«aquela magia da música que vem do éter, é um hábito que se está extinguir (…) a rádio enquanto escuta caseira é um hábito que faliu e que nos fugiu, e não há maneira de voltar». António Sérgio in "Suplemento DN" de 08 de Julho de 2005

terça-feira, 21 de novembro de 2006

Os (futuros) estatutos da Rádio e televisão de Portugal

Está disponível no Portal do Governo um ficheiro pdf com a Proposta de Lei que reestrutura a concessionária dos serviços público de rádio e de televisão. Esta proposta é válida para a rádio e para a televisão, e está em discussão pública até 15 de Dezembro.

domingo, 19 de novembro de 2006

A comunicação social no Porto

Há um texto interessante no blogue Travessias Digitais sobre a Comunicação Social no Porto. É um facto que na imprensa a área metropolitana do porto tem vindo a ficar cada vez mais afastada das páginas dos principais jornais nacionais. O Porto (cidade) já não tem rádios locais controladas por empresas com sede no Porto: a Rádio Festival e a Rádio Nova – as únicas que têm estúdios e emissão 24 horas por dia do Porto - são controladas pela empresa Música no Coração, que tem sede em Lisboa. As restantes são simples retransmissores de estações da capital.
No entanto, foi referenciado no Travessias Digitais, num comentário de João Paulo Meneses, um caso importante na radiodifusão nortenha: Antena 1, Rádio Renascença e TSF-Rádio Notícias têm períodos de emissão em que os noticiários são editados desde os estúdios da Invicta.
Estas três emissoras são as que mais importância dão aos blocos noticiosos. O Rádio Cube (RCP) vai reformatar o seu modelo de emissão, passando a ser uma estação de notícias, do género de TSF. Falta saber se haverá noticiários editados desde os estúdios do Porto do RCP.

quinta-feira, 16 de novembro de 2006

Um bom espaço radiofónico

Não é só nas “grandes” emissoras que existem bons programas de rádio. As estações locais são também capazes de produzir programas com qualidade. Um destes programas é o "Banco de Ensaio", um espaço integrado no programa “Atlântico”, de Bruno Gonçalves Pereira, da responsabilidade de Luís Silva do Ó, e que passa na Antena Miróbriga (Santiago do Cacém).
"Banco de Ensaio" é um espaço radiofónico que afirma que «os novos discos do mundo, muitos deles desconhecidos em Portugal, provam que se continuam a produzir grandes canções que vale a pena descobrir e que a rádio continua a cumprir a sua função de grande divulgador musical».

domingo, 12 de novembro de 2006

Rádios Regionais

As emissoras radiofónicas em Frequência Modulada, em Portugal, têm alvará de cobertura local, regional e nacional. No entanto há diversas emissoras locais que usam o termo “regional”. Por exemplo, a Rádio Regional de Arouca e a Rádio Regional Sanjoanense são rádios locais que usam o termo “regional” na sua designação. É uma realidade que servem uma região mais vasta do que a localidade onde tem sede.
Recentemente apareceu uma nova emissora regional: a Rádio Regional Centro, uma associação de três emissoras locais. Uma curiosidade: a Rádio Regional Centro tem como lema «Música 100% em português». Este é um contraste enorme com a Rádio Regional Norte que praticamente só passa música de origem estrangeira - denominam-se como a rádio mais jovem. Esta emissora, pelos vistos, deixou de estar online, pois a ligação http://www.radioregional.com.pt/ já não funciona.
Curiosamente, aos olhos da lei apenas duas emissoras são regionais: o Rádio Clube (regional Sul), cujas frequências foram inicialmente da Correio da Manhã Rádio, e a TSF-Rádio Notícias (regional Norte), que ocupa as frequências originalmente atribuídas à Rádio Press.
Seria interessante que o governo revisse a distribuição das emissoras: locais, com menos potência; regionais (podiam ser de cobertura de áreas metropolitanas, distritos, etc.), pois a área Norte / Sul não serve para nada, nem faz sentido, pois, com a aquisição de emissoras locais por parte das detentoras do alvará regional, já não existem rádios regionais, mas sim nacionais; e, claro, nacionais, com cobertura de Portugal continental e ilhas.

