«aquela magia da música que vem do éter, é um hábito que se está extinguir (…) a rádio enquanto escuta caseira é um hábito que faliu e que nos fugiu, e não há maneira de voltar». António Sérgio in "Suplemento DN" de 08 de Julho de 2005

domingo, 22 de outubro de 2006

Muito útil*

A National Public Radio disponibiliza um conjunto de informações muito interessantes para quem trabalha no meio.
O “Next Generation Radio - Training Guide” é um ficheiro pdf que pode ajudar muitos profissionais da rádio - e não só - já que as acções de formação normalmente não chegam a todos.

A desculpa esfarrapada

O Provedor do Ouvinte do serviço público de radiodifusão referiu, no seu último programa (ainda não está disponível no sítio da RTP), que não foi possível a transmissão, durante 40 minutos, do relato de futebol desde o Estádio do Dragão devido a «um problema técnico».
Sempre que algo corre mal, é «um problema técnico». Mas, na generalidade dos casos, não é por causa dos técnicos (de som, operadores áudio, sonorizadores, etc.) que acontecem os problemas, mas muita gente não entende assim. Embora não sendo o caso, a maioria das vezes que alguém refere «um problema técnico», está é a "sacudir a água do capote". É por isso que estou farto de ouvir esta desculpa esfarrapada.

sábado, 21 de outubro de 2006

Um Indústrias Culturais renovado

Um dos meus blogues de culto renovou-se graficamente. O Indústrias Culturais está muito interessante, foge à vulgaridade dos templates que a blogger disponibiliza e faz uma homenagem à rádio, já que no frontispício aparece a imagem de Maria Arliette Rodrigues Moreira, uma jovem cantora da Rádio Peninsular de Lisboa, na década de 1930.

sexta-feira, 20 de outubro de 2006

Contribuição para o Audiovisual aumenta

98,3 milhões de euros é quanto a "Contribuição para o Audiovisual" vai render à RTP. 50 milhões são para a RDP, mas como o financiamento do serviço público de rádio e televisão não é só feito com a contribuição de quem tem um contador da EDP, do orçamento de estado para 2007, estão previstos 308 milhões de euros. O aumento da "Contribuição para o Audiovisual" é de 1,67 para 1,71 euros mensais. Ou seja, um acréscimo de quatro cêntimos na factura da luz.
Já que temos de pagar ( e pagamos, quer queiramos quer não) podemos exigir. Portanto, se há um aumento na contribuição, exijo um aumento da qualidade do nosso serviço público de rádio e televisão, pois «nunca a RTP/RDP recebeu tanto dinheiro em termos absolutos e que custa aos portugueses mais do que a soma dos custos dos principais operadores privados de rádio e de televisão».

Curso de Técnicas Vocais

Estão abertas as vagas para o curso de "Técnicas Vocais", a realizar em Lisboa durante o mês de Novembro, no Estúdio de Rádio da Universidade Autónoma de Lisboa. O curso é ministrado por Ana Ester Neves (na parte de relaxamento e técnicas vocais) e Vítor Nobre (na parte de locução e finalização pragmática do uso da voz).
São destinatários deste curso os actuais ou futuros apresentadores e jornalistas de meios audiovisuais e locutores de publicidade. A selecção dos inscritos está sujeita a uma prova de voz para além da análise do Curriculum Vitae e uma breve entrevista.
Mais informações no sítio do RadioLab.

terça-feira, 17 de outubro de 2006

Censura e precariedade no jornalismo português

Silvino Évora, autor do Blogue “Nós Media” deu uma entrevista ao “Jornal de Notícias”, a propósito da "Concentração dos média e liberdade de imprensa", o tema da sua Tese de Mestrado.
A concentração dos órgãos de comunicação social limita a capacidade dos jornalistas e a sua liberdade de expressão, acentuada ainda pela precariedade reinante na classe que "pode ser vista como a nova forma de censura". (...)"as direcções das empresas jogam com o jornalista utilizando diversos trunfos, sobretudo os referentes à condição de precariedade e ao excessivo número de licenciados que procura emprego". Silvino Évora vai mesmo mais longe "O jornalista sabendo isto não põe em risco o seu emprego nem ultrapassa o imposto, limitando o seu trabalho e a liberdade de expressão".

