveu um texto interessante que resume a história daquela estação.

P.S. 3 – Além do Indústrias Culturais, os blogues NetFM, Rádio e Jornalismo, A Minha Rádio e Blogouve-se também têm textos sobre o assunto.

quinta-feira, 23 de novembro de 2006

A RUC precisa de técnicos e locutores

Alguém da RUC (Rádio Universidade de Coimbra) deixou uma mensagem no texto anterior: «A Rádio Universidade de Coimbra precisa de novos locutores e novos técnicos de som - inscreve-te nos cursos de formação prévia!
CURSO DE LOCUÇÃO E REALIZAÇÃO
Dirigido essencialmente a amantes de música, o curso de "programação" vai preparar as novas vozes que darão conteúdos a futuros programas da RUC. Objectivo: experimentação em rádio. Inscrições até 24 de Novembro.
CURSO DE TÉCNICA DE RADIODIFUSÃO
O técnico RUC solda cabos, faz spots e jingles, prepara noticiários, escala antenas, domina potenciómetros, discorre sobre impedância, inspecciona emissores, equaliza graves e agudos, dá som a convívios, ouve boa música e cria momentos mágicos. A força da técnica e, muitas vezes, a técnica da força - inscreve-te até 17 de Novembro.
INSCRIÇÕES: Secretaria da RUC no edifício A.A.C. (junto à Praça da República), no horário 11-13h e 14-17h.
INFORMAÇÃO SOBRE OS CURSOS RUC: http://www.ruc.pt/cursos.php».
Sou um fã da RUC. Pelo menos lá ainda se respira rádio.

quarta-feira, 22 de novembro de 2006

A digitalização nos media portugueses

O blogue Indústrias Culturais traz uma interessante análise ao relatório preliminar “A Digitalização no Sector da Comunicação”. Esta investigação envolve vários países europeus e, em Portugal, é coordenada por Fernando Cascais (Cenjor) e José Luiz Fernandes (SJ).
O impacto do digital na rádio já se faz sentir há mais de uma década. Diz o relatório que «A digitalização traria maior poder aos jornalistas, alargando as suas funções. (...)No caso da rádio, os jornalistas passaram a editar sons, através de software instalado». Claro que os jornalistas passaram a editar sons, substituindo os operadores de som, mas a deficiência de formação na área do áudio e da informática trouxe outros problemas, como sons mal cortados ou lentidão na edição, por desconhecimento de funcionalidades de software, entre outras coisas.
A digitalização era um caminho que os media teriam de percorrer mais cedo ou mais tarde. A parte mais positiva da digitalização da rádio foi a redução de custos com equipamento técnico: o material áudio tornou-se mais barato, ao mesmo tempo que era mais fiável, além da qualidade sonora ter melhorado significativamente. O negativo foi a já referida redução de pessoal. Por exemplo, na RTP (televisão) «a digitalização terá sido responsável pela redução de quadros, de 2800 para 2000». Houve emissoras que pura e simplesmente reduziram o pessoal operacional a zero - o computador faz toda a emissão sem custos.
O digital trouxe novos desafios e novas oportunidades, é um facto. Mas, para aproveitar todas as suas potencialidades, há que investir na formação profissional contínua dos activos, conforme refere o relatório. Infelizmente são poucas (se calhar até nenhuma) as empresas de comunicação social que apostam na formação, mesmo que esta seja financiada pelo IQF.

terça-feira, 21 de novembro de 2006

Os (futuros) estatutos da Rádio e televisão de Portugal

Está disponível no Portal do Governo um ficheiro pdf com a Proposta de Lei que reestrutura a concessionária dos serviços público de rádio e de televisão. Esta proposta é válida para a rádio e para a televisão, e está em discussão pública até 15 de Dezembro.

