«aquela magia da música que vem do éter, é um hábito que se está extinguir (…) a rádio enquanto escuta caseira é um hábito que faliu e que nos fugiu, e não há maneira de voltar». António Sérgio in "Suplemento DN" de 08 de Julho de 2005

quinta-feira, 20 de outubro de 2005

Pedro Tojal em entrevista no DN

O jornal “Diário de Notícias” traz mais uma entrevista a um homem da rádio. Desta vez o escolhido foi o administrador da Media Capital Rádios (MCR), Pedro Tojal.
Paula Cordeiro, no blogue Net FM, e João Alferes Gonçalves, no sítio do Clube de Jornalistas, já escreveram sobre as declarações de Pedro Tojal ao DN.
O Administrador da MCR falou, entre outros assuntos, do serviço público de rádio: «Mantinha a Antena 1 e privatizava a 2 e 3. Esta última tem um parque de emissores brutal com tecnologias do melhor que existe. A Antena 2 é o que é aparece com audiências residuais. Para quê existir se não têm ouvintes? Os serviços da Antena 2 e 3 podiam ser incluídos na Antena 1».
Os serviços da Antena 2 e Antena 3 não podem ser incluídos na Antena 1. É certo que a Antena 2 não tem muitos ouvintes, mas é uma alternativa, pois presta serviço público radiofónico ao passar a música que jamais se iria escutar em nenhuma das estações da MCR e dificilmente (talvez, nunca) noutras estações privadas. Em relação à Antena 3 passa-se a mesma coisa. É inegável que a Antena 3 tem vindo a melhorar nos últimos tempos, apostando na divulgação de jovens músicos portugueses e em alguns programas de autor. A Antena 1 é bastante diferente destas duas emissoras, já que tem uma função mais informativa e pedagógica.
Recomendo vivamente a leitura do texto de João Alferes Gonçalves e o de Paula Cordeiro.

terça-feira, 18 de outubro de 2005

TSF aposta nos podcasts

A TSF- Rádio Notícias vai disponibilizar podcasts no seu sítio da Internet, podendo os ouvintes descarregar para os seus Leitores Digitais de Música (LDM) ficheiros mp3 com os programas que não conseguiram escutar no rádio ou que queiram ouvir outra vez.
Ainda acerca do Podcast, João Paulo Meneses vai apresentar um novo programa na TSF, que fala desta tecnologia - o “rádio.com” - que irá para o ar aos Sábados às 13h10.
Ainda mais uma nota: a RDP, mesmo com um orçamento milionário, continua a estar em segundo plano no que diz respeito à inovação. Se antes de 1974 “andava a reboque” do formato dos programas e das novidades tecnológicas apresentadas pelo Rádio Clube Português, ainda continua a ser o sector privado que está um passo adiante da rádio que é paga com o dinheiro de todos. E o podcasting não acarreta grandes despesas.

segunda-feira, 17 de outubro de 2005

Na “Kulto” deste domingo

A revista “Kulto”, distribuída aos domingos como jornal “Público”, traz um interessante artigo para os jovens que gostam de rádio: «Como fazer o meu programa de rádio (e ter ouvintes verdadeiros)».
A “Kulto” faz uma incursão no mundo dos podcasts, chamando a atenção dos jovens que fazer rádio já é para todos.
A revista apresenta sítios da Internet onde se pode aprender mais sobre o podcasting, como o ipodder, o my podcasts e o feed burner. Para a edição áudio (necessária à gravação e edição do programa), a “Kulto” recomenda dois locais onde se pode descarregar programas gratuitos, o tiny url e o audacity.

sábado, 15 de outubro de 2005

Rádios musicais em vias de extinção?