terça-feira, 7 de novembro de 2006

A (ridícula) revisão salarial do meio radiofónico

Depois de mais de três anos a escrever sobre a rádio portuguesa, tiro uma conclusão: temos uma rádio com altos e baixos, mas que tende cada vez mais, infelizmente, para a mediocridade. Alguns factores contribuem para que a rádio não tenha um nível elevado e um deles é o nível de especialização de quem nelas trabalha, o outro é a fraca retribuição que os trabalhadores das emissoras portuguesas auferem. Um está relacionado com o outro.
Foi assinada, recentemente, a revisão salarial entre a Associação Portuguesa de Radiodifusão (APR) – que representa uma grande parte das emissoras portuguesas, com excepção da RDP e da RR – e os sindicatos do sector. Segundo a nova tabela, o valor mínimo é € 388, 21 e o máximo é € 1203,45. O valor mínimo não corresponde à realidade da Rádio Comercial, do Rádio Clube e da TSF, mas quase de certeza que há muitas emissoras locais que o praticam. Num meio que deve ter um elevado nível de especialização estes valores são ridículos.
Há quem advogue que só seja jornalista quem tiver um curso superior e depois a APR estabelece que uma estação só esteja obrigada a pagar, a um licenciado, € 388, 21. Qualquer outra profissão que apenas requeira que um trabalhador saiba ler e escrever paga mais.
Por muita vontade que um jornalista (animador ou técnico) tenha de trabalhar em rádio, acaba por ir para outro local onde lhe paguem mais. Um animador é a “imagem da estação” e devia ser bem pago por isso, pois é uma parte importante da estação e será uma das razões que os anunciantes decidem fazer publicidade na estação, mas um bom animador (locutor, apresentador, comunicador, chamem-lhe o que quiserem) acaba por desistir do meio e ir trabalhar para outra profissão, porque o salário pago na rádio não dá para viver. Um operador de som terá sempre de ser especializado, já que trabalhar como técnico implica conhecimentos de som, de áudio, de informática, electrónica e, dependendo da emissora, de jornalismo, pois a qualidade sonora, e não só, passa por ele. Paga-se mal, portanto emprega-se só "quem dê um jeito" (se percebe do assunto, ou não, não interessa), pois quem sabe do ofício não pode viver dele. E quem paga é a qualidade da emissão.
Com estes salários a rádio portuguesa não atrai os melhores e, portanto, tornar-se-á medíocre e imprestável, pois não formará nem informará – como é o dever dos órgãos de comunicação social - e tornar-se-á, como algumas emissoras já são, um reles toca discos.
P.S. - É interessante o texto "O ensino do jornalismo visto pelos estudantes" e os comentários, no blogue "Rádio e Jornalismo".

sábado, 4 de novembro de 2006

Sena Santos regressa... em Podcast

A notícia de que Sena Santos, ex- jornalista da Antena 1, se tornou num podcaster vem hoje no jornal “Público” ( o blogue “Chão de Papel” já tinha escrito, ontem, sobre o facto), satisfazendo, em parte, os apelos que se iam fazendo ouvir, para que ele regressasse à rádio.
Sena Santos pode, então, ser escutado em http://senasantos.podcasts.sapo.pt/.

sexta-feira, 3 de novembro de 2006

A rádio ganhou (alguns) ouvintes

O Bareme Rádio da Marktest disponibilizou as audiências radiofónicas do terceiro trimestre de 2006, mostrando que a rádio recuperou 13 mil ouvintes em relação ao mesmo período de 2005. Mas ainda está muito longe de recuperar os 307 mil que perdeu no primeiro trimestre de 2006. No entanto, o terceiro trimestre (Julho, Agosto e Setembro) é sempre um período de reduzido consumo radiofónico, já que este é o período de férias para a maioria dos portugueses.
De destacar apenas que a Rádio Renascença (RR) subiu em relação ao período homólogo de 2005, invertendo assim a tendência dos últimos tempos, mas esta subida não tem uma relação directa com a remodelação que a RR sofreu há pouco tempo. O Rádio Clube (RCP) – que reformulará o seu formato em Novembro - continua em queda com menos 25% de Audiência Acumulada de Véspera (AAV) do que no mesmo período do ano transacto.
Ficam aqui as AAV do terceiro trimestre de 2006:
RFM - 13,7%
Rádio Renascença - 10,1%
Rádio Comercial - 6,9%
Cidade FM - 4,8%
Antena 1 - 4,7%
TSF - 4,4%
Rádio Clube - 2,4%
Mega FM – 1,5%
Antena 2 – 0,7%

