«aquela magia da música que vem do éter, é um hábito que se está extinguir (…) a rádio enquanto escuta caseira é um hábito que faliu e que nos fugiu, e não há maneira de voltar». António Sérgio in "Suplemento DN" de 08 de Julho de 2005

domingo, 23 de julho de 2006

Emissoras em Portugal - são de mais? (II)

Não sei quem é o autor, mas este comentário - colocado no texto de 18 de Julho - é muito interessante:
As dificuldades das rádios locais estão para durar? Quais rádios locais? Vejamos:
1. Aqui há uns anos, regressado do Luxemburgo, decidi apresentar uma proposta à rádio local do concelho de Oeiras (na altura, 'Rádio Comercial da Linha', hoje 'Oxigénio'). Tudo corria bem até ao momento em que eu disse:- "Vocês, como uma rádio local..." - fui prontamente interrompido pela chefe de redacção que esclareceu - "Perdão, nós não somos uma rádio local. Somos uma rádio de Lisboa!". Por delicadeza continuei a expor a minha ideia, sabendo obviamente que me tinha equivocado de interlocutor.
2. Nos anos 80 (do século passado) costumava passar férias perto de Tavira. Criei o hábito de, aí chegado, manter o rádio sintonizado na Rádio Gilão. Eu que sou, essencialmente, um homem da rádio fiquei fascinado com a criatividade e a originalidade da programação daquela estação - um rádio clube. Não sei se ainda hoje mantêm a programação imaginativa que os caracterizava, mas que tinham audiência, lá isso tinham. Porque sabiam na perfeição ajustá-la aos diferentes períodos do dia e da semana! Entre outros aspectos, na Gilão, ouvia-se do 'pimba' (a expressão só apareceu nos anos 90, mas o género sempre existiu) aos... Yes!
3. Quando ouço falar das «dificuldades das rádios locais» em Portugal, eu que comecei a fazer rádio numa estação local de Luanda, interrogo-me sempre por que carga de água é que as rádios aqui em Portugal, que são também empresas comerciais, não rendibilizam os seus tempos de antena, alugando-os a produtores independentes que os queiram ocupar... A Lei da Rádio impede os proprietários de o fazerem? Bem, então, não se pode falar em rádios locais. Nem regionais, nem o que quer que seja. Apenas numa caricatura disso. Se calhar, as rádios locais estão 'só' a sofrer as consequências de estarem entregues à pedantocracia que, como se sabe, é o predomínio dos medíocres ambiciosos.
E pensar que me vim embora de Angola porque não estava para aturar aquela burguesia ascendente...
Agradeço ao autor esta magnífica contribuição.

sexta-feira, 21 de julho de 2006

Um fórum radiofónico sem moderador*

A LBC – uma estação de Londres – vai iniciar um fórum sem moderador – os ouvintes ligam e vão para o ar sem passarem pelos canais habituais (telefonista, produtor, moderador). Uma rádio universitária de Nova Iorque utiliza o formato há algum tempo com sucesso.
A versão do Fórum (Triple M) sem apresentador vai para o ar no domingo, entre as 10 e a 1 da madrugada, e poderá ser escutado no sítio da LBC.