Já em vários textos critiquei o facto de predominarem em Portugal as emissoras de «música e menos palavra». Não é novidade nenhuma que as madrugadas da esmagadora maioria das rádios locais é feita com recurso a sistemas de emissão automáticos. As que tem uma cobertura mais abrangente (RCP, RFM, Cidade, etc.) também não primam pela prolixidade do discurso.
Durante o dia é «uma hora de música sem parar» ou então «são sete seguidas». Basta ir sintonizando as emissoras portuguesas que logo se escutam frases promocionais deste género. As rádios portuguesas escolhem este caminho porque é o mais barato. No entanto, as vendas de Leitores Digitais de Música (LDM) aumentam de dia para dia - no último trimestre, venderam-se mais de seis milhões e meio de iPods. Ou seja, são um forte concorrente das emissoras musicais, pois com as descargas de música em mp3 da Internet ou a partilha destes ficheiros entre LDM, pode-se ter, virtualmente, toda a música que se quer, para se ouvir onde e quando apetecer.
Porque é que vou ouvir rádio, e esperar que uma emissora passe aquela música que gosto, se posso escutar o que quero a qualquer momento?
A rádio Portuguesa terá de apostar noutros formatos, que não o «muito mais música, menos palavra».

quarta-feira, 12 de outubro de 2005

Compensação pelos tempos de antena.

Foi Homologada a tabela de compensação pela emissão radiofónica dos tempos de antena relativa à campanha das eleições autárquicas, para as estações de radiodifusão de âmbito local, no valor de € 12 por minuto - Portaria nº 981/2005, de 6-Out (DR I série-B, nº 192, pág. 5927) .

terça-feira, 11 de outubro de 2005

AM, FM, DAB, DRM e Comprimento de Onda

Com a radiodifusão digital, o ouvinte terá de acrescentar novas palavras no seu léxico - onde já existem termos como FM, AM, OM, OC, etc. - para saber a sintonia da sua emissora preferida: DAB e DRM.
A Amplitude Modulada (AM) está praticamente esquecida em Portugal e quase ninguém se lembra de que as emissoras trabalham em Frequência Modulada (FM), porque todas as rádios do continente funcionam em FM, daí que as novas siglas possam vir a gerar algum caos (no caso de serem licenciadas emissoras em DRM e DAB, senão o problema não se coloca), até porque, ao alterarem as emissões analógicas para digitais, as estações terão de alterar as suas frequências de emissão.
Existe alguma confusão entre Amplitude Modulada e Onda Média (OM). A OM (300 kHz – 3000 kHz) é um comprimento de onda, enquanto que a AM é uma forma de emissão, que também engloba a Onda Curta (3000 kHz – 30 000 kHz) e a Onda Longa (30 kHz – 300 kHz). No entanto muitas vezes é referida a AM quando se quer dizer OM e vice-versa.
As emissões em Amplitude Modulada – ou modulação em amplitude – são efectuadas segundo o princípio da variação de amplitude de uma portadora de radiofrequência (RF), de acordo com o sinal áudio do programa transmitido. A resposta em frequência do áudio é limitada, (aproximadamente de 40Hz a 5kHz), sendo as transmissões, em geral, monofónicas, embora também existam estações de radiodifusão AM estéreo (muito comuns na América). Uma das vantagens das emissões em AM é a sua capacidade de propagação, que permite, com um emissor de potência relativamente baixa, atingir longas distância, devido à reflectividade das ondas electromagnéticas (ou hertzianas) numa região atmosférica electrificada chamada ionosfera e pela superfície da terra.
A Frequência Modulada (FM), ou modulação em frequência, é outra forma de emissão que trabalha no comprimento de onda VHF [Very High Frequency (frequência Muito Alta)]. As emissões em FM utilizam o princípio da variação de frequência de uma portadora RF de acordo com o sinal de áudio do programa a ser transmitido. A reprodução áudio é substancialmente melhor em FM (entre os 30 Hz e os 15 kHz) e as emissões são, por norma, estereofónicas. A desvantagem da FM é o curto alcance das emissões, mesmo com transmissores potentes, já que as ondas electromagnéticas acima de 30 Mhz não são reflectidas pela ionosfera.
As emissões digitais em DAB (Digital Audio Broadcasting) são efectuadas em VHF (175 MHz a 240 MHz - VHF banda III - e 1452 MHz a 1492 MHz - VHF banda L). Já as emissões em DRM (Digital Radio Mondiale) serão efectuadas abaixo dos 30 MHz, precisamente na faixa onde se emite em AM.

