«aquela magia da música que vem do éter, é um hábito que se está extinguir (…) a rádio enquanto escuta caseira é um hábito que faliu e que nos fugiu, e não há maneira de voltar». António Sérgio in "Suplemento DN" de 08 de Julho de 2005

terça-feira, 13 de junho de 2006

E-learning *

Aqui está um sítio bastante interessante: Our Media. Aqui são disponibilizadas informações sobre o Podcasting, edição áudio, vídeo, etc. e como os meios de comunicação social cada vez mais virados para o multimédia, cruzando características tradicionais de outros meios com as suas, este sítio parece-me bastante útil.
Se por acaso sabe mais do que o que lá está, então partilhe os seus conhecimentos com os outros. No Our Media há a possibilidade de se ser colaborador. Lembem-se que o conhecimento de nada vale se não for partilhado com outros.

* Via Ponto Media

sexta-feira, 9 de junho de 2006

Ipsis litteris (III)

Li no sítio do Clube de Jornalistas, mas o texto completo está na página do Sindicato dos Jornalistas: «A insegurança no emprego e os baixos salário têm um efeito negativo na qualidade do jornalismo e podem pôr em causa o papel dos média como "cães de guarda" da sociedade(...)».

terça-feira, 6 de junho de 2006

Pelo éter do Grande Porto

O Porto vive à míngua, no que toca a estações locais de radiodifusão. Das seis que deveriam existir, só se escutam duas: Rádio Nova e Rádio Festival, e estas têm os destinos nas mãos do grupo Luso-Canal, que tem sede em Lisboa. E à volta do Porto só restam quatro emissoras locais (Rádio Clube de Matosinhos, Lidador, Gaia FM e Nova Era), mas deveriam existir dez. Elas até existem, só que são retransmissores de estações de Lisboa.
A emissora Gaia FM alterou a frequência para 95.50 MHz. Nada de mais se esta não fosse uma estação de Vila Nova de Gaia e os 95.50 MHz não fossem do Porto. Ou seja, a frequência - que pertencia à extinta Rádio Placard e que, por acaso, também era do mesmo proprietário da Gaia FM - passou para Vila Nova de Gaia.
A questão é esta: Se um dia voltar a haver um concurso para atribuição de alvarás de radiodifusão sonora, será que vai existir uma frequência para substituir os 95.50 MHz no Porto? Duvido muito.

segunda-feira, 5 de junho de 2006

Encontro de podcasters

Está agendado para amanhã, pelas 17h00, na Fnac de Santa Catarina (Porto) uma conferência sobre podcasts. Estarão presentes Edgard Costa (GavezDois), João Paulo Meneses (TSF - Rádio.com), Pedro Fonseca (Piloto Automático) e José António Moreira (Sons da Escrita).

sexta-feira, 2 de junho de 2006

Ipsis litteris (II)

«O mundo contemporâneo está surdo. Deslocámos o eixo da percepção do ambiente que nos rodeia do ouvido para a visão. Deixámos de ouvir o mundo à nossa volta e passámos a vê-lo. Vêmo-lo à distância. Se nos debruçarmos, porém, um pouco mais atentamente sobre esta questão detectamos uma interessante contradição: embora grande parte do contacto que estabelecemos com a realidade que nos é exterior seja hoje feito através da visão, a palavra, falada, sonora, continua a ser o meio privilegiado que possibilita a nossa comunicação uns com os outros. Na grande maioria dos casos não confiamos no uso do som como instrumento de prospecção do mundo à nossa volta, mas continuamos a privilegiar o som da palavra para a nossa comunicação».

quarta-feira, 31 de maio de 2006

Seminários APR

Está agendado para amanhã mais um Seminário da Associação Portuguesa de Radiodifusão (APR), desta vez subordinado ao tema "A Rádio de Proximidade e o Desenvolvimento Regional".
O encontro irá decorrer nas instalações da Universidade Autónoma de Lisboa (UAL) e terá como oradores convidados Feliciano Barreiras Duarte, Ex-Secretário de Estado e actual Deputado do PSD, e Pedro Braumann, Professor na Escola Superior de Comunicação Social de Lisboa e Director da Rádio e Televisão de Portugal, SGPS, SA.
Este Seminário destina-se a todos os operadores, profissionais e interessados no sector e irá decorrer em Lisboa, no Auditório do Departamento de Ciências da Comunicação da UAL, encontrando-se o seu início agendado para as 15h00.