*Via NetFM

terça-feira, 18 de julho de 2006

Há 70 anos: o papel da rádio na Guerra Civil Espanhola

Passam hoje 70 anos que se iniciou o mais sangrento conflito da Península Ibérica. A rádio portuguesa teve um papel activo no desenrolar dos acontecimentos, tendo Franco um forte aliado na figura de Jorge Botelho Moniz - o presidente do Rádio Clube Português.
Os diários do Porto do dia 17 de Julho de 1936, apresentavam uma entrevista com o General José Sanjurjo, em que o militar declarara ignorar a origem do «boato fantasioso» que o dava como prestes a entrar em Espanha para chefiar um movimento revolucionário tendente a derrubar o governo da Frente Popular, chefiado por Casares Quiroga. Apesar das declarações do General exilado, no dia seguinte - 18 de Julho de 1936 - por todo o Marrocos espanhol dá-se um levantamento militar chefiado por Francisco Franco. José Sanjurjo morreu, poucos dias depois, num acidente de aviação em Cascais quando regressava a Espanha para liderar os revoltosos.
O estado português perante a cena internacional mantinha-se neutral - pois era pressionado pelas potências europeias nesse sentido - mas essa neutralidade era apenas aparente - internamente nada fazia para impedir os apoios portugueses aos nacionalistas chefiados por Franco e chegava, inclusive, a incentivá-los.
Salazar rompe as relações com o governo de Madrid a 23 de Outubro de 1936, mas só a 28 de Abril de 1938 é que o governo insurreccional seria reconhecido. Se bem que a Emissora Nacional(E.N.) não apoiasse directamente os nacionalistas espanhóis, as noticias por ela veiculadas davam a conhecer apenas uma parte do conflito - a que interessava ao governo português - e sempre em contra-informação das noticias veiculadas pelas rádios espanholas republicanas. As outras emissoras portuguesas, por força de uma censura férrea, tinham de seguir a mesma orientação.
Com o desenrolar do conflito, o Major Jorge Botelho Moniz, um dos militares da revolução de 28 de Maio, presidente do Rádio Clube Português e amigo de Oliveira Salazar, decide levar avante a criação de um corpo de milícias portuguesas - os Viriatos - para intervir ao lado dos Nacionalistas. Salazar sabendo disto deixou simplesmente que a ideia prosseguisse, mas descartou-se de responsabilidades. O apelo à mobilização é feito a 28 de Agosto de 1936, no Campo Pequeno, em Lisboa, num comício anticomunista. Nesse comício o Major Botelho Moniz discursa perante milhares de pessoas e afirma: «Vai começar a guerra santa, a guerra de todos os instantes. Vai começar a cruzada heróica para a qual chamamos os portugueses(...). Nós, nacionalistas, somos legião e somos portugueses. Constituamos a "Legião Portuguesa", a legião onde só entram "portugueses", mas que fica aberta a todos os portugueses, leais, disciplinados, dignos e honrados que aceitam como lema "pela Família, pela Pátria, pela Civilização Lusitana"». O Rádio Clube Português foi durante o conflito civil espanhol a voz mais activa, embora também a Rádio Luso, que era financiada pelo regime Nazi da Alemanha, e a Invicta Rádio, que estava ligada ao regime fascista português, fossem difusoras da propaganda de Franco em Lisboa e no Porto.
No Porto o Comandante Henrique Galvão dava palestras, aos microfones da Invicta Rádio, chamando a atenção dos ouvintes para o perigo que vinha de Espanha pela mão dos republicanos que, segundo ele, ameaçavam a soberania nacional. Muitas outras palestras destinadas a Espanha foram proferidas em Castelhano. No entanto, foi através do Rádio Clube Português que melhor se fazia sentir o apoio Luso aos falangistas. A organização de vários comboios de abastecimentos, por esta estação emissora, e a propaganda pró-franquista foram uma ajuda preciosa aos revoltosos. Os espanhóis tinham emissões desde o R.C.P. em castelhano, feitas pela voz de Marisabel de La Torre de Colomina, que se tornou o símbolo emblemático do apoio daquela emissora aos rebeldes franquistas. A revista "Rádio semanal", uma publicação da Emissora Nacional, dedica a Marisabel a primeira página do número de Setembro e uma reportagem alargada sobre o R.C.P. dando conta da influência que esta locutora espanhola exercia, tanto em Espanha como em Portugal. As emissões para Espanha eram regulares e o indicativo que se fazia ouvir era "CT1 GL - R.C.P. - Parede - Lisboa - Portugal".
Devido a este conflito e à tomada de partido pelo R.C.P., foi criado em Portugal o primeiro serviço noticioso regular. O R.C.P. tinha vários postos de escuta, para ouvir as emissões provenientes de Espanha e das outras estações emissoras da Europa que noticiavam o conflito, toda esta informação era filtrada e retransmitida pelo R.C.P.. Como consequência desta tomada de partido, às 23 horas do dia 20 de Janeiro 1937 o emissor de 5 kW do R.C.P. sofre um atentado com uma bomba relógio. Não houve danos pessoais mas os estragos foram de vulto, passadas vinte e quatro horas as emissões são retomadas.
Se o Rádio Clube Português era uma voz para Espanha, a Emissora Nacional era uma voz para o povo português. As palestras proferidas aos microfones da E.N. sobre o conflito em Espanha, eram contra o perigo "vermelho" espanhol e a favor dos falangistas, que se batiam pela defesa dos valores da "civilização cristã ocidental", e pela "defesa da integridade nacional, ameaçada pelo avanço comunista na Península Ibérica".
A Rádio Renascença começou a emitir experimentalmente em 1936, e nesse ano foi convidada pela Comissão Internacional Católica de Radiodifusão a participar, juntamente com outras emissoras católicas da Europa, numa audiência papal onde se discutiria, entre outros assuntos, o avanço do comunismo, que era visto pela Igreja como um inimigo da fé. Com as dificuldades de comunicação com o resto da Europa, por causa do conflito espanhol, e também porque os recursos financeiros da Rádio Renascença eram parcos, nenhum representante da emissora católica esteve na reunião.
A guerra civil espanhola terminou oficialmente a 1 de Abril de 1939, assegurando a subida ao poder do ditador Francisco Franco. Foram três anos de conflito que se saldou em centenas de milhares de mortos (há historiadores que falam em mais de um milhão), na sua maior parte civis, e outras centenas de milhares de refugiados - só no campo de Argeles estiveram meio milhão.Na praia onde esteve instalado o campo de concentração de Argeles, França, uma placa comemorativa reza: «A todos los españoles que lucharon por la libertad. Hombre libre, recuerda».

