«aquela magia da música que vem do éter, é um hábito que se está extinguir (…) a rádio enquanto escuta caseira é um hábito que faliu e que nos fugiu, e não há maneira de voltar». António Sérgio in "Suplemento DN" de 08 de Julho de 2005

sábado, 25 de novembro de 2006

RCP: Espero para ouvir

Quase todos os jornais nacionais falaram dos 75 anos do Rádio Clube Português (RCP). "Jornal de Notícias", "Diário de Notícias", "Público", "Jornal de Negócios", "Diário Económico", "Correio da Manhã" e "24 Horas" (não tem sítio na Internet), apresentaram reportagens sobre o RCP, assim como os meios electrónicos Diário Digital, Agência Financeira e Meios & Publicidade (registo necessário). De uma forma ou de outra evocaram uma estação que desapareceu em 1975 (ver texto de 25 de Outubro). Muito se escreveu, também, sobre o futuro da Rádio Clube (a tal emissora que diz que é o RCP). Tudo muito baseado na conferência de imprensa dada pelo seu director, Luís Osório (ver comunicado de imprensa)
Olhando para o futuro, o Rádio Clube promete 20 a 25 convidados no programa da manhã (07h – 10h) e cinco horas de emissões próprias (entre as 12h e as 17h) no Porto, Vila Real, Braga, Coimbra e Aveiro. O número de convidados parece-me francamente exagerado, porque três horas são um tempo limitado para ouvir tanta gente. Presumo que a Rádio Clube convide especialistas nas diversas matérias, porque se forem cidadãos comuns e anónimos a falarem sobre os assuntos do dia, então até se arranjam 50 ou mais. Quanto às cinco horas de emissão local, não serão transmitidas através da rede nacional do Rádio Clube, não chegando as emissões de Vila Real ou Porto, por exemplo, nem a Lisboa, nem às outras terras fora do alcance do emissor local. Já agora, por curiosidade, a Lei da Rádio obriga a 8 horas de emissão local e não apenas 5.
Parafraseando Luís Osório (está escrito em quase todos os jornais), o Rádio Clube vai ser uma estação generalista de informação, que pretende discutir a liderança das audiências em todos os horários sem, no entanto, fazer concorrência à TSF, Renascença ou Antena 1. Mas afinal em que é que ficamos? Se vai ser uma rádio com informação, então vai fazer concorrências às outras três estações de certeza, se vai ser generalista vai ser a mesma coisa. Isto é mesmo conversa de treinador de futebol com "o lugar a arder": “a outra equipa é favorita, mas vamos entrar para ganhar”. E no “fim do jogo” diz: “perdemos, mas fomos melhores em campo”. Somos um país de “rodriguinhos”, nunca vamos directos ao assunto, nunca tomamos posições de confronto (vulgo ”agarrar o touro pelos cornos”), nem assuminos responsabilidades e depois, quando as coisas correm mal, queixamo-nos de tudo e de todos, culpabilizando os imponderáveis e “sacudindo a água do capote”. Se as audiências não forem as esperadas, quero ouvir as desculpas esfarrapadas que serão dadas. Seria muito mais interessante que o director do Rádio Clube assumisse que está no mercado para vencer, retirando ouvintes (para subir nas audiências só pode ser assim) às outras estações.
Em Janeiro de 2007 começa o novo Rádio Clube. Desejo-lhe muitas felicidades e que seja realmente uma emissora diferente, mas espero para ouvir porque tenho as minhas dúvidas.

P.S. 1 – Luís Osório afirmou que o jornalista do programa da manhã "Será uma figura de referência no jornalismo", após uma primeira análise, o personagem que melhor encaixa neste perfil é Sena Santos. Será ele?
Act. 28/11 - Afinal não é Sena Santos.

P.S. 2 - A propósito dos 75 anos do RCP, Rogério Santos escreveu um texto interessante que resume a história daquela estação.

