«aquela magia da música que vem do éter, é um hábito que se está extinguir (…) a rádio enquanto escuta caseira é um hábito que faliu e que nos fugiu, e não há maneira de voltar». António Sérgio in "Suplemento DN" de 08 de Julho de 2005

quarta-feira, 31 de maio de 2006

A ler no blogue Rádio Crítica (II)

Depois da comparação da Rádio Comercial da década de 1980 com a Comercial do século XXI, Francisco Mateus faz uma retrospectiva da RDP-Antena 1, RFM e RR.
Nestes textos são recordados vários programas, que ainda pairam, com saudade, na memória de muitos (pelo menos na minha).

terça-feira, 30 de maio de 2006

Uma sugestão de leitura

Infelizmente, passou-me completamente ao lado o lançamento do Livro “Mais estórias da música”, da autoria de Luís Filipe Barros (fica aqui o mea culpa). O evento ocorreu no passado dia 21 de Abril, no Skones, em Lisboa, tendo sido a obra apresentada por Jaime Lopes. O prefácio é da autoria de Francisco José Viegas: «(...)As histórias que Luís Filipe Barros conta sobre o seu e nosso mundo do rock (e do pop, que continua a ser sexualmente frígido, mas a nossa idade também vai desculpando as coisas), dão conta desse mundo misto, complexo, heterodoxo, cruel, burlesco (já imaginaram David Bowie e Mick Jagger em amplexos amorosos?), tonto, frívolo, heróico e corajoso. Na verdade, a gente olha para a sua discografia ao fim destes anos de Rock em Stock e, nessa matéria, pode bem murmurar: Luís Filipe Barros é meu pastor, com ele nada me faltará». Amén, digo eu!
Luís Filipe Barros pode ser escutado na Antena 1, de sexta para sábado, à meia-noite, ou em repetição às 17 horas, no programa “Ondas Luisianas”.
As feiras do livro de Lisboa e Porto estão aí, portanto fica aqui a sugestão.

Uma exposição interessante

Em Alfandega da Fé, no Centro Cultural Mestre José Rodrigues, pode-se visitar a exposição "Sons para ver, ouvir e sentir", onde é mostrada uma colecção de aparelhos antigos de gravação/reprodução áudio que abrangem o período 1880 - 1930.
A exposição inclui cilindros metálicos e de madeira, peças pneumáticas com rolos de papel ou banda perfurada, fonógrafos, grafonolas, caixas de música, etc. que pertencem à colecção particular de Luís Cangueiro. Na totalidade, a colecção é composta por mais de 500 peças, reunidas ao longo dos anos, mas só estão expostas 50.
A exposição está encerrada às segundas-feiras, mas pode ser visitada até 16 de Julho.

segunda-feira, 29 de maio de 2006

A lei da rádio vista por cantores

Fui alertado por um comentário no texto anterior, que o blogue Canal Maldito tem depoimentos de cantores que se pronunciam sobre a nova Lei da Rádio.
Sou contra qualquer tipo de quotas. O ideal era que as emissoras passassem música portuguesa sem ser por decreto, mas, para isso, a música portuguesa tem de se impôr pela qualidade (eu sei que é subjectivo). Pelo menos a denominada “comercial”, pois existe muita música portuguesa alternativa de excelente qualidade – melhor mesmo que a estrangeira - e que não passa na rádio, além de ser desconhecida do grande público (uma espiral viciosa?).

sexta-feira, 26 de maio de 2006

A Rádio Portugal (II)

João Paulo Meneses analisa a Rádio Portugal no Blogouve-se e acha-a «um paradoxo e um anacronismo», devido ao formato da emissora. Carlos Marques, da Rádio Portugal, rebateu esta tese nos comentários.
Vale a pena ler.

quarta-feira, 24 de maio de 2006

Radionovelas de regresso

O Rádio Clube vai transmitir a radionovela “O penúltimo dia", que tem dez episódios, sendo estes transmitidos amanhã, de hora a hora, entre as 09h00 e as 18h00.
É o regresso de um género radiofónico que já foi muito popular entre os portugueses. Recentemente foi lançado o livro “Teatro Invisível” que conta a história deste género radiofónico em Portugal.