Emissoras privadas não querem provedor

A figura do provedor do ouvinte é uma realidade nas maiores estações de radiodifusão privadas do mundo. Mas as emissoras privadas portuguesas acham que não precisam de provedores do ouvinte.
Segundo o jornal “Correio da Manhã”, «José Fragoso, director da TSF, assume que “um provedor pode contribuir para afinar alguns conteúdos”, mas diz que ainda não conseguiu “encontrar uma justificação para a sua generalização. Francisco Sarsfield Cabral, director de Informação da Renascença, também acredita que o surgimento do provedor do Ouvinte “é positivo”, já que “obriga a uma certa autocrítica e disciplina”, mas confia na “disciplina do mercado” à qual os privados estão sujeitos».
Uma justificação para a criação do provedor dos ouvintes pelas estações privadas está na obra Tudo o que se passa na TSF ...Para um livro de estilo: «É fundamental garantir a capacidade de corrigir os erros cometidos e contrariar a célebre frase de Balsac, segundo a qual “para um jornalista, tudo o que é provável é verdadeiro”. Em nome do valor mais importante que existe no jornalismo, a credibilidade!»

A ler no blogue NetFM...

...o artigo que Paula Cordeiro escreveu para a revista “Media XXI” – Uma certa Química no ar....

Um blogue chamado REPERTORIUM

O REPERTORIUM é o meu outro blogue. É um exercício académico, portanto um pouco diferente deste espaço. O REPERTORIUM vai focar temas relacionados com “o mundo da música e as músicas do mundo”.
A ligação já está na coluna do lado

domingo, 15 de outubro de 2006

Dados de escuta radiofónica em 2005

Segundo o Bareme Rádio da Marktest, no ano passado 29,4% dos portugueses ouviram rádio no carro, 28,4% em casa, 10,2% no trabalho e 1,25% noutro local.
É preocupante para a rádio que sejam apenas 1,25% dos portugueses a escutá-la "noutro local", pois vê-se cada vez mais gente com auscultadores nas orelhas, mas que não estão a sintonizar uma estação radiofónica, mas sim a ouvir música da sua preferência em Leitores de Áudio Digital (LAD).

quinta-feira, 12 de outubro de 2006

Encontro Nacional de Rádios da ARIC

Via e-mail:
«Irá decorrer nos próximos dias 14 e 15 de Outubro, mais um Encontro Nacional de Rádios promovido pela ARIC – Associação de Rádios de Inspiração Cristã.
Este encontro realizar-se-á na Calheta, Região Autónoma da Madeira e está integrado no programa de comemorações do décimo quinto aniversário da ARIC, ao qual se associam as comemorações do quinto aniversário da Rádio Calheta.
Do intenso programa de actividades deste Encontro Nacional destacam-se a realização de duas conferências cujos painéis de debate irão ser subordinados a temáticas de enorme actualidade para o meio rádio, como sejam: “A Justiça e a Comunicação Social” e “A Comunicação Social Privada em Portugal”.
Os convidados para os dois painéis agendados, são respectivamente o Sr. Dr. Juiz Paulo Barreto, Presidente da Vara Mista do Funchal, o Sr. Presidente da ARIC, Joaquim Sousa Queiroz e o Sr. Presidente da Rádio Calheta, rádio anfitriã, para o primeiro painel. No que respeita às presenças no segundo painel está assegurada a presença do Dr. Nelson Ribeiro, investigador e director do Canal Renascença do Grupo RR, entre outros directores de rádios associadas tendo como base as diversas realidades para o continente.
O encerramento dos trabalhos será presidido pelo Sr. Secretário Regional dos Recursos Humanos da Madeira e pelo Sr. Presidente da Câmara Municipal da Calheta, Sr. Manuel Baeta de Castro.
Integradas igualmente nestas comemorações fazem parte, para além de um vasto programa cultural, as inaugurações da exposição intitulada “História da Rádio”, no Centro das Artes das Mudas, e também a disponibilização da nova página de Internet da Rádio Calheta, porta de entrada e de difusão das actividades da rádio para o mundo.
Porque são propósitos da ARIC, a descentralização do debate, das análises e reflexões sobre os temas da actualidade para o sector da rádio; bem como a formação dos colaboradores ao serviço das rádios suas associadas, este encontro na Calheta, ganha pois uma especial relevância. O propósito de descentralizar, e de não apenas privilegiar os grandes centros com acções deste tipo, funciona assim como factor de reconhecimento de que: se as rádios mesmo nas grandes cidades, defrontam dificuldades, essas mesmas dificuldades fora dos centros urbanos, são amplificadas por via de todos os problemas inerentes à interioridade, aos quais importa dar atenção redobrada».

