«aquela magia da música que vem do éter, é um hábito que se está extinguir (…) a rádio enquanto escuta caseira é um hábito que faliu e que nos fugiu, e não há maneira de voltar». António Sérgio in "Suplemento DN" de 08 de Julho de 2005

sexta-feira, 18 de agosto de 2006

As audiências de rádio - credíveis ou não? (II)

Um leitor colocou um comentário interessante no texto de 8 de Agosto: «Estive a "observar" o trabalho da Marktest e a conclusão é: A Marktest perdeu entrevistados! É fácil dizer que a Rádio perdeu ouvintes mas a realidade é outra. A Marktest está cada vez mais a ter dificuldade em realizar entrevistas telefónicas. Porquê? Porque são feitas para telefones da rede fixa. Exacto. Aqueles que já quase ninguém atende e que quando tocam é para o tele-marketing nos bombardear. É aqui que reside o problema da Marktest. Talvez pouca gente saiba de Vaga para Vaga a Marktest se atrasa. Esta 2ª Vaga de 2006 teve entrevistas já durante o mês de Julho. O estudo (Bareme) saiu atrasado. Para reflectir...»

quinta-feira, 17 de agosto de 2006

A rádio na revista “Jornalismo & Jornalistas”

A rádio está em destaque no artigo Audiovisual Público, da revista “Jornalismo & Jornalistas” (JJ). Este artigo faz uma resenha histórica da evolução e coexistência entre os media públicos e privados.
Na secção “Livros”, João Paulo Meneses faz uma crítica ao livro “As Vozes da Rádio, 1924-1939”, da autoria de Rogério Santos. Esta obra é, provavelmente, o melhor testemunho sobre os primórdios da rádio portuguesa.
Também na JJ – e porque se celebra hoje o centenário de Marcelo Caetano – destaco o artigo Marcelo Caetano e a imprensa, uma entrevista de Carla Baptista a Ana Cabrera, docente e investigadora, autora do livro "Marcelo Caetano: Poder e Imprensa".

quarta-feira, 16 de agosto de 2006

Matem o mensageiro!

Sempre que as coisas correm mal a um clube desportivo, quem paga é a comunicação social. O presidente do Boavista, João Loureiro, fez algumas declarações que apontavam a comunicação social como a responsável pelas notícias sobre a possível (já confirmada) saída do treinador Jesualdo Ferreira para o FC Porto. Como resultado, alguns "adeptos" do Boavista agrediram profissionais da Rádio Renascença, Rádio Clube Português e Mais Futebol.
Nenhum profissional da comunicação social tem culpa dos resultados desportivos. Os jornalistas não jogam, não treinam, nem dirigem equipas de futebol. Apenas relatam factos. Se estes não são do agrado dos adeptos, que peçam contas aos protagonistas, não aos mensageiros.
Será que se um funcionário dos CTT levar uma carta com conteúdo que desagrade a estes "adeptos" também será agredido?
Vá lá que por esta bitola não alinham todos os adeptos. A grande maioria é gente bem formada. Pena é que sejam eclipsados por meia-dúzia de mal educados.

segunda-feira, 14 de agosto de 2006

Respeito pelo(s) ouvinte(s)

Cheguei à peça Cromo do dia: Teixeira Correia -Palavra de papagaio, do jornal “O Jogo”, através de um curto texto no Blogouve-se. João Paulo Meneses escreve que «um jornalista não faria e uma coisa destas». Eu acrescento que nenhum profissional de rádio deve fazer uma coisa destas, pois descredibiliza o meio.
Teixeira Correia, numa volta a Portugal - não consegui perceber se a reportagem era para a Rádio Voz da Planície ou para a Rádio Comercial - pôs um italiano a falar em directo, porque o verdadeiro alvo da reportagem já tinha fugido: “Na chegada à Sr.ª da Graça, em 1994, quando ganhou o Felice Puttini, fiquei preso lá em cima e não o pude apanhar. Meia hora depois do final da etapa, chegou um ciclista italiano bastante atrasado. Expliquei-lhe o que precisava e falou ele. Ninguém deu pela diferença”, conta, divertido. “Noutra vez, deixei fugir um espanhol. Então fiz a pergunta em português e respondi eu em espanhol”. Ninguém deu pela diferença (sublinhado meu)? Isso diz Teixeira Correia. Mas será que foi mesmo assim ou é ele a passar um atestado de estupidez aos seus ouvintes?
O ouvinte é o objecto principal da rádio e, como tal, tem de ser tratado com respeito. Se um ouvinte não acredita no que diz uma emissora muda de sintonia ou, pior ainda, deixa de ouvir rádio.

