«aquela magia da música que vem do éter, é um hábito que se está extinguir (…) a rádio enquanto escuta caseira é um hábito que faliu e que nos fugiu, e não há maneira de voltar». António Sérgio in "Suplemento DN" de 08 de Julho de 2005

sábado, 9 de setembro de 2006

O provedor do ouvinte da RDP

O programa do Provedor do Ouvinte da RDP teve início hoje ás 13h08 na Antena 1. “Em nome do Ouvinte”, assim se chama o espaço radiofónico do provedor, será repetido amanhã às 14h00 na Antena 3 e às 17h40 na Antena 2.
O provedor dos ouvintes da RDP é José Nuno Martins, uma figura bem conhecida da rádio e da televisão portuguesas.
A criação da figura do Provedor do Ouvinte no serviço público de radiodifusão é um passo positivo e só dá credibilidade à instituição. Um exemplo que as emissoras privadas deviam seguir.

sexta-feira, 8 de setembro de 2006

Vozes da Rádio

Este texto não é uma nova referência ao livro de Rogério Santos, nem sequer uma referência a algum(a) locutor(a) radiofónico. É apenas uma chamada de atenção para o blogue “Vozes da Rádio”, criado pelos membros do grupo vocal portuense homónimo.
A ligação para o “Vozes da Rádio” já está na coluna aí do lado.

quinta-feira, 7 de setembro de 2006

No estúdio, já não no estádio

A RR e a TSF fizeram o relato do jogo Finlândia - Portugal desde os estúdios e o mesmo já tinha sucedido no Dinamarca - Portugal. Apenas a Antena 1 relatou desde o Estádio Olímpico de Helsínquia. Esta situação aconteceu porque as federações dinamarquesa e finlandesa exigem que os relatos sejam pagos (não sei o montante, mas deve ser elevado).
Relatar os jogos pela televisão tem inconvenientes para quem relata, pois as repetições, os grandes planos do público, etc., impedem o relator de seguir as jogadas. Outro inconveniente, e este para os ouvintes, é o atraso com que a imagem chega ao televisor: dois segundos (no caso da Sport tv o atraso é maior) acrescentem a isto mais um segundo de atraso na emissão radiofónica que chega aos receptores dos ouvintes e temos um desfasamento de 3, 4 ou mais segundos. Como a Antena 1 relatava directamente do estádio, era notória a diferença temporal. Outro inconveniente é o som de fundo característico de um estádio desportivo (o “bruá), que, por ser uma gravação, nada tinha a ver com o que se passava em campo, o que artificializou a emissão.
O Blogouve-se também chama a atenção para os relatos feitos desde o estúdio e aponta para o facto de que «qualquer rádio o pode fazer! Em Barcelos ou em Almodovar, um relatador e um comentador farão globalmente o mesmo que RR e TSF. E para estas duas rádios isso não é nada bom».
Compreende-se que RR e TSF não queiram deixar de fazer os relatos dos Jogos de Portugal na esperança que os seus ouvintes não mudem de estação, mas, se calhar, a estratégia de relatar pela televisão provoca, precisamente, a perda de ouvintes. A Antena 1 é uma rádio de serviço público, pelo que tem obrigação de fazer os relatos dos jogos de Portugal (quer tenha de pagar pelos relatos ou não), as outras podem fazer emissões alternativas.

quarta-feira, 6 de setembro de 2006

Melhor, mais barato e pequeno

A tecnologia está a revolucionar os media e a torná-los cada vez mais pequenos e, portanto, móveis. Isto tanto se aplica à produção como ao consumo.
A edição online do jornal “USA Today” (obrigado JPM), no artigo «Future of media in fidelity», da autoria de Kevin Maney, faz algumas considerações sobre esta “revolução”: «(...) Fidelidade é a experiência total de algo. (...) Em música, um concerto tem maior fidelidade que escutar um CD numa aparelhagem estéreo, que, por sua vez, tem mais fidelidade que um leitor de MP3. (...) A tecnologia digital coloca a grande fidelidade dentro de embalagens cada vez mais pequenas e baratas. (...) Há trinta anos, música portátil era sinónimo de um rádio transportável num bolso e com uma qualidade sonora monofónica fraca. Há quinze anos atrás, era um walkman estéreo em que a música se escutava em auscultadores misturada com o ruído de fundo da fita. Agora, após muito progresso, a música é digital e escuta-se num iPod Nano do tamanho de um cartão de crédito. (...) As pessoas trocam fidelidade por conveniência. (...) Todos os media experimentam a mesma transição: a fidelidade começa a ser mais barata e o grande torna-se mais barato e pequeno. Estas modificações estão a acontecer mais rápido do que nunca. (...)».
Na era dos suportes áudio de alta definição (SACD e DVD-Audio) é o áudio digital comprimido que dita as leis. Qualquer sinal comprimido tem perdas e, portanto, menor qualidade. Embora os defensores do MP3 advoguem que este tem “qualidade CD” (o que será que eles entendem por isto), a verdade é que esta é sofrível. Mas há, no entanto, uma ponta de verdade nisto: a qualidade dos CDs de hoje em dia é tão má, que a diferença entre um ficheiro MP3 e um registo PCM a 16 bits / 44.100 Hz é praticamente indistinta.