terça-feira, 10 de outubro de 2006

Transformações na RDP

Em Janeiro de 2007, a fusão da RTP (ex-Rádio Televisão Portuguesa) e da RDP (Radiodifusão Portuguesa) estará concluída. Presumo que a sigla RDP desapareça e o acrónimo RTP (agora, Rádio e Televisão de Portugal) designe a rádio e televisão públicas.
Também a RDP-Porto vai mudar de instalações em 2007. O destino será o Media Parque de Vila Nova de Gaia, que deverá estar pronto em Março do próximo ano. Parece que é desta que a RDP-Porto sai das velhinhas instalações na Rua Cândido dos Reis (para quem não conhece, fica junto à Torre dos Clérigos). Já se falava, há mais de uma década, de uma mudança de localização dos estúdios (falava-se na ida para Matosinhos), já que o local onde a RDP-Porto habita é de difícil estacionamento e o trânsito das redondezas é caótico.
Esta mudança só nos vai custar 3,35 milhões de euros.

segunda-feira, 9 de outubro de 2006

Listas de difusão na Antena 1

As listas de difusão (play lists) nas emissoras da Rádio e Televisão de Portugal (RTP) foram assunto nos dois últimos programas do Provedor do Ouvinte do serviço público de radiodifusão.
No programa do Clube de Jornalistas, de 27 de Setembro, foi-me permitido colocar uma questão ao provedor do ouvinte da RTP e foi precisamente sobre a lista de difusão da Antena 1: o porquê de uma lista de difusão tão idêntica às das rádios privadas e o porquê de tanta música estrangeira. Este assunto foi abordado nos dois últimos programas do Provedor do Ouvinte e ainda será abordado em próximas emissões do “Em Nome do Ouvinte”. Quem (ou)viu as suas reclamações, precisamente sobre este tema, serem atendidas foi Álvaro José Ferreira, do blogue “A nossa Rádio”.
Não sou fã de listas de difusão ou de quotas de música na rádio, muito menos na rádio pública – paga com o dinheiro de todos nós. Clama-se que não há suficiente divulgação dos artistas portugueses nas nossas emissoras, mas a verdade é que, nas rádios privadas, cada uma tem a sua estratégia para captar mais ouvintes. Ora, se não passar música de artistas portugueses traz mais ouvintes a uma determinada estação, porque é que ela tem de ser obrigada a tal? Será que para cumprir a lei teremos de ter todas as emissoras iguais?
Já no sentido inverso está o serviço público de radiodifusão sonora. É às emissoras que prestam este serviço que compete divulgar a música e os artistas nacionais. Não defendo, no entanto, que tenha de ser só música portuguesa, mas prestar serviço público é, precisamente, fazer aquilo que as estações privadas não fazem - porque estão empenhadas na luta pelas audiências – mas o caminho pode (deve) ser mostrado pela RDP. Se com o aumento das passagens dos artistas nacionais na Antena 1 as audiências subirem, as emissoras privadas certamente seguirão o figurino.
Um exemplo de como a RDP – a concessionária do serviço público de rádio em Portugal – pouco difere das estações comerciais foi escutado por mim, no sábado, depois das 15h00 (penso que o animador chamou ao programa “caixa de música”). A primeira meia hora foi composta por cinco músicas estrangeiras e só sensivelmente a meio do programa é que os GNR se apresentaram em antena. A restante hora teve outras cinco músicas em inglês, com promessa de a hora seguinte (que já não escutei) abrir com mais música anglo-saxónica. Durante o tempo que estive à escuta o animador pouco se apresentou em antena. Este podia ser um programa de uma qualquer rádio local portuguesa.