terça-feira, 23 de maio de 2006

Rádio Festival discutida em tribunal

Chega hoje a tribunal um caso curioso, que envolve a Rádio Festival - uma rádio local da cidade do Porto.
Segundo o jornal "Correio da Manhã", o ex-proprietário da Rádio Festival e ainda director-geral da estação, José Neves, afirma que «o contrato da venda não está a ser cumprido. Não quer dinheiro, pretende apenas que a rádio volte à sua linha».
O caso é simples: José Neves vendeu a Rádio Festival a Luís Montez, no final de 2002, mas, para que a venda se concretizasse, José Neves queria manter-se como director-geral da emissora, a linha editorial e a programação teriam de se manter por quatro anos. Ou seja, até ao final deste ano, coisa que não aconteceu. O despedimento de sete funcionários e a venda de duas viaturas também estaria vedada até 2006, mas mesmo assim foi concretizada por Luís Montez.
José Neves também se queixa de interferências de Manuel Teixeira, chefe de gabinete do presidente da Câmara Municipal do Porto e ex-administrador da TSF-Rádio Notícias, na gestão da Rádio Festival.

sábado, 20 de maio de 2006

Um blogue para acompanhar

Recomendo uma visita ao blogue galego “**Lauramassmedia** LA RADIO”. Fotografias sobre a rádio de outros tempos, ligações interessantes e textos como a lista de todas as emissoras espanholas, são apenas alguns exemplos do que se pode ver.
A realidade radiofónica espanhola é bastante diferente da nossa, mas enfrenta desafios idênticos aos nossos. A forma de encarar os problemas é que difere.
A ligação para este blogue já está na coluna do lado.

sexta-feira, 19 de maio de 2006

A Rádio Portugal

A Media Capital Rádios (MCR) estreou a Rádio Portugal - uma emissora que vai acompanhar o campeonato europeu de futebol de sub 21, que irá decorrer em Portugal, e o campeonato do mundo de futebol que terá lugar na Alemanha. A grelha de programas conterá informação sobre os eventos e transmitirá em directo os relatos dos jogos das selecções portuguesas.
A Rádio Portugal pode ser escutada em Amplitude Modulada (Onda Média) em 738 kHz (Norte) ou em 1035 kHz (Centro e Sul) - as frequências até aqui ocupadas pelo Rádio Clube - através da Internet ou no serviço digital da TV Cabo.
Findos os eventos, a Rádio Portugal será encerrada.

quinta-feira, 18 de maio de 2006

Um passo na direcção certa

A RDP finalmente apresenta uma página multimédia, onde é possível escutar em directo as suas estações, ouvir programas passados ou, então, fazer a subscrição dos seus podcasts.
Um passo está dado, mas ainda falta disponibilizar o riquíssimo arquivo áudio das emissoras de outros tempos e da qual a RDP é fiel depositária.

segunda-feira, 15 de maio de 2006

«Bola Branca» distinguido pelo CNID

O programa «Bola Branca», da Rádio Renascença, vai receber o prémio anual para a Rádio atribuído pela Associação dos Jornalistas de Desporto (CNID).
O galardão é entregue durante uma gala no Casino de Lisboa, no Parque das Nações, sendo a cerimónia transmitida pela SIC.

domingo, 14 de maio de 2006

Passatempo Logótipo RUC

A Rádio Universidade de Coimbra (RUC), em parceria com a Fnac Fórum Coimbra, lança um desafio que vale um iPod de 1 GB e uma máquina fotográfica digital Olympus FE 130 (com oferta de caixa estanque). E para se habilitar a isto basta projectar um novo logótipo para a RUC.
O regulamento do concurso pode ser consultado aqui.

sábado, 13 de maio de 2006

TSF considerada a melhor rádio do ano

A TSF - Rádio Notícias venceu o prémio de estação do ano, nos prémios Meios & Publicidade. Não vou dissertar aqui se foi merecido ou não, porque ninguém deve ser juiz em causa própria, mas se chegar ao topo pode ser fácil, manter-se lá é que é trabalhoso.
O jornal "Público" traz a lista completa dos vencedores.

