«aquela magia da música que vem do éter, é um hábito que se está extinguir (…) a rádio enquanto escuta caseira é um hábito que faliu e que nos fugiu, e não há maneira de voltar». António Sérgio in "Suplemento DN" de 08 de Julho de 2005

quarta-feira, 28 de setembro de 2005

Saudades da rádio de outros tempos

Não é nenhuma novidade que a rádio que se faz em Portugal é uma rádio barata: muita música e pouca palavra. Ou seja, a intervenção do elemento humano está reduzida ao mínimo. Mas a culpa não é de quem repete incessantemente slogans que enaltecem as virtudes de “sete seguidas” ou de “uma hora sem parar” (estou a falar de música, evidentemente). Penso que todos os animadores radiofónicos preferiam fazer programas de autor – os seus programas, com a “sua” música e com as suas palavras.
Alguns comentários ao texto de sexta-feira - MCR altera frequências da Cidade FM – são elucidativos do descontentamento que grassa por esse país fora. Mas, ressalve-se, ainda existem algumas emissoras que permitem alguma imaginação e não cerceiam a criatividade dos seus animadores, só que são casos cada vez mais raros.
Li no blogouve-se a referência ao texto “Para quem não quer ouvir mais nada”, que recorda a rádio de outros tempos, uma rádio que ainda não estava demasiado formatada e que fazia companhia aos ouvintes.
A rádio portuguesa segue um caminho mais económico onde o computador tomou conta do éter e, pior ainda, grande parte da música que por lá viaja é a de consumo imediato (como uma chiclete).

terça-feira, 27 de setembro de 2005

Mais um livro sobre rádio

Vai ser lançado no Brasil mais uma obra sobre técnicas radiofónicas, da autoria de Cyro César: Rádio. A mídia da emoção.
A apresentação da obra vai ser feita em S.Paulo, no dia 6 de Outubro, mas pode ser encomendada via Internet, assim como outras obras do autor.

sexta-feira, 23 de setembro de 2005

MCR altera frequências da Cidade FM

No próximo dia 1 de Outubro, a Cidade FM vai mudar de frequência de emissão. esta estação passará a ser sintonizada em 90.0 MHz no Porto e 91.6 MHz em Lisboa.
O director geral da Media Capital Rádios (MCR), Pedro Tojal, diz que esta troca de frequências vai permitir à Cidade FM «chegar ao seu público com maior potência, levando-lhes a música com a qualidade de som que eles merecem».
A Cidade FM vai ocupar as frequências da Rádio Voxx, que dará por findas as suas emissões. Para as frequências que irão deixar de ter a Cidade FM, a MCR prepara uma nova emissora: a Foxx FM.

quinta-feira, 22 de setembro de 2005

A música portuguesa na Antena 1

Recebi nos últimos dias dois e-mails que referem algumas dezenas de artistas que estão fora da programação da Antena 1. Não posso confirmar se os artistas referidos estão realmente fora da programação da Antena 1, pois só esporadicamente é que escuto esta emissora.
A lista refere artistas como Amália, Adriano Correia de Oliveira, Carlos Mendes, José Afonso, Anamar, Fernando Girão, Júlio Pereira, Pedro Barroso, Tet Vocal, José Mário Branco, Paulo de Carvalho e toda a música de Coimbra (deduzo que sejam os fados).
É verdade que não são artistas que estão nos tops, mas a Antena 1 também não é uma estação que só passa os discos que estão na moda. Se a exclusão de alguns artistas portugueses não é intencional é uma situação que deve ser rapidamente corrigida, se é, então é censura, o que é inadmissível numa estação pública.
O director da RDP, Rui Pêgo, foi informado desta lista através de um e-mail enviado por Álvaro José Ferreira, que também se congratulou com o facto de o programa “Lugar ao Sul” - de que ele é um defensor - voltar a ser emitido aos sábados a partir das 09 horas da manhã, mas contestou a redução da duração do programa, de duas para um hora.

domingo, 18 de setembro de 2005

Homens ouvem mais rádio que as mulheres

Segundo Bareme Rádio da Marktest, 69,2% dos homens ouvem rádio, mas apenas 51,4% das mulheres o fazem.
No primeiro semestre de 2005, o tempo médio de escuta radiofónica atingiu as 3 horas e 21 minutos por dia, sendo que os homens registam um consumo de mais oito minutos diários.