Emissoras em Portugal - são de mais?

Parece que as dificuldades das rádios locais estão para durar, principalmente para aquelas que são do interior, mas são estas emissoras que cumprem o seu papel de informar a população local de assuntos que só a ela dizem respeito - o que numa emissora nacional dificilmente teria espaço.
O problema não é o número de emissoras. Até poderiam existir mais se não dependessem todas da exploração comercial (venda de espaço publicitário), como é o caso das rádios comunitárias - emissoras que não dependem de uma exploração comercial e que vivem de voluntariado. Em Portugal esse tipo de rádios não está prevista na Lei.
Mas há realmente muitas emissoras em Portugal? Vejamos: a Amplitude Modulada (AM) está cada vez menos explorada em Portugal - a explosão das rádios piratas, que emitiam em Frequência Modulada (FM), na década de 1980, foi o golpe final na AM. Desde aí, tem vindo a diminuir a sua importância no éter português. Em comparação, aqui ao lado, em Espanha, as rádios que emitem em AM são muitas.
Segundo dados da Anacom, dentro da banda AM, estão licenciadas 6 estações locais que trabalham em Onda Média (mas apenas uma no continente) e 3 nacionais. Apenas existe uma emissora em Onda Curta - a RDP-Internacional. Ao contrário de outros países europeus, o nosso país nunca teve tradição de radiodifundir em Onda Longa. É em Frequência Modulada (FM) que mais emissoras estão licenciadas: 355 estações locais, 2 regionais e 6 nacionais.
No que diz respeito à radiodifusão digital, em Portugal, apenas a RDP emite em Digital Audio Broadcast (DAB) e os mesmos conteúdos da FM. Por cá, também existem estações que transmitem em Digital Radio Mondiale (DRM) - neste caso a emissão (desde Sines) é dirigida a outros países. No entanto, não é de uma emissora portuguesa, mas sim uma concessão à alemã Deutsche Welle (DW).
Estas são as emissoras que trabalham no éter português. Agora é só fazer uma comparação com o número de emissoras que existem em Espanha.

sexta-feira, 14 de julho de 2006

Experiências com sistema HD Rádio no Brasil

O sistema de radiodifusão digital HD Radio (ex-IBOC) já está há bastante tempo implementado nos Estados Unidos, local onde foi desenvolvido, mas esta tecnologia americana já está a ser exportada.
A Rádio Clube FM - uma emissora de S.Paulo, Brasil - deu inicio à transmissão em HD Radio em Fevereiro deste ano. Segundo aquela estação, a rápida evolução dos sistemas de radiodifusão digitais mostrava que era necessário «actualizar tecnologicamente a emissora Clube FM e adquirir a experiência necessária neste tipo de operação».
Na escolha do sistema HD Radio pesou o facto de este permitir a transmissão simultânea de sinais analógicos e digitais. O ouvinte recebe os dois sinais da emissora na mesma frequência, mas um não interfere no outro.
Os responsáveis técnicos da Rádio Clube FM afirmam que o HD Rádio é fundamental para a transição entre as tecnologias analógica e digital, pois uma das vantagens que este sistema permite é a de possibilitar a recepção analócia (neste caso em FM) em simultâneo com o digital, e isto favorece as classes sociais mais baixas, que têm dificuldades em adquirir um aparelho receptor digital, considerando o seu custo.
Devido à ainda fraca procura (e, certamente, oferta) de receptores digitais no Brasil, a Rádio Clube FM importou 25 receptores HD Radio para automóveis da Panasonic, que distribuiu pelo seu pessoal, para análise da qualidade da recepção, e espera vir a adquirir outros trinta.