quinta-feira, 11 de maio de 2006

Para celebrar os 100 anos da radiodifusão

A radiodifusão faz, em 24 de Dezembro, 100 anos e, para celebrar a data, a revista Radio está a preparar uma edição especial em que os leitores são chamados a colaborar, elegendo as 100 inovações tecnológicas que mais contribuíram, ou influenciaram, o desenvolvimento da radiodifusão.
A rádio dependeu - e depende - da tecnologia e da sua inovação, que é constante neste campo. A válvula termiónica, o transístor, o CD, o telemóvel, o computador… A lista poderá tornar-se imensa e terá, de certeza, muito mais que 100 equipamentos ou tecnologias importantes para a radiodifusão.
Quem quiser pode enviar as ideias (penso que terá de ser em inglês) para radio@prismb2b.com.

terça-feira, 9 de maio de 2006

Podcasts na RDP

Parece que, finalmente, a RDP vai disponibilizar podcasts. O “acontecimento” deverá de ter lugar dentro de três semanas a um mês. Já não era sem tempo.
Com o constante recrutamento de profissionais do meio e sem pressões financeiras, já que não depende da venda de espaços publicitários para sobreviver, fico com a ideia que a RDP joga num campeonato sozinha, mas que, ainda assim, termina sempre em segundo lugar.

segunda-feira, 8 de maio de 2006

Para além da música

Ontem, via-se muita gente a escutar na rádio o desenrolar das partidas de futebol. Hoje, o Diário de Notícias apresenta uma reportagem sobre os podcasts da TSF, onde se lê que as preferências dos cibernautas vão para o Pessoal e Transmissível, apresentado por Carlos Vaz Marques.
Afinal, os ouvintes sabem que há mais rádio para além da música.

A ler no blogue Rádio Crítica

O Francisco Mateus recorda-nos, no texto A «Doce Mania de Rádio», a história da Rádio Comercial e faz um paralelismo com a Rádio Comercial de hoje.

domingo, 7 de maio de 2006

A rádio ainda tem importância

Nesta última jornada de futebol, foram muitos os que estiveram de receptor “colado” à orelha. Bastava olhar para dirigentes de clubes e adeptos e não faltava quem escutasse rádio. Porquê? Porque este ainda é o meio mais rápido e eficaz para prestar informações em tempo real.
Este é apenas um exemplo de que a rádio ainda desempenha o seu papel. Pena é que algumas emissoras se esqueçam disso.

sexta-feira, 5 de maio de 2006

A história do teatro radiofónico em livro

Em Portugal, especialmente nas décadas de 1930 a 1960, o teatro radiofónico praticamente tinha o papel social que hoje é representado pelas telenovelas, já que os portugueses eram adeptos do género.
Com o advento da radiodifusão também nasceu o teatro radiofónico um género muito apreciado pelos ouvintes. Em Portugal, segundo o jornal “Diário de Notícias”, de 9 de Fevereiro de 1930*, a primeira estação a transmitir uma peça de teatro foi a CT1DE - Rádio Lusitânia, em Fevereiro de 1930. Hoje, já são raros (muito raros) os teatros radiofónicos.
Tudo isto a propósito do lançamento do livro O teatro invisível. História do teatro radiofónico, de Eduardo Street, que acontecerá na próxima segunda-feira, dia 8, pelas 18:30, na Sociedade Portuguesa de Autores, na Av. Gonçalves Crespo, 62 B, em Lisboa, cuja apresentação estará a cargo da actriz Carmen Dolores.**
Este é, sem dúvida, mais um contributo para que a história da rádio em Portugal seja mais conhecida.


terça-feira, 2 de maio de 2006

A rádio na imprensa

A imprensa deixou, praticamente, de tratar assuntos relacionados com a rádio. Só se a rádio for motivo de notícia é que os jornais arranjam um cantinho para umas linhas. De resto, toda a secção media é ocupada pela televisão.
Será este panorama um espelho da rádio que temos? A rádio não tem motivos que suscitem discussão na imprensa portuguesa?