domingo, 19 de novembro de 2006

A comunicação social no Porto

Há um texto interessante no blogue Travessias Digitais sobre a Comunicação Social no Porto. É um facto que na imprensa a área metropolitana do porto tem vindo a ficar cada vez mais afastada das páginas dos principais jornais nacionais. O Porto (cidade) já não tem rádios locais controladas por empresas com sede no Porto: a Rádio Festival e a Rádio Nova – as únicas que têm estúdios e emissão 24 horas por dia do Porto - são controladas pela empresa Música no Coração, que tem sede em Lisboa. As restantes são simples retransmissores de estações da capital.
No entanto, foi referenciado no Travessias Digitais, num comentário de João Paulo Meneses, um caso importante na radiodifusão nortenha: Antena 1, Rádio Renascença e TSF-Rádio Notícias têm períodos de emissão em que os noticiários são editados desde os estúdios da Invicta.
Estas três emissoras são as que mais importância dão aos blocos noticiosos. O Rádio Cube (RCP) vai reformatar o seu modelo de emissão, passando a ser uma estação de notícias, do género de TSF. Falta saber se haverá noticiários editados desde os estúdios do Porto do RCP.

quinta-feira, 16 de novembro de 2006

Um bom espaço radiofónico

Não é só nas “grandes” emissoras que existem bons programas de rádio. As estações locais são também capazes de produzir programas com qualidade. Um destes programas é o "Banco de Ensaio", um espaço integrado no programa “Atlântico”, de Bruno Gonçalves Pereira, da responsabilidade de Luís Silva do Ó, e que passa na Antena Miróbriga (Santiago do Cacém).
"Banco de Ensaio" é um espaço radiofónico que afirma que «os novos discos do mundo, muitos deles desconhecidos em Portugal, provam que se continuam a produzir grandes canções que vale a pena descobrir e que a rádio continua a cumprir a sua função de grande divulgador musical».

domingo, 12 de novembro de 2006

Rádios Regionais

As emissoras radiofónicas em Frequência Modulada, em Portugal, têm alvará de cobertura local, regional e nacional. No entanto há diversas emissoras locais que usam o termo “regional”. Por exemplo, a Rádio Regional de Arouca e a Rádio Regional Sanjoanense são rádios locais que usam o termo “regional” na sua designação. É uma realidade que servem uma região mais vasta do que a localidade onde tem sede.
Recentemente apareceu uma nova emissora regional: a Rádio Regional Centro, uma associação de três emissoras locais. Uma curiosidade: a Rádio Regional Centro tem como lema «Música 100% em português». Este é um contraste enorme com a Rádio Regional Norte que praticamente só passa música de origem estrangeira - denominam-se como a rádio mais jovem. Esta emissora, pelos vistos, deixou de estar online, pois a ligação http://www.radioregional.com.pt/ já não funciona.
Curiosamente, aos olhos da lei apenas duas emissoras são regionais: o Rádio Clube (regional Sul), cujas frequências foram inicialmente da Correio da Manhã Rádio, e a TSF-Rádio Notícias (regional Norte), que ocupa as frequências originalmente atribuídas à Rádio Press.
Seria interessante que o governo revisse a distribuição das emissoras: locais, com menos potência; regionais (podiam ser de cobertura de áreas metropolitanas, distritos, etc.), pois a área Norte / Sul não serve para nada, nem faz sentido, pois, com a aquisição de emissoras locais por parte das detentoras do alvará regional, já não existem rádios regionais, mas sim nacionais; e, claro, nacionais, com cobertura de Portugal continental e ilhas.

