«aquela magia da música que vem do éter, é um hábito que se está extinguir (…) a rádio enquanto escuta caseira é um hábito que faliu e que nos fugiu, e não há maneira de voltar». António Sérgio in "Suplemento DN" de 08 de Julho de 2005

quinta-feira, 20 de abril de 2006

A rádio portuguesa perdeu 307 000 ouvintes

Segundo o Bareme Rádio relativo ao 1.º trimestre 2006, a rádio portuguesa perdeu 307 mil ouvintes. De uma Audiência Acumulada de Véspera (AAV) de 60,6% no primeiro trimestre de 2005 (o equivalente a uma média diária de 5 milhões de ouvintes) a escuta radiofónica caiu para 4,7 milhões. Ou seja, na prática a rádio portuguesa perdeu 6% dos ouvintes.
Deve-se a quê, esta quebra de ouvintes? Provavelmente à formatação radiofónica portuguesa, que aposta mais em programas tipo juke-box (ou gira-discos) e menos em fazer companhia, apresentando programas diversificados, com conteúdos capazes de cativar os ouvintes. Já várias vezes alertei, neste blogue, que entre ouvir uma rádio que só passa músicas e o meu leitor de CDs, prefiro este último - ao menos ouço o que quero, quando quero e como quero. Pelos vistos existem mais 307 000 outras pessoas a pensarem da mesma forma.
Da queda salvam-se cinco estações: Rádio Comercial, que obteve 7,8% de AAV; Antena 1 conseguiu chegar aos 5,0% de AAV; Rádio Clube (ex - R. C. Português), que atingiu 3,2% de AAV; a Antena 3 subiu para 3,6% de AAV; e a Antena 2, que subiu aos 0,7 % de AAV. Estas estações têm vindo a alterar a sua filosofia: a Comercial passou a ter mais programas de autor ("A Hora do Lobo" e "80 à Hora", por exemplo). O Rádio Clube passou a ter programas com entrevistas, mais informação, comentadores da actualidade, etc. As emissoras do estado - Antena 1, Antena 2 e Antena 3 - também têm vindo a mudar o rumo que as orientava. As restantes estações estão a perder ouvintes.
Embora continue a ser a emissora mais escutada, a RFM ficou-se pelos 12,4% de AAV, em segundo lugar (ainda) está colocada a Rádio Renascença, mas só com 9,8% de AAV. A já referida Rádio Comercial, é a terceira estação mais escutada, seguida da Antena 1 que está à frente da TSF, que só obteve 4,7% de AAV ex-aequo* em igualdade com a Cidade FM. Logo abaixo vem a também já referida Antena 3 e depois a Mega FM com 1,4% de AAV. Em penúltimo lugar encontra-se a Best Rock FM, que se manteve nos 0,9% de AAV e, finalmente, aparece a Antena 2.
Os ouvintes que não sabem quais estações escutaram são 1,4%, e as restantes emissoras, em conjunto, atingem 11,9% de AAV.
Estas audiências podem ser comparadas com as do quarto trimestre de 2005, no texto de 27 de Janeiro.

* Tinha escrito ex-aequo, mas acabei por cortar, porque esta expressão quer dizer “com igual mérito”, e eu não vejo mérito nenhum em perder ouvintes!

segunda-feira, 17 de abril de 2006

(Sempre) fecharam o Museu da Rádio

É miserável a forma como tratamos a nossa cultura. Após 14 anos aberto ao público, o Museu da Rádio fechou as portas. Segundo o jornal “Público” (acesso pago), o actual acervo será exposto em 2007 num espaço que terá metade da área actual. No entanto, não será exibido todo o espólio, por obvia falta de espaço.
Pedro Braumman, o actual director do Museu da Rádio, em declarações ao jornal "Público", diz que «há limitação de espaço, mas podemos recorrer a soluções como os suportes multimédia para mostrar peças que não podem estar à vista». Ou seja, por este raciocínio nem precisamos de Museu! Podemos por tudo online na Internet.
O edifício do Museu da Rádio - situado na Rua do Quelhas, em Lisboa, onde foram os estúdios da Emissora Nacional - é também ele de interesse histórico, mas vai ser vendido, sendo incerto o seu futuro. Onde está agora a srª. Ministra da Cultura? E o IPPAR? Para impedir uma obra útil, como o Tunel de Ceuta, foram muito rápidos (e depois viu-se o resultado: o túnel acabou por ser construído na mesma) porque havia eleições e podia-se ganhar votos (as politiquices miseráveis do costume), mas para impedir que desapareça uma parte da nossa história estão quietos e calados.
Recentemente foi demolida a casa onde morou Almeida Garrett, pelo que até acho estranho que não se tenha deitado abaixo o Mosteiro dos Jerónimos para se construir o Centro Cultural de Belém. Já agora, encerre-se o Museu Nacional de Soares dos Reis e faça-se lá um centro comercial. O Túnel de Ceuta até termina à porta.