sexta-feira, 28 de abril de 2006

Ipsis litteris

Nuno Galopim na revista "6ª", distribuída com o "Diário de Notícias", sobre o regresso do programa "A Hora do Lobo" à Rádio Comercial: «Numa estação minada por uma play list de arrojo zero, característica transversal a quase todo o FM generalista, A Hora do Lobo é lança no... éter. Uma aposta pessoal do recentemente nomeado director, que revela, acima de tudo, que a rádio soa mais a rádio quando é feita por quem passou pelos microfones e sabe do que fala.
Os encorajadores resultados recentes de estações com perfil musical diferente, como a Radar, a Oxigénio e a Marginal, e a queda geral do meio rádio, mostram que começa a haver quem esteja farto de ouvir mais do mesmo em todo o espectro FM. Deseja-se diferença e personalidade. Deseja-se música que nos fale, e não música que nos cale. Deseja-se uma rádio que nos faça querer ouvir o que tem para dizer e tocar, não a que serve de wallpaper e acaba inconsequente e mera paisagem de fundo.
(...) A rádio do futuro é a que souber convidar a escutar. A que nos promover e der mais que um ruído de fundo. Esse, de resto, já nos acompanha todos os dias...»

quinta-feira, 27 de abril de 2006

Encontro Nacional da ARIC

Nos dias 29 e 30 de Abril vai ter lugar, em Vila Nova de Santo André, Santiago do Cacém, mais um encontro nacional das emissoras associadas na ARIC – Associação de Rádios de Inspiração Cristã.
Este encontro será o primeiro fora das instalações da Associação, em Fátima, e surge por ocasião das comemorações do décimo quinto aniversário da ARIC.
Do programa de trabalhos do encontro estão previstas várias intervenções e é de destacar a inauguração de uma exposição de material de rádio de outros tempos.
Este ano em paralelo com o 15.º aniversário da ARIC, será assinalado o 20.º aniversário da

terça-feira, 25 de abril de 2006

A rádio e o 25 de Abril de 1974

Houve um tempo em que as emissoras radiofónicas portuguesas eram poucas. Havia muita escuta de rádio em Amplitude Modulada, já que poucas estações emitiam em Frequência Modulada. Escutava-se, principalmente, em Onda Média. Alguns escutavam emissoras estrangeiras em Onda Curta, mas com cuidado... As mensagens que o éter trazia podiam ser consideradas subversivas para a “liberdade" que os portugueses usufruíam na altura. Afinal havia um estado que cuidava do bem-estar dos portugueses. Dizia-nos «que filmes ou peças teatrais podia ver, ou não, que revistas e jornais podia ler, ou não, que países podia visitar, ou não».
Ouvir rádio podia ser crime. Principalmente se fosse alguma emissora da Europa de Leste, ou a Rádio Liberdade, que emitia desde a Argélia. A rádio vingou-se na madrugada do dia 25 de Abril de 1974, com a revolução dos cravos.
A colaboração entre revoltosos e a rádio começa muito antes do dia 25 de Abril de 1974. Os contactos são feitos entre militares e jornalistas de várias emissoras, preparando-se tudo para que a revolução resultasse. 5 minutos antes das 23h, do dia 24 de Abril de 1974, na rádio Alfabeta dos Emissores Associados de Lisboa, o locutor de serviço - João Paulo Dinis - "lançou" a música "E depois do adeus" de Paulo de Carvalho. Era o sinal para as tropas avançarem.
Na Rádio Renascença a gravação do alinhamento, que viria a ser o sinal para o desencadear das operações, foi feita na tarde do dia 24 de Abril, por Leite de Vasconcelos, para ser emitida no Programa «Limite», que era realizado em directo, mas algumas partes eram previamente gravadas. Era numa dessas gravações que estava a «senha» - a primeira quadra da música «Grândola, Vila Morena», de Zeca Afonso. Passavam vinte minutos da meia-noite, quando a gravação foi difundida:

Grândola vila morena
terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti ó cidade


Esta segunda senha confirmou a primeira. A partir daqui todo o movimento era irreversível. O Rádio Clube Português é transformado no posto de comando do «Movimento das Forças Armadas», por este motivo a emissora fica conhecida como a "Emissora da Liberdade".
Aos Microfones do Rádio Clube Português, Joaquim Furtado lê o primeiro comunicado às 04h26:

«Aqui posto de comando do Movimento das Forças Armadas.
As Forças Armadas portuguesas apelam para todos os habitantes da cidade de Lisboa no sentido de recolherem a suas casas, nas quais se devem conservar com a máxima calma.
Esperando sinceramente que a gravidade da hora que vivemos não seja tristemente assinalada por qualquer acidente pessoal, para o que apelamos ao bom senso do comando das forças militares no sentido de serem evitados quaisquer confrontos com as Forças Armadas. Tal confronto, além de desnecessário, só poderá conduzir a sérios prejuízos individuais, que enlutariam e criariam divisões entre portugueses, o que há que evitar a todo o custo.
Não obstante a expressa preocupação de não fazer correr a mínima gota de sangue de qualquer português, apelamos para o espírito cívico e profissional da classe médica, esperando a sua ocorrência aos hospitais, a fim de prestar a sua eventual colaboração, o que se deseja sinceramente desnecessária.
»

Mais arquivos áudio sobre o 25 de Abril de 1974 podem ser escutados no sítio Clássicos da Rádio.
Bibliografia sobre a rádio e o 25 de Abril:
- Maia, Matos: Aqui Emissora da Liberdade. 1.ª edição: Rádio Clube Português, 1975 (esgotada). 2.ª edição: Editorial Caminho,Lisboa, 1999.
- Caldas, A. Pereira: Para a história da Rádio Renascença (1974-1975) Um barómetro da revolução. Radio Renascença / Grifo – Editores e Livreiros, Ldª. Lisboa, 1999.
- Ribeiro, Nelson: A Rádio Renascença e o 25 de Abril. Universidade Católica Editora. Lisboa, 2002.

quinta-feira, 20 de abril de 2006

A rádio portuguesa perdeu 307 000 ouvintes

Segundo o Bareme Rádio relativo ao 1.º trimestre 2006, a rádio portuguesa perdeu 307 mil ouvintes. De uma Audiência Acumulada de Véspera (AAV) de 60,6% no primeiro trimestre de 2005 (o equivalente a uma média diária de 5 milhões de ouvintes) a escuta radiofónica caiu para 4,7 milhões. Ou seja, na prática a rádio portuguesa perdeu 6% dos ouvintes.
Deve-se a quê, esta quebra de ouvintes? Provavelmente à formatação radiofónica portuguesa, que aposta mais em programas tipo juke-box (ou gira-discos) e menos em fazer companhia, apresentando programas diversificados, com conteúdos capazes de cativar os ouvintes. Já várias vezes alertei, neste blogue, que entre ouvir uma rádio que só passa músicas e o meu leitor de CDs, prefiro este último - ao menos ouço o que quero, quando quero e como quero. Pelos vistos existem mais 307 000 outras pessoas a pensarem da mesma forma.
Da queda salvam-se cinco estações: Rádio Comercial, que obteve 7,8% de AAV; Antena 1 conseguiu chegar aos 5,0% de AAV; Rádio Clube (ex - R. C. Português), que atingiu 3,2% de AAV; a Antena 3 subiu para 3,6% de AAV; e a Antena 2, que subiu aos 0,7 % de AAV. Estas estações têm vindo a alterar a sua filosofia: a Comercial passou a ter mais programas de autor ("A Hora do Lobo" e "80 à Hora", por exemplo). O Rádio Clube passou a ter programas com entrevistas, mais informação, comentadores da actualidade, etc. As emissoras do estado - Antena 1, Antena 2 e Antena 3 - também têm vindo a mudar o rumo que as orientava. As restantes estações estão a perder ouvintes.
Embora continue a ser a emissora mais escutada, a RFM ficou-se pelos 12,4% de AAV, em segundo lugar (ainda) está colocada a Rádio Renascença, mas só com 9,8% de AAV. A já referida Rádio Comercial, é a terceira estação mais escutada, seguida da Antena 1 que está à frente da TSF, que só obteve 4,7% de AAV ex-aequo* em igualdade com a Cidade FM. Logo abaixo vem a também já referida Antena 3 e depois a Mega FM com 1,4% de AAV. Em penúltimo lugar encontra-se a Best Rock FM, que se manteve nos 0,9% de AAV e, finalmente, aparece a Antena 2.
Os ouvintes que não sabem quais estações escutaram são 1,4%, e as restantes emissoras, em conjunto, atingem 11,9% de AAV.
Estas audiências podem ser comparadas com as do quarto trimestre de 2005, no texto de 27 de Janeiro.

