«aquela magia da música que vem do éter, é um hábito que se está extinguir (…) a rádio enquanto escuta caseira é um hábito que faliu e que nos fugiu, e não há maneira de voltar». António Sérgio in "Suplemento DN" de 08 de Julho de 2005

terça-feira, 14 de fevereiro de 2006

Rádios Locais: um espírito que (quase) se perdeu

O texto de terça-feira - Rádios Locais: o estado a que chegamos - motivou bastantes comentários. Todos os leitores se manifestaram contra o estado do panorama radiofónico local português.
São poucas, muito poucas, mas ainda existem emissoras locais que mantêm viva a chama que as fez nascer. Isto num universo de mais de trezentas e cinquenta estações de radiodifusão sonora local que existem em Portugal. Infelizmente, uma boa parte difunde conteúdos de outras emissoras, já que estão integradas em grupos de comunicação social sedeados noutros concelhos - principalmente da zona de Lisboa.
A Lei da Rádio de 1988 não correspondeu nem às expectativas nem às necessidades dos ouvintes e operadores (legais e ilegais) radiofónicos da altura. As revisões da Lei também não alteraram em nada – até pioraram, em muitos aspectos – o estado das coisas. Também a Alta Autoridade para a Comunicação Social (AACS) nunca esteve à altura dos desafios propostos. É por isso vai ser substituída pela nova Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC). Falta saber se este novo regulador vai ser suficientemente dinâmico para acompanhar os acontecimentos ou se vai fazer a mesma figura que a AACS.
Os grupos de comunicação social são hábeis em encontrar falhas na Lei, e com isso atingem os objectivos a que se propuseram: mais uma emissora para o “lote”. Com isto, temos concelhos que não têm uma única emissora local que dedique a sua programação e informação à população que serve.
Após a legalização - que na altura levantou dúvidas a muita gente – começou a difícil tarefa de arranjar maneira de suportar os encargos financeiros que a nova situação acarretava. Até à legalização a maior parte da programação era feita por gente não remunerada, que ia fazer umas horas porque gostava de “fazer rádio”. foi, então, necessário profissionalizar as emissoras. Ou seja, ter trabalhadores (técnicos, jornalistas, animadores, etc.) que assegurassem o perfeito funcionamento das estações, e estes tinham de ser pagos. De um momento para o outro os proprietários das emissoras – que na esmagadora maioria não sabia nada sobre o meio - descobriram que não era assim tão fácil gerir uma rádio. Foi o princípio do descalabro radiofónico local português e hoje os resultados vêm-se (ouvem-se).

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2006

Rádio digital

Desde 1998 que Portugal usufrui de rádio digital. O sistema Digital Audio Broadcast (DAB) foi o escolhido, mas passados oito anos tudo continua na mesma: a única estação a transmitir em digital continua a ser a RDP e os ouvintes que a escutam em DAB não serão muitos, porque um receptor ainda é caro, e os mesmos programas podem ser escutados simultaneamente em Frequência Modulada (FM).
Os ensaios com a rádio digital sucedem-se por essa Europa fora, mas as experiências não têm tido os melhores resultados, havendo, inclusive, alguns países que têm abandonado as emissões em DAB. A excepção é a Inglaterra, onde a oferta de emissões em DAB é maior e a venda de receptores vai de vento em popa.
A verdade é que o DAB não apresenta muitas vantagens sonoras em relação à FM. O argumento esgrimido de melhor som tem sido rebatido na prática, com muitos ouvintes a queixarem-se. A rádio é essencialmente áudio, e num carro - o local onde, hoje em dia, a rádio é mais escutada - é o essencial. Tudo o resto - os serviços que o DAB pode oferecer em paralelo com o áudio - pode levar a uma desatenção por parte do condutor e colocar em perigo a segurança rodoviária.
No que diz respeito à qualidade áudio, o sistema digital que apresenta vantagens é o Digital Rádio Mondiale (DRM) - um sistema emergente que realmente aumenta a qualidade do áudio da Amplitude Modulada (AM) para um patamar próximo ao da que se escuta em FM. No sítio do DRM pode ser comparada a qualidade áudio entre emissões em AM (Onda Curta) e DRM. A emissão que é feita em Portugal, desde Sines, da estação alemã Deutsche Welle (DW) também está lá para comparação. As diferenças são evidentes.