P.S. 3 – Além do Indústrias Culturais, os blogues NetFM, Rádio e Jornalismo, A Minha Rádio e Blogouve-se também têm textos sobre o assunto.

quinta-feira, 23 de novembro de 2006

A RUC precisa de técnicos e locutores

Alguém da RUC (Rádio Universidade de Coimbra) deixou uma mensagem no texto anterior: «A Rádio Universidade de Coimbra precisa de novos locutores e novos técnicos de som - inscreve-te nos cursos de formação prévia!
CURSO DE LOCUÇÃO E REALIZAÇÃO
Dirigido essencialmente a amantes de música, o curso de "programação" vai preparar as novas vozes que darão conteúdos a futuros programas da RUC. Objectivo: experimentação em rádio. Inscrições até 24 de Novembro.
CURSO DE TÉCNICA DE RADIODIFUSÃO
O técnico RUC solda cabos, faz spots e jingles, prepara noticiários, escala antenas, domina potenciómetros, discorre sobre impedância, inspecciona emissores, equaliza graves e agudos, dá som a convívios, ouve boa música e cria momentos mágicos. A força da técnica e, muitas vezes, a técnica da força - inscreve-te até 17 de Novembro.
INSCRIÇÕES: Secretaria da RUC no edifício A.A.C. (junto à Praça da República), no horário 11-13h e 14-17h.
INFORMAÇÃO SOBRE OS CURSOS RUC: http://www.ruc.pt/cursos.php».
Sou um fã da RUC. Pelo menos lá ainda se respira rádio.

quarta-feira, 22 de novembro de 2006

A digitalização nos media portugueses

O blogue Indústrias Culturais traz uma interessante análise ao relatório preliminar “A Digitalização no Sector da Comunicação”. Esta investigação envolve vários países europeus e, em Portugal, é coordenada por Fernando Cascais (Cenjor) e José Luiz Fernandes (SJ).
O impacto do digital na rádio já se faz sentir há mais de uma década. Diz o relatório que «A digitalização traria maior poder aos jornalistas, alargando as suas funções. (...)No caso da rádio, os jornalistas passaram a editar sons, através de software instalado». Claro que os jornalistas passaram a editar sons, substituindo os operadores de som, mas a deficiência de formação na área do áudio e da informática trouxe outros problemas, como sons mal cortados ou lentidão na edição, por desconhecimento de funcionalidades de software, entre outras coisas.
A digitalização era um caminho que os media teriam de percorrer mais cedo ou mais tarde. A parte mais positiva da digitalização da rádio foi a redução de custos com equipamento técnico: o material áudio tornou-se mais barato, ao mesmo tempo que era mais fiável, além da qualidade sonora ter melhorado significativamente. O negativo foi a já referida redução de pessoal. Por exemplo, na RTP (televisão) «a digitalização terá sido responsável pela redução de quadros, de 2800 para 2000». Houve emissoras que pura e simplesmente reduziram o pessoal operacional a zero - o computador faz toda a emissão sem custos.
O digital trouxe novos desafios e novas oportunidades, é um facto. Mas, para aproveitar todas as suas potencialidades, há que investir na formação profissional contínua dos activos, conforme refere o relatório. Infelizmente são poucas (se calhar até nenhuma) as empresas de comunicação social que apostam na formação, mesmo que esta seja financiada pelo IQF.

terça-feira, 21 de novembro de 2006

Os (futuros) estatutos da Rádio e televisão de Portugal

Está disponível no Portal do Governo um ficheiro pdf com a Proposta de Lei que reestrutura a concessionária dos serviços público de rádio e de televisão. Esta proposta é válida para a rádio e para a televisão, e está em discussão pública até 15 de Dezembro.