quinta-feira, 13 de julho de 2006

O “Clube de Jornalistas” na 2:

Não consegui assistir à maior parte do “Clube de Jornalistas” que passou na 2:, pelo que só vi a parte final, por muita pena minha.
Moderado por João Paulo Meneses, o programa tratou do jornalismo nas rádios locais e teve como convidados Luís Bonixe, professor Universitário; António Figueiredo, director da Rádio No Ar, de Viseu; e o jornalista Nuno Castilho Matos, que trabalhou na Rádio Voz de Alenquer e está agora na TSF-Rádio Notícias. O presidente da Associação Portuguesa de Radiodifusão (APR), José Faustino, previamente gravado, teve intervenções ao longo do programa.
Segundo o sítio “Clube de Jornalistas”, «existem, de acordo com dados oficiais, 355 rádios locais em Portugal, responsáveis por cerca de 15 por cento da audiência em todo o país.
São as rádios locais que descobrem talentos em cada vila ou cidade onde as rádios nacionais não têm estúdios, são as rádios locais que fazem os relatos desportivos dos clubes mais pequenos, são as rádios locais as primeiras a chegar quando há um acidente, um incêndio ou o quando o autarca local faz umas declarações mais polémicas.
E, contudo, as rádios locais são uma espécie de parente pobre da comunicação social portuguesa: escasseiam os projectos profissionais, contorna-se muitas vezes a lei que obriga a emissão própria, a publicidade escasseia, o jornalismo sai muito caro - dizem
».
Do que consegui ver (ouvir), António Figueiredo é favorável à retransmissão de noticiários das rádios “nacionais”. Luís Bonixe e Nuno Castilho Matos não vêm vantagens nisso.
Há claros benefícios para uma rádio local retransmitir os noticiários das rádios "nacionais". Para já, porque é economicamente inviável para uma rádio local ter jornalistas ao seu serviço em Lisboa para dar conta dos acontecimentos políticos, ou outros, que interessam a toda a população portuguesa. É preferível ter mais jornalistas na redacção para acompanhar acontecimentos locais e transmitir pelo menos três noticiários (obrigatórios) de cariz local. Outra vantagem é a fidelização do auditório à frequência. O ouvinte não necessita de mudar de estação para ouvir notícias de âmbito nacional. Também não concordo com o Nuno Castilho Matos ao afirmar que as notícias de extensão nacional podiam (eram, na rádio onde trabalhou anteriormente) ser tratadas através dos “takes” da Lusa. Porque o que dá credibilidade às notícias radiofónicas é o som (vulgo R.M.) de alguém visado na peça a confirmar ou a desmentir o teor da notícia.
Outro ponto, tem a ver com o novo estatuto do jornalista, que prevê que todos os futuros jornalistas tenham uma licenciatura. O painel de convidados do “Clube de Jornalistas” foi unânime ao apoiar esta medida. José Faustino discordou.
Levo já mais de duas décadas de rádio, pelo que conheci muitos jornalistas. Nem todos os licenciados são bons, nem todos os outros são maus. Parece-me que esta medida é uma forma de arranjar emprego às centenas de licenciados em comunicação social que todos os anos saem das instituições de ensino superior. Neste campo, também houve concordância no programa quanto à deficiente formação académica dos licenciados candidatos a jornalistas. Assim sendo, ou se muda os planos curriculares dos cursos superiores de jornalismo, para que os alunos terminem os cursos com mais valias para os órgãos de comunicação social, ou então nem vale a pena mexer nesta parte do estatuto do jornalista.

quarta-feira, 12 de julho de 2006

domingo, 2 de julho de 2006

Uma pausa no blogue

Durante esta semana, o Ouvidor vai estar um pouco parado. Projectos académicos (inadiáveis) requerem a presença do blogueiro a 100%.
Volto para a semana, mais livre, para me ocupar rádio que se vai fazendo por cá e não só.