P.S. - O blogue Rádio e Jornalismo tem um texto sobre o seminário que a Associação Portuguesa de Radiodifusão (APR) promoveu na passada quinta-feira sobre a Rádio Digital.

domingo, 12 de fevereiro de 2006

Rádio Vaticano: 75 anos a evangelizar através do éter.

A A Rádio Vaticano comemora 75 anos de existência. No inicio da década de 1930, o Vaticano, apercebendo-se da força do novo medium, decidiu, então, criar uma estação de radiodifusão sonora para difundir os ideais católicos.
No dia 12 de Fevereiro de 1931, coube ao Papa Pio XI inaugurar a Rádio Vaticano, com a supervisão técnica de Guglielmo Marconi. Após um breve teste, foi enviado um sinal em código morse às 16h30 - «In nomine Domini, Ámen» (em nome do Senhor, ámem) - e, de seguida, aos microfones, Marconi fez uma breve apresentação do Sumo Pontífice. Depois, Pio XI tomou o microfone e tornou-se no primeiro Papa a difundir uma mensagem através da Rádio.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2006

Rádios de outrora em exposição em Gondomar

O Auditório Municipal de Gondomar tem em exposição várias dezenas de receptores radiofónicos de diferentes décadas do século XX. A mostra pode ser visitada gratuitamente de terça a sábado da 10h às 24h e aos domingos das 10h às 19h.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2006

Rádios Locais: o estado a que chegamos

Já é de sábado passado, mas só hoje li o artigo do DN, «O colapso das rádios locais», da autoria de Nuno Azinheira (não está online).
O artigo começa com uma pergunta bastante pertinente: «O que sobra das 314 rádios locais legalizadas em 1989 pelo governo de Cavaco Silva?» A resposta, também dada pelo articulista, é curta e elucidativa: «Pouco».
Nuno Azinheira dá um exemplo do estado a que as rádios locais chegaram: «num concelho (Sintra, um dos maiores do País) que, à época, tinha três rádios locais (duas delas de forte cariz informativo) e três grandes semanários jornalisticamente relevantes, sobram hoje estações que pouco mais fazem do que debitar música (uma delas transmite desde sempre programação religiosa, com os seus pastores brasileiros)(...).
A rádio de que vos falo (Ocidente, em Mem Martins) acaba de ser comprada pela Renascença, desconhecendo-se ainda o que o grupo que lidera a rádio em Portugal pretende fazer com ela. Mudar-lhe o nome, mudar-lhe o perfil, torná-la retransmissora de uma das suas estações são, para já, possibilidades.
Imaginar o fim de uma das mais importantes rádios da Área Metropolitana de Lisboa nos anos 90, confesso, é, para mim, difícil de engolir.
Os leitores perdoar-me-ão a escorregadela afectiva. Mas, emoções à parte, o retrato da rádio em Sintra é um espelho fiel do que se passa por todo o País
»
Nuno Azinheira tem razão. A maioria das rádios locais divide-se hoje «em retransmissores de cadeias nacionais, em descarados amplificadores de confissões religiosas, em rádios musicais tipo nostalgia, ou, pura e simplesmente, correias de transmissão de caciques políticos locais».
É triste, mas é verdade.

domingo, 5 de fevereiro de 2006

Qualidade sonora: a quem interessa?