domingo, 19 de novembro de 2006

A comunicação social no Porto

Há um texto interessante no blogue Travessias Digitais sobre a Comunicação Social no Porto. É um facto que na imprensa a área metropolitana do porto tem vindo a ficar cada vez mais afastada das páginas dos principais jornais nacionais. O Porto (cidade) já não tem rádios locais controladas por empresas com sede no Porto: a Rádio Festival e a Rádio Nova – as únicas que têm estúdios e emissão 24 horas por dia do Porto - são controladas pela empresa Música no Coração, que tem sede em Lisboa. As restantes são simples retransmissores de estações da capital.
No entanto, foi referenciado no Travessias Digitais, num comentário de João Paulo Meneses, um caso importante na radiodifusão nortenha: Antena 1, Rádio Renascença e TSF-Rádio Notícias têm períodos de emissão em que os noticiários são editados desde os estúdios da Invicta.
Estas três emissoras são as que mais importância dão aos blocos noticiosos. O Rádio Cube (RCP) vai reformatar o seu modelo de emissão, passando a ser uma estação de notícias, do género de TSF. Falta saber se haverá noticiários editados desde os estúdios do Porto do RCP.

quinta-feira, 16 de novembro de 2006

Um bom espaço radiofónico

Não é só nas “grandes” emissoras que existem bons programas de rádio. As estações locais são também capazes de produzir programas com qualidade. Um destes programas é o "Banco de Ensaio", um espaço integrado no programa “Atlântico”, de Bruno Gonçalves Pereira, da responsabilidade de Luís Silva do Ó, e que passa na Antena Miróbriga (Santiago do Cacém).
"Banco de Ensaio" é um espaço radiofónico que afirma que «os novos discos do mundo, muitos deles desconhecidos em Portugal, provam que se continuam a produzir grandes canções que vale a pena descobrir e que a rádio continua a cumprir a sua função de grande divulgador musical».

domingo, 12 de novembro de 2006

Rádios Regionais

As emissoras radiofónicas em Frequência Modulada, em Portugal, têm alvará de cobertura local, regional e nacional. No entanto há diversas emissoras locais que usam o termo “regional”. Por exemplo, a Rádio Regional de Arouca e a Rádio Regional Sanjoanense são rádios locais que usam o termo “regional” na sua designação. É uma realidade que servem uma região mais vasta do que a localidade onde tem sede.
Recentemente apareceu uma nova emissora regional: a Rádio Regional Centro, uma associação de três emissoras locais. Uma curiosidade: a Rádio Regional Centro tem como lema «Música 100% em português». Este é um contraste enorme com a Rádio Regional Norte que praticamente só passa música de origem estrangeira - denominam-se como a rádio mais jovem. Esta emissora, pelos vistos, deixou de estar online, pois a ligação http://www.radioregional.com.pt/ já não funciona.
Curiosamente, aos olhos da lei apenas duas emissoras são regionais: o Rádio Clube (regional Sul), cujas frequências foram inicialmente da Correio da Manhã Rádio, e a TSF-Rádio Notícias (regional Norte), que ocupa as frequências originalmente atribuídas à Rádio Press.
Seria interessante que o governo revisse a distribuição das emissoras: locais, com menos potência; regionais (podiam ser de cobertura de áreas metropolitanas, distritos, etc.), pois a área Norte / Sul não serve para nada, nem faz sentido, pois, com a aquisição de emissoras locais por parte das detentoras do alvará regional, já não existem rádios regionais, mas sim nacionais; e, claro, nacionais, com cobertura de Portugal continental e ilhas.