domingo, 9 de outubro de 2005

A rádio em dia de eleições

As principais estações portuguesas (A1, TSF e RR) têm emissões especiais para cobrir as eleições autárquicas. João Paulo Meneses tem um texto interessante no seu blogouve-se, sobre a noite eleitoral.
Concordo com ele quando diz que as eleições são um espectáculo televisivo e não radiofónico.

sábado, 8 de outubro de 2005

A ler no DN de hoje: a entrevista a Luís Montez

Luís Montez, proprietário da Lusocanal (que controla os destinos das rádios Rádar, Oxigénio, Capital, Marginal, Nova e Festival), fala da rádio portuguesa numa entrevista concedida ao “Diário de Notícias”, no artigo "Quem não gostaria de ter uma rádio como a TSF?".
Luís Montez afirma que gostaria de ser dono da TSF, já que esta «é uma das melhores rádios de informação da Europa». Criar uma emissora de notícias – como a TSF - não faz parte dos seus planos porque «O investimento para criar notoriedade e credibilidade levaria anos e seria tão alto que seria incomportável. Já existem três estações com boa informação a TSF, a Antena 1 e a Renascença. É oferta suficiente».
Em relação à concentração de rádios Luís Montez pensa que a lei deve ser alterada e permitida uma maior concentração de estações.
Em relação ao futuro do meio o patrão da Lusocanal está optimista, pois acha que «o sector tem vindo a adaptar-se às circunstâncias. Felizmente que a Internet veio valorizar o meio rádio. Em conjunto apanham a audiência que foge da televisão, com qualidade duvidosa. Já as rádios portuguesas são bem feitas e tecnologicamente bem apetrechadas, mas têm que fazer um esforço na área de marketing e comercial».
O serviço público de rádio também foi focado, e Luís Montez deixou, inclusive, uma proposta: «as privadas também prestam serviço público, só que não são remuneradas por isso. À volta de 60 milhões de euros é quanto pagam todos os portugueses (inclusive alguns deficientes auditivos), através da taxa de radiodifusão. Acho que 5% desta verba devia ir para as rádios locais, que vivem com grandes dificuldades, porque não há mercado publicitário para as sustentar, sendo ainda as que mais passam música portuguesa e as que mais próximas estão dos ouvintes».

sexta-feira, 7 de outubro de 2005

Novo e-mail

Devido ao número de mensagens de spam que recebo diariamente no meu correio electrónico, o endereço para contacto passa a ser radio.em.portugal @ gmail.com.

quinta-feira, 6 de outubro de 2005

Universidade Radar

Quem vive na região da grande Lisboa pode, desde segunda-feira, escutar o Universidade Radar – um programa produzido e apresentado por alunos de Ciências da Comunicação da Universidade Autónoma de Lisboa na Radar (97.8 MHz) de segunda a sexta, das 23 às 24 horas.
O programa resulta de um acordo entre a Radar e a UAL, permitindo assim que os alunos da disciplina de Atelier Rádio apliquem os seus conhecimentos.
O dia-a-dia do programa pode ser acompanhado no blogue “Universidade Radar”.
Este é um bom exemplo da cooperação que pode existir entre as emissoras e as universidades com cursos de comunicação: as estações radiofónicas ganham programas originais e os alunos experiência profissional.

quarta-feira, 5 de outubro de 2005

Os pioneiros da rádio portuguesa num livro de Rogério Santos

Um novo livro sobre a história da rádio é sempre um acontecimento, porque ainda são raras as obras sobre esta temática e, também, porque as que existem têm imprecisões, fruto, certamente, de investigações menos aprofundadas e muitas vezes baseadas em obras anteriores que continham apenas breves referências a factos importantes, o que levou a que a sua interpretação fosse ambígua e, consequentemente, se fossem repetindo erros.
As vozes da rádio, 1924-1939, não deixará, de certeza, margem para dúvidas sobre os primeiros anos da radiodifusão em Portugal. O tempo despendido por Rogério Santos na pesquisa e análise dos factos e a sua experiência no campo da história dos media - comprovado por outras obras da sua autoria que abrangem o tema da história da rádio em Portugal*, e pelo blogue Indústrias Culturais (provavelmente o melhor blogue sobre esta temática) - atestam a qualidade desta obra.
As vozes da rádio, 1924-1939, é editado pela Caminho e será apresentado às 19:30 do próximo dia 20 de Outubro, durante o congresso da SOPCOM, em Aveiro.