terça-feira, 5 de setembro de 2006

Boa rádio

Boa rádio? É a rádio que não passa sempre as mesmas músicas, em que não se diz sempre a mesma coisa, em que há um factor de risco, em que há erro, em que o tipo que está a fazer aquilo tanto pode soar ao melhor profissional como pode engasgar-se todo e tropeçar e quase fazer de palhaço. Pedro Ramos, animador da Radar, em entrevista à revista “6.ª” do jornal “Diário de Notícias”, de 1 de Setembro.
Estou de acordo!

segunda-feira, 4 de setembro de 2006

RTP faz 50 anos

Há meio século os portugueses acolheram um novo medium: a televisão. Embora não fosse uma novidade no mundo, pois existiam já várias estações a transmitir há mais de duas décadas (a primeira experiência foi efectuada em 1924), só em finais de 1954 é que se começou a dar os primeiros passos no Gabinete de Estudos da Emissora Nacional de Radiodifusão para a concretização da Rádio Televisão Portuguesa. O jornal “Correio da Manhã” traz uma cronologia da RTP e o “Diário de Notícias” também traz um artigo sobre a RTP.
Parabéns à Rádio e Televisão de Portugal e que venham mais 50 anos, com mais e melhor serviço público de televisão.

De volta...

...Que há outro Ouvidor impaciente.

domingo, 27 de agosto de 2006

Em silêncio

É tempo de uma pausa no blogue, ainda antes que o verão termine. Em Setembro cá nos encontramos outra vez.

sábado, 26 de agosto de 2006

4 Anos da “História da Rádio em Portugal”

Passam hoje quatro anos que coloquei online o sítio “Telefonia Sem Fios - História da Rádio em Portugal”. Dei inicio ao sítio porque, naquela altura, a bibliografia existente era escassa, imprecisa e, muitas vezes redundante. Passados quatro anos o cenário é diferente. Após 2002, foram lançados várias obras que contribuem para um maior conhecimento da história da radiodifusão.
Sobre a história da rádio portuguesa, e editados após 2002, temos o magnífico livro de Rogério Santos, “As Vozes da Rádio, 1924-1939”, que nos apresenta os primórdios da radiodifusão em Portugal. Dina Cristo dá-nos uma visão das relações entre a rádio portuguesa e o regime anterior ao 25 de Abril de 1974, em “A Rádio em Portugal e o Declínio de Salazar e Caetano (1958-1974)”. Nelson Ribeiro escreve sobre a infância rádio pública em “A Emissora Nacional nos primeiros anos do Estado Novo”. Hélder Sequeira apresenta-nos a história da mais antiga emissora local portuguesa - a Rádio Altitude - no livro “O Dever da Memória - Uma Rádio no Sanatório da Montanha”. Um outro livro que foca as relações entre a rádio portuguesa e o Estado novo foi elaborado por Paula Borges Santos - "Igreja Católica, Estado e Sociedade, 1968-1975 - O Caso Rádio Renascença". Um género radiofónico esquecido - o Teatro - foi recordado por Eduardo Street em "O Teatro Invisível". José Andrade recorda as primeiras emissões radiofónicas nos Açores em "Aqui Portugal - Os primeiros anos da telefonia nos Açores". A “RBA Coleccionables” lançou a obra “Rádios de Outrora”, em fascículos coleccionáveis, que nos apresenta um percurso da rádio no mundo.
Durante 2002 foram lançados dois livros: “A Rádio Renascença e o 25 de Abril”, de Nelson Ribeiro e “Tudo o que se passa na TSF ...Para um livro de estilo”, de João Paulo Meneses.
Outra literatura sobre a história da radiodifusão pode ser consultada na página “Bibliografia”, no sítio “Telefonia Sem Fios - História da Rádio em Portugal”.
Obrigado a todos os que visitaram e visitam o meu sítio.