terça-feira, 7 de novembro de 2006

A (ridícula) revisão salarial do meio radiofónico

Depois de mais de três anos a escrever sobre a rádio portuguesa, tiro uma conclusão: temos uma rádio com altos e baixos, mas que tende cada vez mais, infelizmente, para a mediocridade. Alguns factores contribuem para que a rádio não tenha um nível elevado e um deles é o nível de especialização de quem nelas trabalha, o outro é a fraca retribuição que os trabalhadores das emissoras portuguesas auferem. Um está relacionado com o outro.
Foi assinada, recentemente, a revisão salarial entre a Associação Portuguesa de Radiodifusão (APR) – que representa uma grande parte das emissoras portuguesas, com excepção da RDP e da RR – e os sindicatos do sector. Segundo a nova tabela, o valor mínimo é € 388, 21 e o máximo é € 1203,45. O valor mínimo não corresponde à realidade da Rádio Comercial, do Rádio Clube e da TSF, mas quase de certeza que há muitas emissoras locais que o praticam. Num meio que deve ter um elevado nível de especialização estes valores são ridículos.
Há quem advogue que só seja jornalista quem tiver um curso superior e depois a APR estabelece que uma estação só esteja obrigada a pagar, a um licenciado, € 388, 21. Qualquer outra profissão que apenas requeira que um trabalhador saiba ler e escrever paga mais.
Por muita vontade que um jornalista (animador ou técnico) tenha de trabalhar em rádio, acaba por ir para outro local onde lhe paguem mais. Um animador é a “imagem da estação” e devia ser bem pago por isso, pois é uma parte importante da estação e será uma das razões que os anunciantes decidem fazer publicidade na estação, mas um bom animador (locutor, apresentador, comunicador, chamem-lhe o que quiserem) acaba por desistir do meio e ir trabalhar para outra profissão, porque o salário pago na rádio não dá para viver. Um operador de som terá sempre de ser especializado, já que trabalhar como técnico implica conhecimentos de som, de áudio, de informática, electrónica e, dependendo da emissora, de jornalismo, pois a qualidade sonora, e não só, passa por ele. Paga-se mal, portanto emprega-se só "quem dê um jeito" (se percebe do assunto, ou não, não interessa), pois quem sabe do ofício não pode viver dele. E quem paga é a qualidade da emissão.
Com estes salários a rádio portuguesa não atrai os melhores e, portanto, tornar-se-á medíocre e imprestável, pois não formará nem informará – como é o dever dos órgãos de comunicação social - e tornar-se-á, como algumas emissoras já são, um reles toca discos.
P.S. - É interessante o texto "O ensino do jornalismo visto pelos estudantes" e os comentários, no blogue "Rádio e Jornalismo".

sábado, 4 de novembro de 2006

Sena Santos regressa... em Podcast

A notícia de que Sena Santos, ex- jornalista da Antena 1, se tornou num podcaster vem hoje no jornal “Público” ( o blogue “Chão de Papel” já tinha escrito, ontem, sobre o facto), satisfazendo, em parte, os apelos que se iam fazendo ouvir, para que ele regressasse à rádio.
Sena Santos pode, então, ser escutado em http://senasantos.podcasts.sapo.pt/.

sexta-feira, 3 de novembro de 2006

A rádio ganhou (alguns) ouvintes

O Bareme Rádio da Marktest disponibilizou as audiências radiofónicas do terceiro trimestre de 2006, mostrando que a rádio recuperou 13 mil ouvintes em relação ao mesmo período de 2005. Mas ainda está muito longe de recuperar os 307 mil que perdeu no primeiro trimestre de 2006. No entanto, o terceiro trimestre (Julho, Agosto e Setembro) é sempre um período de reduzido consumo radiofónico, já que este é o período de férias para a maioria dos portugueses.
De destacar apenas que a Rádio Renascença (RR) subiu em relação ao período homólogo de 2005, invertendo assim a tendência dos últimos tempos, mas esta subida não tem uma relação directa com a remodelação que a RR sofreu há pouco tempo. O Rádio Clube (RCP) – que reformulará o seu formato em Novembro - continua em queda com menos 25% de Audiência Acumulada de Véspera (AAV) do que no mesmo período do ano transacto.
Ficam aqui as AAV do terceiro trimestre de 2006:
RFM - 13,7%
Rádio Renascença - 10,1%
Rádio Comercial - 6,9%
Cidade FM - 4,8%
Antena 1 - 4,7%
TSF - 4,4%
Rádio Clube - 2,4%
Mega FM – 1,5%
Antena 2 – 0,7%