quinta-feira, 29 de junho de 2006

Curso de Animação para Informação

O Radiolab, da Universidade Autónoma de Lisboa, vai realizar um curso de Animação para Informação. O curso terá início a 5 de Julho e terminará a 10 de Julho e será ministrado em horário diurno (tarde) ou pós-laboral.
O curso decorrerá nas instalações do Radiolab da Universidade Autónoma de Lisboa. A parte de animação será dada por Ana Bravo (TSF) e a de jornalismo por Francisco Sena Santos (UAL). Para além das sessões de formação, os alunos serão monitorizados no seu trabalho de animação e de redacção. Para tal o curso simulará emissões de rádio com uma redacção a editar. O curso tem a duração (mínima) de 20 horas.
Três das oito vagas serão preenchidas pelos melhores alunos da disciplina de Atelier Rádio (jornalismo/newsroom) da licenciatura de Comunicação (a título de prémio), pelo que há apenas 5 vagas disponíveis.
Mais informações no sítio do Radiolab.

Ainda o caso da Rádio Festival

terça-feira, 27 de junho de 2006

Agregador de coleccionadores

Existem vários coleccionadores de receptores radiofónicos em Portugal, com espólios magníficos, mas que são totalmente desconhecidos. Ainda recentemente, António Manuel Rodrigues deu uma entrevista à National Geographic, onde mostrou como foi reunindo rádio-receptores ao longo dos tempos, apresentando uma das maiores colecções de receptores que existem no nosso país. Outra grande colecção, por exemplo, é a de Sansão Vaz.
Para divulgar estas colecções, o sítio A Minha Rádio decidiu criar um Agregador de coleccionadores, que vai tentar reunir numa base de dados informações sobre os coleccionadores portugueses e as suas coleccções.

quinta-feira, 22 de junho de 2006

Três anos de “A Rádio em Portugal”

Foi há três anos que iniciei esta “aventura”. Depois de uma primeira experiência, o arranque definitivo deu-se a 22 de Junho de 2003.
Durante estes três anos fiz novas amizades e aprendi muito. Provavelmente, isso não teria acontecido se não tivesse o blogue.
A todos os que me visitaram, e visitam, o meu muito obrigado.

terça-feira, 20 de junho de 2006

O mundial de futebol e o serviço público de rádio

A RDP tem, através da Antena 1, transmitido relatos dos jogos do Brasil e Angola, além dos de Portugal. João Paulo Meneses é contra tal prática, assim como eu, mas alguns dos seus leitores discordam desta posição.
As rádios de serviço público angolanas e brasileiras transmitem os jogos das respectivas selecções, não transmitem os jogos de Portugal e posso garantir que são mais os portugueses no Brasil que brasileiros em Portugal. E se os relatos dos jogos do Brasil se fazem «(...)numa lógica de serviço público para a comunidade imigrante brasileira(...)», porque é que não se faz os relatos dos jogos da Ucrânia, já que a comunidade ucraniana, em Portugal, que me parece ser mais numerosa que a brasileira?
Aconselho a leitura do texto «A rádio que liga... o Brasil»?, de João Paulo Meneses, no Blogouve-se, e os respectivos comentários. O texto é de 15 de Junho, mas ontem teve uma actualização.
Já agora, duvido que as emissoras de serviço público de países onde existem grandes comunidades de emigrantes portugueses transmitam os relatos de Portugal. Fazem o que lhes compete: referem o mais importante do torneio, com predominância para as selecções dos respectivos países.

segunda-feira, 19 de junho de 2006

Sobre o almoço de sábado

Foi mais um almoço fantástico. Reencontrei gente que já não via desde o ano passado e fiz novas amizades. Acompanhamos o jogo Portugal - Irão e festejamos os golos. Também a poesia esteve presente, pois o Jorge Castro leu alguns poemas do seu livro “Contra a Corrente”. António Aleixo e Fernando Pessoa também não faltaram - a cultura também se serve à mesa.
O tempo passou a correr, entrei no restaurante por volta das 13 horas e saí dele depois das 20 horas. Ao Orlando, o organizador destes encontros, o meu obrigado por proporcionar mais um convívio fantástico com gente fantástica.