Numa altura em que existem suportes áudio que atingem uma qualidade sonora superior (em comparação com a atingida pelo CD), é o áudio comprimido - com uma qualidade inferior - que tem conhecido uma maior expansão.
Vivemos com o áudio analógico até aos anos oitenta do século passado. Discos de vinil e cassetes de fita magnética analógicas eram os suportes de eleição caseiros para quem queria ouvir sons gravados. As estações de radiodifusão, além destes suportes, usavam bobines e cartuchos de fita magnética. Depois veio a febre do digital: o Compact Disc Digital Audio, vulgo CD; o Digital Audio Tape (DAT); a Digital Compact Cassete, que teve uma vida efémera, e o Mini Disc.
O CD foi anunciado como o som perfeito e eterno, mas rapidamente se constatou que assim não era e sofria dos mesmos problemas dos discos de vinil: microfonia, má leitura devido aos riscos, etc. Além disso, os ouvintes, numa audição “cega”(1), preferiam o som do disco analógico. O DAT, devido ao seu elevado preço, só encontrou aplicações profissionais. Mais tarde surgiu o Mini Disc (MD), que substituiu o walkman de cassetes, e até se tornou popular, perdendo apenas importância quando os Leitores de Áudio Digital (LAD), de disco duro ou cartões flash amovíveis, surgiram.
Os mais puristas – principalmente os audiófilos - criticaram a qualidade áudio do CD desde o seu início e finalmente as empresas de aparelhos áudio de consumo deram-lhes razão. Surgiram, então, dois formatos com vista à substituição do CD: o DVD – Audio e o Super Audio Compact Disc (SACD) (2). Curiosamente estes dois suportes – com uma qualidade sonora muito superior ao do CD – apareceram numa altura em que o áudio digital comprimido (3) começava a ser bastante popular.
Os CDs (e os SACD e os DVDs) são caros para a esmagadora maioria dos jovens (e não só). Os ficheiros mp3 vieram permitir que se tivesse acesso a um vasto universo musical, em muitos casos de forma gratuita.
A Internet permitiu que ficheiros de áudio fossem trocados entre os internautas para escuta no computador. Rapidamente, as empresas de hardware aperceberam-se do "filão" e começaram a fabricar aparelhos portáteis, que permitiam a leitura de áudio digital mp3, wma, Org, etc. Quem não gostou da brincadeira foram as empresas discográficas que rapidamente processaram judicialmente sítios que permitiam a troca livre de ficheiros áudio (como o Napster). Provavelmente a troca de ficheiros áudio até diminuiu, mas não cessou. Com os LAD surgiu uma nova forma de troca de músicas entre utilizadores, que haveria de evoluir até que o iPod, da Aplle, se transformar num standard levando, mesmo, a que o adjectivo para a troca de ficheiros entre aparelhos fosse uma aglutinação das palavras «iPod» e «broadcasting»(4) e que deu em «podcasting».
A verdade é que só quem cultiva o gosto pela qualidade sonora (normalmente conhecidos como audiófilos) é que está disposto a gastar cerca de quinze euros (ou mais) por disco, além de muitas centenas ou milhares de euros numa aparelhagem de som, numa tentativa de aproximar o áudio gravado que têm em casa à de uma actuação musical ao vivo. Grande parte da juventude não tem a preocupação de atingir um patamar superior na qualidade sonora, até porque, enquanto o audiófilo gosta de escutar música acústica (Jazz e/ou clássica), a generalidade dos jovens escutam sons electrónicos e/ou com efeitos (gerados por um sintetizador ou computador, como no caso da música de dança underground, ou então com guitarras eléctricas, como no Heavy Metal) que quase nada, ou nada mesmo, dizem a um audiófilo. É certo, no entanto, que a escuta é subjectiva - a forma como percepcionamos as vibrações acústicas (o som) depende de uma série de factores como idade, sexo, cultura, etc. Mas quem tem um LAD não está interessado em escutar a sua música favorita com “qualidade audiófila”. O que ele quer é encher o seu LAD com a música que gosta e se ela for “de borla”, melhor!