* Rogério Santos é autor, entre outras obras, de dois livros que tocam o tema da radiodifusão: Olhos de boneca. Uma história das telecomunicações 1880 – 1952 [1999, Lisboa, Edições Colibri] e Os novos media e o espaço público [1998, Lisboa: Gradiva]. O primeiro capítulo desta obra pode ser lido no sítio da editora.

domingo, 2 de outubro de 2005

Mais uma contestação à Antena 1

Depois da denúncia que alguma música portuguesa é discriminada na Antena 1, agora é a vez da política. Existe um sítio na Internet que acusa a Antena 1 de só conhecer autarquias cujo presidente da câmara é do PSD .
De facto, o texto Espaço autárquico da RDP/Antena 1 só conhece municípios "laranja" mostra um quadro onde se pode ver os concelhos, e respectiva “cor política”, a que a Antena 1 dedicou emissões entre 19 de Junho e 18 de Setembro de 2005. Uma outra página mostra os blogues que já fizeram referência a este tema.
Desconheço quem é o autor da página, já que a única referência que existe ao proprietário do espaço é um endereço electrónico (amrsilva @ simplesnet.pt).

quarta-feira, 28 de setembro de 2005

Saudades da rádio de outros tempos

Não é nenhuma novidade que a rádio que se faz em Portugal é uma rádio barata: muita música e pouca palavra. Ou seja, a intervenção do elemento humano está reduzida ao mínimo. Mas a culpa não é de quem repete incessantemente slogans que enaltecem as virtudes de “sete seguidas” ou de “uma hora sem parar” (estou a falar de música, evidentemente). Penso que todos os animadores radiofónicos preferiam fazer programas de autor – os seus programas, com a “sua” música e com as suas palavras.
Alguns comentários ao texto de sexta-feira - MCR altera frequências da Cidade FM – são elucidativos do descontentamento que grassa por esse país fora. Mas, ressalve-se, ainda existem algumas emissoras que permitem alguma imaginação e não cerceiam a criatividade dos seus animadores, só que são casos cada vez mais raros.
Li no blogouve-se a referência ao texto “Para quem não quer ouvir mais nada”, que recorda a rádio de outros tempos, uma rádio que ainda não estava demasiado formatada e que fazia companhia aos ouvintes.
A rádio portuguesa segue um caminho mais económico onde o computador tomou conta do éter e, pior ainda, grande parte da música que por lá viaja é a de consumo imediato (como uma chiclete).

terça-feira, 27 de setembro de 2005

Mais um livro sobre rádio

Vai ser lançado no Brasil mais uma obra sobre técnicas radiofónicas, da autoria de Cyro César: Rádio. A mídia da emoção.
A apresentação da obra vai ser feita em S.Paulo, no dia 6 de Outubro, mas pode ser encomendada via Internet, assim como outras obras do autor.

sexta-feira, 23 de setembro de 2005

MCR altera frequências da Cidade FM

No próximo dia 1 de Outubro, a Cidade FM vai mudar de frequência de emissão. esta estação passará a ser sintonizada em 90.0 MHz no Porto e 91.6 MHz em Lisboa.
O director geral da Media Capital Rádios (MCR), Pedro Tojal, diz que esta troca de frequências vai permitir à Cidade FM «chegar ao seu público com maior potência, levando-lhes a música com a qualidade de som que eles merecem».
A Cidade FM vai ocupar as frequências da Rádio Voxx, que dará por findas as suas emissões. Para as frequências que irão deixar de ter a Cidade FM, a MCR prepara uma nova emissora: a Foxx FM.

