A BBC quer inovar e quer fazer uso das novas tecnologias para se colocar na vanguarda, pelo que a partir do próximo ano vai ser possível aceder a programas de rádio e de TV da BBC.
Embora já seja possível fazer downloads de podcasts no sitio da BBC, a estação de radiodifusão pública britânica vai criar o serviço «My BBCplayer», que permitirá aos internautas ouvir rádio e, também, aceder ao arquivo.
A nossa RDP devia de seguir o exemplo da sua congénere inglesa e digitalizar o riquíssimo arquivo sonoro que está à sua guarda e permitir que todos acedessem a ele via Internet.
Além do arquivo da Emissora Nacional, estão também à guarda da RDP os arquivos do Rádio Clube Português, Emissores Associados de Lisboa, Emissores do Norte Reunidos, Rádio Alto Douro, etc. Permitir o livre acesso a estes arquivos é uma forma de os preservar e de contribuir para que se conheça um pouco mais da história da rádio portuguesa.
segunda-feira, 29 de agosto de 2005
sexta-feira, 26 de agosto de 2005
Rádio da Deutsche Welle promove a democracia na Bielorrússia
Numa era em que abundam novos media, chega a ser surpreendente como um velhinho medium como a rádio não só se mantêm firme frente a novas formas de comunicação de massas, mas como ainda é utilizado para influenciar políticas e despertar consciências.
A Comissão Europeia assinou um contrato com a estação radiofónica alemã Deutsche Welle para que esta transmita programas de teor politico para a Bielorrússia.
As emissões vão ter início no dia 1 de Novembro e visam promover a democracia junto da população. Segundo um comunicado da Comissão Europeia, «os programas serão emitidos em russo, prevendo-se emissões em bielorrusso no futuro». Com esta medida, programada para durar um ano, a Comissão pretende «aumentar a consciência da população bielorrussa sobre a democracia, pluralismo, liberdade de imprensa e direitos humanos».
Nos seus primórdios, a rádio foi aproveitada, e pelos vistos ainda é, para passar mensagens políticas. A universalidade da rádio foi rapidamente descoberta e aproveitada por muitos regimes. Lenine apelidava a rádio de «jornal sem papel e sem fronteira» e, em 1922, o Kremlin equipou-se com a mais potente emissora da época para se dirigir na sua língua nacional aos proletários de todos os países e chamá-los à revolução.
Na Itália fascista, devido à fraca densidade de aparelhos receptores de rádio, foi ordenado que se ligassem certos postos a altifalantes exteriores. Assim as praças públicas conservaram a sua função de fórum, mas aqui só a propaganda fascista é que tinha a palavra.
Durante a Guerra Civil Espanhola, a Rádio Portuguesa apoiava a causa Falangista, enquanto que a Rádio Fantasma – uma emissora criada por refugiados políticos portugueses em Barcelona – fazia propaganda contra o Estado Novo.
O regime nazi foi o que melhor aproveitou a radiodifusão para atingir os seus nefastos fins. Nas hábeis mãos de Goebbels, a rádio alemã conseguiu manipular as massas descontentes germânicas, levando-as a apoiar incondicionalmente um déspota.
Todas estas situações levaram a que, em 1939, Serge Tchakhotine, emigrante russo, antigo discípulo de Pavlov e professor de psicologia social em Paris, escrevesse como os tiranos utilizam a psicagogia (a condução das massas pela persuasão).
Durante a Segunda Guerra Mundial e durante a Guerra Fria a rádio teve um papel importante, fazendo, de um lado e de outro, contra-informação.
Estas situações passaram-se no século XX, mas a rádio não perdeu a sua força, pois está visto que ainda é um poderoso meio de influência.
A Comissão Europeia assinou um contrato com a estação radiofónica alemã Deutsche Welle para que esta transmita programas de teor politico para a Bielorrússia.
As emissões vão ter início no dia 1 de Novembro e visam promover a democracia junto da população. Segundo um comunicado da Comissão Europeia, «os programas serão emitidos em russo, prevendo-se emissões em bielorrusso no futuro». Com esta medida, programada para durar um ano, a Comissão pretende «aumentar a consciência da população bielorrussa sobre a democracia, pluralismo, liberdade de imprensa e direitos humanos».