Análise Regular dos Media

O sítio do Obercom disponibiliza o Media Regular Analysis, uma análise aos sectores da rádio, Internet e Cinema.
De realçar que na análise ao sector da rádio aparecem duas rádios locais - a Rádio Nova Era (Vila Nova de Gaia) e a Rádio Festival (Porto).

sexta-feira, 16 de setembro de 2005

Curso de Técnicas de Comunicação para Rádio e Televisão

O Departamento de Ciências da Comunicação (CC) da Universidade Autónoma de Lisboa (UAL) vai ministrar um curso de Técnicas de Comunicação para Rádio e Televisão, com inicio previsto para 31 de Outubro de 2005.
O curso tem uma duração de 5 horas/semana, num total de 120 horas, e destina-se a todos aqueles que pretendem seguir uma carreira profissional na apresentação quer de programas informativos quer de entretenimento na rádio e na televisão.
Os interessados podem obter mais informações no sítio do curso.

Mais uma razão para os homens ouvirem rádio...

...Porque ver televisão pode causar impotência.

quinta-feira, 15 de setembro de 2005

Vem aí um receptor híbrido multibanda

Até ao final deste ano vai ser comercializado (pelo menos lá fora, mas pode-se encomendar via Internet) um receptor radiofónico capaz de receber emissões analógicas em FM e AM (ondas curtas, médias e longas) e emissões digitais em DAB e DRM.
Captar as emissoras estrangeiras em DRM com uma qualidade sonora idêntica ao da actual Frequência Modulada, é uma alternativa ao marasmo radiofónico que Portugal tem durante as madrugadas.
O preço final deverá rondar os 250 euros - um pouco caro, mas, se calhar, compensa. Uma foto do receptor pode ser vista no sítio da BBC News.

terça-feira, 13 de setembro de 2005

Curso de rádio

A “Académica FM” (Porto) vai ministrar um curso financiado de aperfeiçoamento em rádio (nível 4). O curso funcionará de segunda a quinta-feira, em horário pós-laboral (19h-22h), e terá início a 26 de Setembro, tendo uma duração de 108h.
Os interessados poderão pedir mais informações através do e-mail formacao @ academicanet.fm.
A "Académica FM" é uma entidade acreditada pelo IQF.