A ler no blogue Rádio Crítica (II)

Depois da comparação da Rádio Comercial da década de 1980 com a Comercial do século XXI, Francisco Mateus faz uma retrospectiva da RDP-Antena 1, RFM e RR.
Nestes textos são recordados vários programas, que ainda pairam, com saudade, na memória de muitos (pelo menos na minha).

terça-feira, 30 de maio de 2006

Uma sugestão de leitura

Infelizmente, passou-me completamente ao lado o lançamento do Livro “Mais estórias da música”, da autoria de Luís Filipe Barros (fica aqui o mea culpa). O evento ocorreu no passado dia 21 de Abril, no Skones, em Lisboa, tendo sido a obra apresentada por Jaime Lopes. O prefácio é da autoria de Francisco José Viegas: «(...)As histórias que Luís Filipe Barros conta sobre o seu e nosso mundo do rock (e do pop, que continua a ser sexualmente frígido, mas a nossa idade também vai desculpando as coisas), dão conta desse mundo misto, complexo, heterodoxo, cruel, burlesco (já imaginaram David Bowie e Mick Jagger em amplexos amorosos?), tonto, frívolo, heróico e corajoso. Na verdade, a gente olha para a sua discografia ao fim destes anos de Rock em Stock e, nessa matéria, pode bem murmurar: Luís Filipe Barros é meu pastor, com ele nada me faltará». Amén, digo eu!
Luís Filipe Barros pode ser escutado na Antena 1, de sexta para sábado, à meia-noite, ou em repetição às 17 horas, no programa “Ondas Luisianas”.
As feiras do livro de Lisboa e Porto estão aí, portanto fica aqui a sugestão.

Uma exposição interessante

Em Alfandega da Fé, no Centro Cultural Mestre José Rodrigues, pode-se visitar a exposição "Sons para ver, ouvir e sentir", onde é mostrada uma colecção de aparelhos antigos de gravação/reprodução áudio que abrangem o período 1880 - 1930.
A exposição inclui cilindros metálicos e de madeira, peças pneumáticas com rolos de papel ou banda perfurada, fonógrafos, grafonolas, caixas de música, etc. que pertencem à colecção particular de Luís Cangueiro. Na totalidade, a colecção é composta por mais de 500 peças, reunidas ao longo dos anos, mas só estão expostas 50.
A exposição está encerrada às segundas-feiras, mas pode ser visitada até 16 de Julho.

segunda-feira, 29 de maio de 2006

A lei da rádio vista por cantores

Fui alertado por um comentário no texto anterior, que o blogue Canal Maldito tem depoimentos de cantores que se pronunciam sobre a nova Lei da Rádio.
Sou contra qualquer tipo de quotas. O ideal era que as emissoras passassem música portuguesa sem ser por decreto, mas, para isso, a música portuguesa tem de se impôr pela qualidade (eu sei que é subjectivo). Pelo menos a denominada “comercial”, pois existe muita música portuguesa alternativa de excelente qualidade – melhor mesmo que a estrangeira - e que não passa na rádio, além de ser desconhecida do grande público (uma espiral viciosa?).

sexta-feira, 26 de maio de 2006

A Rádio Portugal (II)

João Paulo Meneses analisa a Rádio Portugal no Blogouve-se e acha-a «um paradoxo e um anacronismo», devido ao formato da emissora. Carlos Marques, da Rádio Portugal, rebateu esta tese nos comentários.
Vale a pena ler.

quarta-feira, 24 de maio de 2006

Radionovelas de regresso

O Rádio Clube vai transmitir a radionovela “O penúltimo dia", que tem dez episódios, sendo estes transmitidos amanhã, de hora a hora, entre as 09h00 e as 18h00.
É o regresso de um género radiofónico que já foi muito popular entre os portugueses. Recentemente foi lançado o livro “Teatro Invisível” que conta a história deste género radiofónico em Portugal.

terça-feira, 23 de maio de 2006

Rádio Festival discutida em tribunal

Chega hoje a tribunal um caso curioso, que envolve a Rádio Festival - uma rádio local da cidade do Porto.
Segundo o jornal "Correio da Manhã", o ex-proprietário da Rádio Festival e ainda director-geral da estação, José Neves, afirma que «o contrato da venda não está a ser cumprido. Não quer dinheiro, pretende apenas que a rádio volte à sua linha».
O caso é simples: José Neves vendeu a Rádio Festival a Luís Montez, no final de 2002, mas, para que a venda se concretizasse, José Neves queria manter-se como director-geral da emissora, a linha editorial e a programação teriam de se manter por quatro anos. Ou seja, até ao final deste ano, coisa que não aconteceu. O despedimento de sete funcionários e a venda de duas viaturas também estaria vedada até 2006, mas mesmo assim foi concretizada por Luís Montez.
José Neves também se queixa de interferências de Manuel Teixeira, chefe de gabinete do presidente da Câmara Municipal do Porto e ex-administrador da TSF-Rádio Notícias, na gestão da Rádio Festival.