50 anos da morte de Bertolt Brecht

Foi a 14 de Agosto de 1956 que faleceu, em Berlim, o dramaturgo, poeta, encenador e primeiro teórico da rádio: Bertolt Brecht. Os cinco textos escritos entre 1927 e 1932 – A Teoria da Rádio - e que estão disponíveis na obra Bertolt Brecht on film & Rádio, continuam actuais.
Brecht sonhou com uma rádio que «poderia ser para a vida pública o meio de comunicação mais grandioso que se possa imaginar, um extraordinário sistema de canais, isto é, poderia sê-lo se tivesse condições não só de transmitir, mas também de receber, não só de fazer escutar algo ao ouvinte, mas também de fazê-lo falar, não de isolá-lo, mas de colocá-lo em relação com outros».
Em Portugal, com a rádio a perder cerca de 1000 ouvintes por dia e com as estações a serem pouco mais que meros toca-discos, as palavras de Brecht estão mais actuais que nunca: «Um homem que tenha algo a dizer e não encontre ouvintes está em má situação. Mas pior ainda estão os ouvintes que não encontrem quem tenha algo a dizer-lhes».

Leituras recomendadas:

sábado, 12 de agosto de 2006

Regressa o culto da voz na rádio

A RDP quer recuperar culto da voz na rádio. A música já não é a principal atracção da rádio. A Televisão, a Internet e os Leitores de Áudio Digital (LAD) contribuíram para isso, mas continua-se a insistir em estações musicais com play lists de gosto duvidoso. Nestas emissoras, a palavra tem sido ostracizada e, para piorar o cenário de si já muito negro, os noticiários estão - segundo José Mário Costa, responsável pedagógico da rádio pública, em declarações ao jornal "Diário Económico" - «hipotecados à agenda, aos jornais feitos na véspera e às agências de comunicação». Não é de admirar, portanto, que a rádio portuguesa tenha perdido quase mil ouvintes por mês, no último ano.
As novas tecnologias permitiram que o tradicional imediatismo da rádio encontrasse rivais nas televisões e nas edições online dos jornais. Uma das armas para que a rádio ainda seja um medium dinâmico e competitivo é a mais antiga forma de comunicação humana: a voz.
Assim sendo, é de saudar que a RDP se baseie «no modelo anglo-saxónico da BBC e quer, a médio e longo prazo, assentar a sua informação no “tripé” editor, produtor de informação e apresentador. “O que se passa actualmente é que são os editores a apresentar as notícias, ficando sem tempo para ir atrás das notícias e para as descascar”».
Será a formula certa para que a rádio recupere os ouvintes que perdeu? Se não é, pelo menos está no bom caminho.

terça-feira, 8 de agosto de 2006

As audiências de rádio - credíveis ou não?

Há uma controvérsia sobre as audiências da rádio portuguesa. Muito contestado, o Bareme Rádio da Marktest é o único indicador, em Portugal, das audiências de rádio. Mas poderão os indicadores apontados por este sistema estarem longe da realidade? Muitos respondem “sim” a esta pergunta, porque, na era da mobilidade (telemóvel, Internet sem fios, etc.), a Marktest ainda faz os inquéritos através do telefone fixo. Além disso, a rádio, hoje em dia, é maioritariamente escutada no carro. Quem escuta rádio no local de trabalho (outro sítio onde se escuta muita rádio*) não pode atender o telefone e responder a inquéritos, e penso que estes não são feitos à noite.
O Portable People Meter (PPM) é um sistema que permite medir as audiências com mais precisão e que a Marktest queria implementar em Portugal, mas devido ao custo o projecto está congelado. Com este sistema o Bareme Rádio de certeza que mostraria outros números.
A solução, enquanto não se implementa o PPM (se é que algum dia virá a ser implementado), seria fazer inquéritos aos condutores e a quem passa na rua, assim talvez não existisse tanta desconfiança em relação às audiências da rádio portuguesa.
O blogue O Segundo Choque tem acompanhado a implementação do PPM no mundo.