A angústia dos formatos II: A nova era tecnológica da rádio

Os anos 90 do século XX foram, para a radiodifusão, um marco: os telemóveis, a rádio digital, as emissões online e, já em pleno século XXI, os podcasts, transformaram a rádio.
Até meados dos anos noventa do século passado, era raro existir um computador numa emissora, agora ele é uma ferramenta praticamente indispensável de qualquer estúdio, seja ele de emissão ou de produção.
A rádio digital nasce com o frenesim digital da década de 1980. Os relógios de cristal líquido estavam no pulso de todos, o CD prometia som perfeito e eterno (não foi assim, mas estas são contas de outro rosário), os primeiros computadores pessoais começavam a estar disponíveis para a maioria dos consumidores e as máquinas de jogos digitais (tipo ZX Spectrum) faziam as delicias dos adolescentes. Qualquer aparelho que ostentasse a palavra “digital” tinha mercado. Não foi de estranhar, portanto, que rapidamente aparecesse o FM digital ( mais tarde chamado de IBOC e agora HD Radio) na América, as emissões radiofónicas digitais por satélite (com codificação digital diferente da rádio digital terrestre), o ISBD-T no Japão e o DAB na Europa. Finalmente surge o DRM, que parece ser o único sistema que reúne condições para ser um formato mundial. E só assim poderá ter sucesso, pois se não houver uma uniformização mundial, uma rádio do Japão não poderá ser escutada na América, assim como uma rádio americana não poderá ser escutada na China. A facilidade de recepção de uma emissora digital deve ser igual, ou superior, à que existe agora.
A rádio online acrescentou à tradicional estação de FM ou AM outro meio de propagação, para além do hertziano. Hoje qualquer estação local de Frequência Modulada já não está sujeita aos limites impostos pela potência do emissor ou por obstáculos terrestres. Se transmitir em streaming através da Internet pode, virtualmente, ser escutada em qualquer lugar do mundo. Mas até uma rádio online se pode perder nos meandros das codificações digitais. Real Audio, mp3, wma, quick time e Ogg Vorbis são os formatos mais comuns, e para alguns deles – caso do real audio e do quick time – são mesmo necessários descodificadores próprios. Embora os leitores de formatos específicos estejam disponíveis para descarregar nos sítios das emissoras, é sempre mais um programa para ocupar espaço no disco rígido do computador e muitas vezes surgem conflitos de software que não permitem que se escute rádio online.
Os telemóveis permitiram uma mobilidade que até aí era inexistente: um reporter podia chegar a um acontecimento qualquer, mesmo longe da emissora, e rapidamente entrar em directo. Esta ainda é uma vantagem que a rádio tem sobre os outros meios de comunicação social.
A fase do ouvinte passivo terminou quando a rádio aproveitou o telefone. Desde o tempo em que apenas se pedia um disco por telefone até aos fóruns, a rádio sofreu muitas alterações. Os podcasts são mais um passo na evolução da rádio e uma nova forma de interacção ouvinte/rádio em que o ciclo se fecha. O ouvinte já não escuta programas de outros, ouve o seu próprio programa.
A tecnologia evolui contínuamente, será ela a ditar o fim da rádio? O futuro dirá. Mas de certeza que enquanto a rádio for o único medium que permite a acumulação (ler o jornal e ouvir rádio, por exemplo) e se cumprir a sua função de fazer companhia, não sendo apenas uma juke box fria e impessoal, esta terá sempre um lugar privilegiado nos meios de comunicação e no coração dos ouvintes.

sábado, 10 de setembro de 2005

Um anúncio bastante curioso

Vi no Rádio Informa a imagem de um anuncio - publicado no Diário de Notícias – que reza o seguinte: «Rádios. Cede-se capital de oito rádios do Minho/Algarve. Aceitam-se propostas para uma ou todas (...)»
Segundo o Rádio Informa, as oito frequências são as que retransmitem a Rádio Capital, mas as frequências do Porto e de Lisboa não estão neste “pacote”.
A Lei só permite a concentração de até cinco emissoras (claro que existe sempre forma de dar a volta), mas não era motivo para a Alta Autoridade para a Comunicação Social investigar?

quarta-feira, 7 de setembro de 2005

A angústia dos formatos* - I

Chamou-me a atenção o texto «Tecnologias e Memória» que Rogério Santos escreveu no blogue Indústrias Culturais. O texto levou-me a pensar que nós, os consumidores, somos o bombo da festa nas guerras de mercado.
Em Portugal vivemos uma indefinição quanto à rádio digital. O Digital Audio Broadcasting (DAB) é uma realidade, mas só para a RDP e para uns poucos ouvintes que investiram num (ainda muito caro) receptor de rádio digital. O Digital Radio Mondiale (DRM) tem registado avanços, mas ainda não está disponível para a esmagadora maioria das pessoas. Vivemos rodeados de tecnologia e com a velocidade com que esta se desenvolve estamos sujeitos a que o DAB (ou o DRM) fique obsoleto ainda antes de nós, em Portugal, podermos usufruir das suas vantagens.
Digital é a palavra de ordem desde a década de 1980. O disco analógico de vinil tornou-se obsoleto com o aparecimento do CD; o VHS está a ser (já foi?) rapidamente substituído pelo DVD-Video; a cassete de fita magnética analógica foi substituida pelo MD, pelo CD-r e pelos formatos de áudio digital comprimido; a rádio analógica está, lentamente, a dar lugar à rádio digital. Curiosamente o DVD-Video ainda não aqueceu o lugar e já se perfilam dois candidatos para a sua substituição: o HD-DVD e o Blu Ray. Com o CD passa-se a mesma coisa, já tem dois candidatos à sucessão: o DVD-Audio e o SACD (Super Audio Compact Disc). O CD só ainda não se tornou uma peça de museu porque os fabricantes de equipamentos e as editoras discográficas não chegam a um acordo quanto ao formato que o irá substituir.