quinta-feira, 24 de agosto de 2006

Sugestões aos legisladores

A época estival está no fim e as emissoras reajustam as grelhas de programas para que os próximos meses lhes tragam mais ouvintes. Penso que é a altura certa para se ponderar alguns pontos: medição de audiências, música portuguesa e Lei da Rádio.
A medição das audiências apenas é efectuada pela Marktest, mas a sua fórmula (entrevistas por telefone) é muito contestada. A Marktest defende-se que as emissoras não podem pagar um tipo de medição que seja mais fiável (como o PPM). Provavelmente é a falta de concorrência que provoca isto.
A música é o principal pilar da emissão radiofónica. No entanto, as rádios parecem todas iguais e não me parece que as quotas de música portuguesa na rádio, impostas pela nova Lei da Rádio, venham alterar alguma coisa e nem serve as emissoras nem os artistas.
Esta nova Lei da Rádio não serve. É necessário que se redefina as fronteiras do que é uma emissora local e regional. Uma solução é diminuir o número e a potência das estações locais, talvez criando emissoras comunitárias, redefinir o que é uma rádio regional aumentando o seu número. Em relação Às estações regionais, só temos duas em Portugal: a TSF (regional Norte) e o RCP (regional Sul). Mas, com aquisições de emissoras locais, praticamente cobrem todo o território nacional. A criação de rádios regionais de áreas metropolitanas, por exemplo, permitiria que se cobrisse melhor uma determinada região e as locais seriam mais viradas para a comunidade. As coberturas Norte e Sul, como se tem visto (escutado), não são uma boa solução. Mais vale conceder o estatuto de emissoras nacionais, libertando frequências para rádios locais. A permissão de concentração da propriedade dos media também deveria ser revista.
Por último, a Amplitude Modulada e o digital. A RDP (RTP?) emite em DAB, mas os ouvintes serão, certamente, muito poucos. O DRM está aí à porta, aliás, já está cá dentro, mas a rádio portuguesa (leia-se a politica portuguesa) é que ainda não deu os passos necessários para que a rádio digital seja uma realidade acessível a todos.
Urge, portanto, um debate sério com todos os intervenientes do sector para que se encontre uma solução que agrade a todos - será uma tarefa quase impossível, mas, ao menos, que se obtenha a solução menos má.

segunda-feira, 21 de agosto de 2006

Revisão do CCT da rádio

O Sindicato dos Jornalistas (SJ) e a Associação Portuguesa de Radiodifusão (APR) encetaram negociações, no passado dia 20 de Julho, para a revisão do Contrato Colectivo de Trabalho (CCT) e que abrange os jornalistas do sector.
Após a próxima reunião, agendada para o início de Setembro, serão divulgadas mais informações sobre o processo.
O actual CCT data de 2004, mas nessa altura foi assinado pelos sindicatos do sector do audiovisual e pela APR, além do SJ. Não sei se os outros sindicatos estão envolvidos, mas uma rádio não é só feita por jornalistas (há operadores áudio, animadores, etc.).

sexta-feira, 18 de agosto de 2006

Antena 2 renova-se em Setembro

A Antena 2 é um canal que trabalha para uma (imensa?) minoria, transmitindo música que nenhuma outra emissora portuguesa aposta. É, por isso mesmo, um verdadeiro canal de serviço público. É, aliás, a estação que tem um público mais fiel (também por causa da especificidade da música que preenche a emissão - Clássica, Jazz, etc.).
Setembro é, por tradição, a altura do ano em que as emissoras portuguesas renovam as grelhas de programas. A Antena 2, não fugindo a esta tradição, tem a sua nova grelha com arranque marcado para 18 de Setembro.
O jornal “Diário de Notícias” traz uma reportagem, de Marina Almeida, sobre a Antena 2, em que apresenta as novidades da emissora. De salientar que os programas de autor vão ser aposta forte da estação, contrariando a tendência generalizada em Portugal de ser uma play list e um computador comandarem as emissões.