* A rádio é o único medium que permite a acumulação (ouvir rádio e ler o jornal, ou trabalhar, ou conduzir, etc).

segunda-feira, 7 de agosto de 2006

VJs da primeira emissão da MTV na… rádio

Os Buggles bem poderiam cantar “Video didn’t kill the radio star” (o vídeo não matou a estrela da rádio). “Video kill the radio star” abriu a emissão da MTV, ironicamente, os Video Jockey’s (VJs) que apresentaram o videoclip mostram como a canção não é(ra) um reflexo da realidade, pois estão agora na rádio, mais concretamente na americana Sirius Satellite Rádio, no canal "Big '80s".

sexta-feira, 4 de agosto de 2006

Bareme Rádio 2.º trimestre 2006

Segundo o Bareme Rádio da Marktest, relativo ao 2.º trimestre 2006, a rádio portuguesa perdeu 300 000 ouvintes face ao período homólogo de 2005. O consumo geral de rádio teve uma média de 4,6 milhões de ouvintes contra os mais de 4,9 milhões registados nos mesmos meses de 2005. No entanto, esta perda de ouvintes já tinha acontecido no 1.º trimestre deste ano, pelo que o número de ouvintes se mantém estável desde esse período.
No segundo trimestre de 2006, a Rádio Comercial - do grupo Media Capital Rádios - foi a estação que apresentou a maior subida, em comparação com o período homólogo do ano passado, atingindo uma Audiência Acumulada de Véspera (AAV) de 7,6%. Do mesmo grupo, a Cidade FM também subiu, atingindo 5,2% de AAV, mas o Rádio Clube desceu, já que só obteve 2,3% de AAV, assim como a Best Rock FM, que apenas conseguiu 0,7% de AAV.
A RFM – do grupo Renascença - mantém-se como a rádio mais ouvida pelos portugueses, com 12,7% de AAV. A Rádio Renascença continua em queda e no trimestre passado apenas obteve 9,6% de AAV. O canal jovem do grupo - a Mega FM - manteve-se nos 1,4% de AAV.
Do grupo Rádio e Televisão de Portugal, a Antena 1 apresentou 4,5% de AAV, a Antena 2 manteve-se nos 0,6% e a Antena 3 subiu para os 3,6% de AAV.
A TSF - Rádio Notícias é a quinta estação mais escutada pelos portugueses, com 4,8% de AAV. Esta estação tem a particularidade de ser uma rádio essencialmente de notícias, não sendo a música o seuprincipal suporte, enquanto todas as outras emissoras têm por base a música.
No texto de 20 de Abril podem-se comparar estes resultados com os do 1.º trimestre deste ano e no texto de 26 de Julho de 2005 com os do 2.º trimestre do ano passado.

quinta-feira, 3 de agosto de 2006

Odes à rádio

A música e a rádio têm andado de mãos dadas ao longo dos últimos 100 anos. Quase todas as emissões experimentais do início do século XX incluíam música – gravada ou ao vivo. Deste “namoro” nasceram algumas dezenas de músicas que, de alguma forma, tentam demonstrar a emoção que a rádio leva aos que a escutam.
Dessas dezenas, o blogue Queridos Anos 80 colocou à disposição dos seus leitores, através do seu radio.blog, 11 canções que, como não poderia deixar de ser, são dos anos 80 e que incluem a palavra “rádio” no titulo.
Aproveito também para agradecer o elogio que é feito a este blogue pelo Tarzan Boy (o autor do QA80) e, em jeito de homenagem ao Queridos Anos 80 e à Rádio, deixo aqui uma música, também ela dos eighties: Taffy, com I love My Radio.

Recordar os 71 anos da Emissora Nacional

Foi no dia 1 de Agosto que a RDP (ex-EN) fez 71 anos. Para comemorar a data, António Silva, d’A Minha Rádio, disponibiliza o programa comemorativo dos 70 anos da EN, e que foi transmitido a 1 de Agosto de 2005.

quarta-feira, 2 de agosto de 2006

A ler no OberCom

O OberCom – Observatório da Comunicação, na Antevisão Estudos OberCom – “Públicos e Consumos Media: Imprensa e Rádio – Working Report”, analisa a consulta das páginas das rádios na Internet, e tenta identificar o perfil de públicos da rádio portuguesa, nas duas plataformas de recepção: a estação de rádio e a página on-line.

terça-feira, 1 de agosto de 2006

25 anos de MTV – afinal o vídeo não matou a estrela da rádio

Passa hoje um quarto de século sobre a criação da MTV. À meia noite do dia 1 de Agosto de 1981, os Buggles abriam a emissão da MTV América com Video Killed the Radio Star (O vídeo matou a estrela da rádio). Iniciava-se, então, uma revolução nos meios audiovisuais e nascia uma nova era para a música. Abriam-se novos caminhos para explorar e estes seriam desbravados pelos Vídeo-Jockeys – uma evolução do DJ radiofónico.
Os video clips (por cá chamados de telediscos) estavam para a MTV como os discos estavam para as estações radiofónicas, pelo que muita gente vaticinou que era o princípio do fim da rádio, afinal a música tinha ganho um canal privilegiado para explorar uma nova dimensão – a visual – muito mais poderosa que o som. Quantas músicas medíocres não foram salvas do esquecimento colectivo porque tinham um bom video clip?
Afinal, 25 anos depois da revolução MTV, a rádio ainda cá está, soube adaptar-se aos tempos, embora enfrente novos desafios: a Internet, os iPods e uma parafernália de equipamentos de entretenimento electrónico. Mas já não está sozinha nesta luta – a televisão também a acompanha.