(1) - Numa audição “cega”, o ouvinte não sabe que suporte áudio está a tocar, escolhendo depois a que lhe soa melhor.
(2) – O CD apenas permite áudio em mono ou estéreo, enquanto que o DVD – Audio e o Super Audio Compact Disc permitem, também, som multicanal 5.1 (surround).
(3) – Existem muitas codificações digitais com compressão para o áudio, mas a mais popular é a mp3, que pode reduzir o tamanho de um ficheiro até doze vezes.
(4) - Broadcasting é o termo inglês para radiodifusão.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2006

O regresso

Francisco José Oliveira – o primeiro director da Rádio Nova, do Porto, e vice presidente da Associação Portuguesa de Radiodifusão – vai voltar aos microfones da rádio, com um programa diário na Rádio Lidador (Maia) e na Rádio Voz de Santo Tirso.
“Admirável Mundo Novo” é o nome do espaço radiofónico que vai apresentar em conjunto com a psicóloga Rita Moreira, a partir do dia 8 deste mês. O programa irá para o ar de segunda a sexta-feira às 22h30 e terá uma versão compacta ao domingo.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2006

Mais uma rádio de notícias?

Fala-se que o Rádio Clube Português (RCP) poderá vir a ser uma rádio de notícias e que a sigla RCP será extinta. No entanto, de concreto, apenas foi anunciado um reforço da informação, com noticiários de hora a hora, estando fora de questão o desaparecimento da música e do próprio nome da rádio.
Não será de estranhar se a Media Capital (MC) realmente criar uma emissora de notícias, já que um dos principais accionistas da MC, a Prisa, detém, em Espanha, a Cadena Ser - a mais bem sucedida cadeia de rádios espanhola. E provavelmente quer repetir o sucesso em Portugal.
Abrem-se, portanto, boas perspectivas de trabalho para jornalistas, pois Juan Luis Cebrián, administrador-delegado do grupo espanhol na MC, defende que «um jornalismo de qualidade, exigente e rigoroso na descrição dos factos, precisa de um bom número de especialistas – em economia, em ciência, em saúde, em leis – capazes de compreenderem o que sucede e de narrá-lo aos outros» (Cebrián, Juan Luís – Cartas a um jovem jornalista. Lisboa: Editorial Bizâncio, 1998).
No Blogouve-se também se pode ler sobre este assunto.

Seminários APR

A Associação Portuguesa de Radiodifusão inicia este mês um ciclo de seminários cuja temática está relacionada com a radiodifusão. O primeiro seminário, que se encontra agendado para o próximo dia 9 de Fevereiro, vai ter como tema “O futuro da rádio digital – que alternativa”. Este seminário terá como principal orador o engenheiro Miguel Henriques, da ANACOM, e estarão presentes os engenheiros Carlos Almeida, da Rádio Vouzela; José Pinto Ventura, da MCR; Francisco Mascarenhas, da RDP e Rui Magalhães, da Rádio Renascença.
O Seminário destina-se a todos os operadores do sector e irá decorrer em Lisboa, no Auditório do Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade Autónoma de Lisboa, situado perto do Cais do Sodré.

domingo, 29 de janeiro de 2006

O 25º aniversário do Febre de Sábado de Manhã

Foi um espectáculo de casa cheia. Júlio Isidro conseguiu reunir bandas que já não tocavam juntas há muitos anos. Os bilhetes esgotaram em três dias e quem assistiu não ficou defraudado nas expectativas.
Foi o recordar um bom programa de rádio, que poderá ter uma segunda edição na cidade do Porto. Espero que sim.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2006