ACT (19/04/06 - 08h00) - Faço minhas as palavras de Rogério Santos:

sexta-feira, 14 de abril de 2006

Feliz Páscoa

Aproveitando a época pascal, «o cardeal americano James Francis Stafford, o penitenciário-mor do Vaticano, desfiou terça-feira, na Basílica de S. Pedro, três novos pecados ligados às novas tecnologias: o excesso de Internet, de televisão e de jornais». O cardeal não fez referência à rádio.
Já que a rádio é o único medium que permite a acumulação, sigam, pelo menos, os conselhos do cardeal Stafford: leiam a Bíblia... enquanto escutam rádio. Boa Páscoa.

P.S. - É comum desejar-se bom natal, bom ano ou feliz aniversário, mas, curiosamente, não é muito usual desejar-se boa Páscoa - a única data que a Bíblia ordena que se celebre (o natal, por exemplo, é uma adaptação da festividade romana do nascimento do sol. Jesus Cristo terá nascido por volta de Outubro e não a 25 de Dezembro).
Para os cristãos, a Páscoa celebra a última ceia de Cristo, em 14 de Nisã do ano 33, que correspondeu, este ano, a 12 de Abril. Para o judaísmo a Páscoa tem um significado diferente, já que celebra, no mesmo dia, o fim do cativeiro dos judeus no Egipto, por volta de 1300 a.C.

quinta-feira, 13 de abril de 2006

O futuro da rádio a ela pertence

A rádio portuguesa não sabe aproveitar as oportunidades que surgem, tenta reduzir ao mínimo o elemento humano, não toma a iniciativa e espera para ver. Ou seja, não arrisca produtos novos. Porquê? Porque será que onde a rádio portuguesa vê a sua ruína, emissoras de outros países vêm uma oportunidade de negócio? Internet, telemóveis, Leitores de Áudio Digital, podcasting, blogues, emissão por satélite, emissão digital, rádio visual, etc. são ferramentas que a rádio pode, e deve, usar para continuar a ser atractiva.
A rádio já não é principal forma de divulgação musical. A internet, a televisão e a facilidade de troca de ficheiros digitais praticamente relegou para segundo plano um papel que pertencia, até há pouco tempo, à rádio. Estações que só passam música pioram o cenário – o ouvinte entre escutar música que não gosta, mesmo que seja intercalada com outra que aprecia, e escutar os seus CDs, prefere estes últimos, que só têmmúsica do seu agrado e com maior qualidade sonora. Se alguém procura a rádio é porque ela tem qualquer coisa mais... algo que faz manter o ouvinte na mesma sintonia, mesmo que o que esteja a passar no momento não seja totalmente do seu agrado. No entanto a companhia radiofónica dá-lhe prazer.
A rádio portuguesa é bastante diferente da que se pode encontrar noutros países. Uma das nossas particularidades é o peso esmagador que as emissões em Frequência Modulada (FM) têm em Portugal. Até meados da década de 1980 as alternativas dividiam-se entre as emissoras estatais em Onda Média (OM), Onda Curta (OC) e FM e a emissora católica - também ela a transmitir em OM, OC e FM. Apenas subsistiam duas estações locais independentes – uma na Guarda (Rádio Altitude) e outra no Caramulo (Rádio Clube do Centro), ambas emitiam em OM.
A segunda metade dos anos 80 trouxe as rádios piratas e uma exploração exaustiva da FM. A diversificação dava-se, então, em Frequência Modulada, porque as emissões em Amplitude Modulada (OM e OC) eram escassas e a melhor qualidade sonora também teve influência na migração dos ouvintes da AM para a FM. Perdeu-se a oportunidade de bipolarizar as emissões: FM para rádios musicais, AM para rádios de palavra. As rádios musicais poderiam, então, tornar-se especializadas em determinado género ou época. As de palavra poderiam ser especializadas em notícias, fóruns, desporto, entrevistas, etc. Aqui a culpa cabe aos sucessivos governos após o 25 de Abril de 1974 que não souberam (ou não quiseram) liberalizar verdadeiramente o mercado radiofónico.
A World Wide Web (www) já tem mais de uma década, mas só agora é que as rádios portuguesas começam a aproveitar os benefícios, com emissões online (principalmente desde que arrancou o projecto ROLI), blogues e podcasts. No entanto, ainda são escassas as rádios disponibilizam conteúdos em podcast ou mantêm blogues sobre os seus programas.
A esmagadora maioria das rádios locais não cumpre a sua função: não têm noticiários locais, os programas são pobres de conteúdo útil e muitas são meros retransmissores de estações de Lisboa.
A rádio portuguesa perde ouvintes? Perde investimento publicitário? Só se pode queixar dela mesmo. Vale a pena ler o texto do blogouve-se «A rádio, como há 30 anos!».