* Título inspirado num trabalho de Leonardo di Marchi, intitulado «A
Angústia do Formato: uma história dos formatos fonográficos», publicado na Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação.

terça-feira, 6 de setembro de 2005

“Música no ar”

Semanalmente, a partir do dia 18 de Setembro, a RTP 1 vai transmitir “Música no ar” - uma homenagem à televisão e à rádio de outros tempos. São seis programas que retratam a sociedade portuguesa da segunda metade do século XX.
Os programas têm como cenários um estúdio de rádio e outro de televisão e, entre outros assuntos, vão falar da história destes dois meios de comunicação.

segunda-feira, 5 de setembro de 2005

Programas de rádio na televisão

Os formatos que servem para um meio (porque foram concebidos e respeitam as características) provavelmente falharão quando são transportados, sem qualquer cuidado, para outro. Um exemplo disso é dado às quartas e sextas feiras, às 05h00 (06h00 hora espanhola), pela TV Galicia, que transmite um noticiário desde os estúdios da Rádio Galega. O que se vê, através de uma câmara fixa, são três jornalistas sentados num estúdio de rádio a ler as notícias, ouve-se os registos sonoros e nada mais. Ou seja, não é atractivo pois a imagem não acrescenta nada de útil.
Por cá, também já tivemos uma experiência similar com o programa Bancada Central, da TSF, que era transmitido em directo no canal SMS através de uma webcam. O resultado também era fraco.

Contribuição para o audiovisual

A contribuição para o audiovisual vai ser alargada às empresas. Até aqui apenas os consumidores particulares de energia eléctrica eram obrigados a pagar esta taxa, que está incluída na factura da EDP.
A contribuição para o audiovisual destina-se a financiar o serviço público de rádio, prestado pela RDP, e o canal de televisão 2:. Com esta medida o Estado passa a arrecadar mais cinco milhões de euros por ano.

quinta-feira, 1 de setembro de 2005

A música na TSF

João Paulo Meneses faz «Um apelo aos animadores da TSF», no Blogouve-se. O jornalista chama a atenção para a forma como a música tem sido tratada na TSF. Miguel Fernandes – animador da TSF – respondeu e explica o que se passa.

Tempo de antena

Dia 9 de Outubro há eleições para os Órgãos das Autarquias Locais. Determina a Lei que este é o único acto eleitoral que obriga à emissão de tempos de antena por parte das rádios locais.
Entre 27 de Setembro e 7 de Outubro, as emissoras locais são obrigadas a reservar dois espaços de 15 minutos cada, um a emitir durante a manhã e outro ao final da tarde ou durante a noite, para a emissão dos referidos tempos de antena.
Segundo um documento informativo da Comissão Nacional de Eleições, a Lei aplica-se a «estações de radiodifusão sonora local (de programas generalistas e temáticos informativos), com sede na área territorial do respectivo município».
O que me parece menos claro é a posição em que ficam as emissoras que fazem cadeia com outras estações. Será que vão ter de interromper a retransmissão da programação e passar o tempo de antena? É que existem vários concelhos que não têm uma única estação local, porque as que existem são meros retransmissores de estações de Lisboa.

segunda-feira, 29 de agosto de 2005

BBC vai colocar programas online para download

A BBC quer inovar e quer fazer uso das novas tecnologias para se colocar na vanguarda, pelo que a partir do próximo ano vai ser possível aceder a programas de rádio e de TV da BBC.
Embora já seja possível fazer downloads de podcasts no sitio da BBC, a estação de radiodifusão pública britânica vai criar o serviço «My BBCplayer», que permitirá aos internautas ouvir rádio e, também, aceder ao arquivo.
A nossa RDP devia de seguir o exemplo da sua congénere inglesa e digitalizar o riquíssimo arquivo sonoro que está à sua guarda e permitir que todos acedessem a ele via Internet.
Além do arquivo da Emissora Nacional, estão também à guarda da RDP os arquivos do Rádio Clube Português, Emissores Associados de Lisboa, Emissores do Norte Reunidos, Rádio Alto Douro, etc. Permitir o livre acesso a estes arquivos é uma forma de os preservar e de contribuir para que se conheça um pouco mais da história da rádio portuguesa.