Quem escuta rádio em Portugal

O estudo Bareme Rádio do segundo trimestre de 2006, da Marktest, indica que, em Portugal, os jovens e os quadros médios e superiores são os maiores consumidores de rádio.
Estes estratos sociais são os que têm possibilidades de adquirir (ou teriam propensão para) os Leitores de Áudio Digital (LAD), como o iPod ou aparelhos similares. Ou seja, pode-se depreender que ainda não foram os LAD que roubaram os tais 1000 ouvintes por dia à rádio (ver texto anterior).

As audiências de rádio - credíveis ou não? (II)

Um leitor colocou um comentário interessante no texto de 8 de Agosto: «Estive a "observar" o trabalho da Marktest e a conclusão é: A Marktest perdeu entrevistados! É fácil dizer que a Rádio perdeu ouvintes mas a realidade é outra. A Marktest está cada vez mais a ter dificuldade em realizar entrevistas telefónicas. Porquê? Porque são feitas para telefones da rede fixa. Exacto. Aqueles que já quase ninguém atende e que quando tocam é para o tele-marketing nos bombardear. É aqui que reside o problema da Marktest. Talvez pouca gente saiba de Vaga para Vaga a Marktest se atrasa. Esta 2ª Vaga de 2006 teve entrevistas já durante o mês de Julho. O estudo (Bareme) saiu atrasado. Para reflectir...»

quinta-feira, 17 de agosto de 2006

A rádio na revista “Jornalismo & Jornalistas”

A rádio está em destaque no artigo Audiovisual Público, da revista “Jornalismo & Jornalistas” (JJ). Este artigo faz uma resenha histórica da evolução e coexistência entre os media públicos e privados.
Na secção “Livros”, João Paulo Meneses faz uma crítica ao livro “As Vozes da Rádio, 1924-1939”, da autoria de Rogério Santos. Esta obra é, provavelmente, o melhor testemunho sobre os primórdios da rádio portuguesa.
Também na JJ – e porque se celebra hoje o centenário de Marcelo Caetano – destaco o artigo Marcelo Caetano e a imprensa, uma entrevista de Carla Baptista a Ana Cabrera, docente e investigadora, autora do livro "Marcelo Caetano: Poder e Imprensa".

quarta-feira, 16 de agosto de 2006

Matem o mensageiro!

Sempre que as coisas correm mal a um clube desportivo, quem paga é a comunicação social. O presidente do Boavista, João Loureiro, fez algumas declarações que apontavam a comunicação social como a responsável pelas notícias sobre a possível (já confirmada) saída do treinador Jesualdo Ferreira para o FC Porto. Como resultado, alguns "adeptos" do Boavista agrediram profissionais da Rádio Renascença, Rádio Clube Português e Mais Futebol.
Nenhum profissional da comunicação social tem culpa dos resultados desportivos. Os jornalistas não jogam, não treinam, nem dirigem equipas de futebol. Apenas relatam factos. Se estes não são do agrado dos adeptos, que peçam contas aos protagonistas, não aos mensageiros.
Será que se um funcionário dos CTT levar uma carta com conteúdo que desagrade a estes "adeptos" também será agredido?
Vá lá que por esta bitola não alinham todos os adeptos. A grande maioria é gente bem formada. Pena é que sejam eclipsados por meia-dúzia de mal educados.

segunda-feira, 14 de agosto de 2006

Respeito pelo(s) ouvinte(s)

Cheguei à peça Cromo do dia: Teixeira Correia -Palavra de papagaio, do jornal “O Jogo”, através de um curto texto no Blogouve-se. João Paulo Meneses escreve que «um jornalista não faria e uma coisa destas». Eu acrescento que nenhum profissional de rádio deve fazer uma coisa destas, pois descredibiliza o meio.
Teixeira Correia, numa volta a Portugal - não consegui perceber se a reportagem era para a Rádio Voz da Planície ou para a Rádio Comercial - pôs um italiano a falar em directo, porque o verdadeiro alvo da reportagem já tinha fugido: “Na chegada à Sr.ª da Graça, em 1994, quando ganhou o Felice Puttini, fiquei preso lá em cima e não o pude apanhar. Meia hora depois do final da etapa, chegou um ciclista italiano bastante atrasado. Expliquei-lhe o que precisava e falou ele. Ninguém deu pela diferença”, conta, divertido. “Noutra vez, deixei fugir um espanhol. Então fiz a pergunta em português e respondi eu em espanhol”. Ninguém deu pela diferença (sublinhado meu)? Isso diz Teixeira Correia. Mas será que foi mesmo assim ou é ele a passar um atestado de estupidez aos seus ouvintes?
O ouvinte é o objecto principal da rádio e, como tal, tem de ser tratado com respeito. Se um ouvinte não acredita no que diz uma emissora muda de sintonia ou, pior ainda, deixa de ouvir rádio.