terça-feira, 11 de abril de 2006

Quatro anos de "Jornalismo e Comunicação"

O blogue "Jornalismo e Comunicação" vai já no quarto aniversário. Aproveitando a efeméride, houve algumas mudanças no blogue: no visual e na equipa que o compõe. A partir de agora o blogue é da responsabilidade dos investigadores do projecto "Mediascópio".
O "Jornalismo e Comunicação" é um dos meus blogues de referência e é indispensável a quem se interessa pelas Ciências da Comunicação.
Parabéns aos seus autores e um agradecimento muito grande pelo contributo que trazem à compreensão dos media.

domingo, 9 de abril de 2006

Para escutar na Rádio Comercial

Um bom programa de rádio tem de ter conteúdo, para além da música. Vão sendo raros os bons programas radiofónicos em Portugal – porque dão trabalho e porque têm uma produção que fica mais cara do que uma máquina a “debitar” música e jingles.
No entanto, ainda há quem reme contra a maré. Um desses programas é o “80 à hora” - uma viagem radiofónica à década de 1980, conduzida por Pedro Ribeiro, aos sábados às 13 horas e aos domingos às 19 horas, na Rádio Comercial: «Os anos oitenta começaram em Portugal em tom de rock. Rock e rádio conjugavam-se então com a mesma palavra: pirata. As rádios e as bandas multiplicavam-se quase ao mesmo ritmo. A década encarregar-se-ia de dizer quem sobreviveria».
Vamos ver quanto tempo o programa se mantém no ar.

Parabéns ao Íntima Fracção

«Pouco para dizer, muito para escutar, tudo para sentir» - é assim há 22 anos. O programa Íntima Fracção já ultrapassou as duas décadas de emissão - coisa rara no espaço radiofónico português.
O IF pode ser escutado na internet em mp3, em podcast ou, se estiver na região de Coimbra, na RUC (107.90 MHz) aos domingos, da 1 às 2 h.
Os meus parabéns ao Francisco Amaral.

quinta-feira, 6 de abril de 2006

Mais um livro sobre a rádio portuguesa

De todas as estações radiofónicas portuguesas, a Rádio Renascença deve ser a emissora sobre a qual mais obras se publicou. E, em finais do ano passado, mais um livro sobre a emissora católica portuguesa passou a estar disponível:
«Igreja Católica, Estado e Sociedade - O caso Rádio Renascença», da autoria de Paula Borges Santos. O livro foca, principalmente, o período 1974/75 – os anos que transformaram não só a rádio, mas toda a sociedade portuguesa.
Retirei do sítio da editora - Imprensa de Ciências Sociais - a sinopse do livro: «Durante a revolução de 1974/1975, a Igreja Católica redefiniu o seu lugar e papel na sociedade e face ao Estado. Reciprocamente foi redefinida a relação do Estado com a Igreja e a religião. Essa evolução resultou da combinação de quatro factores principais: primeiro, pelas mudanças experimentadas pela Igreja Católica durante o marcelismo; segundo, pelas estratégias das autoridades públicas e religiosas no período da transição democrática; depois, pelo pluralismo dos católicos na assunção das preferências ideológicas e partidárias em condições de concorrência eleitoral; finalmente, pelo aprofundamento do processo de secularização da sociedade portuguesa. Focando o "caso Rádio Renascença", que radicalizou no PREC a tensão politico-eclesiástica, este estudo propõe uma caracterização das novas relações entre a religião e a política».
A obra ganhou o prémio "Fundação Mário Soares".