quinta-feira, 22 de setembro de 2005

A música portuguesa na Antena 1

Recebi nos últimos dias dois e-mails que referem algumas dezenas de artistas que estão fora da programação da Antena 1. Não posso confirmar se os artistas referidos estão realmente fora da programação da Antena 1, pois só esporadicamente é que escuto esta emissora.
A lista refere artistas como Amália, Adriano Correia de Oliveira, Carlos Mendes, José Afonso, Anamar, Fernando Girão, Júlio Pereira, Pedro Barroso, Tet Vocal, José Mário Branco, Paulo de Carvalho e toda a música de Coimbra (deduzo que sejam os fados).
É verdade que não são artistas que estão nos tops, mas a Antena 1 também não é uma estação que só passa os discos que estão na moda. Se a exclusão de alguns artistas portugueses não é intencional é uma situação que deve ser rapidamente corrigida, se é, então é censura, o que é inadmissível numa estação pública.
O director da RDP, Rui Pêgo, foi informado desta lista através de um e-mail enviado por Álvaro José Ferreira, que também se congratulou com o facto de o programa “Lugar ao Sul” - de que ele é um defensor - voltar a ser emitido aos sábados a partir das 09 horas da manhã, mas contestou a redução da duração do programa, de duas para um hora.

domingo, 18 de setembro de 2005

Homens ouvem mais rádio que as mulheres

Segundo Bareme Rádio da Marktest, 69,2% dos homens ouvem rádio, mas apenas 51,4% das mulheres o fazem.
No primeiro semestre de 2005, o tempo médio de escuta radiofónica atingiu as 3 horas e 21 minutos por dia, sendo que os homens registam um consumo de mais oito minutos diários.

Análise Regular dos Media

O sítio do Obercom disponibiliza o Media Regular Analysis, uma análise aos sectores da rádio, Internet e Cinema.
De realçar que na análise ao sector da rádio aparecem duas rádios locais - a Rádio Nova Era (Vila Nova de Gaia) e a Rádio Festival (Porto).

sexta-feira, 16 de setembro de 2005

Curso de Técnicas de Comunicação para Rádio e Televisão

O Departamento de Ciências da Comunicação (CC) da Universidade Autónoma de Lisboa (UAL) vai ministrar um curso de Técnicas de Comunicação para Rádio e Televisão, com inicio previsto para 31 de Outubro de 2005.
O curso tem uma duração de 5 horas/semana, num total de 120 horas, e destina-se a todos aqueles que pretendem seguir uma carreira profissional na apresentação quer de programas informativos quer de entretenimento na rádio e na televisão.
Os interessados podem obter mais informações no sítio do curso.

Mais uma razão para os homens ouvirem rádio...

...Porque ver televisão pode causar impotência.

quinta-feira, 15 de setembro de 2005

Vem aí um receptor híbrido multibanda

Até ao final deste ano vai ser comercializado (pelo menos lá fora, mas pode-se encomendar via Internet) um receptor radiofónico capaz de receber emissões analógicas em FM e AM (ondas curtas, médias e longas) e emissões digitais em DAB e DRM.
Captar as emissoras estrangeiras em DRM com uma qualidade sonora idêntica ao da actual Frequência Modulada, é uma alternativa ao marasmo radiofónico que Portugal tem durante as madrugadas.
O preço final deverá rondar os 250 euros - um pouco caro, mas, se calhar, compensa. Uma foto do receptor pode ser vista no sítio da BBC News.

terça-feira, 13 de setembro de 2005

Curso de rádio

A “Académica FM” (Porto) vai ministrar um curso financiado de aperfeiçoamento em rádio (nível 4). O curso funcionará de segunda a quinta-feira, em horário pós-laboral (19h-22h), e terá início a 26 de Setembro, tendo uma duração de 108h.
Os interessados poderão pedir mais informações através do e-mail formacao @ academicanet.fm.
A "Académica FM" é uma entidade acreditada pelo IQF.