sexta-feira, 26 de agosto de 2005

Rádio da Deutsche Welle promove a democracia na Bielorrússia

Numa era em que abundam novos media, chega a ser surpreendente como um velhinho medium como a rádio não só se mantêm firme frente a novas formas de comunicação de massas, mas como ainda é utilizado para influenciar políticas e despertar consciências.
A Comissão Europeia assinou um contrato com a estação radiofónica alemã Deutsche Welle para que esta transmita programas de teor politico para a Bielorrússia.
As emissões vão ter início no dia 1 de Novembro e visam promover a democracia junto da população. Segundo um comunicado da Comissão Europeia, «os programas serão emitidos em russo, prevendo-se emissões em bielorrusso no futuro». Com esta medida, programada para durar um ano, a Comissão pretende «aumentar a consciência da população bielorrussa sobre a democracia, pluralismo, liberdade de imprensa e direitos humanos».
Nos seus primórdios, a rádio foi aproveitada, e pelos vistos ainda é, para passar mensagens políticas. A universalidade da rádio foi rapidamente descoberta e aproveitada por muitos regimes. Lenine apelidava a rádio de «jornal sem papel e sem fronteira» e, em 1922, o Kremlin equipou-se com a mais potente emissora da época para se dirigir na sua língua nacional aos proletários de todos os países e chamá-los à revolução.
Na Itália fascista, devido à fraca densidade de aparelhos receptores de rádio, foi ordenado que se ligassem certos postos a altifalantes exteriores. Assim as praças públicas conservaram a sua função de fórum, mas aqui só a propaganda fascista é que tinha a palavra.
Durante a Guerra Civil Espanhola, a Rádio Portuguesa apoiava a causa Falangista, enquanto que a Rádio Fantasma – uma emissora criada por refugiados políticos portugueses em Barcelona – fazia propaganda contra o Estado Novo.
O regime nazi foi o que melhor aproveitou a radiodifusão para atingir os seus nefastos fins. Nas hábeis mãos de Goebbels, a rádio alemã conseguiu manipular as massas descontentes germânicas, levando-as a apoiar incondicionalmente um déspota.
Todas estas situações levaram a que, em 1939, Serge Tchakhotine, emigrante russo, antigo discípulo de Pavlov e professor de psicologia social em Paris, escrevesse como os tiranos utilizam a psicagogia (a condução das massas pela persuasão).
Durante a Segunda Guerra Mundial e durante a Guerra Fria a rádio teve um papel importante, fazendo, de um lado e de outro, contra-informação.
Estas situações passaram-se no século XX, mas a rádio não perdeu a sua força, pois está visto que ainda é um poderoso meio de influência.

terça-feira, 23 de agosto de 2005

Abrem em breve as inscrições para novos programas na RIIST

A Rádio Interna do Instituto Superior Técnico (RIIST) vai abrir inscrições para novos programas. Segundo a Newsletter da RIIST, as inscrições estão abertas a toda a gente.
A RIIST transmite para os edifícios da Associação de Estudantes do Instituto Superior Técnico, através de um circuito interno, e para todo o mundo através da Internet.
Embora numa perpectiva a longo prazo, a RIIST quer emitir numa frequência universitária, em FM, para a zona de Lisboa.