terça-feira, 4 de abril de 2006

Radia LX 2006

É raro ver iniciativas em Portugal que promovam o meio radiofónico, pelo que é de louvar a proposta da Rádio Zero (uma estação que só tem emissões na Internet), de realizar em Portugal o primeiro encontro da Radia. Há, portanto, uma oportunidade de se ouvir responsáveis de várias emissoras europeias que têm um estilo idêntico, e que são estações que dão «voz às pessoas, aos artistas, à diferença» - uma filosofia radiofónica que está quase extinta em Portugal.
O encontro da Radia vai ter lugar em Lisboa, entre 10 e 14 de Abril, e, para além das reuniões internas, terá também conferências públicas na Fonoteca de Lisboa, projecção de filmes relacionados com a rádio na Cinemateca Portuguesa e - como é uma iniciativa académica a música tinha de marcar presença - concertos na Galeria Zé dos Bois. O programa completo pode ser visto no sítio da Rádio Zero.
A Radia é uma associação que congrega 15 emissoras europeias: ORANGE 94.0 e ORF Kunstradio, de Viena (Áustria); bootlab, de Berlim (Alemanha); InterSpace, de Sofia (Bulgária); Resonance104.4fm, de Londres (Inglaterra); Tilos Radio, de Budapeste (Hungria); Itchy Bit, de Bratislava (Eslováquia); NoD e Moks Mooste, de Praga (República Checa); Radio Campus de Bruxelas (Bélgica); d media, de Cluj (Roménia); Kanal 103, de Skopje, (Macedónia); Radio Grenouille Marselha (França); e a portuguesa Rádio Zero, de Lisboa.

sábado, 1 de abril de 2006

O futuro digital

Paula Cordeiro apresenta um texto, no blogue Net FM, sobre o futuro tecnológico da rádio. Tenho a mesma opinião – o futuro radiofónico será digital. Mas, como ela bem diz, «a revolução digital está ainda por completar».
Não há uma uniformização mundial no que diz respeito às emissões digitais. O Digital Audio Broadcasting (DAB) tem tido avanços e recuos na Europa (menos na Inglaterra, onde parece que tudo corre pelo melhor), o Digital Radio Mondiale (DRM) avança firme, mas muito lentamente, enquanto que na América o HD Radio (ex-IBOC) vai sendo implementado. O Japão, como não podia deixar de ser, tem o seu ISBD-T, que é um sistema integrado de telecomunicações (rádio, televisão, telemóvel, Internet, GPS, etc.).
A guerra do digital não está só no plano da transmissão, mas também dentro dos estúdios. O áudio digital está em constante evolução. Nos sistemas de alta definição o Super Audio Compact Disc (SACD) e o Digital Versatile Disc - Audio (DVD-Audio) tentam ganhar o lugar do CD, enquanto que nos sistemas de baixa resolução (áudio comprimido) o mp3 está em competição com o wma e com outros sistemas. Algumas emissoras usam áudio digital comprimido como mpeg 2 AAC, que tem uma qualidade sonora relativamente elevada. Tudo ainda está um pouco confuso e não se prevê para breve uma padronização de sistemas, quer de edição, quer de emissão.
A rádio continuará a adaptar-se, a explorar novas plataformas de transmissão (como a Internet, por exemplo) e, citando mais uma vez Paula Cordeiro, as emissões digitais permitirão «que todos os difusores estejam no mesmo sistema, tenham o mesmo alcance e o mesmo nível de qualidade de sinal, colocando as estações emissoras em pé de igualdade em termos técnicos. A batalha das audiências vai passar para o nível dos conteúdos, construindo rádios quase personalizadas, num esquema de especialização que irá multiplicar os canais em função da variedade de géneros musicais e do tipo de informação que se deseje ouvir».
Assim sendo, penso que o que fará a diferença na rádio será o elemento humano – o tal que tem vindo a ser afastado das emissoras portuguesas.

quinta-feira, 30 de março de 2006

Queres ser um locutor de rádio?

Chegou-me esta mensagem via “imélio”:
«Estão abertas as vagas para a iniciação ao espírito académico. Todas as Sextas-feiras, o Universidade Radar convida um ouvinte a apresentar o programa com a Marta e o Pedro. Se queres ser um locutor de rádio por um dia, manda um imélio para radar@universidade-autonoma.pt.
Junta-te a nós. Vem apresentar o Universidade Radar connosco».

terça-feira, 28 de março de 2006

3.º Seminário APR

A Associação Portuguesa de Radiodifusão (APR) vai realizar mais um seminário, que terá como tema “Produto Radiofónico: Relação Local/ Global". Neste encontro irá ser abordada a formatação das rádios e os conteúdos radiofónicos
O encopntro terá como oradores o Professor Luís Landerset Cardoso, do ISCSP - UTL – Projecto Media e Comunicações; Francisco José Oliveira, Vice-Presidente da APR; e Carlos Pires Antunes, Director da Rádio Atlântida.
O encontro irá decorrer em Lisboa, no Auditório do Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade Autónoma de Lisboa, e está agendado para Quinta-feira, 6 de Abril, às 14h30.
A ficha de inscrição está disponível no sítio da APR.