* Tinha escrito ex-aequo, mas acabei por cortar, porque esta expressão quer dizer “com igual mérito”, e eu não vejo mérito nenhum em perder ouvintes!

segunda-feira, 17 de abril de 2006

(Sempre) fecharam o Museu da Rádio

É miserável a forma como tratamos a nossa cultura. Após 14 anos aberto ao público, o Museu da Rádio fechou as portas. Segundo o jornal “Público” (acesso pago), o actual acervo será exposto em 2007 num espaço que terá metade da área actual. No entanto, não será exibido todo o espólio, por obvia falta de espaço.
Pedro Braumman, o actual director do Museu da Rádio, em declarações ao jornal "Público", diz que «há limitação de espaço, mas podemos recorrer a soluções como os suportes multimédia para mostrar peças que não podem estar à vista». Ou seja, por este raciocínio nem precisamos de Museu! Podemos por tudo online na Internet.
O edifício do Museu da Rádio - situado na Rua do Quelhas, em Lisboa, onde foram os estúdios da Emissora Nacional - é também ele de interesse histórico, mas vai ser vendido, sendo incerto o seu futuro. Onde está agora a srª. Ministra da Cultura? E o IPPAR? Para impedir uma obra útil, como o Tunel de Ceuta, foram muito rápidos (e depois viu-se o resultado: o túnel acabou por ser construído na mesma) porque havia eleições e podia-se ganhar votos (as politiquices miseráveis do costume), mas para impedir que desapareça uma parte da nossa história estão quietos e calados.
Recentemente foi demolida a casa onde morou Almeida Garrett, pelo que até acho estranho que não se tenha deitado abaixo o Mosteiro dos Jerónimos para se construir o Centro Cultural de Belém. Já agora, encerre-se o Museu Nacional de Soares dos Reis e faça-se lá um centro comercial. O Túnel de Ceuta até termina à porta.

ACT (19/04/06 - 08h00) - Faço minhas as palavras de Rogério Santos:

sexta-feira, 14 de abril de 2006

Feliz Páscoa

Aproveitando a época pascal, «o cardeal americano James Francis Stafford, o penitenciário-mor do Vaticano, desfiou terça-feira, na Basílica de S. Pedro, três novos pecados ligados às novas tecnologias: o excesso de Internet, de televisão e de jornais». O cardeal não fez referência à rádio.
Já que a rádio é o único medium que permite a acumulação, sigam, pelo menos, os conselhos do cardeal Stafford: leiam a Bíblia... enquanto escutam rádio. Boa Páscoa.

P.S. - É comum desejar-se bom natal, bom ano ou feliz aniversário, mas, curiosamente, não é muito usual desejar-se boa Páscoa - a única data que a Bíblia ordena que se celebre (o natal, por exemplo, é uma adaptação da festividade romana do nascimento do sol. Jesus Cristo terá nascido por volta de Outubro e não a 25 de Dezembro).
Para os cristãos, a Páscoa celebra a última ceia de Cristo, em 14 de Nisã do ano 33, que correspondeu, este ano, a 12 de Abril. Para o judaísmo a Páscoa tem um significado diferente, já que celebra, no mesmo dia, o fim do cativeiro dos judeus no Egipto, por volta de 1300 a.C.