quinta-feira, 2 de novembro de 2006

Nos primórdios da radiofonia

Nas primeiras décadas do século XX, a radiofonia era alvo de investigação (na área do áudio, da propagação electromagnética, etc.) e surgiram alguns aparelhos para fazer experiências que resultassem numa melhoria do novo medium. Alguns instrumentos caíram no esquecimento, porque não tiveram nenhuma utilidade para além das experiências radiofónicas, mas outros foram convertidos a outras funções com sucesso.
Escrevi sobre dois aparelhos interessantes, no meu outro blogue, que tiveram origem nas experiências com a rádio. O Trautonium – um aparelho usado para fazer experiências áudio – e o Theremin - cuja primeira utilização era a de estudar as interferências na recepção electromagnética (ondas de rádio). São dois instrumentos muito interessantes.

quarta-feira, 1 de novembro de 2006

Uma boa ideia

O Francisco Mateus – animador na TSFcoloca à disposição dos ouvintes a série de programas "Como no Cinema", no blogue comonocinema.blogspot.com. Estes programas fora realizados pelo Francisco Mateus e foram emitidos na TSF em 2000 e em 2001.
Os programas ficarão à disposição em podcast, para simples audição ou para descarga para o computador.
É uma boa ideia, portanto quem tem programas de outros tempos pode disponibiliza-los também. É uma forma de perpetuar e partilhar a memória da rádio.

terça-feira, 31 de outubro de 2006

Uma homenagem póstuma

Faleceu no Sábado Artur Varatojo, que ficou conhecido como “Inspector Varatojo”. Ouvintes, leitores e telespectadores admiraram e deleitaram-se com o trabalho deste homem. O sítio “Clássicos da Rádio” presta-lhe uma justa homenagem.
Artur Varatojo tem um sítio oficial na Internet, onde é possível acompanhar o percurso deste autor que encantou gerações de portugueses. O “Clássicos da Rádio” também tem alguns programas radiofónicos de Artur Varatojo, emitidos nas décadas de 1950, 1960 e 1970.

segunda-feira, 30 de outubro de 2006

Rádio e Internet

A Internet tem-se mostrado uma forte aliada da rádio. A provar isso mesmo está o estudo Netpanel, da Marktest. Entre Janeiro e Setembro de 2006, metade dos internautas portugueses visitaram sítios de rádios nacionais, sendo a TSF-Rádio Notícias a emissora preferida daqueles que optam por escutar rádio pela Internet.
Segundo a Marktest, o foi o sítio tsf.sapo.pt que recebeu maior número de visitantes, com 692 mil utilizadores únicos. O cotonete.clix.pt foi o segundo mais visitado, por 589 mil utilizadores únicos, seguido do cidadefm.clix.pt, com 400 mil utilizadores únicos.
Uma análise ao perfil dos internautas que visitam estes sítios mostra que «64.6% deles são homens, 56.8% têm entre 15 e 34 anos, 33.2% pertencem às classes sociais alta e média alta e 46.8% residem nas regiões da Grande Lisboa ou do Litoral Norte.
Os jovens entre os 15 e os 24 anos são os que apresentam maior afinidade com os sites de rádios nacionais, pois estão aí mais representados do que na média do universo
».

sexta-feira, 27 de outubro de 2006

Será bom ou mau?

A Prisa prepara-se para adquirir o controlo total da Media Capital, através de uma Oferta Pública de Aquisição (OPA). Falta saber que efeito esta operação terá na radiodifusão nacional. As emissoras seguirão o modelo radiofónico espanhol da Prisa? Será reabilitada a Onda Média? Serão agregadas mais rádios locais às estações da Media Capital? Estas são algumas das (muitas) questões a que o futuro responderá. Mas falta ainda a palavra da RTL, uma forte accionista da Media Capital.
A Agência Financeira desenvolve o assunto.