* Via Radiolab

segunda-feira, 27 de março de 2006

Rádios online de todo mundo

No sítio OmniRadio estão catalogadas por região e país as estações que emitem online, sendo disponibilizado o nome da estação e o formato. As emissoras portuguesas também lá estão e é interessante ver o formato que a OmniRadio lhes atribui.

domingo, 26 de março de 2006

A automação radiofónica

Longe vão os tempos em que uma estação de rádio não tinha dinheiro para equipamento radiofónico profissional (ou, como alguns gostam de referir, broadcast) porque este era caro. Para uma emissora ter alguma qualidade sonora tinha de possuir máquinas de bobines de fita magnética, gira-discos com determinadas características (com braços, cabeças e agulhas específicas), mesas de mistura apropriadas à emissão (com uma boa relação sinal/ruído), etc. Estes equipamentos estavam acima do orçamento de muitas emissoras locais portuguesas. Assim, era recorrente as emissoras terem equipamento áudio doméstico, mais barato que o profissional, mas que não tinha a qualidade áudio desejável. Os avanços tecnológicos alteraram este estado de coisas.
Com o advento do digital passou a ser possível aumentar a qualidade áudio das emissoras com menos recursos. Uma estação radiofónica deixava de ter gastos com a troca de agulhas de gira-discos (que duravam pouco tempo) ou com a troca de cabeças de leitura e/ou gravação de uma máquina de fita magnética ou com o desgaste normal dos suportes áudio (bobines, cartuchos ou cassetes) que tinham de ser substituídos. Primeiro o Disco Compacto e, depois, o Mini Disco, tornaram a emissão mais barata. Mais recentemente, foi o computador que trouxe benefícios às emissoras. A edição sonora tornou-se mais simples e a deterioração sonora diminuiu. Claro que há o reverso da moeda. O computador substituiu, em muitos casos, o animador radiofónico - o melhor (e mais escandaloso) exemplo é o da Foxx FM, embora muitas emissoras locais, por uma questão de economia, mantenham as emissões nocturnas em “piloto automático”.
Mas a automação radiofónica não é de agora, nem uma invenção da rádio portuguesa. O primeiro programa de computador de automação radiofónica foi criado em 1979, nos Estados Unidos, e tinha o nome de Selector. Este programa criava uma play-list segundo o formato da emissora, o género musical, etc. e, depois, um conjunto de aparelhos (bobines ou cartuchos de fita magnética), préviamente programados, fazia a emissão*. Claro que na década de 1970, este tipo de equipamento era muito dispendioso, além de ocupar muito espaço, pelo que só emissoras com grande poder económico o podiam adquirir.
O senão da emissão automática: não faz mais companhia aos ouvintes que um disco, cassete ou Leitor de Áudio Digital. Para existir verdadeiro entretenimento é necessário o elemento humano, mas este, infelizmente, tem, cada vez mais, a sua capacidade de comunicação cerceada pelas play-lists e pelos textos ocos de conteúdo, que são escritos por outros.

* Como curiosidade, na série «Galáctica», que passou recentemente na Sic Radical, um dos episódios mostrava uma máquina deste tipo, numa emissora de Nova Iorque, em que várias máquinas de fita magnética arrancavam e paravam misturando músicas, publicidade e animação gravada.

quarta-feira, 22 de março de 2006

RDP já tem provedor do ouvinte

É importante o serviço público de rádio tenha um provedor do ouvinte, porque esta figura prestigia e dá credibilidade ao órgão que representa, pois o ouvinte tem no provedor alguém que escuta as suas reclamações. É de saudar, portanto, que a RDP tenha dado este passo.
José Nuno Martins foi o escolhido para provedor do ouvinte pela administração do grupo Rádio e Televisão de Portugal, para as suas emissoras radiofónicas (Antena 1, Antena 2, Antena 3, RDP Madeira, RDP Açores, RDP África e RDP Internacional) e será comunicado hoje ao Conselho de Opinião da RDP, que terá de emitir um parecer vinculativo, num prazo de 30 dias, sobre este assunto. O provedor do serviço público de rádio têm como objectivo avaliar a programação e a informação nas emissoras e elaborar pareceres que serão divulgados num programa semanal de 15 minutos..