quinta-feira, 13 de abril de 2006

O futuro da rádio a ela pertence

A rádio portuguesa não sabe aproveitar as oportunidades que surgem, tenta reduzir ao mínimo o elemento humano, não toma a iniciativa e espera para ver. Ou seja, não arrisca produtos novos. Porquê? Porque será que onde a rádio portuguesa vê a sua ruína, emissoras de outros países vêm uma oportunidade de negócio? Internet, telemóveis, Leitores de Áudio Digital, podcasting, blogues, emissão por satélite, emissão digital, rádio visual, etc. são ferramentas que a rádio pode, e deve, usar para continuar a ser atractiva.
A rádio já não é principal forma de divulgação musical. A internet, a televisão e a facilidade de troca de ficheiros digitais praticamente relegou para segundo plano um papel que pertencia, até há pouco tempo, à rádio. Estações que só passam música pioram o cenário – o ouvinte entre escutar música que não gosta, mesmo que seja intercalada com outra que aprecia, e escutar os seus CDs, prefere estes últimos, que só têmmúsica do seu agrado e com maior qualidade sonora. Se alguém procura a rádio é porque ela tem qualquer coisa mais... algo que faz manter o ouvinte na mesma sintonia, mesmo que o que esteja a passar no momento não seja totalmente do seu agrado. No entanto a companhia radiofónica dá-lhe prazer.
A rádio portuguesa é bastante diferente da que se pode encontrar noutros países. Uma das nossas particularidades é o peso esmagador que as emissões em Frequência Modulada (FM) têm em Portugal. Até meados da década de 1980 as alternativas dividiam-se entre as emissoras estatais em Onda Média (OM), Onda Curta (OC) e FM e a emissora católica - também ela a transmitir em OM, OC e FM. Apenas subsistiam duas estações locais independentes – uma na Guarda (Rádio Altitude) e outra no Caramulo (Rádio Clube do Centro), ambas emitiam em OM.
A segunda metade dos anos 80 trouxe as rádios piratas e uma exploração exaustiva da FM. A diversificação dava-se, então, em Frequência Modulada, porque as emissões em Amplitude Modulada (OM e OC) eram escassas e a melhor qualidade sonora também teve influência na migração dos ouvintes da AM para a FM. Perdeu-se a oportunidade de bipolarizar as emissões: FM para rádios musicais, AM para rádios de palavra. As rádios musicais poderiam, então, tornar-se especializadas em determinado género ou época. As de palavra poderiam ser especializadas em notícias, fóruns, desporto, entrevistas, etc. Aqui a culpa cabe aos sucessivos governos após o 25 de Abril de 1974 que não souberam (ou não quiseram) liberalizar verdadeiramente o mercado radiofónico.
A World Wide Web (www) já tem mais de uma década, mas só agora é que as rádios portuguesas começam a aproveitar os benefícios, com emissões online (principalmente desde que arrancou o projecto ROLI), blogues e podcasts. No entanto, ainda são escassas as rádios disponibilizam conteúdos em podcast ou mantêm blogues sobre os seus programas.
A esmagadora maioria das rádios locais não cumpre a sua função: não têm noticiários locais, os programas são pobres de conteúdo útil e muitas são meros retransmissores de estações de Lisboa.
A rádio portuguesa perde ouvintes? Perde investimento publicitário? Só se pode queixar dela mesmo. Vale a pena ler o texto do blogouve-se «A rádio, como há 30 anos!».

terça-feira, 11 de abril de 2006

Quatro anos de "Jornalismo e Comunicação"

O blogue "Jornalismo e Comunicação" vai já no quarto aniversário. Aproveitando a efeméride, houve algumas mudanças no blogue: no visual e na equipa que o compõe. A partir de agora o blogue é da responsabilidade dos investigadores do projecto "Mediascópio".
O "Jornalismo e Comunicação" é um dos meus blogues de referência e é indispensável a quem se interessa pelas Ciências da Comunicação.
Parabéns aos seus autores e um agradecimento muito grande pelo contributo que trazem à compreensão dos media.

domingo, 9 de abril de 2006

Para escutar na Rádio Comercial

Um bom programa de rádio tem de ter conteúdo, para além da música. Vão sendo raros os bons programas radiofónicos em Portugal – porque dão trabalho e porque têm uma produção que fica mais cara do que uma máquina a “debitar” música e jingles.
No entanto, ainda há quem reme contra a maré. Um desses programas é o “80 à hora” - uma viagem radiofónica à década de 1980, conduzida por Pedro Ribeiro, aos sábados às 13 horas e aos domingos às 19 horas, na Rádio Comercial: «Os anos oitenta começaram em Portugal em tom de rock. Rock e rádio conjugavam-se então com a mesma palavra: pirata. As rádios e as bandas multiplicavam-se quase ao mesmo ritmo. A década encarregar-se-ia de dizer quem sobreviveria».
Vamos ver quanto tempo o programa se mantém no ar.

Parabéns ao Íntima Fracção

«Pouco para dizer, muito para escutar, tudo para sentir» - é assim há 22 anos. O programa Íntima Fracção já ultrapassou as duas décadas de emissão - coisa rara no espaço radiofónico português.
O IF pode ser escutado na internet em mp3, em podcast ou, se estiver na região de Coimbra, na RUC (107.90 MHz) aos domingos, da 1 às 2 h.
Os meus parabéns ao Francisco Amaral.