quinta-feira, 2 de novembro de 2006

Nos primórdios da radiofonia

Nas primeiras décadas do século XX, a radiofonia era alvo de investigação (na área do áudio, da propagação electromagnética, etc.) e surgiram alguns aparelhos para fazer experiências que resultassem numa melhoria do novo medium. Alguns instrumentos caíram no esquecimento, porque não tiveram nenhuma utilidade para além das experiências radiofónicas, mas outros foram convertidos a outras funções com sucesso.
Escrevi sobre dois aparelhos interessantes, no meu outro blogue, que tiveram origem nas experiências com a rádio. O Trautonium – um aparelho usado para fazer experiências áudio – e o Theremin - cuja primeira utilização era a de estudar as interferências na recepção electromagnética (ondas de rádio). São dois instrumentos muito interessantes.

quarta-feira, 1 de novembro de 2006

Uma boa ideia

O Francisco Mateus – animador na TSFcoloca à disposição dos ouvintes a série de programas "Como no Cinema", no blogue comonocinema.blogspot.com. Estes programas fora realizados pelo Francisco Mateus e foram emitidos na TSF em 2000 e em 2001.
Os programas ficarão à disposição em podcast, para simples audição ou para descarga para o computador.
É uma boa ideia, portanto quem tem programas de outros tempos pode disponibiliza-los também. É uma forma de perpetuar e partilhar a memória da rádio.

terça-feira, 31 de outubro de 2006

Uma homenagem póstuma

Faleceu no Sábado Artur Varatojo, que ficou conhecido como “Inspector Varatojo”. Ouvintes, leitores e telespectadores admiraram e deleitaram-se com o trabalho deste homem. O sítio “Clássicos da Rádio” presta-lhe uma justa homenagem.
Artur Varatojo tem um sítio oficial na Internet, onde é possível acompanhar o percurso deste autor que encantou gerações de portugueses. O “Clássicos da Rádio” também tem alguns programas radiofónicos de Artur Varatojo, emitidos nas décadas de 1950, 1960 e 1970.

segunda-feira, 30 de outubro de 2006

Rádio e Internet

A Internet tem-se mostrado uma forte aliada da rádio. A provar isso mesmo está o estudo Netpanel, da Marktest. Entre Janeiro e Setembro de 2006, metade dos internautas portugueses visitaram sítios de rádios nacionais, sendo a TSF-Rádio Notícias a emissora preferida daqueles que optam por escutar rádio pela Internet.
Segundo a Marktest, o foi o sítio tsf.sapo.pt que recebeu maior número de visitantes, com 692 mil utilizadores únicos. O cotonete.clix.pt foi o segundo mais visitado, por 589 mil utilizadores únicos, seguido do cidadefm.clix.pt, com 400 mil utilizadores únicos.
Uma análise ao perfil dos internautas que visitam estes sítios mostra que «64.6% deles são homens, 56.8% têm entre 15 e 34 anos, 33.2% pertencem às classes sociais alta e média alta e 46.8% residem nas regiões da Grande Lisboa ou do Litoral Norte.
Os jovens entre os 15 e os 24 anos são os que apresentam maior afinidade com os sites de rádios nacionais, pois estão aí mais representados do que na média do universo
».

sexta-feira, 27 de outubro de 2006

Será bom ou mau?