sábado, 7 de outubro de 2006

Rádio Clube vai alterar o formato

Após alguns meses de rumores, chega a confirmação: em Janeiro próximo a Rádio Clube, da Media Capital Rádios (MCR), vai alterar o seu formato para ser uma rádio-notícias, tal como a TSF.
O projecto será apresentado no dia 22 de Novembro, dia do 75º aniversário do (saudoso) Rádio Clube Português – a estação emissora que cedeu o nome à Rádio Clube.
O Rádio Clube vai ter como consultores os espanhóis da Prisa, que detêm 33% da Media Capital e que contam com a experiência adquirida, em Espanha, na Cadena Ser - propriedade da Prisa - a maior cadeia radiofónica do país vizinho.
Em Espanha, o formato da Cadena Ser tem um enorme sucesso - é líder em todos os horários, com cinco milhões de ouvintes, quase tantos como os que todas as emissoras portuguesas têm - mas falta saber se o modelo será aplicado em Portugal. É que as realidades (radiofónicas, culturais, económicas, etc.) são diferentes, assim como os próprios comunicadores que trabalham nas estações.

quinta-feira, 5 de outubro de 2006

A Antena 2 em directo

Ontem, a Antena 2 transmitiu um concerto do “Duo Contracello” em directo desde o Salão Árabe do Palácio da Bolsa, no Porto. Esta emissora prestou, mais uma vez, um verdadeiro serviço público de radiodifusão, pois divulga a música portuguesa que normalmente está arredada das outras emissoras. Como estive no concerto, não podia escutar a transmissão da Antena 2, mas registei-a em D.A.T..
No campo técnico, a transmissão estava boa. Os instrumentos foram bem captados*, assim como a ambiência da sala. Claro que uma emissão em Frequência Modulada tem limitações, pois tem inerente um ruído de fundo perfeitamente audível nos momentos de silêncio, além do espectro áudio estar limitado a uma gama de frequências entre os 30 Hz e os 15 000 Hz. Além disso, as limitações de algum equipamento utilizado nas emissoras reduzem a escala de frequências (uma emissora FM transmite entre os 50Hz e os 12500 Hz).
A emissão em Digital Audio Broadcasting (DAB), que não escutei, está menos sujeita a interferências, mas está limitada, também, ao equipamento usado. A emissão foi enviada desde o Palácio da Bolsa para os estúdios da RDP por linha telefónica RDIS, via satélite, em estéreo, com uma codificação de 128 kb**.
A qualidade da emissão, em FM, da Antena 2 é boa, e penso que com o equipamento utilizado seria difícil fazer melhor.
O “Duo Contracello” brilhou e apresentou um trecho – incluído no novo CD – de Carlos Azevedo, um compositor português, demonstrando, assim, que o que é nacional é tão bom ou melhor do que o que se faz lá por fora.


* Na captação dos instrumentos, foram utilizados dois microfones AKG C 414 (o meu microfone de referência).
** Em termos de comparação o CD áudio tem um bitrate de 256 kb e a emissão radiofónica digital só é superior à de FM a partir dos 160 kb. No entanto a codificação utilizada pela esmagadora maioria das emissoras em DAB utiliza apenas 128 kb.

terça-feira, 3 de outubro de 2006

Porto: o distrito onde se ouve mais rádio

Dados do Bareme Rádio, da Marktest, relativos a 2005, mostram que são quase 5 milhões os portugueses com 15 e mais anos que costumam ouvir rádio. É no distrito do Porto que se regista o maior número de ouvintes de rádio. No outro extremo está o distrito de Beja.
O que é curioso é que no distrito onde se escuta mais rádio, a sede de distrito e concelhos limítrofes quase não têm estações locais.

domingo, 1 de outubro de 2006

Há 40 anos...