quarta-feira, 25 de outubro de 2006

Os pretensos 75 anos do RCP

Passa uma promoção no Rádio Clube sobre os 75 anos do extinto Rádio Clube Português (RCP). Vozes (já desaparecidas) que marcaram aquela estação emissora portuguesa, e a própria rádio em Portugal, são usadas para ilustrar o que a Media Capital pretende que venha a ser a celebração de uma efeméride radiofónica. Só que o Rádio Clube Português desapareceu há 31 anos, com a nacionalização das emissoras radiofónicas portuguesas.
O Rádio Clube Português teve um tempo que terminou a 2 de Dezembro de 1975. Foi absorvido pela, na altura, recentemente criada RDP e mais tarde as suas frequências foram o suporte da “Rádio Comercial”, hoje também nas mãos da Media Capital. No início da década de 1990 a família Botelho Moniz (na altura detentora do nome RCP) tentou, através de uma parceria com algumas emissoras, incluindo a Rádio Nova do Porto, relançar a mítica estação, sem sucesso. Há pouco mais de três anos o nome reapareceu, já que a Media Capital adquiriu os direitos de usar o nome Rádio Clube Português à família Botelho Moniz. Só que foi sol de pouca dura. Uma remodelação na estrutura da emissora teve efeitos na designação do RCP, que passou a ser simplesmente Rádio Clube. Ou seja O RCP ressuscitou mais vezes do que todas as figuras bíblicas. E parece que assim vai continuar.
De referir que mesmo com a designação RCP, numa tentativa de colagem à extinta emissora de Botelho Moniz e na conquista dos ouvintes que ainda se lembravam daquela emissora, nunca a Media Capital teve grande sucesso, pois não inovou (o que era um emblema do antigo RCP), mas copiou formatos, numa tentativa de aliciar o auditório da Rádio Renascença. As audiências mostraram que entre escutar a Rádio Renascença e uma cópia, os ouvintes preferiram o original. Concordo, portanto, com o António Silva de “A Minha Rádio”: «o actual Rádio Clube está a milhas de distância do nome ao qual pretende colar-se».

segunda-feira, 23 de outubro de 2006

A não perder em Lisboa

Rogério Santos, um dos maiores conhecedores da história da rádio portuguesa, vai falar amanhã, sobre "Os pioneiros da rádio em Portugal (1924-1939). Alguns elementos sociológicos e históricos", pelas 18h00, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (auditório 1, à Avenida de Berna, Lisboa).

Congresso de futuros comunicadores

O curso de Comunicação Social e Educação Multimédia, da Escola Superior de Educação de Leiria vai realizar o Encontro Nacional de Estudantes de Jornalismo e Comunicação. A iniciativa tem como finalidade reunir alunos de todo o país, que frequentem cursos ligados à área científica do Jornalismo e da Comunicação. A congresso está marcado para os dias 03, 04 e 05 de Novembro, nas instalações da Escola, e conta com a presença de reconhecidos académicos e profissionais ligados ao jornalismo e não só. O tema central do Encontro é “Aprender a comunicar estórias”.
Mais informaçõespodem ser encontradas no sítio oficial do encontro.

domingo, 22 de outubro de 2006

Muito útil*

A National Public Radio disponibiliza um conjunto de informações muito interessantes para quem trabalha no meio.
O “Next Generation Radio - Training Guide” é um ficheiro pdf que pode ajudar muitos profissionais da rádio - e não só - já que as acções de formação normalmente não chegam a todos.