A Prisa prepara-se para adquirir o controlo total da Media Capital, através de uma Oferta Pública de Aquisição (OPA). Falta saber que efeito esta operação terá na radiodifusão nacional. As emissoras seguirão o modelo radiofónico espanhol da Prisa? Será reabilitada a Onda Média? Serão agregadas mais rádios locais às estações da Media Capital? Estas são algumas das (muitas) questões a que o futuro responderá. Mas falta ainda a palavra da RTL, uma forte accionista da Media Capital.
A Agência Financeira desenvolve o assunto.

quarta-feira, 25 de outubro de 2006

Os pretensos 75 anos do RCP

Passa uma promoção no Rádio Clube sobre os 75 anos do extinto Rádio Clube Português (RCP). Vozes (já desaparecidas) que marcaram aquela estação emissora portuguesa, e a própria rádio em Portugal, são usadas para ilustrar o que a Media Capital pretende que venha a ser a celebração de uma efeméride radiofónica. Só que o Rádio Clube Português desapareceu há 31 anos, com a nacionalização das emissoras radiofónicas portuguesas.
O Rádio Clube Português teve um tempo que terminou a 2 de Dezembro de 1975. Foi absorvido pela, na altura, recentemente criada RDP e mais tarde as suas frequências foram o suporte da “Rádio Comercial”, hoje também nas mãos da Media Capital. No início da década de 1990 a família Botelho Moniz (na altura detentora do nome RCP) tentou, através de uma parceria com algumas emissoras, incluindo a Rádio Nova do Porto, relançar a mítica estação, sem sucesso. Há pouco mais de três anos o nome reapareceu, já que a Media Capital adquiriu os direitos de usar o nome Rádio Clube Português à família Botelho Moniz. Só que foi sol de pouca dura. Uma remodelação na estrutura da emissora teve efeitos na designação do RCP, que passou a ser simplesmente Rádio Clube. Ou seja O RCP ressuscitou mais vezes do que todas as figuras bíblicas. E parece que assim vai continuar.
De referir que mesmo com a designação RCP, numa tentativa de colagem à extinta emissora de Botelho Moniz e na conquista dos ouvintes que ainda se lembravam daquela emissora, nunca a Media Capital teve grande sucesso, pois não inovou (o que era um emblema do antigo RCP), mas copiou formatos, numa tentativa de aliciar o auditório da Rádio Renascença. As audiências mostraram que entre escutar a Rádio Renascença e uma cópia, os ouvintes preferiram o original. Concordo, portanto, com o António Silva de “A Minha Rádio”: «o actual Rádio Clube está a milhas de distância do nome ao qual pretende colar-se».

segunda-feira, 23 de outubro de 2006

A não perder em Lisboa

Rogério Santos, um dos maiores conhecedores da história da rádio portuguesa, vai falar amanhã, sobre "Os pioneiros da rádio em Portugal (1924-1939). Alguns elementos sociológicos e históricos", pelas 18h00, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (auditório 1, à Avenida de Berna, Lisboa).

Congresso de futuros comunicadores

O curso de Comunicação Social e Educação Multimédia, da Escola Superior de Educação de Leiria vai realizar o Encontro Nacional de Estudantes de Jornalismo e Comunicação. A iniciativa tem como finalidade reunir alunos de todo o país, que frequentem cursos ligados à área científica do Jornalismo e da Comunicação. A congresso está marcado para os dias 03, 04 e 05 de Novembro, nas instalações da Escola, e conta com a presença de reconhecidos académicos e profissionais ligados ao jornalismo e não só. O tema central do Encontro é “Aprender a comunicar estórias”.
Mais informaçõespodem ser encontradas no sítio oficial do encontro.

domingo, 22 de outubro de 2006

Muito útil*

A National Public Radio disponibiliza um conjunto de informações muito interessantes para quem trabalha no meio.
O “Next Generation Radio - Training Guide” é um ficheiro pdf que pode ajudar muitos profissionais da rádio - e não só - já que as acções de formação normalmente não chegam a todos.