...Nascia o autor deste blogue, na cidade Invicta. O dia foi bem escolhido, pois hoje também se comemora o “Dia Mundial da Música” e Música e Rádio são indissociáveis.
O jornal “Correio da Manhã” traz uma lista das iniciativas que servem para comemorar a data.

sexta-feira, 29 de setembro de 2006

Memória da rádio desvanecida

No jornal “Público”, Adelino Gomes assina uma notícia sobre o estúdio do Rádio Clube Português a partir do qual se fez, há 32 anos, o primeiro comunicado dos militares revoltosos que na madrugada do dia 25 de Abril abriram as portas da liberdade em Portugal.
O estúdio está a ser desmantelado e desapareceu um microfone. Fernando Alves, no seu apontamento diário na TSF, os “Sinais”, fez eco do artigo de Adelino Gomes.
Depois de tão brilhantes palavras tudo o que eu possa escrever sobre o assunto é redundante.

quinta-feira, 28 de setembro de 2006

A música na rádio - II

Fala-se muito da música portuguesa na rádio, no entanto, o conceito de “música portuguesa” pode ser entendido apenas como o Fado, o Folclore e Música Tradicional. Outros géneros, como Rock, Pop, Música de Câmara, Blues, House, Reggae, Jazz, Techno, etc., não foram inventados por portugueses. Os artistas nacionais apenas mimetizam estes (e outros) géneros musicais.
Por exemplo, o Marco Paulo cantou (canta) em português sucessos da música ligeira alemã, os UHF tocam rock, um género musical que nasceu nos Estados Unidos. O Hip-Hop, o género musical do grupo Da Weasel, também tem origem Americana. Portanto, no lugar de se falar de música portuguesa devia-se falar de artistas portugueses.
As quotas de música portuguesa na rádio geraram polémica entre artistas, operadores de radiodifusão e ouvintes. Na verdade, pouco ou nada adiantou a nova Lei da Rádio para o promoção dos artistas nacionais ou para o fomento do meio radiofónico.

Sobre o “Clube de Jornalistas”

Não tive oportunidade de ver o “Clube de Jornalistas” (CJ) de ontem na “2:”, mas registei-o em vídeo. Só no sábado é que vou poder fazer uma análise ao programa, em especial ao que disse o José Nuno Martins.
Entretanto o blogue “Rádio e Jornalismo” já fez algumas considerações interessantes.

quarta-feira, 27 de setembro de 2006

Má Onda

Já escrevi sobre a remodelação da “Rádio Renascença” (RR), mas o “Diário de Notícias” traz uma reportagem onde Nelson Ribeiro, director de programas da RR, afirma que alguns horários serão preenchidos com «mais música e menos palavra». Será isto a «Boa Onda da Rádio» apregoada pela RR? É assim que a Renascença quer recuperar os ouvintes que perdeu? Não me parece, porque rádio é companhia e essa só se faz com palavra, existindo um diálogo emocional entre o ouvinte e a emissora. Sem palavra isso não é possivel. A rádio torna-se um gira-discos enfadonho que toca músicas que, muitas vezes, nem são do agrado de quem está à escuta. Resultado: os ouvintes mudam de sintonia.
Ainda que duvide dos estudos de audiências da Marktest, vou esperar para ver quais são os resultados em Janeiro.
Acho que «mais música e menos palavra» é muito má onda, principalmente para uma estação como a RR.

Em Portugal, nada de novo na rádio digital

Em resposta a umas questões colocadas nos comentários no texto anterior, nada mudou na rádio digital em Portugal nos últimos anos. Continua tudo na mesma. Em DAB só emite a RDP, em DRM nem se fala, embora a estação da Deutsche Welle, em Sines, emita para a Europa (não sei se é possível captar o sinal em Portugal).