A ler no blogue “O Segundo choque”...

terça-feira, 21 de março de 2006

Morreu José Ramos

Desapareceu mais uma figura da rádio portuguesa - José Ramos, uma das melhores vozes do nosso éter.
José Ramos nasceu em Angola, a 18 de Julho de 1954. Iniciou-se profissionalmente na Rádio Clube de Angola, foi professor de Ciências da Comunicação, locutor de Rádio e de Publicidade e, em televisão, era a Voz Off da SIC. Na rádio, destacou-se, entre outros, na realização e apresentação, na década de 1980, com os programas "Tempo de Fuga", "Manhãs da Comercial" e "Círculo em FM". Colaborou ainda com a Rádio Nova, do Porto.
Sendo um homem da rádio, mostra a sua faceta de escritor com "auto-retrato até à medula", que, segundo ele, não era uma autobiografia, era antes um "photomaton de retalhos da sua vida". Em 2005, lança o livro “No ar: live on paper” - segundo ele, uma descarada homenagem à forma como sempre gostou de fazer rádio: EM DIRECTO! Onde as emoções têm mais valor...
José Ramos, em Junho de 2005, no programa “Cabaret da Coxa”, na Sic Radical, afirmou que «a televisão é uma merda» e que «gostaria de voltar a trabalhar na rádio». A concretização desse desejo deu-se em Novembro de 2005, quando José Ramos regressou aos microfones da rádio, na Antena 1, com o programa "Os Reis da Rádio".
O corpo de José Ramos estará hoje em câmara ardente na Igreja de Santo Condestável, em Campo de Ourique, Lisboa. O funeral realiza-se amanhã às 15h30 no cemitério dos Olivais.

segunda-feira, 20 de março de 2006

APR quer congresso geral dos media

A Associação Portuguesa de Radiodifusão (APR) quer discutir, num congresso geral dos media, a situação actual da comunicação social no país. O presidente da APR, José Faustino, em declarações ao “Diário de Notícias”, diz que há «questões importantes, que exigem uma reflexão profunda», como a concentração da propriedade dos media, a fraca protecção dos direitos de autor dos jornalistas e o um aumento de 500% no valor a pagar pela renovação dos alvarás de radiodifusão.
José Faustino afirma ainda que «Não podemos consentir que nos reprimam e roubem». Estou de acordo com o presidente da APR. 500% de aumento? Alguém anda a brincar com o povo português.

sexta-feira, 17 de março de 2006

Mais uma webradio académica

O núcleo de rádio e Jornalismo da Licenciatura em Jornalismo e Ciências da Comunicação da Universidade do Porto criou a webradio JPR.
Segundo o blogue JornalismoPortoRádio, «Este é um projecto extra-curricular que visa possibilitar o exercício das tradicionais técnicas radiofónicas ao mesmo tempo que pretende explorar os novos caminhos que o digital traz à rádio. O objectivo final é reunir num mesmo espaço, áudio, texto e imagem. No plano dos conteúdos, a webrádio terá uma forte componente informativa, incidindo sobre temas ligados à universidade, ensino, ciência e investigação, não esquecendo a vertente do entretenimento, com destaque para a música. Como projecto extra-curricular que é, a webrádio JPR não tem uma estrutrura permanente, sendo produzida por um conjunto de alunos que manifestaram vontade de participar na iniciativa e que dão agora os primeiros passos na descoberta da rádio».
A este projecto desejo muitos êxitos e que forme excelentes profissionais.

«Febre de Sábado de Manhã» - espectáculo em Matosinhos

Depois de Lisboa, agora é o Porto que vai receber um espetáculo comemorativo dos 25 anos do programa de rádio «Febre de Sábado de Manhã», que era apresentado por Júlio Isidro na Rádio Comercial.
O evento vai ter lugar hoje no Pavilhão dos Desportos de Matosinhos, onde estarão presentes, entre outros, Xutos e Pontapés, José Cid, Trabalhadores do Comercio, Carlos Guilherme, Dina, Doce, Luis Represas e Limahl (Kajagoogo). O espectáculo que vai ser transmitido lem directo pela RTP 1, a partir das 22h30.
Cada bilhete custa apena € 5,00 e as receitas do espectáculo revertem a favor da Casa do Caminho e da Associação Portuguesa de Paramiloidose.

Parabéns ao blogue Indústrias Culturais

O blogue Indústrias Culturais faz três anos. Parabéns ao seu autor, Rogério Santos, e obrigado por contribuir para a divulgação e compreensão da cultura.