terça-feira, 7 de novembro de 2006

A (ridícula) revisão salarial do meio radiofónico

Depois de mais de três anos a escrever sobre a rádio portuguesa, tiro uma conclusão: temos uma rádio com altos e baixos, mas que tende cada vez mais, infelizmente, para a mediocridade. Alguns factores contribuem para que a rádio não tenha um nível elevado e um deles é o nível de especialização de quem nelas trabalha, o outro é a fraca retribuição que os trabalhadores das emissoras portuguesas auferem. Um está relacionado com o outro.
Foi assinada, recentemente, a revisão salarial entre a Associação Portuguesa de Radiodifusão (APR) – que representa uma grande parte das emissoras portuguesas, com excepção da RDP e da RR – e os sindicatos do sector. Segundo a nova tabela, o valor mínimo é € 388, 21 e o máximo é € 1203,45. O valor mínimo não corresponde à realidade da Rádio Comercial, do Rádio Clube e da TSF, mas quase de certeza que há muitas emissoras locais que o praticam. Num meio que deve ter um elevado nível de especialização estes valores são ridículos.
Há quem advogue que só seja jornalista quem tiver um curso superior e depois a APR estabelece que uma estação só esteja obrigada a pagar, a um licenciado, € 388, 21. Qualquer outra profissão que apenas requeira que um trabalhador saiba ler e escrever paga mais.
Por muita vontade que um jornalista (animador ou técnico) tenha de trabalhar em rádio, acaba por ir para outro local onde lhe paguem mais. Um animador é a “imagem da estação” e devia ser bem pago por isso, pois é uma parte importante da estação e será uma das razões que os anunciantes decidem fazer publicidade na estação, mas um bom animador (locutor, apresentador, comunicador, chamem-lhe o que quiserem) acaba por desistir do meio e ir trabalhar para outra profissão, porque o salário pago na rádio não dá para viver. Um operador de som terá sempre de ser especializado, já que trabalhar como técnico implica conhecimentos de som, de áudio, de informática, electrónica e, dependendo da emissora, de jornalismo, pois a qualidade sonora, e não só, passa por ele. Paga-se mal, portanto emprega-se só "quem dê um jeito" (se percebe do assunto, ou não, não interessa), pois quem sabe do ofício não pode viver dele. E quem paga é a qualidade da emissão.
Com estes salários a rádio portuguesa não atrai os melhores e, portanto, tornar-se-á medíocre e imprestável, pois não formará nem informará – como é o dever dos órgãos de comunicação social - e tornar-se-á, como algumas emissoras já são, um reles toca discos.
P.S. - É interessante o texto "O ensino do jornalismo visto pelos estudantes" e os comentários, no blogue "Rádio e Jornalismo".

sábado, 4 de novembro de 2006

Sena Santos regressa... em Podcast

A notícia de que Sena Santos, ex- jornalista da Antena 1, se tornou num podcaster vem hoje no jornal “Público” ( o blogue “Chão de Papel” já tinha escrito, ontem, sobre o facto), satisfazendo, em parte, os apelos que se iam fazendo ouvir, para que ele regressasse à rádio.
Sena Santos pode, então, ser escutado em http://senasantos.podcasts.sapo.pt/.

sexta-feira, 3 de novembro de 2006

A rádio ganhou (alguns) ouvintes

O Bareme Rádio da Marktest disponibilizou as audiências radiofónicas do terceiro trimestre de 2006, mostrando que a rádio recuperou 13 mil ouvintes em relação ao mesmo período de 2005. Mas ainda está muito longe de recuperar os 307 mil que perdeu no primeiro trimestre de 2006. No entanto, o terceiro trimestre (Julho, Agosto e Setembro) é sempre um período de reduzido consumo radiofónico, já que este é o período de férias para a maioria dos portugueses.
De destacar apenas que a Rádio Renascença (RR) subiu em relação ao período homólogo de 2005, invertendo assim a tendência dos últimos tempos, mas esta subida não tem uma relação directa com a remodelação que a RR sofreu há pouco tempo. O Rádio Clube (RCP) – que reformulará o seu formato em Novembro - continua em queda com menos 25% de Audiência Acumulada de Véspera (AAV) do que no mesmo período do ano transacto.
Ficam aqui as AAV do terceiro trimestre de 2006:
RFM - 13,7%
Rádio Renascença - 10,1%
Rádio Comercial - 6,9%
Cidade FM - 4,8%
Antena 1 - 4,7%
TSF - 4,4%
Rádio Clube - 2,4%
Mega FM – 1,5%
Antena 2 – 0,7%

quinta-feira, 2 de novembro de 2006

Nos primórdios da radiofonia

Nas primeiras décadas do século XX, a radiofonia era alvo de investigação (na área do áudio, da propagação electromagnética, etc.) e surgiram alguns aparelhos para fazer experiências que resultassem numa melhoria do novo medium. Alguns instrumentos caíram no esquecimento, porque não tiveram nenhuma utilidade para além das experiências radiofónicas, mas outros foram convertidos a outras funções com sucesso.
Escrevi sobre dois aparelhos interessantes, no meu outro blogue, que tiveram origem nas experiências com a rádio. O Trautonium – um aparelho usado para fazer experiências áudio – e o Theremin - cuja primeira utilização era a de estudar as interferências na recepção electromagnética (ondas de rádio). São dois instrumentos muito interessantes.