50 anos da morte de Bertolt Brecht

Foi a 14 de Agosto de 1956 que faleceu, em Berlim, o dramaturgo, poeta, encenador e primeiro teórico da rádio: Bertolt Brecht. Os cinco textos escritos entre 1927 e 1932 – A Teoria da Rádio - e que estão disponíveis na obra Bertolt Brecht on film & Rádio, continuam actuais.
Brecht sonhou com uma rádio que «poderia ser para a vida pública o meio de comunicação mais grandioso que se possa imaginar, um extraordinário sistema de canais, isto é, poderia sê-lo se tivesse condições não só de transmitir, mas também de receber, não só de fazer escutar algo ao ouvinte, mas também de fazê-lo falar, não de isolá-lo, mas de colocá-lo em relação com outros».
Em Portugal, com a rádio a perder cerca de 1000 ouvintes por dia e com as estações a serem pouco mais que meros toca-discos, as palavras de Brecht estão mais actuais que nunca: «Um homem que tenha algo a dizer e não encontre ouvintes está em má situação. Mas pior ainda estão os ouvintes que não encontrem quem tenha algo a dizer-lhes».

Leituras recomendadas:

sábado, 12 de agosto de 2006

Regressa o culto da voz na rádio

A RDP quer recuperar culto da voz na rádio. A música já não é a principal atracção da rádio. A Televisão, a Internet e os Leitores de Áudio Digital (LAD) contribuíram para isso, mas continua-se a insistir em estações musicais com play lists de gosto duvidoso. Nestas emissoras, a palavra tem sido ostracizada e, para piorar o cenário de si já muito negro, os noticiários estão - segundo José Mário Costa, responsável pedagógico da rádio pública, em declarações ao jornal "Diário Económico" - «hipotecados à agenda, aos jornais feitos na véspera e às agências de comunicação». Não é de admirar, portanto, que a rádio portuguesa tenha perdido quase mil ouvintes por mês, no último ano.
As novas tecnologias permitiram que o tradicional imediatismo da rádio encontrasse rivais nas televisões e nas edições online dos jornais. Uma das armas para que a rádio ainda seja um medium dinâmico e competitivo é a mais antiga forma de comunicação humana: a voz.
Assim sendo, é de saudar que a RDP se baseie «no modelo anglo-saxónico da BBC e quer, a médio e longo prazo, assentar a sua informação no “tripé” editor, produtor de informação e apresentador. “O que se passa actualmente é que são os editores a apresentar as notícias, ficando sem tempo para ir atrás das notícias e para as descascar”».
Será a formula certa para que a rádio recupere os ouvintes que perdeu? Se não é, pelo menos está no bom caminho.

terça-feira, 8 de agosto de 2006

As audiências de rádio - credíveis ou não?

Há uma controvérsia sobre as audiências da rádio portuguesa. Muito contestado, o Bareme Rádio da Marktest é o único indicador, em Portugal, das audiências de rádio. Mas poderão os indicadores apontados por este sistema estarem longe da realidade? Muitos respondem “sim” a esta pergunta, porque, na era da mobilidade (telemóvel, Internet sem fios, etc.), a Marktest ainda faz os inquéritos através do telefone fixo. Além disso, a rádio, hoje em dia, é maioritariamente escutada no carro. Quem escuta rádio no local de trabalho (outro sítio onde se escuta muita rádio*) não pode atender o telefone e responder a inquéritos, e penso que estes não são feitos à noite.
O Portable People Meter (PPM) é um sistema que permite medir as audiências com mais precisão e que a Marktest queria implementar em Portugal, mas devido ao custo o projecto está congelado. Com este sistema o Bareme Rádio de certeza que mostraria outros números.
A solução, enquanto não se implementa o PPM (se é que algum dia virá a ser implementado), seria fazer inquéritos aos condutores e a quem passa na rua, assim talvez não existisse tanta desconfiança em relação às audiências da rádio portuguesa.
O blogue O Segundo Choque tem acompanhado a implementação do PPM no mundo.

