Em Portugal vivemos uma indefinição quanto à rádio digital. O Digital Audio Broadcasting (DAB) é uma realidade, mas só para a RDP e para uns poucos ouvintes que investiram num (ainda muito caro) receptor de rádio digital. O Digital Radio Mondiale (DRM) tem registado avanços, mas ainda não está disponível para a esmagadora maioria das pessoas. Vivemos rodeados de tecnologia e com a velocidade com que esta se desenvolve estamos sujeitos a que o DAB (ou o DRM) fique obsoleto ainda antes de nós, em Portugal, podermos usufruir das suas vantagens.
Digital é a palavra de ordem desde a década de 1980. O disco analógico de vinil tornou-se obsoleto com o aparecimento do CD; o VHS está a ser (já foi?) rapidamente substituído pelo DVD-Video; a cassete de fita magnética analógica foi substituida pelo MD, pelo CD-r e pelos formatos de áudio digital comprimido; a rádio analógica está, lentamente, a dar lugar à rádio digital. Curiosamente o DVD-Video ainda não aqueceu o lugar e já se perfilam dois candidatos para a sua substituição: o HD-DVD e o Blu Ray. Com o CD passa-se a mesma coisa, já tem dois candidatos à sucessão: o DVD-Audio e o SACD (Super Audio Compact Disc). O CD só ainda não se tornou uma peça de museu porque os fabricantes de equipamentos e as editoras discográficas não chegam a um acordo quanto ao formato que o irá substituir.
* Título inspirado num trabalho de Leonardo di Marchi, intitulado «A