Cursos para profissionais de rádio e não só

Em Lisboa
Estão abertas as vagas para o curso de técnicas vocais (curso de especialização).Este curso destina-se a quem pretenda utilizar a voz como instrumento de trabalho, sobretudo na locução e apresentação. O curso decorre em Abril, aos Sábados, no Laboratório de Rádio da Universidade Autónoma e tem um limite máximo de 8 inscrições (aposta na qualidade da formação). Este curso pode ser continuado mais tarde com Técnicas Vocais II, de estrutura semelhante ao primeiro, mas centrado no aperfeiçoamento das técnicas adquiridas.Para mais informações contacte João de Sousa , por telefone - 966 555 616 ou através do e-mail jsousa@ universidade-autonoma.pt
No Porto
Associação de Radiodifusão Académica FM tem abertas as inscrições para os cursos de 2006:
COMUNICAÇÃO/ COMUNICAÇÃO SOCIAL - Curso prático de dicção e leitura; Animação de emissão; Falar em público: técnicas de comunicação; Assessoria de imprensa; Curso de criatividade; Escrita Criativa; Organização de eventos.
PSICOLOGIA - WESC III: Escala de Inteligência de Wechsler para crianças – 3ª edição; O sistema Integrativo de Borschach (SIR) de John Exner; Orientação vocacional e profissional para jovens e adultos; A educação sexual na idade pré-escolar.
INFORMÁTICA – Paginação; Escrever para Web; Criação e desenvolvimento de weblogs.
CURSOS PERSONALIZADOS (adaptáveis) – Informática; Línguas – Comercial.
Mais informações podem ser pedidas através do e-mail formacao@ academicafm.net , ou no Edifício L do Campus Universitário da Universidade Lusíada, no Porto.

quinta-feira, 16 de março de 2006

A Rádio volta à TV Cabo

A TV Cabo voltou a distribuir o sinal áudio de emissoras radiofónicas. Já há vários anos que tinha sido abandonado a distribuição deste tipo de sinal, pelo que é de saudar esta medida. No entanto, o sinal não vai chegar a todos os clientes da TV Cabo, já que apenas podem aceder a esta nova funcionalidade os clientes que são subscritores do serviço digital - ou seja, têm de possuir uma powerbox.
Segundo Francisco Matos Chaves, director dos canais multimédia da TV Cabo, em declarações ao “Diário de Notícias”, esta funcionalidade da TV Cabo «pode vir a permitir a medição das audiências». Não sei que audiências a TV Cabo quer medir, porque só os 500.000 subscritores do serviço digital terão acesso às emissoras. Além disso, hoje em dia, a rádio escuta-se, principalmente, no carro - quem está em casa certamente só ligará a televisão para ver outros canais e não para esutar os radiofónicos. Ou seja, a escuta de rádio na televisão não terá grande impacto nas audiências das estações.
Há, no entanto, vantagens neste serviço. Uma delas é a de tornar possível, principalmente para quem não possui Internet, escutar algumas rádios locais de cidades distantes, e aceder a uma página de apresentação da emissora com texto e imagens. A qualidade áudio será, eventualmente, também superior.
Neste novo serviço da TV Cabo podem ser escutadas as Antenas 1, 2 e 3, RDP África, Rádio Clube, Rádio Capital, Rádio Comercial, Cidade FM, Best Rock FM, Oxigénio, Marginal, Radar e Rádio Europa Lisboa. Em curso estão negociações para a inclusão de novas emissoras.

terça-feira, 14 de março de 2006

3.º Festival Black & White

A Escola das Artes, da Universidade Católica (Porto), vai realizar, de 30 de Março a 1 de Abril, o 3.º Festival Black & White.
Da edição deste ano, destaco, no dia 31 de Março (sexta-feira), às 17h45, a intervenção do jornalista João Paulo Baltazar da TSF, cujo tema é “Escrever com o microfone”.
No Sábado, 1 de Abril, terá lugar às 16 horas o “Encontro de Podcasts” Com Duarte Velez Grilo (Blitzkriegbop), Carlos Jorge Andrade (Lusocast), Filipe Homem Fonseca e José de Pina (O horror inominável), Edgard Costa (GavezDois) e José António Moreira (Sons da escrita). A moderação estará a cargo de João Paulo Meneses.
A entrada é livre.

domingo, 12 de março de 2006

Para a história da rádio*

No dia 12 de Março de 1977, em plena fase de expansão das rádios piratas italianas (e no resto da Europa), a policia invade os estúdios da Radio Alice, que emitia para Bolonha, e termina com as emissões. A causa disto foram as reportagens da Radio Alice, onde foi anunciado o homicídio de um militante de extrema-esquerda. Devido a isto, ocorreram várias manifestações em Bolonha e a Radio Alice ia dando indicações em directo sobre a forma violenta como a policia tentava controlar os manifestantes.
O sítio da Radio Città del Capo tem disponíveis arquivos áudio sobre o que se passou há 29 anos.

* Via blogue Rádio e Jornalismo

sábado, 11 de março de 2006

Mudou alguma coisa no RCP?