sábado, 20 de maio de 2006

Um blogue para acompanhar

Recomendo uma visita ao blogue galego “**Lauramassmedia** LA RADIO”. Fotografias sobre a rádio de outros tempos, ligações interessantes e textos como a lista de todas as emissoras espanholas, são apenas alguns exemplos do que se pode ver.
A realidade radiofónica espanhola é bastante diferente da nossa, mas enfrenta desafios idênticos aos nossos. A forma de encarar os problemas é que difere.
A ligação para este blogue já está na coluna do lado.

sexta-feira, 19 de maio de 2006

A Rádio Portugal

A Media Capital Rádios (MCR) estreou a Rádio Portugal - uma emissora que vai acompanhar o campeonato europeu de futebol de sub 21, que irá decorrer em Portugal, e o campeonato do mundo de futebol que terá lugar na Alemanha. A grelha de programas conterá informação sobre os eventos e transmitirá em directo os relatos dos jogos das selecções portuguesas.
A Rádio Portugal pode ser escutada em Amplitude Modulada (Onda Média) em 738 kHz (Norte) ou em 1035 kHz (Centro e Sul) - as frequências até aqui ocupadas pelo Rádio Clube - através da Internet ou no serviço digital da TV Cabo.
Findos os eventos, a Rádio Portugal será encerrada.

quinta-feira, 18 de maio de 2006

Um passo na direcção certa

A RDP finalmente apresenta uma página multimédia, onde é possível escutar em directo as suas estações, ouvir programas passados ou, então, fazer a subscrição dos seus podcasts.
Um passo está dado, mas ainda falta disponibilizar o riquíssimo arquivo áudio das emissoras de outros tempos e da qual a RDP é fiel depositária.

segunda-feira, 15 de maio de 2006

«Bola Branca» distinguido pelo CNID

O programa «Bola Branca», da Rádio Renascença, vai receber o prémio anual para a Rádio atribuído pela Associação dos Jornalistas de Desporto (CNID).
O galardão é entregue durante uma gala no Casino de Lisboa, no Parque das Nações, sendo a cerimónia transmitida pela SIC.

domingo, 14 de maio de 2006

Passatempo Logótipo RUC

A Rádio Universidade de Coimbra (RUC), em parceria com a Fnac Fórum Coimbra, lança um desafio que vale um iPod de 1 GB e uma máquina fotográfica digital Olympus FE 130 (com oferta de caixa estanque). E para se habilitar a isto basta projectar um novo logótipo para a RUC.
O regulamento do concurso pode ser consultado aqui.

sábado, 13 de maio de 2006

TSF considerada a melhor rádio do ano

A TSF - Rádio Notícias venceu o prémio de estação do ano, nos prémios Meios & Publicidade. Não vou dissertar aqui se foi merecido ou não, porque ninguém deve ser juiz em causa própria, mas se chegar ao topo pode ser fácil, manter-se lá é que é trabalhoso.
O jornal "Público" traz a lista completa dos vencedores.

quinta-feira, 11 de maio de 2006

Para celebrar os 100 anos da radiodifusão

A radiodifusão faz, em 24 de Dezembro, 100 anos e, para celebrar a data, a revista Radio está a preparar uma edição especial em que os leitores são chamados a colaborar, elegendo as 100 inovações tecnológicas que mais contribuíram, ou influenciaram, o desenvolvimento da radiodifusão.
A rádio dependeu - e depende - da tecnologia e da sua inovação, que é constante neste campo. A válvula termiónica, o transístor, o CD, o telemóvel, o computador… A lista poderá tornar-se imensa e terá, de certeza, muito mais que 100 equipamentos ou tecnologias importantes para a radiodifusão.
Quem quiser pode enviar as ideias (penso que terá de ser em inglês) para radio@prismb2b.com.

terça-feira, 9 de maio de 2006

Podcasts na RDP

Parece que, finalmente, a RDP vai disponibilizar podcasts. O “acontecimento” deverá de ter lugar dentro de três semanas a um mês. Já não era sem tempo.
Com o constante recrutamento de profissionais do meio e sem pressões financeiras, já que não depende da venda de espaços publicitários para sobreviver, fico com a ideia que a RDP joga num campeonato sozinha, mas que, ainda assim, termina sempre em segundo lugar.