sábado, 17 de junho de 2006

Hoje é um dia cheio

É daqui a pouco o almoço de Bloggers em Vila Nova de Gaia e às 16h, na Fundação Musical dos Amigos das Crianças, na Rua D. Manuel II, 226, Porto, é inaugurada a exposição «Um Olhar sobre Suggia», dedicada à extraordinária violoncelista portuense Guilhermina Suggia.

quinta-feira, 15 de junho de 2006

Falar na Rádio

Uma das funções da rádio é formar. Mas é certo e sabido que muitos jornalistas e animadores não dão o devido valor a esta função - ou porque não querem, ou porque não sabem. Falar correctamente na rádio é uma maneira de formar, pois o ouvinte repete o que é dito, podendo mesmo corrigir o português que usa no dia-a-dia. Mas o contrário também é verdade.
A linguagem radiofónica deve de ser simples e a dicção deve ser correcta, para que a mensagem possa ser entendida pelo maior número possível de ouvintes. Termos eruditos ou demasiado técnicos não são desejáveis, pois ao serem utilizadas palavras menos comuns, estas tornam-se ruído para quem não as descodifica de imediato. João Paulo Meneses, no livro Tudo o que se passa na TSF ...Para um “livro de estilo”, cita C. Terrien*: «Não estás cá para fazeres carreira de escritor. Na imprensa escrita podemos sempre reler-nos, completar-nos. Não quando nos encontramos diante de um microfone. O mesmo acontece com o ouvinte: é preciso que ele compreenda, que capte imediatamente, senão deixa de ouvir».
Já ouvi (e li, o que é pior) erros como “interviu” (interveio); “madrasto” (ou é padrasto ou é madrasta); “ouvisto” (ou é vi, ou é ouvi); e, já agora, “Hades” (palavra que muito confundem com “hás-de”) é, na mitologia grega, o deus do mundo inferior, soberano dos mortos. Por estas e por outras, quem escreve e fala nos media e não tem o cuidado necessário com o português é, agora, candidato a figurar numa lista de prevaricadores que Lauro Portugal vai apresentar no sítio do Clube dos Jornalistas.

* Lavoinne, Yves. A Rádio. Editora Vega, Lisboa, pag.67.

terça-feira, 13 de junho de 2006

E-learning *

Aqui está um sítio bastante interessante: Our Media. Aqui são disponibilizadas informações sobre o Podcasting, edição áudio, vídeo, etc. e como os meios de comunicação social cada vez mais virados para o multimédia, cruzando características tradicionais de outros meios com as suas, este sítio parece-me bastante útil.
Se por acaso sabe mais do que o que lá está, então partilhe os seus conhecimentos com os outros. No Our Media há a possibilidade de se ser colaborador. Lembem-se que o conhecimento de nada vale se não for partilhado com outros.

* Via Ponto Media

sexta-feira, 9 de junho de 2006

Ipsis litteris (III)

Li no sítio do Clube de Jornalistas, mas o texto completo está na página do Sindicato dos Jornalistas: «A insegurança no emprego e os baixos salário têm um efeito negativo na qualidade do jornalismo e podem pôr em causa o papel dos média como "cães de guarda" da sociedade(...)».

terça-feira, 6 de junho de 2006

Pelo éter do Grande Porto

O Porto vive à míngua, no que toca a estações locais de radiodifusão. Das seis que deveriam existir, só se escutam duas: Rádio Nova e Rádio Festival, e estas têm os destinos nas mãos do grupo Luso-Canal, que tem sede em Lisboa. E à volta do Porto só restam quatro emissoras locais (Rádio Clube de Matosinhos, Lidador, Gaia FM e Nova Era), mas deveriam existir dez. Elas até existem, só que são retransmissores de estações de Lisboa.
A emissora Gaia FM alterou a frequência para 95.50 MHz. Nada de mais se esta não fosse uma estação de Vila Nova de Gaia e os 95.50 MHz não fossem do Porto. Ou seja, a frequência - que pertencia à extinta Rádio Placard e que, por acaso, também era do mesmo proprietário da Gaia FM - passou para Vila Nova de Gaia.
A questão é esta: Se um dia voltar a haver um concurso para atribuição de alvarás de radiodifusão sonora, será que vai existir uma frequência para substituir os 95.50 MHz no Porto? Duvido muito.