A desculpa esfarrapada

O Provedor do Ouvinte do serviço público de radiodifusão referiu, no seu último programa (ainda não está disponível no sítio da RTP), que não foi possível a transmissão, durante 40 minutos, do relato de futebol desde o Estádio do Dragão devido a «um problema técnico».
Sempre que algo corre mal, é «um problema técnico». Mas, na generalidade dos casos, não é por causa dos técnicos (de som, operadores áudio, sonorizadores, etc.) que acontecem os problemas, mas muita gente não entende assim. Embora não sendo o caso, a maioria das vezes que alguém refere «um problema técnico», está é a "sacudir a água do capote". É por isso que estou farto de ouvir esta desculpa esfarrapada.

sábado, 21 de outubro de 2006

Um Indústrias Culturais renovado

Um dos meus blogues de culto renovou-se graficamente. O Indústrias Culturais está muito interessante, foge à vulgaridade dos templates que a blogger disponibiliza e faz uma homenagem à rádio, já que no frontispício aparece a imagem de Maria Arliette Rodrigues Moreira, uma jovem cantora da Rádio Peninsular de Lisboa, na década de 1930.

sexta-feira, 20 de outubro de 2006

Contribuição para o Audiovisual aumenta

98,3 milhões de euros é quanto a "Contribuição para o Audiovisual" vai render à RTP. 50 milhões são para a RDP, mas como o financiamento do serviço público de rádio e televisão não é só feito com a contribuição de quem tem um contador da EDP, do orçamento de estado para 2007, estão previstos 308 milhões de euros. O aumento da "Contribuição para o Audiovisual" é de 1,67 para 1,71 euros mensais. Ou seja, um acréscimo de quatro cêntimos na factura da luz.
Já que temos de pagar ( e pagamos, quer queiramos quer não) podemos exigir. Portanto, se há um aumento na contribuição, exijo um aumento da qualidade do nosso serviço público de rádio e televisão, pois «nunca a RTP/RDP recebeu tanto dinheiro em termos absolutos e que custa aos portugueses mais do que a soma dos custos dos principais operadores privados de rádio e de televisão».

Curso de Técnicas Vocais

Estão abertas as vagas para o curso de "Técnicas Vocais", a realizar em Lisboa durante o mês de Novembro, no Estúdio de Rádio da Universidade Autónoma de Lisboa. O curso é ministrado por Ana Ester Neves (na parte de relaxamento e técnicas vocais) e Vítor Nobre (na parte de locução e finalização pragmática do uso da voz).
São destinatários deste curso os actuais ou futuros apresentadores e jornalistas de meios audiovisuais e locutores de publicidade. A selecção dos inscritos está sujeita a uma prova de voz para além da análise do Curriculum Vitae e uma breve entrevista.
Mais informações no sítio do RadioLab.

terça-feira, 17 de outubro de 2006

Censura e precariedade no jornalismo português

Silvino Évora, autor do Blogue “Nós Media” deu uma entrevista ao “Jornal de Notícias”, a propósito da "Concentração dos média e liberdade de imprensa", o tema da sua Tese de Mestrado.
A concentração dos órgãos de comunicação social limita a capacidade dos jornalistas e a sua liberdade de expressão, acentuada ainda pela precariedade reinante na classe que "pode ser vista como a nova forma de censura". (...)"as direcções das empresas jogam com o jornalista utilizando diversos trunfos, sobretudo os referentes à condição de precariedade e ao excessivo número de licenciados que procura emprego". Silvino Évora vai mesmo mais longe "O jornalista sabendo isto não põe em risco o seu emprego nem ultrapassa o imposto, limitando o seu trabalho e a liberdade de expressão".

Emissoras privadas não querem provedor

A figura do provedor do ouvinte é uma realidade nas maiores estações de radiodifusão privadas do mundo. Mas as emissoras privadas portuguesas acham que não precisam de provedores do ouvinte.
Segundo o jornal “Correio da Manhã”, «José Fragoso, director da TSF, assume que “um provedor pode contribuir para afinar alguns conteúdos”, mas diz que ainda não conseguiu “encontrar uma justificação para a sua generalização. Francisco Sarsfield Cabral, director de Informação da Renascença, também acredita que o surgimento do provedor do Ouvinte “é positivo”, já que “obriga a uma certa autocrítica e disciplina”, mas confia na “disciplina do mercado” à qual os privados estão sujeitos».
Uma justificação para a criação do provedor dos ouvintes pelas estações privadas está na obra Tudo o que se passa na TSF ...Para um livro de estilo: «É fundamental garantir a capacidade de corrigir os erros cometidos e contrariar a célebre frase de Balsac, segundo a qual “para um jornalista, tudo o que é provável é verdadeiro”. Em nome do valor mais importante que existe no jornalismo, a credibilidade!»