BAREME RÁDIO 4.º TRIMESTRE 2005

Segundo o Bareme Rádio, da Marktest, a Audiência Acumulada de Véspera (AAV) diminuiu 0,4 pontos percentuais no último trimestre de 2005 (59,0%), em comparação com o mesmo período de 2004. Sem surpresa, o grupo Renascença (Renascença, RFM e Mega) continua a liderar as audiências com 25,4% de AAV. No segundo lugar está a Media Capital Rádios (Comercial, Cidade, RCP e Best Rock) com 15,5% de AAV. As emissoras do grupo RTP [Antena(s) 1; 2 e 3] conseguiram, no total, 8,9% de AAV. A TSF, do grupo Controlinvest, conseguiu 5,7% de AAV. As restantes emissoras tiveram 12,7% de AAV, enquanto 1,9% de ouvintes não sabem que estação escutaram.
Individualmente, a RFM obteve 13,5% de AAV e a Rádio Renascença conseguiu 10,8% de AAV. A Rádio Comercial teve 6,3% de AAV seguida da TSF - Rádio Notícias que teve 5,7%. A Cidade FM obteve 5,5% de AAV seguida da Antena 1 com 4,9%. A Antena 3 teve 3,4% de AAV e a Rádio Clube Português ficou-se pelos 3,1%. A Mega FM conseguiu 1,6% de AAV e a Best Rock FM teve 0,9%. A Antena 2 apenas conseguiu 0,5% de AAV.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2006

Jornalista da TSF recebe prémio internacional

Os 250 anos de Mozart na rádio

Algumas emissoras vão assinalar os 250 anos do nascimento de Mozart. A Antena 2 – uma rádio em que a maior parte da música é clássica - vai dedicar o dia de amanhã ao compositor. Exceptuando os programas de Jazz e a transmissão da Festa da Música, a partir de Nantes, às 17h00, todos os outros programas focarão a vida e obra de Mozart, com entrevistas a musicólogos e músicos. Às 21h00 a Antena 2 transmitirá em directo um recital de piano de Jorge Moyano, a partir da Fundação António de Almeida, no Porto.
A TSF começa já hoje a comemorar o aniversário do compositor com um “Fórum” especial, conduzido por Paulo Alves Guerra, e onde os ouvintes serão convidados a escolher excertos de temas de Mozart. Amanhã, o dia será marcado com reportagens desde Salzburgo e os noticiários da hora certa terminarão com música de Mozart.
A Rádio Paris Lisboa (RPL) dedicou toda a semana ao génio de Mozart. Amanhã as entrevistas a Rui Vieira Nery (10h20) e a António Vitorino d' Almeida (17h20) assinalarão a efeméride.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2006

Morreu o último dos Parodiantes de Lisboa

Rui Andrade - uma das gargalhadas mais famosas da rádio portuguesa - morreu ontem de manhã no Hospital de Santa Maria, com 84 anos, depois de ter sido vítima de um acidente vascular cerebral no sábado.
Os Parodiantes de Lisboa nascem a 18 de Março de 1947, pela mão de Ferro Rodrigues, Benjamim Veludo, Santos Fernando, Mário de Meneses Santos, Mário Ceia, Manuel Puga, José Andrade e Rui Andrade.
O nome “Parodiantes de Lisboa” surge a propósito da companhia teatral "Os Comediantes de Lisboa", de António Lopes Ribeiro e de Francisco Ribeiro (Ribeirinho), que actuava no Teatro da Trindade em Lisboa.
A primeira emissora a receber os Parodiantes foi a Rádio Peninsular. Todas as terças-feiras, às 20 horas, ia para o ar o programa “Parada da Paródia". Por aqui haviam ainda de passar gente famosa da rádio como Mary, Pouzal Domingues, Diamantino Faria e Pedro Moutinho, entre outros. Ninguém era remunerado pois, naquela altura, a publicidade estava proibida na rádio.
Com o passar do tempo, e já com permissão para comercializar o programa, os Parodiantes de Lisboa começaram a lançar novos programas, foi assim que nasceu o "Graça com Todos", no Rádio Clube Português e que se manteria até 1997, data em que Rui Andrade extinguiu os Parodiantes de Lisboa. Este programa chegou a ser transmitido, simultaneamente, em Lisboa, Porto, Madeira, Angola, Moçambique e em muitas estações estrangeiras destinadas aos emigrantes.
Rui Andrade foi considerado pela imprensa brasileira o melhor escritor europeu de humor. Extractos dos programas dos Parodiantes de Lisboa podem ser escutados no sítio Clássicos da Rádio.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2006

Podcasting português

O sítio do Clube dos Jornalistas tem disponível o texto de Paulo Miguel Madeira, do jornal Público, sobre o podcasting. O blogue O Segundo Choque faz um ponto da situação sobre os podcasts das emissoras portuguesas.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2006