segunda-feira, 31 de julho de 2006

A qualidade do áudio radiofónico - I

Os receptores radiofónicos nunca foram verdadeiramente um equipamento de Alta-Fidelidade (Hi-Fi), devido à qualidade áudio permitida pelas emissões electromagnéticas analógicas.
A emissão em Frequência Modulada (FM) tem um espectro áudio de 30 Hz a 15 000 Hz. Na Amplitude Modulada (AM) a faixa de frequências ainda é mais reduzida – entre os 40 Hz e os 5000 Hz. Um termo de comparação: a voz humana corresponde a uma faixa de frequências entre os 100 Hz e os 8000 Hz. O áudio obtido numa chamada telefónica – muito usado pelos jornalistas de rádio – tem uma faixa de frequências entre os 300 Hz e os 3400 Hz. Dependendo dos componentes, um sistema Hi-Fi normalmente reproduz a faixa 20 Hz - 20000 Hz, embora haja equipamentos mais recentes que conseguem reproduzir entre os 4 Hz e os 100 000 Hz - estes equipamentos são vocacionados para a reprodução de Super Audio Compact Disc (SACD).
Na radiodifusão digital, o Digital Audio Broadcast (DAB) pode comportar emissões com uma faixa de áudio entre os 20 Hz - 20000 Hz, no entanto, dificilmente isso acontecerá, pois o bit rate teria de ser superior a 192 kbps (o CD áudio tem um bit rate de 256 kbps), o que não deixa espaço para os serviços suplementares que a radiodifusão digital permite.
Acerca da qualidade das emissões DAB em Inglaterra, os jornais ingleses “Telegraph” e “The Guardian” trouxeram, no início do ano, artigos sobre a (fraca) qualidade das emissões radiofónicas digitais inglesas.
Em relação ao Digital Radio Mondiale (DRM), a qualidade áudio é aproximada à FM, sendo um pouco inferior, mas também aqui o bit rate tem uma palavra a dizer. No sistema HD Radio o problema é o mesmo.
Estamos numa era em que a qualidade sonora dos sistemas Hi-Fi atingiram um patamar elevado com o SACD. Curiosamente, é a música em mp3 - que tem uma qualidade idêntica à das “velhinhas” cassetes analógicas - que está cada vez mais na moda. E isto muito por culpa da Internet. E como a moda é o mp3, parece que os fabricantes de CDs áudio começam a ficar desleixados com a qualidade sonora dos mesmos.
Há limitações técnicas - fruto da própria tecnologia - que nem os operadores de radiodifusão nem os ouvintes conseguem superar, mas também há algumas coisas que as emissoras podem fazer para melhorar a qualidade sonora das suas emissões. Mas isso fica para outro texto.

domingo, 30 de julho de 2006

quarta-feira, 26 de julho de 2006

Restrições legais das Rádios On-line

Desde Abril que em Inglaterra as emissoras que transmitem na Internet têm regras que impedem a difusão de música para fora do Reino Unido. Isto é devido aos direitos de autor que restringem as transmissões musicais via web à Inglaterra. Isto porque há software que permite converter o streaming das emissoras em ficheiros mp3.
Se esta medida se alargar ao resto do mundo (desconheço se vigoram medidas idênticas noutros países) os programas musicais poderão vir a ser restringidos.

domingo, 23 de julho de 2006

Emissoras em Portugal - são de mais? (II)