A angústia dos formatos II: A nova era tecnológica da rádio

Os anos 90 do século XX foram, para a radiodifusão, um marco: os telemóveis, a rádio digital, as emissões online e, já em pleno século XXI, os podcasts, transformaram a rádio.
Até meados dos anos noventa do século passado, era raro existir um computador numa emissora, agora ele é uma ferramenta praticamente indispensável de qualquer estúdio, seja ele de emissão ou de produção.
A rádio digital nasce com o frenesim digital da década de 1980. Os relógios de cristal líquido estavam no pulso de todos, o CD prometia som perfeito e eterno (não foi assim, mas estas são contas de outro rosário), os primeiros computadores pessoais começavam a estar disponíveis para a maioria dos consumidores e as máquinas de jogos digitais (tipo ZX Spectrum) faziam as delicias dos adolescentes. Qualquer aparelho que ostentasse a palavra “digital” tinha mercado. Não foi de estranhar, portanto, que rapidamente aparecesse o FM digital ( mais tarde chamado de IBOC e agora HD Radio) na América, as emissões radiofónicas digitais por satélite (com codificação digital diferente da rádio digital terrestre), o ISBD-T no Japão e o DAB na Europa. Finalmente surge o DRM, que parece ser o único sistema que reúne condições para ser um formato mundial. E só assim poderá ter sucesso, pois se não houver uma uniformização mundial, uma rádio do Japão não poderá ser escutada na América, assim como uma rádio americana não poderá ser escutada na China. A facilidade de recepção de uma emissora digital deve ser igual, ou superior, à que existe agora.
A rádio online acrescentou à tradicional estação de FM ou AM outro meio de propagação, para além do hertziano. Hoje qualquer estação local de Frequência Modulada já não está sujeita aos limites impostos pela potência do emissor ou por obstáculos terrestres. Se transmitir em streaming através da Internet pode, virtualmente, ser escutada em qualquer lugar do mundo. Mas até uma rádio online se pode perder nos meandros das codificações digitais. Real Audio, mp3, wma, quick time e Ogg Vorbis são os formatos mais comuns, e para alguns deles – caso do real audio e do quick time – são mesmo necessários descodificadores próprios. Embora os leitores de formatos específicos estejam disponíveis para descarregar nos sítios das emissoras, é sempre mais um programa para ocupar espaço no disco rígido do computador e muitas vezes surgem conflitos de software que não permitem que se escute rádio online.
Os telemóveis permitiram uma mobilidade que até aí era inexistente: um reporter podia chegar a um acontecimento qualquer, mesmo longe da emissora, e rapidamente entrar em directo. Esta ainda é uma vantagem que a rádio tem sobre os outros meios de comunicação social.
A fase do ouvinte passivo terminou quando a rádio aproveitou o telefone. Desde o tempo em que apenas se pedia um disco por telefone até aos fóruns, a rádio sofreu muitas alterações. Os podcasts são mais um passo na evolução da rádio e uma nova forma de interacção ouvinte/rádio em que o ciclo se fecha. O ouvinte já não escuta programas de outros, ouve o seu próprio programa.
A tecnologia evolui contínuamente, será ela a ditar o fim da rádio? O futuro dirá. Mas de certeza que enquanto a rádio for o único medium que permite a acumulação (ler o jornal e ouvir rádio, por exemplo) e se cumprir a sua função de fazer companhia, não sendo apenas uma juke box fria e impessoal, esta terá sempre um lugar privilegiado nos meios de comunicação e no coração dos ouvintes.

sábado, 10 de setembro de 2005

Um anúncio bastante curioso

Vi no Rádio Informa a imagem de um anuncio - publicado no Diário de Notícias – que reza o seguinte: «Rádios. Cede-se capital de oito rádios do Minho/Algarve. Aceitam-se propostas para uma ou todas (...)»
Segundo o Rádio Informa, as oito frequências são as que retransmitem a Rádio Capital, mas as frequências do Porto e de Lisboa não estão neste “pacote”.
A Lei só permite a concentração de até cinco emissoras (claro que existe sempre forma de dar a volta), mas não era motivo para a Alta Autoridade para a Comunicação Social investigar?