A ler no blogue NetFM...

...o artigo que Paula Cordeiro escreveu para a revista “Media XXI” – Uma certa Química no ar....

Um blogue chamado REPERTORIUM

O REPERTORIUM é o meu outro blogue. É um exercício académico, portanto um pouco diferente deste espaço. O REPERTORIUM vai focar temas relacionados com “o mundo da música e as músicas do mundo”.
A ligação já está na coluna do lado

domingo, 15 de outubro de 2006

Dados de escuta radiofónica em 2005

Segundo o Bareme Rádio da Marktest, no ano passado 29,4% dos portugueses ouviram rádio no carro, 28,4% em casa, 10,2% no trabalho e 1,25% noutro local.
É preocupante para a rádio que sejam apenas 1,25% dos portugueses a escutá-la "noutro local", pois vê-se cada vez mais gente com auscultadores nas orelhas, mas que não estão a sintonizar uma estação radiofónica, mas sim a ouvir música da sua preferência em Leitores de Áudio Digital (LAD).

quinta-feira, 12 de outubro de 2006

Encontro Nacional de Rádios da ARIC

Via e-mail:
«Irá decorrer nos próximos dias 14 e 15 de Outubro, mais um Encontro Nacional de Rádios promovido pela ARIC – Associação de Rádios de Inspiração Cristã.
Este encontro realizar-se-á na Calheta, Região Autónoma da Madeira e está integrado no programa de comemorações do décimo quinto aniversário da ARIC, ao qual se associam as comemorações do quinto aniversário da Rádio Calheta.
Do intenso programa de actividades deste Encontro Nacional destacam-se a realização de duas conferências cujos painéis de debate irão ser subordinados a temáticas de enorme actualidade para o meio rádio, como sejam: “A Justiça e a Comunicação Social” e “A Comunicação Social Privada em Portugal”.
Os convidados para os dois painéis agendados, são respectivamente o Sr. Dr. Juiz Paulo Barreto, Presidente da Vara Mista do Funchal, o Sr. Presidente da ARIC, Joaquim Sousa Queiroz e o Sr. Presidente da Rádio Calheta, rádio anfitriã, para o primeiro painel. No que respeita às presenças no segundo painel está assegurada a presença do Dr. Nelson Ribeiro, investigador e director do Canal Renascença do Grupo RR, entre outros directores de rádios associadas tendo como base as diversas realidades para o continente.
O encerramento dos trabalhos será presidido pelo Sr. Secretário Regional dos Recursos Humanos da Madeira e pelo Sr. Presidente da Câmara Municipal da Calheta, Sr. Manuel Baeta de Castro.
Integradas igualmente nestas comemorações fazem parte, para além de um vasto programa cultural, as inaugurações da exposição intitulada “História da Rádio”, no Centro das Artes das Mudas, e também a disponibilização da nova página de Internet da Rádio Calheta, porta de entrada e de difusão das actividades da rádio para o mundo.
Porque são propósitos da ARIC, a descentralização do debate, das análises e reflexões sobre os temas da actualidade para o sector da rádio; bem como a formação dos colaboradores ao serviço das rádios suas associadas, este encontro na Calheta, ganha pois uma especial relevância. O propósito de descentralizar, e de não apenas privilegiar os grandes centros com acções deste tipo, funciona assim como factor de reconhecimento de que: se as rádios mesmo nas grandes cidades, defrontam dificuldades, essas mesmas dificuldades fora dos centros urbanos, são amplificadas por via de todos os problemas inerentes à interioridade, aos quais importa dar atenção redobrada».

terça-feira, 10 de outubro de 2006

Transformações na RDP

Em Janeiro de 2007, a fusão da RTP (ex-Rádio Televisão Portuguesa) e da RDP (Radiodifusão Portuguesa) estará concluída. Presumo que a sigla RDP desapareça e o acrónimo RTP (agora, Rádio e Televisão de Portugal) designe a rádio e televisão públicas.
Também a RDP-Porto vai mudar de instalações em 2007. O destino será o Media Parque de Vila Nova de Gaia, que deverá estar pronto em Março do próximo ano. Parece que é desta que a RDP-Porto sai das velhinhas instalações na Rua Cândido dos Reis (para quem não conhece, fica junto à Torre dos Clérigos). Já se falava, há mais de uma década, de uma mudança de localização dos estúdios (falava-se na ida para Matosinhos), já que o local onde a RDP-Porto habita é de difícil estacionamento e o trânsito das redondezas é caótico.
Esta mudança só nos vai custar 3,35 milhões de euros.