Não sei quem é o autor, mas este comentário - colocado no texto de 18 de Julho - é muito interessante:
As dificuldades das rádios locais estão para durar? Quais rádios locais? Vejamos:
1. Aqui há uns anos, regressado do Luxemburgo, decidi apresentar uma proposta à rádio local do concelho de Oeiras (na altura, 'Rádio Comercial da Linha', hoje 'Oxigénio'). Tudo corria bem até ao momento em que eu disse:- "Vocês, como uma rádio local..." - fui prontamente interrompido pela chefe de redacção que esclareceu - "Perdão, nós não somos uma rádio local. Somos uma rádio de Lisboa!". Por delicadeza continuei a expor a minha ideia, sabendo obviamente que me tinha equivocado de interlocutor.
2. Nos anos 80 (do século passado) costumava passar férias perto de Tavira. Criei o hábito de, aí chegado, manter o rádio sintonizado na Rádio Gilão. Eu que sou, essencialmente, um homem da rádio fiquei fascinado com a criatividade e a originalidade da programação daquela estação - um rádio clube. Não sei se ainda hoje mantêm a programação imaginativa que os caracterizava, mas que tinham audiência, lá isso tinham. Porque sabiam na perfeição ajustá-la aos diferentes períodos do dia e da semana! Entre outros aspectos, na Gilão, ouvia-se do 'pimba' (a expressão só apareceu nos anos 90, mas o género sempre existiu) aos... Yes!
3. Quando ouço falar das «dificuldades das rádios locais» em Portugal, eu que comecei a fazer rádio numa estação local de Luanda, interrogo-me sempre por que carga de água é que as rádios aqui em Portugal, que são também empresas comerciais, não rendibilizam os seus tempos de antena, alugando-os a produtores independentes que os queiram ocupar... A Lei da Rádio impede os proprietários de o fazerem? Bem, então, não se pode falar em rádios locais. Nem regionais, nem o que quer que seja. Apenas numa caricatura disso. Se calhar, as rádios locais estão 'só' a sofrer as consequências de estarem entregues à pedantocracia que, como se sabe, é o predomínio dos medíocres ambiciosos.
E pensar que me vim embora de Angola porque não estava para aturar aquela burguesia ascendente...
Agradeço ao autor esta magnífica contribuição.

sexta-feira, 21 de julho de 2006

Um fórum radiofónico sem moderador*

A LBC – uma estação de Londres – vai iniciar um fórum sem moderador – os ouvintes ligam e vão para o ar sem passarem pelos canais habituais (telefonista, produtor, moderador). Uma rádio universitária de Nova Iorque utiliza o formato há algum tempo com sucesso.
A versão do Fórum (Triple M) sem apresentador vai para o ar no domingo, entre as 10 e a 1 da madrugada, e poderá ser escutado no sítio da LBC.