A desculpa esfarrapada

O Provedor do Ouvinte do serviço público de radiodifusão referiu, no seu último programa (ainda não está disponível no sítio da RTP), que não foi possível a transmissão, durante 40 minutos, do relato de futebol desde o Estádio do Dragão devido a «um problema técnico».
Sempre que algo corre mal, é «um problema técnico». Mas, na generalidade dos casos, não é por causa dos técnicos (de som, operadores áudio, sonorizadores, etc.) que acontecem os problemas, mas muita gente não entende assim. Embora não sendo o caso, a maioria das vezes que alguém refere «um problema técnico», está é a "sacudir a água do capote". É por isso que estou farto de ouvir esta desculpa esfarrapada.

sábado, 21 de outubro de 2006

Um Indústrias Culturais renovado

Um dos meus blogues de culto renovou-se graficamente. O Indústrias Culturais está muito interessante, foge à vulgaridade dos templates que a blogger disponibiliza e faz uma homenagem à rádio, já que no frontispício aparece a imagem de Maria Arliette Rodrigues Moreira, uma jovem cantora da Rádio Peninsular de Lisboa, na década de 1930.

sexta-feira, 20 de outubro de 2006

Contribuição para o Audiovisual aumenta

98,3 milhões de euros é quanto a "Contribuição para o Audiovisual" vai render à RTP. 50 milhões são para a RDP, mas como o financiamento do serviço público de rádio e televisão não é só feito com a contribuição de quem tem um contador da EDP, do orçamento de estado para 2007, estão previstos 308 milhões de euros. O aumento da "Contribuição para o Audiovisual" é de 1,67 para 1,71 euros mensais. Ou seja, um acréscimo de quatro cêntimos na factura da luz.
Já que temos de pagar ( e pagamos, quer queiramos quer não) podemos exigir. Portanto, se há um aumento na contribuição, exijo um aumento da qualidade do nosso serviço público de rádio e televisão, pois «nunca a RTP/RDP recebeu tanto dinheiro em termos absolutos e que custa aos portugueses mais do que a soma dos custos dos principais operadores privados de rádio e de televisão».

Curso de Técnicas Vocais

Estão abertas as vagas para o curso de "Técnicas Vocais", a realizar em Lisboa durante o mês de Novembro, no Estúdio de Rádio da Universidade Autónoma de Lisboa. O curso é ministrado por Ana Ester Neves (na parte de relaxamento e técnicas vocais) e Vítor Nobre (na parte de locução e finalização pragmática do uso da voz).
São destinatários deste curso os actuais ou futuros apresentadores e jornalistas de meios audiovisuais e locutores de publicidade. A selecção dos inscritos está sujeita a uma prova de voz para além da análise do Curriculum Vitae e uma breve entrevista.
Mais informações no sítio do RadioLab.

terça-feira, 17 de outubro de 2006

Censura e precariedade no jornalismo português

Silvino Évora, autor do Blogue “Nós Media” deu uma entrevista ao “Jornal de Notícias”, a propósito da "Concentração dos média e liberdade de imprensa", o tema da sua Tese de Mestrado.
A concentração dos órgãos de comunicação social limita a capacidade dos jornalistas e a sua liberdade de expressão, acentuada ainda pela precariedade reinante na classe que "pode ser vista como a nova forma de censura". (...)"as direcções das empresas jogam com o jornalista utilizando diversos trunfos, sobretudo os referentes à condição de precariedade e ao excessivo número de licenciados que procura emprego". Silvino Évora vai mesmo mais longe "O jornalista sabendo isto não põe em risco o seu emprego nem ultrapassa o imposto, limitando o seu trabalho e a liberdade de expressão".

Emissoras privadas não querem provedor

A figura do provedor do ouvinte é uma realidade nas maiores estações de radiodifusão privadas do mundo. Mas as emissoras privadas portuguesas acham que não precisam de provedores do ouvinte.
Segundo o jornal “Correio da Manhã”, «José Fragoso, director da TSF, assume que “um provedor pode contribuir para afinar alguns conteúdos”, mas diz que ainda não conseguiu “encontrar uma justificação para a sua generalização. Francisco Sarsfield Cabral, director de Informação da Renascença, também acredita que o surgimento do provedor do Ouvinte “é positivo”, já que “obriga a uma certa autocrítica e disciplina”, mas confia na “disciplina do mercado” à qual os privados estão sujeitos».
Uma justificação para a criação do provedor dos ouvintes pelas estações privadas está na obra Tudo o que se passa na TSF ...Para um livro de estilo: «É fundamental garantir a capacidade de corrigir os erros cometidos e contrariar a célebre frase de Balsac, segundo a qual “para um jornalista, tudo o que é provável é verdadeiro”. Em nome do valor mais importante que existe no jornalismo, a credibilidade!»