segunda-feira, 9 de outubro de 2006

Listas de difusão na Antena 1

As listas de difusão (play lists) nas emissoras da Rádio e Televisão de Portugal (RTP) foram assunto nos dois últimos programas do Provedor do Ouvinte do serviço público de radiodifusão.
No programa do Clube de Jornalistas, de 27 de Setembro, foi-me permitido colocar uma questão ao provedor do ouvinte da RTP e foi precisamente sobre a lista de difusão da Antena 1: o porquê de uma lista de difusão tão idêntica às das rádios privadas e o porquê de tanta música estrangeira. Este assunto foi abordado nos dois últimos programas do Provedor do Ouvinte e ainda será abordado em próximas emissões do “Em Nome do Ouvinte”. Quem (ou)viu as suas reclamações, precisamente sobre este tema, serem atendidas foi Álvaro José Ferreira, do blogue “A nossa Rádio”.
Não sou fã de listas de difusão ou de quotas de música na rádio, muito menos na rádio pública – paga com o dinheiro de todos nós. Clama-se que não há suficiente divulgação dos artistas portugueses nas nossas emissoras, mas a verdade é que, nas rádios privadas, cada uma tem a sua estratégia para captar mais ouvintes. Ora, se não passar música de artistas portugueses traz mais ouvintes a uma determinada estação, porque é que ela tem de ser obrigada a tal? Será que para cumprir a lei teremos de ter todas as emissoras iguais?
Já no sentido inverso está o serviço público de radiodifusão sonora. É às emissoras que prestam este serviço que compete divulgar a música e os artistas nacionais. Não defendo, no entanto, que tenha de ser só música portuguesa, mas prestar serviço público é, precisamente, fazer aquilo que as estações privadas não fazem - porque estão empenhadas na luta pelas audiências – mas o caminho pode (deve) ser mostrado pela RDP. Se com o aumento das passagens dos artistas nacionais na Antena 1 as audiências subirem, as emissoras privadas certamente seguirão o figurino.
Um exemplo de como a RDP – a concessionária do serviço público de rádio em Portugal – pouco difere das estações comerciais foi escutado por mim, no sábado, depois das 15h00 (penso que o animador chamou ao programa “caixa de música”). A primeira meia hora foi composta por cinco músicas estrangeiras e só sensivelmente a meio do programa é que os GNR se apresentaram em antena. A restante hora teve outras cinco músicas em inglês, com promessa de a hora seguinte (que já não escutei) abrir com mais música anglo-saxónica. Durante o tempo que estive à escuta o animador pouco se apresentou em antena. Este podia ser um programa de uma qualquer rádio local portuguesa.

sábado, 7 de outubro de 2006

Rádio Clube vai alterar o formato

Após alguns meses de rumores, chega a confirmação: em Janeiro próximo a Rádio Clube, da Media Capital Rádios (MCR), vai alterar o seu formato para ser uma rádio-notícias, tal como a TSF.
O projecto será apresentado no dia 22 de Novembro, dia do 75º aniversário do (saudoso) Rádio Clube Português – a estação emissora que cedeu o nome à Rádio Clube.
O Rádio Clube vai ter como consultores os espanhóis da Prisa, que detêm 33% da Media Capital e que contam com a experiência adquirida, em Espanha, na Cadena Ser - propriedade da Prisa - a maior cadeia radiofónica do país vizinho.
Em Espanha, o formato da Cadena Ser tem um enorme sucesso - é líder em todos os horários, com cinco milhões de ouvintes, quase tantos como os que todas as emissoras portuguesas têm - mas falta saber se o modelo será aplicado em Portugal. É que as realidades (radiofónicas, culturais, económicas, etc.) são diferentes, assim como os próprios comunicadores que trabalham nas estações.