segunda-feira, 22 de agosto de 2005

A guerra das ondas: o jamming

O jamming * – interferência produzida com o fim de prejudicar, ou mesmo anular, determinada emissão de rádio – teve início durante a Primeira Guerra Mundial. Os alemães foram os primeiros a utilizar esta técnica para interferir com as comunicações militares via rádio entre Paris e S. Petersburgo. Nos anos 30, ainda antes da Segunda Guerra Mundial, a Áustria recorreu ao jamming para evitar que as emissões nazis chegassem aquele país. No decurso da Guerra Civil Espanhola o jamming também foi utilizado pelas partes em conflito. O jamming continuou a florescer durante a Segunda Guerra Mundial sendo bastante utilizado por alemães, ingleses, japoneses, americanos, soviéticos, italianos, etc.
O conflito mundial terminou, mas não a guerra das ondas. Durante a Guerra Fria os dois blocos recorreram ao jamming para evitar que ideias contrárias aos regimes fossem escutadas.
Nós, por cá, também tivemos a nossa quota parte. Portugal recorreu ao jamming para evitar que vozes contrárias ao Estado Novo fossem escutadas pela população. Nas décadas de 1960/70, o principal alvo era a Rádio Portugal Livre ** Rádio Voz da Liberdade, que transmitia desde a Argélia. O poeta Manuel Alegre era uma dessas vozes. Também a Rádio Portugal Livre, que transmitia desde a Roménia e afecta ao Partido Comunista Português, denunciava as atrocidades do regime fascista. Era mais uma emissora que via as suas emissões sujeitas a interferências.
As interferências electromagnéticas ainda estão na moda. A China também está a utilizar o jamming para censurar emissões de rádio estrangeiras. Os chineses têm vindo a bloquear algumas emissões em Onda Curta para aquele país. O último caso foi o da estação Sound of Hope, sediada em S. Francisco, EUA, que está sujeita ao bloqueio electrónico em território chinês, estando os chineses impossibilitados de a escutar. A “Voz do Tibete” e a “Voz da América” (VOA) também já sofreram interferências.

* O jamming também é conhecido entre nós como empastelamento.

** Corr. 16h45

sábado, 20 de agosto de 2005

Falar bom português

Uma das características da rádio (e de qualquer outro media) é formar. Qualquer animador ou jornalista que se coloca em frente a um microfone tem a escutá-lo uma audiência heterogénea. Ou seja, desde o doutor ao analfabeto. Se falar em mau português será, certamente, criticado por ouvintes mais atentos e, em último caso, a estação emissora até poderá perder ouvintes, mas uma pessoa menos letrada imitará o que o locutor diz. A rádio estará assim a contribuir não para a formação, mas para a deformação.
Vem isto a propósito de um texto de João Paulo Meneses sobre uma questão que Carlos Pinto Coelho colocou ao “Ciberdúvidas”: «Colegas das rádios gostam de "conferir" uma notícia ou um acontecimento. Quando não dizem mesmo “vamos conferir a actualidade”».
O “Ciberdúvidas” respondeu que "(...) seria bom que os profissionais da rádio substituíssem o verbo". João Paulo Meneses não concorda: «Conferir - dito sobretudo pelos animadores - significa "ficar a saber quais são". Não tanto no sentido de "saber se está tudo bem", mas no de "passar em revista" a actualidade». No entanto, JPM acrescenta em rodapé que não gosta «é da repetição da palavra, do seu uso mais ou menos sistemático, que se transforma em jornalês». Se “conferir” se traduz em «Conversar com alguém sobre um tema relevante» (dic. Houaiss), então o seu uso na rádio, no contexto de actualizar uma notícia ou acontecimento, está correcto.

quarta-feira, 17 de agosto de 2005

RR memória?

No jornal “Correio da Manhã”, num artigo sobre a Rádio Renascença, reparei num apontamento: «Depois da criação, há mais de 20 anos, da RFM e, mais recentemente, da Mega FM, com o objectivo de cativar o público mais jovem, surge agora a ideia de que o grupo católico poderá criar um 4.º canal, destinado aos que gostavam da RR de há 20 ou 30 anos».
Recrear a rádio de há 20 ou 30 anos é uma boa ideia, já que nessa altura a rádio portuguesa cumpria o seu papel de informar, formar e entreter.
Mas como é que vão fazer este quarto canal? Se for em Frequência Modulada, só dividindo as frequências RR e RFM, ou então copiando a estratégia da Media Capital que compra, ou aluga, rádios locais, arranjando sempre forma de contornar a Lei da Rádio. Se for em Onda Média, então tudo bem. É só reactivar os emissores de Amplitude Modulada que há muito estão silenciados. Aliás, se é para recrear a RR de há 30 anos, então o AM (Onda Média ou Curta) é a escolha correcta e eu apoio. De outra forma só se a concorrência também puder abrir novas estações, sem silenciar emissoras locais.