segunda-feira, 8 de maio de 2006

Para além da música

Ontem, via-se muita gente a escutar na rádio o desenrolar das partidas de futebol. Hoje, o Diário de Notícias apresenta uma reportagem sobre os podcasts da TSF, onde se lê que as preferências dos cibernautas vão para o Pessoal e Transmissível, apresentado por Carlos Vaz Marques.
Afinal, os ouvintes sabem que há mais rádio para além da música.

A ler no blogue Rádio Crítica

O Francisco Mateus recorda-nos, no texto A «Doce Mania de Rádio», a história da Rádio Comercial e faz um paralelismo com a Rádio Comercial de hoje.

domingo, 7 de maio de 2006

A rádio ainda tem importância

Nesta última jornada de futebol, foram muitos os que estiveram de receptor “colado” à orelha. Bastava olhar para dirigentes de clubes e adeptos e não faltava quem escutasse rádio. Porquê? Porque este ainda é o meio mais rápido e eficaz para prestar informações em tempo real.
Este é apenas um exemplo de que a rádio ainda desempenha o seu papel. Pena é que algumas emissoras se esqueçam disso.

sexta-feira, 5 de maio de 2006

A história do teatro radiofónico em livro

Em Portugal, especialmente nas décadas de 1930 a 1960, o teatro radiofónico praticamente tinha o papel social que hoje é representado pelas telenovelas, já que os portugueses eram adeptos do género.
Com o advento da radiodifusão também nasceu o teatro radiofónico um género muito apreciado pelos ouvintes. Em Portugal, segundo o jornal “Diário de Notícias”, de 9 de Fevereiro de 1930*, a primeira estação a transmitir uma peça de teatro foi a CT1DE - Rádio Lusitânia, em Fevereiro de 1930. Hoje, já são raros (muito raros) os teatros radiofónicos.
Tudo isto a propósito do lançamento do livro O teatro invisível. História do teatro radiofónico, de Eduardo Street, que acontecerá na próxima segunda-feira, dia 8, pelas 18:30, na Sociedade Portuguesa de Autores, na Av. Gonçalves Crespo, 62 B, em Lisboa, cuja apresentação estará a cargo da actriz Carmen Dolores.**
Este é, sem dúvida, mais um contributo para que a história da rádio em Portugal seja mais conhecida.


terça-feira, 2 de maio de 2006

A rádio na imprensa

A imprensa deixou, praticamente, de tratar assuntos relacionados com a rádio. Só se a rádio for motivo de notícia é que os jornais arranjam um cantinho para umas linhas. De resto, toda a secção media é ocupada pela televisão.
Será este panorama um espelho da rádio que temos? A rádio não tem motivos que suscitem discussão na imprensa portuguesa?

sexta-feira, 28 de abril de 2006

Ipsis litteris

Nuno Galopim na revista "6ª", distribuída com o "Diário de Notícias", sobre o regresso do programa "A Hora do Lobo" à Rádio Comercial: «Numa estação minada por uma play list de arrojo zero, característica transversal a quase todo o FM generalista, A Hora do Lobo é lança no... éter. Uma aposta pessoal do recentemente nomeado director, que revela, acima de tudo, que a rádio soa mais a rádio quando é feita por quem passou pelos microfones e sabe do que fala.
Os encorajadores resultados recentes de estações com perfil musical diferente, como a Radar, a Oxigénio e a Marginal, e a queda geral do meio rádio, mostram que começa a haver quem esteja farto de ouvir mais do mesmo em todo o espectro FM. Deseja-se diferença e personalidade. Deseja-se música que nos fale, e não música que nos cale. Deseja-se uma rádio que nos faça querer ouvir o que tem para dizer e tocar, não a que serve de wallpaper e acaba inconsequente e mera paisagem de fundo.
(...) A rádio do futuro é a que souber convidar a escutar. A que nos promover e der mais que um ruído de fundo. Esse, de resto, já nos acompanha todos os dias...»