Um programa de rádio para a comunidade chinesa

A Rádio Onda Viva, em parceria com o Casino da Póvoa e a Liga dos Chineses em Portugal, vai passar a emitir um programa dedicado à comunidade chinesa residente no norte do país.
O programa “Janela da China” irá para o ar de segunda a sábado, entre as 14h00 e as 15h00, e será falado em chinês e português. A apresentação está a cargo de Yanan e João Nuno. Música, notícias, entrevistas e aulas de português e chinês farão parte dos conteúdo deste espaço radiofónico.
No próximo dia 27, no Casino da Póvoa, será assinado o protocolo deste projecto pelos representantes do Casino da Póvoa, da Rádio Onda Viva e da Liga dos Chineses em Portugal, durante o Jantar de Comemoração do Novo Ano Chinês - o Ano do Cão.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2006

ERC Já tem quatro candidatos

PS e PSD apresentaram uma lista comum de candidatos a integrarem a futura Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC). Elísio Cabral de Oliveira, Estrela Serrano, Luís Gonçalves da Silva e Rui Assis Ferreira são os candidatos da lista conjunta dos dois partidos e serão ouvidos na próxima semana na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, antes da aprovação por maioria de dois terços dos deputados.
Falta conhecer o quinto elemento, que será escolhido pelos membros eleitos até cinco dias após a eleição. Os membros da ERC serão eleitos pela Assembleia da República no dia 2 de Fevereiro.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2006

“Febre de Sábado de Manhã” ao vivo e em directo... na televisão

O “Jornal de Notícias” traz um artigo sobre a apresentação do Triplo CD “Febre de Sábado de Manhã”, que homenageia o programa apresentado por Júlio Isidro na RDP - Rádio Comercial.
«O programa, que começou por ser apresentado ao vivo no Cinema Nimas, em Lisboa, esgotou a lotação naquela sala e foi depois levado até pavilhões gimnodesportivos, espaços ao ar livre e estádios, como o José Alvalade, onde reuniu 50 mil pessoas».
Júlio Isidro vai voltar a apresentar um "Febre de sábado de manhã", que terá a participação de alguns dos artistas que preenchiam o programa há duas décadas. O espectáculo terá lugar dia 28 deste mês, na Sala Tejo do Pavilhão Atlântico, com transmissão em directo pela RTP1.
O sítio da Rádio Comercial também assinala a ocasião.

Historia de um receptor

domingo, 15 de janeiro de 2006

Morte de um ouvinte em directo*

Quem escutava o programa (tipo fórum) de Pete Price, na estação inglesa Magic 1548 , de Liverpool, foi surpreendido com as derradeiras palavras, em directo, de um ouvinte, que faleceu com um ataque cardíaco.
O sítio da BBC News conta toda história em texto e em vídeo.