Nos seus primórdios, a rádio foi aproveitada, e pelos vistos ainda é, para passar mensagens políticas. A universalidade da rádio foi rapidamente descoberta e aproveitada por muitos regimes. Lenine apelidava a rádio de «jornal sem papel e sem fronteira» e, em 1922, o Kremlin equipou-se com a mais potente emissora da época para se dirigir na sua língua nacional aos proletários de todos os países e chamá-los à revolução.
Na Itália fascista, devido à fraca densidade de aparelhos receptores de rádio, foi ordenado que se ligassem certos postos a altifalantes exteriores. Assim as praças públicas conservaram a sua função de fórum, mas aqui só a propaganda fascista é que tinha a palavra.
Durante a Guerra Civil Espanhola, a Rádio Portuguesa apoiava a causa Falangista, enquanto que a Rádio Fantasma – uma emissora criada por refugiados políticos portugueses em Barcelona – fazia propaganda contra o Estado Novo.
O regime nazi foi o que melhor aproveitou a radiodifusão para atingir os seus nefastos fins. Nas hábeis mãos de Goebbels, a rádio alemã conseguiu manipular as massas descontentes germânicas, levando-as a apoiar incondicionalmente um déspota.
Todas estas situações levaram a que, em 1939, Serge Tchakhotine, emigrante russo, antigo discípulo de Pavlov e professor de psicologia social em Paris, escrevesse como os tiranos utilizam a psicagogia (a condução das massas pela persuasão).
Durante a Segunda Guerra Mundial e durante a Guerra Fria a rádio teve um papel importante, fazendo, de um lado e de outro, contra-informação.
Estas situações passaram-se no século XX, mas a rádio não perdeu a sua força, pois está visto que ainda é um poderoso meio de influência.
terça-feira, 23 de agosto de 2005
Abrem em breve as inscrições para novos programas na RIIST
A Rádio Interna do Instituto Superior Técnico (RIIST) vai abrir inscrições para novos programas. Segundo a Newsletter da RIIST, as inscrições estão abertas a toda a gente.
A RIIST transmite para os edifícios da Associação de Estudantes do Instituto Superior Técnico, através de um circuito interno, e para todo o mundo através da Internet.
Embora numa perpectiva a longo prazo, a RIIST quer emitir numa frequência universitária, em FM, para a zona de Lisboa.
A RIIST transmite para os edifícios da Associação de Estudantes do Instituto Superior Técnico, através de um circuito interno, e para todo o mundo através da Internet.
Embora numa perpectiva a longo prazo, a RIIST quer emitir numa frequência universitária, em FM, para a zona de Lisboa.
segunda-feira, 22 de agosto de 2005
A guerra das ondas: o jamming
O jamming * – interferência produzida com o fim de prejudicar, ou mesmo anular, determinada emissão de rádio – teve início durante a Primeira Guerra Mundial. Os alemães foram os primeiros a utilizar esta técnica para interferir com as comunicações militares via rádio entre Paris e S. Petersburgo. Nos anos 30, ainda antes da Segunda Guerra Mundial, a Áustria recorreu ao jamming para evitar que as emissões nazis chegassem aquele país. No decurso da Guerra Civil Espanhola o jamming também foi utilizado pelas partes em conflito. O jamming continuou a florescer durante a Segunda Guerra Mundial sendo bastante utilizado por alemães, ingleses, japoneses, americanos, soviéticos, italianos, etc.
O conflito mundial terminou, mas não a guerra das ondas. Durante a Guerra Fria os dois blocos recorreram ao jamming para evitar que ideias contrárias aos regimes fossem escutadas.
Nós, por cá, também tivemos a nossa quota parte. Portugal recorreu ao jamming para evitar que vozes contrárias ao Estado Novo fossem escutadas pela população. Nas décadas de 1960/70, o principal alvo era aRádio Portugal Livre ** Rádio Voz da Liberdade, que transmitia desde a Argélia. O poeta Manuel Alegre era uma dessas vozes. Também a Rádio Portugal Livre, que transmitia desde a Roménia e afecta ao Partido Comunista Português, denunciava as atrocidades do regime fascista. Era mais uma emissora que via as suas emissões sujeitas a interferências.