quarta-feira, 7 de setembro de 2005

A angústia dos formatos* - I

Chamou-me a atenção o texto «Tecnologias e Memória» que Rogério Santos escreveu no blogue Indústrias Culturais. O texto levou-me a pensar que nós, os consumidores, somos o bombo da festa nas guerras de mercado.
Em Portugal vivemos uma indefinição quanto à rádio digital. O Digital Audio Broadcasting (DAB) é uma realidade, mas só para a RDP e para uns poucos ouvintes que investiram num (ainda muito caro) receptor de rádio digital. O Digital Radio Mondiale (DRM) tem registado avanços, mas ainda não está disponível para a esmagadora maioria das pessoas. Vivemos rodeados de tecnologia e com a velocidade com que esta se desenvolve estamos sujeitos a que o DAB (ou o DRM) fique obsoleto ainda antes de nós, em Portugal, podermos usufruir das suas vantagens.
Digital é a palavra de ordem desde a década de 1980. O disco analógico de vinil tornou-se obsoleto com o aparecimento do CD; o VHS está a ser (já foi?) rapidamente substituído pelo DVD-Video; a cassete de fita magnética analógica foi substituida pelo MD, pelo CD-r e pelos formatos de áudio digital comprimido; a rádio analógica está, lentamente, a dar lugar à rádio digital. Curiosamente o DVD-Video ainda não aqueceu o lugar e já se perfilam dois candidatos para a sua substituição: o HD-DVD e o Blu Ray. Com o CD passa-se a mesma coisa, já tem dois candidatos à sucessão: o DVD-Audio e o SACD (Super Audio Compact Disc). O CD só ainda não se tornou uma peça de museu porque os fabricantes de equipamentos e as editoras discográficas não chegam a um acordo quanto ao formato que o irá substituir.

* Título inspirado num trabalho de Leonardo di Marchi, intitulado «A
Angústia do Formato: uma história dos formatos fonográficos», publicado na Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação.

terça-feira, 6 de setembro de 2005

“Música no ar”

Semanalmente, a partir do dia 18 de Setembro, a RTP 1 vai transmitir “Música no ar” - uma homenagem à televisão e à rádio de outros tempos. São seis programas que retratam a sociedade portuguesa da segunda metade do século XX.
Os programas têm como cenários um estúdio de rádio e outro de televisão e, entre outros assuntos, vão falar da história destes dois meios de comunicação.

segunda-feira, 5 de setembro de 2005

Programas de rádio na televisão

Os formatos que servem para um meio (porque foram concebidos e respeitam as características) provavelmente falharão quando são transportados, sem qualquer cuidado, para outro. Um exemplo disso é dado às quartas e sextas feiras, às 05h00 (06h00 hora espanhola), pela TV Galicia, que transmite um noticiário desde os estúdios da Rádio Galega. O que se vê, através de uma câmara fixa, são três jornalistas sentados num estúdio de rádio a ler as notícias, ouve-se os registos sonoros e nada mais. Ou seja, não é atractivo pois a imagem não acrescenta nada de útil.
Por cá, também já tivemos uma experiência similar com o programa Bancada Central, da TSF, que era transmitido em directo no canal SMS através de uma webcam. O resultado também era fraco.

Contribuição para o audiovisual

A contribuição para o audiovisual vai ser alargada às empresas. Até aqui apenas os consumidores particulares de energia eléctrica eram obrigados a pagar esta taxa, que está incluída na factura da EDP.
A contribuição para o audiovisual destina-se a financiar o serviço público de rádio, prestado pela RDP, e o canal de televisão 2:. Com esta medida o Estado passa a arrecadar mais cinco milhões de euros por ano.

quinta-feira, 1 de setembro de 2005

A música na TSF

João Paulo Meneses faz «Um apelo aos animadores da TSF», no Blogouve-se. O jornalista chama a atenção para a forma como a música tem sido tratada na TSF. Miguel Fernandes – animador da TSF – respondeu e explica o que se passa.

Tempo de antena

Dia 9 de Outubro há eleições para os Órgãos das Autarquias Locais. Determina a Lei que este é o único acto eleitoral que obriga à emissão de tempos de antena por parte das rádios locais.
Entre 27 de Setembro e 7 de Outubro, as emissoras locais são obrigadas a reservar dois espaços de 15 minutos cada, um a emitir durante a manhã e outro ao final da tarde ou durante a noite, para a emissão dos referidos tempos de antena.
Segundo um documento informativo da Comissão Nacional de Eleições, a Lei aplica-se a «estações de radiodifusão sonora local (de programas generalistas e temáticos informativos), com sede na área territorial do respectivo município».
O que me parece menos claro é a posição em que ficam as emissoras que fazem cadeia com outras estações. Será que vão ter de interromper a retransmissão da programação e passar o tempo de antena? É que existem vários concelhos que não têm uma única estação local, porque as que existem são meros retransmissores de estações de Lisboa.