O “Rádio Clube Português” chama-se agora, só e simplesmente, "Rádio Clube". Pelo que tive oportunidade de escutar, as linhas gerais da estação mantêm-se. A música continua a ser a mesma, a recordar a extinta “Rádio Nostalgia”, cujas frequências o "Rádio Clube" ocupa.
A face mais visível da remodelação da estação é a sua imagem gráfica. O nome "Rádio Clube Português" continua a existir, mas a palavra «Português» está em segundo plano, de forma muito subtil, como se não tivesse importância. Será por a Media Capital ter accionistas espanhóis? Aljubarrota já foi há muitos séculos...

quarta-feira, 8 de março de 2006

Aqui está a verdadeira ciência da rádio

Retirado do sítio da Rádio Zero (ex-RIIST):
«A rádio é um meio criativo que fomenta o experimentalismo e o desenvolvimento de obras de arte em formato sonoro.
A rádio intervém na sociedade através de conteúdo de cariz comunitário e da promoção de actividades culturais.
A rádio assume-se como um meio de acesso do indivíduo à radiodifusão. Sendo apologista da liberdade e criatividade, a rádio dá preferência total ao formato de autor».

segunda-feira, 6 de março de 2006

Seminários APR: “As Rádios de Proximidade na Internet”*

A Associação Portuguesa de Radiodifusão (APR) vai efectuar o seu segundo seminário. O tema será “As Rádios de Proximidade na Internet”. Este seminário irá decorrer em Lisboa, no Auditório do Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade Autónoma de Lisboa, tendo o seu início marcado para as 14h30.O Painel de oradores vai ser constituído pelo Eng.º Carlos Marques, da Media Capital Rádio, Director Geral do Cotonete; Abel Sousa, da Rádio Santiago, de Guimarães (projecto Guimarães Digital); Professor Manuel Fonseca, da Rádio Clube de Monsanto; e um representante da Link Consulting, empresa responsável pela elaboração do Portal do ROLI
A Inscrição pode ser feita através do sítio da APR.

*Via Radiolab

sábado, 4 de março de 2006

Rádio Científica?

A "Rádio Mais", da Amadora, deu lugar a uma nova estação: a Kiss FM. Esta emissora foi presentada como uma estação que «quer "roubar" um bocadinho de audiência a todas as outras rádios ouvidas na capital».
Em declarações ao jornal Público, Jorge Correia, responsável pelo projecto, adianta ainda que tudo foi "cientificamente" estudado, desde as play-lists de música, à sonoplastia, para fazer um produto adequado ao mercado que agora pretendem conquistar em Lisboa. "Criou-se um formato de rádio científica que agora terá de ser testado" (o sublinhado é meu).
Isto faz-me lembrar as alterações que o Pedro Tojal fez na Comercial e no RCP para “roubar” um bocadinho de audiência à RFM e à Renascença. Tudo, também, feito cientificamente. “Esmagou” a concorrência? Claro que não.
No final de contas a tal “rádio científica” é só, e apenas, mais do mesmo. Já há muitos anos que as estações mandam fazer estudos de mercado. Se o formato desse resultado já deveria existir uma emissora do género, ou os proprietários das emsissoras gostam de perder dinheiro? Se querem “roubar” um bocadinho de audiência a todas as outras rádios, então façam uma emissora diferente, porque de Play-lists de música de consumo imediato e de “papagaios” já estão os ouvintes fartos.

P.S. – Uma abordagem muito completa sobre o “fenómeno” Kiss FM pode ser lida no blogue NetFM. Também falaram no assunto o Diário Digital, o Diário Económico, o Público (que pode ler-se via Rádio Informa, já que o acesso é pago) e o Correio da Manhã (não está online).

quarta-feira, 1 de março de 2006

Duas estações, dois aniversários

Duas estações de referência assinalam hoje o seu aniversário: a Rádio Universidade de Coimbra (RUC), que faz vinte anos de emissoes, e a TSF - Rádio Notícias, que assinala dezoito anos(começou a emitir regularmente a 29 de fevereiro de 1988).
A RUC é o protótipo de uma estação universitária: irreverente q.b. e escola de futuros profissionais do meio. Já a TSF é a rádio que informa Portugal. As duas estações foram (são) inovadoras no formato que apresentam.
O “Diário de Notícias” traz artigos dedicados à TSF e o “Público” fala da RUC. No entanto, apresenta um erro: a RUC não foi legalizada em 1986, mas sim em 1989, como todas as outras.
Um pouco da história da RUC pode ser lida aqui e da TSF aqui.
Parabéns às duas.