segunda-feira, 5 de junho de 2006

Encontro de podcasters

Está agendado para amanhã, pelas 17h00, na Fnac de Santa Catarina (Porto) uma conferência sobre podcasts. Estarão presentes Edgard Costa (GavezDois), João Paulo Meneses (TSF - Rádio.com), Pedro Fonseca (Piloto Automático) e José António Moreira (Sons da Escrita).

sexta-feira, 2 de junho de 2006

Ipsis litteris (II)

«O mundo contemporâneo está surdo. Deslocámos o eixo da percepção do ambiente que nos rodeia do ouvido para a visão. Deixámos de ouvir o mundo à nossa volta e passámos a vê-lo. Vêmo-lo à distância. Se nos debruçarmos, porém, um pouco mais atentamente sobre esta questão detectamos uma interessante contradição: embora grande parte do contacto que estabelecemos com a realidade que nos é exterior seja hoje feito através da visão, a palavra, falada, sonora, continua a ser o meio privilegiado que possibilita a nossa comunicação uns com os outros. Na grande maioria dos casos não confiamos no uso do som como instrumento de prospecção do mundo à nossa volta, mas continuamos a privilegiar o som da palavra para a nossa comunicação».

quarta-feira, 31 de maio de 2006

Seminários APR

Está agendado para amanhã mais um Seminário da Associação Portuguesa de Radiodifusão (APR), desta vez subordinado ao tema "A Rádio de Proximidade e o Desenvolvimento Regional".
O encontro irá decorrer nas instalações da Universidade Autónoma de Lisboa (UAL) e terá como oradores convidados Feliciano Barreiras Duarte, Ex-Secretário de Estado e actual Deputado do PSD, e Pedro Braumann, Professor na Escola Superior de Comunicação Social de Lisboa e Director da Rádio e Televisão de Portugal, SGPS, SA.
Este Seminário destina-se a todos os operadores, profissionais e interessados no sector e irá decorrer em Lisboa, no Auditório do Departamento de Ciências da Comunicação da UAL, encontrando-se o seu início agendado para as 15h00.

A ler no blogue Rádio Crítica (II)

Depois da comparação da Rádio Comercial da década de 1980 com a Comercial do século XXI, Francisco Mateus faz uma retrospectiva da RDP-Antena 1, RFM e RR.
Nestes textos são recordados vários programas, que ainda pairam, com saudade, na memória de muitos (pelo menos na minha).

terça-feira, 30 de maio de 2006

Uma sugestão de leitura

Infelizmente, passou-me completamente ao lado o lançamento do Livro “Mais estórias da música”, da autoria de Luís Filipe Barros (fica aqui o mea culpa). O evento ocorreu no passado dia 21 de Abril, no Skones, em Lisboa, tendo sido a obra apresentada por Jaime Lopes. O prefácio é da autoria de Francisco José Viegas: «(...)As histórias que Luís Filipe Barros conta sobre o seu e nosso mundo do rock (e do pop, que continua a ser sexualmente frígido, mas a nossa idade também vai desculpando as coisas), dão conta desse mundo misto, complexo, heterodoxo, cruel, burlesco (já imaginaram David Bowie e Mick Jagger em amplexos amorosos?), tonto, frívolo, heróico e corajoso. Na verdade, a gente olha para a sua discografia ao fim destes anos de Rock em Stock e, nessa matéria, pode bem murmurar: Luís Filipe Barros é meu pastor, com ele nada me faltará». Amén, digo eu!
Luís Filipe Barros pode ser escutado na Antena 1, de sexta para sábado, à meia-noite, ou em repetição às 17 horas, no programa “Ondas Luisianas”.
As feiras do livro de Lisboa e Porto estão aí, portanto fica aqui a sugestão.

Uma exposição interessante

Em Alfandega da Fé, no Centro Cultural Mestre José Rodrigues, pode-se visitar a exposição "Sons para ver, ouvir e sentir", onde é mostrada uma colecção de aparelhos antigos de gravação/reprodução áudio que abrangem o período 1880 - 1930.
A exposição inclui cilindros metálicos e de madeira, peças pneumáticas com rolos de papel ou banda perfurada, fonógrafos, grafonolas, caixas de música, etc. que pertencem à colecção particular de Luís Cangueiro. Na totalidade, a colecção é composta por mais de 500 peças, reunidas ao longo dos anos, mas só estão expostas 50.
A exposição está encerrada às segundas-feiras, mas pode ser visitada até 16 de Julho.