*Via NetFM

terça-feira, 18 de julho de 2006

Há 70 anos: o papel da rádio na Guerra Civil Espanhola

Passam hoje 70 anos que se iniciou o mais sangrento conflito da Península Ibérica. A rádio portuguesa teve um papel activo no desenrolar dos acontecimentos, tendo Franco um forte aliado na figura de Jorge Botelho Moniz - o presidente do Rádio Clube Português.
Os diários do Porto do dia 17 de Julho de 1936, apresentavam uma entrevista com o General José Sanjurjo, em que o militar declarara ignorar a origem do «boato fantasioso» que o dava como prestes a entrar em Espanha para chefiar um movimento revolucionário tendente a derrubar o governo da Frente Popular, chefiado por Casares Quiroga. Apesar das declarações do General exilado, no dia seguinte - 18 de Julho de 1936 - por todo o Marrocos espanhol dá-se um levantamento militar chefiado por Francisco Franco. José Sanjurjo morreu, poucos dias depois, num acidente de aviação em Cascais quando regressava a Espanha para liderar os revoltosos.
O estado português perante a cena internacional mantinha-se neutral - pois era pressionado pelas potências europeias nesse sentido - mas essa neutralidade era apenas aparente - internamente nada fazia para impedir os apoios portugueses aos nacionalistas chefiados por Franco e chegava, inclusive, a incentivá-los.
Salazar rompe as relações com o governo de Madrid a 23 de Outubro de 1936, mas só a 28 de Abril de 1938 é que o governo insurreccional seria reconhecido. Se bem que a Emissora Nacional(E.N.) não apoiasse directamente os nacionalistas espanhóis, as noticias por ela veiculadas davam a conhecer apenas uma parte do conflito - a que interessava ao governo português - e sempre em contra-informação das noticias veiculadas pelas rádios espanholas republicanas. As outras emissoras portuguesas, por força de uma censura férrea, tinham de seguir a mesma orientação.
Com o desenrolar do conflito, o Major Jorge Botelho Moniz, um dos militares da revolução de 28 de Maio, presidente do Rádio Clube Português e amigo de Oliveira Salazar, decide levar avante a criação de um corpo de milícias portuguesas - os Viriatos - para intervir ao lado dos Nacionalistas. Salazar sabendo disto deixou simplesmente que a ideia prosseguisse, mas descartou-se de responsabilidades. O apelo à mobilização é feito a 28 de Agosto de 1936, no Campo Pequeno, em Lisboa, num comício anticomunista. Nesse comício o Major Botelho Moniz discursa perante milhares de pessoas e afirma: «Vai começar a guerra santa, a guerra de todos os instantes. Vai começar a cruzada heróica para a qual chamamos os portugueses(...). Nós, nacionalistas, somos legião e somos portugueses. Constituamos a "Legião Portuguesa", a legião onde só entram "portugueses", mas que fica aberta a todos os portugueses, leais, disciplinados, dignos e honrados que aceitam como lema "pela Família, pela Pátria, pela Civilização Lusitana"». O Rádio Clube Português foi durante o conflito civil espanhol a voz mais activa, embora também a Rádio Luso, que era financiada pelo regime Nazi da Alemanha, e a Invicta Rádio, que estava ligada ao regime fascista português, fossem difusoras da propaganda de Franco em Lisboa e no Porto.
No Porto o Comandante Henrique Galvão dava palestras, aos microfones da Invicta Rádio, chamando a atenção dos ouvintes para o perigo que vinha de Espanha pela mão dos republicanos que, segundo ele, ameaçavam a soberania nacional. Muitas outras palestras destinadas a Espanha foram proferidas em Castelhano. No entanto, foi através do Rádio Clube Português que melhor se fazia sentir o apoio Luso aos falangistas. A organização de vários comboios de abastecimentos, por esta estação emissora, e a propaganda pró-franquista foram uma ajuda preciosa aos revoltosos. Os espanhóis tinham emissões desde o R.C.P. em castelhano, feitas pela voz de Marisabel de La Torre de Colomina, que se tornou o símbolo emblemático do apoio daquela emissora aos rebeldes franquistas. A revista "Rádio semanal", uma publicação da Emissora Nacional, dedica a Marisabel a primeira página do número de Setembro e uma reportagem alargada sobre o R.C.P. dando conta da influência que esta locutora espanhola exercia, tanto em Espanha como em Portugal. As emissões para Espanha eram regulares e o indicativo que se fazia ouvir era "CT1 GL - R.C.P. - Parede - Lisboa - Portugal".
Devido a este conflito e à tomada de partido pelo R.C.P., foi criado em Portugal o primeiro serviço noticioso regular. O R.C.P. tinha vários postos de escuta, para ouvir as emissões provenientes de Espanha e das outras estações emissoras da Europa que noticiavam o conflito, toda esta informação era filtrada e retransmitida pelo R.C.P.. Como consequência desta tomada de partido, às 23 horas do dia 20 de Janeiro 1937 o emissor de 5 kW do R.C.P. sofre um atentado com uma bomba relógio. Não houve danos pessoais mas os estragos foram de vulto, passadas vinte e quatro horas as emissões são retomadas.
Se o Rádio Clube Português era uma voz para Espanha, a Emissora Nacional era uma voz para o povo português. As palestras proferidas aos microfones da E.N. sobre o conflito em Espanha, eram contra o perigo "vermelho" espanhol e a favor dos falangistas, que se batiam pela defesa dos valores da "civilização cristã ocidental", e pela "defesa da integridade nacional, ameaçada pelo avanço comunista na Península Ibérica".
A Rádio Renascença começou a emitir experimentalmente em 1936, e nesse ano foi convidada pela Comissão Internacional Católica de Radiodifusão a participar, juntamente com outras emissoras católicas da Europa, numa audiência papal onde se discutiria, entre outros assuntos, o avanço do comunismo, que era visto pela Igreja como um inimigo da fé. Com as dificuldades de comunicação com o resto da Europa, por causa do conflito espanhol, e também porque os recursos financeiros da Rádio Renascença eram parcos, nenhum representante da emissora católica esteve na reunião.
A guerra civil espanhola terminou oficialmente a 1 de Abril de 1939, assegurando a subida ao poder do ditador Francisco Franco. Foram três anos de conflito que se saldou em centenas de milhares de mortos (há historiadores que falam em mais de um milhão), na sua maior parte civis, e outras centenas de milhares de refugiados - só no campo de Argeles estiveram meio milhão.Na praia onde esteve instalado o campo de concentração de Argeles, França, uma placa comemorativa reza: «A todos los españoles que lucharon por la libertad. Hombre libre, recuerda».

Emissoras em Portugal - são de mais?