quinta-feira, 27 de abril de 2006

Encontro Nacional da ARIC

Nos dias 29 e 30 de Abril vai ter lugar, em Vila Nova de Santo André, Santiago do Cacém, mais um encontro nacional das emissoras associadas na ARIC – Associação de Rádios de Inspiração Cristã.
Este encontro será o primeiro fora das instalações da Associação, em Fátima, e surge por ocasião das comemorações do décimo quinto aniversário da ARIC.
Do programa de trabalhos do encontro estão previstas várias intervenções e é de destacar a inauguração de uma exposição de material de rádio de outros tempos.
Este ano em paralelo com o 15.º aniversário da ARIC, será assinalado o 20.º aniversário da

terça-feira, 25 de abril de 2006

A rádio e o 25 de Abril de 1974

Houve um tempo em que as emissoras radiofónicas portuguesas eram poucas. Havia muita escuta de rádio em Amplitude Modulada, já que poucas estações emitiam em Frequência Modulada. Escutava-se, principalmente, em Onda Média. Alguns escutavam emissoras estrangeiras em Onda Curta, mas com cuidado... As mensagens que o éter trazia podiam ser consideradas subversivas para a “liberdade" que os portugueses usufruíam na altura. Afinal havia um estado que cuidava do bem-estar dos portugueses. Dizia-nos «que filmes ou peças teatrais podia ver, ou não, que revistas e jornais podia ler, ou não, que países podia visitar, ou não».
Ouvir rádio podia ser crime. Principalmente se fosse alguma emissora da Europa de Leste, ou a Rádio Liberdade, que emitia desde a Argélia. A rádio vingou-se na madrugada do dia 25 de Abril de 1974, com a revolução dos cravos.
A colaboração entre revoltosos e a rádio começa muito antes do dia 25 de Abril de 1974. Os contactos são feitos entre militares e jornalistas de várias emissoras, preparando-se tudo para que a revolução resultasse. 5 minutos antes das 23h, do dia 24 de Abril de 1974, na rádio Alfabeta dos Emissores Associados de Lisboa, o locutor de serviço - João Paulo Dinis - "lançou" a música "E depois do adeus" de Paulo de Carvalho. Era o sinal para as tropas avançarem.
Na Rádio Renascença a gravação do alinhamento, que viria a ser o sinal para o desencadear das operações, foi feita na tarde do dia 24 de Abril, por Leite de Vasconcelos, para ser emitida no Programa «Limite», que era realizado em directo, mas algumas partes eram previamente gravadas. Era numa dessas gravações que estava a «senha» - a primeira quadra da música «Grândola, Vila Morena», de Zeca Afonso. Passavam vinte minutos da meia-noite, quando a gravação foi difundida:

Grândola vila morena
terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti ó cidade


Esta segunda senha confirmou a primeira. A partir daqui todo o movimento era irreversível. O Rádio Clube Português é transformado no posto de comando do «Movimento das Forças Armadas», por este motivo a emissora fica conhecida como a "Emissora da Liberdade".
Aos Microfones do Rádio Clube Português, Joaquim Furtado lê o primeiro comunicado às 04h26:

«Aqui posto de comando do Movimento das Forças Armadas.
As Forças Armadas portuguesas apelam para todos os habitantes da cidade de Lisboa no sentido de recolherem a suas casas, nas quais se devem conservar com a máxima calma.
Esperando sinceramente que a gravidade da hora que vivemos não seja tristemente assinalada por qualquer acidente pessoal, para o que apelamos ao bom senso do comando das forças militares no sentido de serem evitados quaisquer confrontos com as Forças Armadas. Tal confronto, além de desnecessário, só poderá conduzir a sérios prejuízos individuais, que enlutariam e criariam divisões entre portugueses, o que há que evitar a todo o custo.
Não obstante a expressa preocupação de não fazer correr a mínima gota de sangue de qualquer português, apelamos para o espírito cívico e profissional da classe médica, esperando a sua ocorrência aos hospitais, a fim de prestar a sua eventual colaboração, o que se deseja sinceramente desnecessária.
»

Mais arquivos áudio sobre o 25 de Abril de 1974 podem ser escutados no sítio Clássicos da Rádio.
Bibliografia sobre a rádio e o 25 de Abril:
- Maia, Matos: Aqui Emissora da Liberdade. 1.ª edição: Rádio Clube Português, 1975 (esgotada). 2.ª edição: Editorial Caminho,Lisboa, 1999.
- Caldas, A. Pereira: Para a história da Rádio Renascença (1974-1975) Um barómetro da revolução. Radio Renascença / Grifo – Editores e Livreiros, Ldª. Lisboa, 1999.
- Ribeiro, Nelson: A Rádio Renascença e o 25 de Abril. Universidade Católica Editora. Lisboa, 2002.