* Via Blogouve-se

sexta-feira, 13 de janeiro de 2006

Rádios Universitárias ? Não vale a pena, segundo o Presidente da FAP

Só vi hoje, alertado pelo “Rádio Informa”, a entrevista a Pedro Barrias, presidente (na altura ainda era candidato a...) da Federação Académica do Porto (FAP), no blogue JornalismoPortoNet. O que li deixa-me perplexo: «A FAP já teve uma rádio, em 1990, que não resultou. Há anos atrás apostou numa rádio na Internet - não funcionou. Não existem condições técnicas. Não existe na área do Porto espaço para frequências de novas rádios nem mercado. A Rádio Universitária do Minho demorou 15 anos a conseguir dar lucro e a ter um modelo de gestão que não desse problemas à associação académica».
Não me recordo que alguma vez a Federação Académica do Porto tivesse uma emissora hertziana legal. A estação que existiu, ligada aos estudantes universitários, ainda foi na década de 1980 - a Rádio Universitária do Porto – e era pirata, não tendo conseguindo a legalização em 1989.
A Rádio na Internet (a Académica Net) teve prestações brilhantes durante o “Porto 2001” e não só. Até o Dalai Lama foi entrevistado. Deixou de funcionar por falta de vontade.
Existem frequências livres na região do Porto e foi designada uma para uma futura rádio universitária, mas não foi aproveitada pela Universidade do Porto. A Universidade do Algarve aproveitou.
Não existe mercado? Mas patrocínios para queimas das fitas com milhares de litros de bebidas alcoólicas já há? E a Rádio Universidade de Coimbra? Como é que sobrevive num mercado bem mais pequeno? E a de Braga? e a do Algarve? Isto para não falar na do Marão ou a RIIST.
Quanto às condições técnicas, a Académica Net tem material técnico que tomara muitas emissoras locais ter.
«A Rádio Universitária do Minho demorou 15 anos a conseguir dar lucro»? Mas dá! E sobrevive! E é uma alternativa no éter, além de garantir postos de trabalho.
É uma forma de estar muito portuguesa esta do investidor querer retorno de imediato e, de perferência, com lucros. Depois é o que se vê.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2006

Quotas de música na rádio - I

Correio da Manhã”, “Público” (a notícia não está online) “Diário de Notícias” e “Diário Digital” falam da alteração à Lei da Rádio, aprovada ontem, que impõe às estações radiofónicas portuguesas a obrigatoriedade de passar entre 25% e 40% de música portuguesa - a percentagem será definida anualmente pelo governo - nas emissões entre a s 07h e as 20h. Da música portuguesa a difundir, 60% tem de ser composta ou interpretada por cidadãos da União Europeia em português. Se tivermos em conta que uma estação com muita música passa, na melhor da hipóteses, 16 trechos musicais por hora, então terá de colocar em antena pelo menos quatro canções em língua portuguesa. Destas quatro, uma pode ser de outra nacionalidade que não portuguesa.

terça-feira, 10 de janeiro de 2006

A não perder amanhã na Antena 2

Amanhã, o livro "As vozes da rádio", de Rogério Santos, vai ser tema de conversa no programa "Um certo olhar". O autor vai falar do seu livro e da história do meio radiofónico português.
O programa "Um certo Olhar" é apresentado por Luis Caetano na RDP - Antena 2, de segunda a sexta entre 12h e as 13h.

As rádios universitárias

O jornal “Diário de Notícias” tem um artigo bastante interessante sobre as rádios universitárias. No entanto, só são focadas as estações hertzianas (Coimbra, Minho, Algarve e Marão), ficando de fora as que emitem online (como a RIIST, por exemplo).
As emissoras académicas têm tradição em Portugal. Data de 1933 o primeiro projecto da Universidade de Coimbra: a “Emissora Universitária de Coimbra”.
Mas a radiodifusão académica não se limitou ao ensino superior. Na década de 1940, o liceu Pedro Nunes, em Lisboa, teve uma emissora em Onda Média que transmitia umas horas por dia. Nos anos cinquenta foi criada a Rádio Universidade, cujos programas eram feitos nos estúdios radiofónicos do Centro Universitário de Lisboa da Mocidade Portuguesa, e emitidos através dos emissores de "Lisboa 2" da Emissora Nacional.
Na década de 1980, nasceram vários projectos universitários, mas que acabariam por desaparecer, como a Rádio Universidade do Tejo ou a Rádio Universitária do Porto.