Parece que as dificuldades das rádios locais estão para durar, principalmente para aquelas que são do interior, mas são estas emissoras que cumprem o seu papel de informar a população local de assuntos que só a ela dizem respeito - o que numa emissora nacional dificilmente teria espaço.
O problema não é o número de emissoras. Até poderiam existir mais se não dependessem todas da exploração comercial (venda de espaço publicitário), como é o caso das rádios comunitárias - emissoras que não dependem de uma exploração comercial e que vivem de voluntariado. Em Portugal esse tipo de rádios não está prevista na Lei.
Mas há realmente muitas emissoras em Portugal? Vejamos: a Amplitude Modulada (AM) está cada vez menos explorada em Portugal - a explosão das rádios piratas, que emitiam em Frequência Modulada (FM), na década de 1980, foi o golpe final na AM. Desde aí, tem vindo a diminuir a sua importância no éter português. Em comparação, aqui ao lado, em Espanha, as rádios que emitem em AM são muitas.
Segundo dados da Anacom, dentro da banda AM, estão licenciadas 6 estações locais que trabalham em Onda Média (mas apenas uma no continente) e 3 nacionais. Apenas existe uma emissora em Onda Curta - a RDP-Internacional. Ao contrário de outros países europeus, o nosso país nunca teve tradição de radiodifundir em Onda Longa. É em Frequência Modulada (FM) que mais emissoras estão licenciadas: 355 estações locais, 2 regionais e 6 nacionais.
No que diz respeito à radiodifusão digital, em Portugal, apenas a RDP emite em Digital Audio Broadcast (DAB) e os mesmos conteúdos da FM. Por cá, também existem estações que transmitem em Digital Radio Mondiale (DRM) - neste caso a emissão (desde Sines) é dirigida a outros países. No entanto, não é de uma emissora portuguesa, mas sim uma concessão à alemã Deutsche Welle (DW).
Estas são as emissoras que trabalham no éter português. Agora é só fazer uma comparação com o número de emissoras que existem em Espanha.

sexta-feira, 14 de julho de 2006

Experiências com sistema HD Rádio no Brasil

O sistema de radiodifusão digital HD Radio (ex-IBOC) já está há bastante tempo implementado nos Estados Unidos, local onde foi desenvolvido, mas esta tecnologia americana já está a ser exportada.
A Rádio Clube FM - uma emissora de S.Paulo, Brasil - deu inicio à transmissão em HD Radio em Fevereiro deste ano. Segundo aquela estação, a rápida evolução dos sistemas de radiodifusão digitais mostrava que era necessário «actualizar tecnologicamente a emissora Clube FM e adquirir a experiência necessária neste tipo de operação».
Na escolha do sistema HD Radio pesou o facto de este permitir a transmissão simultânea de sinais analógicos e digitais. O ouvinte recebe os dois sinais da emissora na mesma frequência, mas um não interfere no outro.
Os responsáveis técnicos da Rádio Clube FM afirmam que o HD Rádio é fundamental para a transição entre as tecnologias analógica e digital, pois uma das vantagens que este sistema permite é a de possibilitar a recepção analócia (neste caso em FM) em simultâneo com o digital, e isto favorece as classes sociais mais baixas, que têm dificuldades em adquirir um aparelho receptor digital, considerando o seu custo.
Devido à ainda fraca procura (e, certamente, oferta) de receptores digitais no Brasil, a Rádio Clube FM importou 25 receptores HD Radio para automóveis da Panasonic, que distribuiu pelo seu pessoal, para análise da qualidade da recepção, e espera vir a adquirir outros trinta.

quinta-feira, 13 de julho de 2006

O “Clube de Jornalistas” na 2:

Não consegui assistir à maior parte do “Clube de Jornalistas” que passou na 2:, pelo que só vi a parte final, por muita pena minha.
Moderado por João Paulo Meneses, o programa tratou do jornalismo nas rádios locais e teve como convidados Luís Bonixe, professor Universitário; António Figueiredo, director da Rádio No Ar, de Viseu; e o jornalista Nuno Castilho Matos, que trabalhou na Rádio Voz de Alenquer e está agora na TSF-Rádio Notícias. O presidente da Associação Portuguesa de Radiodifusão (APR), José Faustino, previamente gravado, teve intervenções ao longo do programa.
Segundo o sítio “Clube de Jornalistas”, «existem, de acordo com dados oficiais, 355 rádios locais em Portugal, responsáveis por cerca de 15 por cento da audiência em todo o país.
São as rádios locais que descobrem talentos em cada vila ou cidade onde as rádios nacionais não têm estúdios, são as rádios locais que fazem os relatos desportivos dos clubes mais pequenos, são as rádios locais as primeiras a chegar quando há um acidente, um incêndio ou o quando o autarca local faz umas declarações mais polémicas.
E, contudo, as rádios locais são uma espécie de parente pobre da comunicação social portuguesa: escasseiam os projectos profissionais, contorna-se muitas vezes a lei que obriga a emissão própria, a publicidade escasseia, o jornalismo sai muito caro - dizem
».
Do que consegui ver (ouvir), António Figueiredo é favorável à retransmissão de noticiários das rádios “nacionais”. Luís Bonixe e Nuno Castilho Matos não vêm vantagens nisso.
Há claros benefícios para uma rádio local retransmitir os noticiários das rádios "nacionais". Para já, porque é economicamente inviável para uma rádio local ter jornalistas ao seu serviço em Lisboa para dar conta dos acontecimentos políticos, ou outros, que interessam a toda a população portuguesa. É preferível ter mais jornalistas na redacção para acompanhar acontecimentos locais e transmitir pelo menos três noticiários (obrigatórios) de cariz local. Outra vantagem é a fidelização do auditório à frequência. O ouvinte não necessita de mudar de estação para ouvir notícias de âmbito nacional. Também não concordo com o Nuno Castilho Matos ao afirmar que as notícias de extensão nacional podiam (eram, na rádio onde trabalhou anteriormente) ser tratadas através dos “takes” da Lusa. Porque o que dá credibilidade às notícias radiofónicas é o som (vulgo R.M.) de alguém visado na peça a confirmar ou a desmentir o teor da notícia.
Outro ponto, tem a ver com o novo estatuto do jornalista, que prevê que todos os futuros jornalistas tenham uma licenciatura. O painel de convidados do “Clube de Jornalistas” foi unânime ao apoiar esta medida. José Faustino discordou.
Levo já mais de duas décadas de rádio, pelo que conheci muitos jornalistas. Nem todos os licenciados são bons, nem todos os outros são maus. Parece-me que esta medida é uma forma de arranjar emprego às centenas de licenciados em comunicação social que todos os anos saem das instituições de ensino superior. Neste campo, também houve concordância no programa quanto à deficiente formação académica dos licenciados candidatos a jornalistas. Assim sendo, ou se muda os planos curriculares dos cursos superiores de jornalismo, para que os alunos terminem os cursos com mais valias para os órgãos de comunicação social, ou então nem vale a pena mexer nesta parte do estatuto do jornalista.

quarta-feira, 12 de julho de 2006

domingo, 2 de julho de 2006

Uma pausa no blogue

Durante esta semana, o Ouvidor vai estar um pouco parado. Projectos académicos (inadiáveis) requerem a presença do blogueiro a 100%.
Volto para a semana, mais livre, para me ocupar rádio que se vai fazendo por cá e não só.

quinta-feira, 29 de junho de 2006

Curso de Animação para Informação

O Radiolab, da Universidade Autónoma de Lisboa, vai realizar um curso de Animação para Informação. O curso terá início a 5 de Julho e terminará a 10 de Julho e será ministrado em horário diurno (tarde) ou pós-laboral.
O curso decorrerá nas instalações do Radiolab da Universidade Autónoma de Lisboa. A parte de animação será dada por Ana Bravo (TSF) e a de jornalismo por Francisco Sena Santos (UAL). Para além das sessões de formação, os alunos serão monitorizados no seu trabalho de animação e de redacção. Para tal o curso simulará emissões de rádio com uma redacção a editar. O curso tem a duração (mínima) de 20 horas.
Três das oito vagas serão preenchidas pelos melhores alunos da disciplina de Atelier Rádio (jornalismo/newsroom) da licenciatura de Comunicação (a título de prémio), pelo que há apenas 5 vagas disponíveis.
Mais informações no sítio do Radiolab.

Ainda o caso da Rádio Festival

terça-feira, 27 de junho de 2006

Agregador de coleccionadores

Existem vários coleccionadores de receptores radiofónicos em Portugal, com espólios magníficos, mas que são totalmente desconhecidos. Ainda recentemente, António Manuel Rodrigues deu uma entrevista à National Geographic, onde mostrou como foi reunindo rádio-receptores ao longo dos tempos, apresentando uma das maiores colecções de receptores que existem no nosso país. Outra grande colecção, por exemplo, é a de Sansão Vaz.
Para divulgar estas colecções, o sítio A Minha Rádio decidiu criar um Agregador de coleccionadores, que vai tentar reunir numa base de dados informações sobre os coleccionadores portugueses e as suas coleccções.