terça-feira, 26 de setembro de 2006

A música na rádio – I

Desde que a rádio democratizou a música os movimentos juvenis criaram a sua própria sonoridade. Criaram estilos musicais que ora contestam regimes políticos, ora apadrinham estilos de vida. A música é um reflexo das condições em que se desenvolve a sociedade.
O conceito do que é música pode ter diversas definições. Muitos tentaram impor o seu ponto de vista sobre o que ela realmente é, mas a sua origem, essência e actuação não podem reduzir-se a um denominador comum. Para uns, a música não é mais que sons ligados entre si por leis matemáticas simples, susceptíveis de serem designados por uma nota musical, devido a serem vibrações periódicas com altura definida. Para outros, música é tudo o que lhes proporciona prazer através da audição, nem que sejam vibrações não periódicas, numa mistura de frequências muito complexas a que outros, normalmente, chamam de barulho. A percepção do que é música varia de indivíduo para indivíduo e depende muito da cultura onde este está inserido, do grau académico, do meio que o rodeia, etc.
É um facto que a música une as pessoas em torno dela. As “tribos urbanas” – Rockabillys, Clubers, Góticos, Surfistas, Punks, Hippies, etc. – têm como denominador comum um género musical que reflecte o seu estilo de vida. Nos Estados Unidos, por exemplo, existem rádios dirigidas às “tribos urbanas” devido ao grande número de indivíduos que as compõem. Em Portugal não era possível fazer uma rádio só para rockabillys, Punks, ou outro grupo qualquer, pois o número de indivíduos que compõem essas tribos (mesmo com os simpatizantes) é insuficiente para gerar audiências capazes de atrair publicidade à emissora. E as estações de radiodifusão privadas (sobre)vivem exclusivamente de publicidade.

segunda-feira, 25 de setembro de 2006

Provedores no CJ

O próximo programa do “Clube de Jornalistas” (CJ) vai ter em estúdio o Provedor do Ouvinte e o Provedor do Telespectador da Rádio e Televisão de Portugal, numa entrevista dirigida por Ribeiro Cardoso.
No programa serão apresentadas aos provedores perguntas previamente gravadas. O CJ teve a amabilidade de me convidar para colocar uma questão a José Nuno Martins, o Provedor do Ouvinte da RDP.
O programa “Clube de Jornalistas” irá para o ar na próxima quarta-feira, na 2:, às 23h30.

Mais um programa radiofónico em livro

Na próxima quinta-feira, pelas 18h30, será apresentado o livro Ecos da Lusofonia – 7 Anos de Rádios em Cooperação, no Anfiteatro da Rádio Renascença (na Rua Ivens 14, em Lisboa).
O livro celebra 350 emissões do programa radiofónico Igreja Lusófona, realizado pela Fundação Evangelização e Culturas em parceria com a Rádio Renascença. A publicação, que tem prefácio de Marcelo Rebelo de Sousa, reúne 20 entrevistas a personalidades que passaram pelo programa, alguns comentários do Padre Tony Neves – editor do programa - bem como uma reflexão sobre o papel das rádios, em especial no continente africano, com artigos do Padre José Luzia (Moçambique), Frei António Estevão (Angola) e Rogério Santos (Portugal).

RR renova-se

A Rádio Renascença (RR) vai, a partir de amanhã, apresentar um novo formato. O público alvo é o situado na faixa entre os 35 e os 54 anos. A "nova" RR, que terá como colaboradores o ex-Presidente da República Jorge Sampaio e o Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Policarpo, vai apresentar uma nova sonoridade - com a passagem em antena de êxitos musicais das décadas de 60 e 70 - e mais e melhor Informação.
Esta renovação é, certamente, uma tentativa de inverter a queda nas audiências.

sábado, 23 de setembro de 2006

Rádio e Internet

Está disponível no sítio do OberCom o documento “As rádios portuguesas e o desafio do (on) line”. Este trabalho, da autoria de Sandra Amaral, Gustavo Cardoso e Rita Espanha, «faz parte de um conjunto de reflexões realizadas por investigadores do OberCom com base em dados apurados pelo projecto de investigação “O Impacto da Internet nos Mass Media Portugueses”, desenvolvido no âmbito da Fundação para a Ciência e Tecnologia e pelo CIES-ISCTE e tem como principal objectivo compreender as apropriações sociais da Internet no contexto radiofónico português».
Bertolt Brecht - o primeiro teórico da rádio - alertou, na década de 1920, para o facto de as emissoras necessitarem de reforçar a interactividade com os seus ouvintes. Nos primórdios da radiodifusão o telefone foi o principal elo de ligação, mas as potencialidades da Internet levaram a bidireccionalidade a outro patamar. E, segundo os autores do estudo, em Portugal a rádio apercebeu-se cedo disto, pois «a rádio é hoje o medium que em Portugal melhor explorou as potencialidades da Internet».