domingo, 8 de janeiro de 2006

quarta-feira, 4 de janeiro de 2006

O Ouvidor

O termo Ouvidor parece estar na moda desde que alguns candidatos à presidência da república portuguesa referiram o termo. Como este blogue tem como endereço “ouvidor” deixo algumas definições.
Segundo o “Dicionário de Comunicação” (Editorial Campus. 2002, Rio de Janeiro), um Ouvidor é um «profissional contratado por uma organização para observar e criticar detalhes que precisem ser corrigidos. Compete ao ouvidor receber reclamações, registá-las e investigá-las, apresentar críticas e avaliar as providências tomadas para correcção das falhas, tendo em vista o aprimoramento constante e o equilíbrio da organização no ecossistema social. Atuando de forma terceirizada ou fazendo parte do quadro de empregados da organização, ele precisa ter total delegação e confiança da alta administração e dos diversos públicos envolvidos, além de manter absoluta imparcialidade em relação aos assuntos que analisa».
Ou seja, no Brasil o Ouvidor é o Provedor do Ouvinte. Mas o termo é anterior à rádio e mesmo à descoberta do Brasil. Um Ouvidor - do latim auditore - era o representante do rei numa região e era a ele que competia zelar pela jurisdição régia e superintender os oficiais da sua comarca, investigando o modo como era administrada a justiça. Na diocese de Angra do Heroísmo (Açores) ainda se chama Ouvidor ao arcipreste (delegado do Bispo com jurisdição sobre determinado número de freguesias).
Uma outra definição para Ouvidor encontrei-a no blogue “O Coiso”: «antigo instrumento em forma de funil, que os moucos aplicavam ao ouvido, com a parte mais aberta para fora e pela qual se lhes falava».
Segundo o "Dicionário de sinónimos e antónimos da língua portuguesa" (texto editores), "escutador" e "ouvinte" são sinónimos de Ouvidor.

terça-feira, 3 de janeiro de 2006

No jornal “A Voz de Trás-os-Montes”

O semanário “A Voz de Trás-os-Montes” mantém uma coluna, da responsabilidade de Luís Pizarro, intitulada “Arquivos da Rádio”. Os artigos que li são mais direccionados para o radioamadorismo, mas a informação técnica é bastante interessante.
Os “Arquivos da Rádio” não estão disponíveis online, o que é pena.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2006

Rádios transmontanas dedicam espaço à Europa

A Cadeia de Informação Regional (CIR), que engloba várias rádios dos distritos de Bragança e Vila Real, vai passar a integrar a partir de hoje informação sobre a Europa.
A informação será distribuída por três blocos, sendo o primeiro um programa de 2 a 3 minutos a incluir no final do noticiário da CIR (2 edições diárias, às 12h30 e 18h30) e que conterá informação breve e factual de assuntos correntes, políticas e actividades europeias. Neste bloco noticioso serão privilegiadas questões que interessem aos ouvintes transmontanos (agricultura, floresta, questões regionais e transfronteiriças)
O segundo bloco noticioso será incluído no magazine CIR (sábados das 10h00 às 11h00) com duração de 5 a 10 minutos, e terá informação mais detalhada sobre temas europeus.
O terceiro bloco será o programa “Futuro da Europa”, com debates, entrevistas, esclarecimentos e sessões de perguntas / respostas com a duração de 45 / 50 minutos, a transmitir semanalmente em horário diferenciado escolhido por cada emissora. Cada programa será submetido a um tema específico: PAC, PESC, Ambiente, etc.
O primeiro programa “Futuro da Europa” será difundido no dia 08 de Janeiro, e vai contar com a presença do Embaixador de Portugal no Brasil, Francisco Seixas da Costa, que exerceu o cargo de Secretário de Estado dos Assuntos Europeus, entre 1995 e 2001. Foi, também, o representante português nas negociações dos Tratados de Amesterdão (1996-97) e de Nice (2000) e coordenou a posição portuguesa na negociação da Agenda 2000 (1997-99).
O “Futuro da Europa” é produzido pela Universidade FM, de Vila Real, sendo moderado pelo jornalista Luís Mendonça. Em estúdio também estarão António Martinho (Governador Civil de Vila Real) e José Paulo Wilson (especialista em assuntos europeus).
A Cadeia de Informação Regional (CIR) é constituída pelas rádios Universidade FM (Vila Real), Montalegre, Vinhais, Onda Livre (Macedo de Cavaleiros), Brigantia (Bragança), Terra Quente FM (Mirandela), Alfândega FM (Alfândega da Fé). Ansiães FM (Carrazeda de Ansiães) e Mirandum FM (Miranda do Douro).