A época estival está no fim e as emissoras reajustam as grelhas de programas para que os próximos meses lhes tragam mais ouvintes. Penso que é a altura certa para se ponderar alguns pontos: medição de audiências, música portuguesa e Lei da Rádio.
A medição das audiências apenas é efectuada pela
Marktest, mas
a sua fórmula (entrevistas por telefone) é muito contestada. A
Marktest defende-se que as emissoras não podem pagar um tipo de medição que seja mais fiável (como o
PPM). Provavelmente é a falta de concorrência que provoca isto.
A música é o principal pilar da emissão radiofónica. No entanto, as rádios parecem todas iguais e não me parece que as quotas de música portuguesa na rádio, impostas pela nova Lei da Rádio, venham alterar alguma coisa e
nem serve as emissoras nem os artistas.
Esta
nova Lei da Rádio não serve. É necessário que se redefina as fronteiras do que é uma emissora local e regional. Uma solução é diminuir o número e a potência das estações locais, talvez criando emissoras comunitárias, redefinir o que é uma rádio regional aumentando o seu número. Em relação Às estações regionais, só temos duas em Portugal: a
TSF (regional Norte) e o
RCP (regional Sul). Mas, com aquisições de emissoras locais, praticamente cobrem todo o território nacional. A criação de rádios regionais de áreas metropolitanas, por exemplo, permitiria que se cobrisse melhor uma determinada região e as locais seriam mais viradas para a comunidade. As coberturas Norte e Sul, como se tem visto (escutado), não são uma boa solução. Mais vale conceder o estatuto de emissoras nacionais, libertando frequências para rádios locais. A permissão de concentração da propriedade dos
media também deveria ser revista.
Por último, a Amplitude Modulada e o digital. A
RDP (RTP?) emite em
DAB, mas os ouvintes serão, certamente, muito poucos. O
DRM está aí à porta, aliás,
já está cá dentro, mas a rádio portuguesa (leia-se a politica portuguesa) é que ainda não deu os passos necessários para que a rádio digital seja uma realidade acessível a todos.
Urge, portanto, um debate sério com todos os intervenientes do sector para que se encontre uma solução que agrade a todos - será uma tarefa quase impossível, mas, ao menos, que se obtenha a solução menos má.