sexta-feira, 22 de setembro de 2006

Concerto do Duo Contracello em directo na Antena 2 *

Dia 4 de Outubro de 2006, às 19 horas, no Porto, no Salão Árabe do Palácio da Bolsa terá lugar o lançamento do novo trabalho do Duo Contracello, formado por Miguel Rocha, no violoncelo, e Adriano Aguiar, no contrabaixo. Este concerto será transmitido em directo pela Antena 2.
Vou ao evento, mas gravarei a transmissão em casa, que escutarei posteriormente, já que esta é uma excelente ocasião para avaliar a qualidade áudio das emissões em Frequência Modulada da Antena 2.
A recepção da emissão vai ser feita por um sintonizador AMC T7 ligado directamente, com cabos Nordost Black Night, a um D.A.T. Sony DTC-ZE700 que fará o registo áudio em PCM 16 bits / 48 KHz.

* Via blogue Guilhermina Sugia

P.S. – O Duo Contracello terá uma primeira apresentação do CD no próximo dia 1 de Outubro de 2006, Dia Mundial da Música, em Lisboa, às 19 horas, na Galeria Prova de Artista – Hotel Real Palácio.

quinta-feira, 21 de setembro de 2006

A locução radiofónica

Falar na rádio significa captar o interesse dos ouvintes. A locução (ou animação) na rádio não deve ser demasiado formal, mas sim natural, transmitindo informações com clareza, com frases simples e concisas. O mundo contemporâneo não tem tempo para discursos eloquentes cheios de floreados, até porque hoje em dia a rádio ouve-se, maioritariamente, no carro, onde a atenção está (tem de estar) mais centrada na condução. A mensagem deve, portanto, ser num léxico facilmente entendido por todos. Isto não quer dizer que o vocabulário seja limitado. Os ouvintes esperam mais do animador do que uma linguagem corrente, mas para dizer que «a aspirina alivia a dor de cabeça», não é preciso proferir «o ácido acetilsalicílico atenua a cefalalgia». Erudição ou tecnicismos são ruído*.
O discurso radiofónico não pode primar pelo ruído ou o ouvinte muda de estação, porque não compreende a mensagem. No entanto, pior que discursos prolixos ocos são os “pontapés na gramática”. No programa de sábado passado do provedor do ouvinte da RDP, José Nuno Martins chamou à atenção dos falantes profissionais que ignoram regras elementares do falar na rádio: «(...) Há, por exemplo, experiências recentes bem tristes e que eu considero francamente irrepetíveis ao nível da apresentação dos programas, como é o caso inaceitável do repetido uso descuidado e até ignorante da língua portuguesa em falantes profissionais. Isto não é compaginável com o grau de exigência formal próprio da rádio pública. Sobretudo quando o exercício desses falantes profissionais – os locutores – se refere precisamente às áreas mais concertantes e mais convencionais da expressão artística.
E também existem razões de sobra para que alguns ouvintes se manifestem cansados com os tiques de algumas figuras de antena, ou com as “cliques” lisboetas dos amigos repetidamente trazidos às emissões nacionais (...)».

* Ruído - Tudo o que interfere com a emissão. O que dificulta a compreensão da mensagem pelo receptor por deficiência de formação do emissor.

terça-feira, 19 de setembro de 2006

“Em nome do ouvinte”

O provedor do ouvinte do serviço público de radiodifusão é, sem dúvida, um exercício pedagógico útil, já que criou uma situação mais transparente na relação entre a RDP e os seus ouvintes.
Já foram emitidos dois programas do provedor do ouvinte da RDP. Podendo estes serem escutados online ou então em podcast.
O segundo programa, emitido no sábado passado, abordou uma questão técnica - a recepção das emissões da RDP – e uma reclamação por parte de um ouvinte sobre a programação da Antena 2.
O provedor do ouvinte, José Nuno Martins, ouve as duas partes, analisa as reclamações dos ouvintes, e permite que os responsáveis pelas situações que geraram queixas dêem uma explicação. Depois de apresentados os problemas, José Nuno Martins aponta o que na sua opinião está errado e formas de o corrigir e, até agora, tenho gostado das suas intervenções. José Nuno Martins tem mais de três décadas de rádio e a sua experiência nesta área enriquece e credibiliza o papel que desempenha.