* A rádio é o único medium que permite a acumulação (ouvir rádio e ler o jornal, ou trabalhar, ou conduzir, etc).

segunda-feira, 7 de agosto de 2006

VJs da primeira emissão da MTV na… rádio

Os Buggles bem poderiam cantar “Video didn’t kill the radio star” (o vídeo não matou a estrela da rádio). “Video kill the radio star” abriu a emissão da MTV, ironicamente, os Video Jockey’s (VJs) que apresentaram o videoclip mostram como a canção não é(ra) um reflexo da realidade, pois estão agora na rádio, mais concretamente na americana Sirius Satellite Rádio, no canal "Big '80s".

sexta-feira, 4 de agosto de 2006

Bareme Rádio 2.º trimestre 2006

Segundo o Bareme Rádio da Marktest, relativo ao 2.º trimestre 2006, a rádio portuguesa perdeu 300 000 ouvintes face ao período homólogo de 2005. O consumo geral de rádio teve uma média de 4,6 milhões de ouvintes contra os mais de 4,9 milhões registados nos mesmos meses de 2005. No entanto, esta perda de ouvintes já tinha acontecido no 1.º trimestre deste ano, pelo que o número de ouvintes se mantém estável desde esse período.
No segundo trimestre de 2006, a Rádio Comercial - do grupo Media Capital Rádios - foi a estação que apresentou a maior subida, em comparação com o período homólogo do ano passado, atingindo uma Audiência Acumulada de Véspera (AAV) de 7,6%. Do mesmo grupo, a Cidade FM também subiu, atingindo 5,2% de AAV, mas o Rádio Clube desceu, já que só obteve 2,3% de AAV, assim como a Best Rock FM, que apenas conseguiu 0,7% de AAV.
A RFM – do grupo Renascença - mantém-se como a rádio mais ouvida pelos portugueses, com 12,7% de AAV. A Rádio Renascença continua em queda e no trimestre passado apenas obteve 9,6% de AAV. O canal jovem do grupo - a Mega FM - manteve-se nos 1,4% de AAV.
Do grupo Rádio e Televisão de Portugal, a Antena 1 apresentou 4,5% de AAV, a Antena 2 manteve-se nos 0,6% e a Antena 3 subiu para os 3,6% de AAV.
A TSF - Rádio Notícias é a quinta estação mais escutada pelos portugueses, com 4,8% de AAV. Esta estação tem a particularidade de ser uma rádio essencialmente de notícias, não sendo a música o seuprincipal suporte, enquanto todas as outras emissoras têm por base a música.
No texto de 20 de Abril podem-se comparar estes resultados com os do 1.º trimestre deste ano e no texto de 26 de Julho de 2005 com os do 2.º trimestre do ano passado.

quinta-feira, 3 de agosto de 2006

Odes à rádio

A música e a rádio têm andado de mãos dadas ao longo dos últimos 100 anos. Quase todas as emissões experimentais do início do século XX incluíam música – gravada ou ao vivo. Deste “namoro” nasceram algumas dezenas de músicas que, de alguma forma, tentam demonstrar a emoção que a rádio leva aos que a escutam.
Dessas dezenas, o blogue Queridos Anos 80 colocou à disposição dos seus leitores, através do seu radio.blog, 11 canções que, como não poderia deixar de ser, são dos anos 80 e que incluem a palavra “rádio” no titulo.
Aproveito também para agradecer o elogio que é feito a este blogue pelo Tarzan Boy (o autor do QA80) e, em jeito de homenagem ao Queridos Anos 80 e à Rádio, deixo aqui uma música, também ela dos eighties: Taffy, com I love My Radio.

Recordar os 71 anos da Emissora Nacional

Foi no dia 1 de Agosto que a RDP (ex-EN) fez 71 anos. Para comemorar a data, António Silva, d’A Minha Rádio, disponibiliza o programa comemorativo dos 70 anos da EN, e que foi transmitido a 1 de Agosto de 2005.

quarta-feira, 2 de agosto de 2006

A ler no OberCom

O OberCom – Observatório da Comunicação, na Antevisão Estudos OberCom – “Públicos e Consumos Media: Imprensa e Rádio – Working Report”, analisa a consulta das páginas das rádios na Internet, e tenta identificar o perfil de públicos da rádio portuguesa, nas duas plataformas de recepção: a estação de rádio e a página on-line.