Os dias da rádio... já foram?

Gosto de pensar que o melhor da rádio portuguesa ainda está para vir. Os novos media, mais que uma ameaça, são caminhos a explorar pela rádio.
Em finais dos anos setenta, inícios de oitenta, do século passado, surgiram as rádios piratas. Mais que satisfazer a vontade de muitos de "fazer rádio", elas deram um abanão no éter nacional. A RDP-Rádio Comercial, também ela surgida no início da década de 1980, conjugou a experiência do extinto Rádio Clube Português com a irreverência de novos apresentadores que faziam rádio com paixão.
Depois veio a legalização e foi o que se viu. As rádios locais passaram a copiar as grandes emissoras, algumas foram adquiridas pelos grandes grupos de comunicação social, a Rádio Comercial foi alienada pela RDP e, com o tempo, foram terminando os programas de autor, pois o importante era dar música sem parar, copiando as emissoras estrangeiras mais as suas play lists. Claro os programadores das emissoras portuguesas baseavam-se nos panoramas radiofónicos de outros países e tentavam adaptá-los a Portugal, mas não tinham em conta a nossa realidade: país pequeno, muito atrasado em relação ao resto da europa, etc. Esqueceram-se, também, que noutros países um grupo de comunicação social pode ter emissoras exclusivamente musicais – e, até, com géneros específicos – porque também possui emissoras de notícias, de talk shows, de debates, etc., podendo estas ser em Onda Média, Onda Curta, Onda Longa ou em Frequência Modulada. Só que estas emissoras dão mais trabalho e menos lucro.
Lá fora, também existem rádios locais, normalmente generalistas, que trabalham para a comunidade onde estão inseridas. Por cá já existem poucas estações assim.
As emissoras musicais são tão importantes como quaisquer outras, mas com a Internet, iPods, MDs, CDs, telemóveis 3G, etc. o futuro da rádio passa pelo elemento humano: mais palavra e menos música. Talvez assim os dias da rádio ainda estejam para vir.

segunda-feira, 15 de agosto de 2005

O humor na rádio

Os dias da rádio já passaram. Pelo menos daquela rádio diversificada que existia em Portugal noutros tempos, ainda antes de existir a RTP. A rádio não desapareceu com o advento da televisão, mas teve de se ajustar a uma nova realidade. O aparecimento de novos media voltam a ameaçar a rádio, mas parece que a rádio volta a reagir e a adaptar-se. Pelo menos é o que eu espero.
O “Diário de Notícias” recorda-nos os Novos Parodiantes de Lisboa e outros programas de humor que passaram na rádio portuguesa. «Humor dos Novos Parodiantes resiste ao fim do teatro radiofónico» traz-nos um resumo da história dos Parodiantes de Lisboa e fala-nos do projecto dos Novos Parodiantes. O texto sobre os Novos Parodiantes é complementado com «Humor de norte a sul do País».
«Piadas para a História» recorda alguns programas que ainda estão na memória de portugueses com mais de trinta anos.
Os programas de humor são os últimos resistentes da era de ouro da rádio em Portugal.