A ler no blogue NetFM...

...o artigo que Paula Cordeiro escreveu para a revista “Media XXI” – Uma certa Química no ar....

Um blogue chamado REPERTORIUM

O REPERTORIUM é o meu outro blogue. É um exercício académico, portanto um pouco diferente deste espaço. O REPERTORIUM vai focar temas relacionados com “o mundo da música e as músicas do mundo”.
A ligação já está na coluna do lado

domingo, 15 de outubro de 2006

Dados de escuta radiofónica em 2005

Segundo o Bareme Rádio da Marktest, no ano passado 29,4% dos portugueses ouviram rádio no carro, 28,4% em casa, 10,2% no trabalho e 1,25% noutro local.
É preocupante para a rádio que sejam apenas 1,25% dos portugueses a escutá-la "noutro local", pois vê-se cada vez mais gente com auscultadores nas orelhas, mas que não estão a sintonizar uma estação radiofónica, mas sim a ouvir música da sua preferência em Leitores de Áudio Digital (LAD).

quinta-feira, 12 de outubro de 2006

Encontro Nacional de Rádios da ARIC

Via e-mail:
«Irá decorrer nos próximos dias 14 e 15 de Outubro, mais um Encontro Nacional de Rádios promovido pela ARIC – Associação de Rádios de Inspiração Cristã.
Este encontro realizar-se-á na Calheta, Região Autónoma da Madeira e está integrado no programa de comemorações do décimo quinto aniversário da ARIC, ao qual se associam as comemorações do quinto aniversário da Rádio Calheta.
Do intenso programa de actividades deste Encontro Nacional destacam-se a realização de duas conferências cujos painéis de debate irão ser subordinados a temáticas de enorme actualidade para o meio rádio, como sejam: “A Justiça e a Comunicação Social” e “A Comunicação Social Privada em Portugal”.
Os convidados para os dois painéis agendados, são respectivamente o Sr. Dr. Juiz Paulo Barreto, Presidente da Vara Mista do Funchal, o Sr. Presidente da ARIC, Joaquim Sousa Queiroz e o Sr. Presidente da Rádio Calheta, rádio anfitriã, para o primeiro painel. No que respeita às presenças no segundo painel está assegurada a presença do Dr. Nelson Ribeiro, investigador e director do Canal Renascença do Grupo RR, entre outros directores de rádios associadas tendo como base as diversas realidades para o continente.
O encerramento dos trabalhos será presidido pelo Sr. Secretário Regional dos Recursos Humanos da Madeira e pelo Sr. Presidente da Câmara Municipal da Calheta, Sr. Manuel Baeta de Castro.
Integradas igualmente nestas comemorações fazem parte, para além de um vasto programa cultural, as inaugurações da exposição intitulada “História da Rádio”, no Centro das Artes das Mudas, e também a disponibilização da nova página de Internet da Rádio Calheta, porta de entrada e de difusão das actividades da rádio para o mundo.
Porque são propósitos da ARIC, a descentralização do debate, das análises e reflexões sobre os temas da actualidade para o sector da rádio; bem como a formação dos colaboradores ao serviço das rádios suas associadas, este encontro na Calheta, ganha pois uma especial relevância. O propósito de descentralizar, e de não apenas privilegiar os grandes centros com acções deste tipo, funciona assim como factor de reconhecimento de que: se as rádios mesmo nas grandes cidades, defrontam dificuldades, essas mesmas dificuldades fora dos centros urbanos, são amplificadas por via de todos os problemas inerentes à interioridade, aos quais importa dar atenção redobrada».