terça-feira, 1 de agosto de 2006

25 anos de MTV – afinal o vídeo não matou a estrela da rádio

Passa hoje um quarto de século sobre a criação da MTV. À meia noite do dia 1 de Agosto de 1981, os Buggles abriam a emissão da MTV América com Video Killed the Radio Star (O vídeo matou a estrela da rádio). Iniciava-se, então, uma revolução nos meios audiovisuais e nascia uma nova era para a música. Abriam-se novos caminhos para explorar e estes seriam desbravados pelos Vídeo-Jockeys – uma evolução do DJ radiofónico.
Os video clips (por cá chamados de telediscos) estavam para a MTV como os discos estavam para as estações radiofónicas, pelo que muita gente vaticinou que era o princípio do fim da rádio, afinal a música tinha ganho um canal privilegiado para explorar uma nova dimensão – a visual – muito mais poderosa que o som. Quantas músicas medíocres não foram salvas do esquecimento colectivo porque tinham um bom video clip?
Afinal, 25 anos depois da revolução MTV, a rádio ainda cá está, soube adaptar-se aos tempos, embora enfrente novos desafios: a Internet, os iPods e uma parafernália de equipamentos de entretenimento electrónico. Mas já não está sozinha nesta luta – a televisão também a acompanha.

segunda-feira, 31 de julho de 2006

A qualidade do áudio radiofónico - I

Os receptores radiofónicos nunca foram verdadeiramente um equipamento de Alta-Fidelidade (Hi-Fi), devido à qualidade áudio permitida pelas emissões electromagnéticas analógicas.
A emissão em Frequência Modulada (FM) tem um espectro áudio de 30 Hz a 15 000 Hz. Na Amplitude Modulada (AM) a faixa de frequências ainda é mais reduzida – entre os 40 Hz e os 5000 Hz. Um termo de comparação: a voz humana corresponde a uma faixa de frequências entre os 100 Hz e os 8000 Hz. O áudio obtido numa chamada telefónica – muito usado pelos jornalistas de rádio – tem uma faixa de frequências entre os 300 Hz e os 3400 Hz. Dependendo dos componentes, um sistema Hi-Fi normalmente reproduz a faixa 20 Hz - 20000 Hz, embora haja equipamentos mais recentes que conseguem reproduzir entre os 4 Hz e os 100 000 Hz - estes equipamentos são vocacionados para a reprodução de Super Audio Compact Disc (SACD).
Na radiodifusão digital, o Digital Audio Broadcast (DAB) pode comportar emissões com uma faixa de áudio entre os 20 Hz - 20000 Hz, no entanto, dificilmente isso acontecerá, pois o bit rate teria de ser superior a 192 kbps (o CD áudio tem um bit rate de 256 kbps), o que não deixa espaço para os serviços suplementares que a radiodifusão digital permite.
Acerca da qualidade das emissões DAB em Inglaterra, os jornais ingleses “Telegraph” e “The Guardian” trouxeram, no início do ano, artigos sobre a (fraca) qualidade das emissões radiofónicas digitais inglesas.
Em relação ao Digital Radio Mondiale (DRM), a qualidade áudio é aproximada à FM, sendo um pouco inferior, mas também aqui o bit rate tem uma palavra a dizer. No sistema HD Radio o problema é o mesmo.
Estamos numa era em que a qualidade sonora dos sistemas Hi-Fi atingiram um patamar elevado com o SACD. Curiosamente, é a música em mp3 - que tem uma qualidade idêntica à das “velhinhas” cassetes analógicas - que está cada vez mais na moda. E isto muito por culpa da Internet. E como a moda é o mp3, parece que os fabricantes de CDs áudio começam a ficar desleixados com a qualidade sonora dos mesmos.
Há limitações técnicas - fruto da própria tecnologia - que nem os operadores de radiodifusão nem os ouvintes conseguem superar, mas também há algumas coisas que as emissoras podem fazer para melhorar a qualidade sonora das suas emissões. Mas isso fica para outro texto.

domingo, 30 de julho de 2006

quarta-feira, 26 de julho de 2006

Restrições legais das Rádios On-line

Desde Abril que em Inglaterra as emissoras que transmitem na Internet têm regras que impedem a difusão de música para fora do Reino Unido. Isto é devido aos direitos de autor que restringem as transmissões musicais via web à Inglaterra. Isto porque há software que permite converter o streaming das emissoras em ficheiros mp3.
Se esta medida se alargar ao resto do mundo (desconheço se vigoram medidas idênticas noutros países) os programas musicais poderão vir a ser restringidos.