sexta-feira, 12 de agosto de 2005

O Projecto ROLI

Existem mais de 300 rádios locais em Portugal, mas nem metade tem emissões online. Ciente deste facto, a Associação Portuguesa de Radiodifusão (APR) lançou o projecto ROLI – Rádios OnLine na Internet. Um projecto que tem como objectivo colocar todas as rádios locais portuguesas na Internet, com um dispêndio monetário mínimo com o equipamento necessário e com as emissões online.
Muitos portugueses saíram da sua terra natal na esperança de obter uma vida melhor. Alguns criaram laços fortes com o país de acolhimento e não pensam em regressar definitivamente, mas tentam sempre manter algum contacto com a sua terra de origem. Daí a importância das rádios locais terem emissões online e um sítio na Internet onde os portugueses que estão espalhados pelo mundo possam saber novidades da sua terra.
Tendo em conta os custos das emissões em Onda Curta ou por satélite - até há pouco tempo a única forma das estações cobrirem o globo - a transmissão através da Internet é um “negócio da China”. Além de prestarem um verdadeiro serviço público, as emissoras locais podem ser um ponto de encontro dos emigrantes e seus descendentes com as suas raízes.
Critiquei a APR algumas vezes, é, pois, chegada a hora de lhe dar os parabéns por esta iniciativa.
O projecto ROLI é co-financiado pelo FEDER e pelo FSE, através do Programa Operacional Sociedade da Informação, e conta ainda com o apoio da FCCN - Fundação para Computação Científica Nacional.
Já existem quatro estações locais - todas da zona de Lisboa - a transmitirem através do projecto ROLI.

terça-feira, 9 de agosto de 2005

MCR QUER UMA EMISSORA DE NOTÍCIAS

António Craveiro, administrador-delegado da Media Capital Rádio (MCR), em entrevista ao jornal “Diário de Notícias”, não descarta a hipótese de a MCR acrescentar ao grupo uma rádio de notícias ou de informação desportiva, mas afirmou que «As rádios musicais são rádios de low cost, mas as de informação são mais caras». Claro que um computador programado para passar música sai mais barato que uma redacção cheia de jornalistas e animadores.
Na mesma notícia do "DN", Henrique Agostinho, director de marketing da MCR, afirma que «Dentro de dois anos, no máximo, queremos e vamos ser o líder no sector rádio». Penso que para tal acontecer as emissoras da MCR têm de mudar de rumo, pois, na rádio, é a espontaneidade do elemento humano que faz a diferença e que cativa o ouvinte.

domingo, 7 de agosto de 2005

A LER NO JORNAL "PÚBLICO" DE HOJE

A crónica de João Bénard da Costa no jornal "Público" - «Tempo de tios: a radiotelefonia» - (acesso pago) é uma viagem pelas memórias de infância e juventude do cronista: «Meus dias de rapaz e de adolescente podem não ter aberto a boca a bocejar sombrios, mas abriram os ouvidos a escutar raios e coriscos provindos de um aparelho que foi talvez a maior maravilha tecnológica da minha tenríssima infância».
João Bénard da Costa conta-nos algumas histórias interessantes da rádio de outros tempos.

sexta-feira, 5 de agosto de 2005

O IPAL

Enquanto os receptores de rádio digital vão, muito lentamente, entrando no nosso quotidiano, os receptores analógicos continuam a chegar em força às lojas de electrodomésticos. Alguns destes novos sintonizadores conjugam funcionalidades de outros tempos com a mais recente tecnologia.
O podcasting já conquistou algumas emissoras de rádio, que passaram a trabalhar exclusivamente com podcasts. O iPod também convenceu o mercado da alta-fidelidade, pois já existe um conjunto prévio/amplificador a válvulas para iPod.
Na secção “Sons”, da revista “DNa”, distribuída às sextas com o jornal "Diário de Notícias", é apresentado o Tivoli iPal - um pequeno rádio que faz conjunto com o iPod e o iTrip.
O iPod e um acessório - o iTrip – em conjunto, tornam-se num mini emissor de FM, cujo sinal pode ser captado pelo iPal. Ou seja, pode-se carregar o iPod com podcasts e criar, literalmente, a nossa própria estação emissora de radiodifusão sonora. Embora para um raio muito curto.
O iPal é um pequeno rádio analógico com um altifalante e, portanto, limitado na reprodução sonora, mas ligado a uma aparelhagem hi-fi torna-se num receptor de alta qualidade.
O sítio “hi-fi clube” transcreve na íntegra o artigo da revista “DNa”, além de fotografias e ligações a outros artigos sobre receptores analógicos e digitais.