As interferências electromagnéticas ainda estão na moda. A China também está a utilizar o jamming para censurar emissões de rádio estrangeiras. Os chineses têm vindo a bloquear algumas emissões em Onda Curta para aquele país. O último caso foi o da estação Sound of Hope, sediada em S. Francisco, EUA, que está sujeita ao bloqueio electrónico em território chinês, estando os chineses impossibilitados de a escutar. A “Voz do Tibete” e a “Voz da América” (VOA) também já sofreram interferências.
* O jamming também é conhecido entre nós como empastelamento.
** Corr. 16h45
O conflito mundial terminou, mas não a guerra das ondas. Durante a Guerra Fria os dois blocos recorreram ao jamming para evitar que ideias contrárias aos regimes fossem escutadas.
Nós, por cá, também tivemos a nossa quota parte. Portugal recorreu ao jamming para evitar que vozes contrárias ao Estado Novo fossem escutadas pela população. Nas décadas de 1960/70, o principal alvo era a
As interferências electromagnéticas ainda estão na moda. A China também está a utilizar o jamming para censurar emissões de rádio estrangeiras. Os chineses têm vindo a bloquear algumas emissões em Onda Curta para aquele país. O último caso foi o da estação Sound of Hope, sediada em S. Francisco, EUA, que está sujeita ao bloqueio electrónico em território chinês, estando os chineses impossibilitados de a escutar. A “Voz do Tibete” e a “Voz da América” (VOA) também já sofreram interferências.
* O jamming também é conhecido entre nós como empastelamento.
** Corr. 16h45
sábado, 20 de agosto de 2005
Falar bom português
Uma das características da rádio (e de qualquer outro media) é formar. Qualquer animador ou jornalista que se coloca em frente a um microfone tem a escutá-lo uma audiência heterogénea. Ou seja, desde o doutor ao analfabeto. Se falar em mau português será, certamente, criticado por ouvintes mais atentos e, em último caso, a estação emissora até poderá perder ouvintes, mas uma pessoa menos letrada imitará o que o locutor diz. A rádio estará assim a contribuir não para a formação, mas para a deformação.
Vem isto a propósito de um texto de João Paulo Meneses sobre uma questão que Carlos Pinto Coelho colocou ao “Ciberdúvidas”: «Colegas das rádios gostam de "conferir" uma notícia ou um acontecimento. Quando não dizem mesmo “vamos conferir a actualidade”».
O “Ciberdúvidas” respondeu que "(...) seria bom que os profissionais da rádio substituíssem o verbo". João Paulo Meneses não concorda: «Conferir - dito sobretudo pelos animadores - significa "ficar a saber quais são". Não tanto no sentido de "saber se está tudo bem", mas no de "passar em revista" a actualidade». No entanto, JPM acrescenta em rodapé que não gosta «é da repetição da palavra, do seu uso mais ou menos sistemático, que se transforma em jornalês». Se “conferir” se traduz em «Conversar com alguém sobre um tema relevante» (dic. Houaiss), então o seu uso na rádio, no contexto de actualizar uma notícia ou acontecimento, está correcto.
Vem isto a propósito de um texto de João Paulo Meneses sobre uma questão que Carlos Pinto Coelho colocou ao “Ciberdúvidas”: «Colegas das rádios gostam de "conferir" uma notícia ou um acontecimento. Quando não dizem mesmo “vamos conferir a actualidade”».
O “Ciberdúvidas” respondeu que "(...) seria bom que os profissionais da rádio substituíssem o verbo". João Paulo Meneses não concorda: «Conferir - dito sobretudo pelos animadores - significa "ficar a saber quais são". Não tanto no sentido de "saber se está tudo bem", mas no de "passar em revista" a actualidade». No entanto, JPM acrescenta em rodapé que não gosta «é da repetição da palavra, do seu uso mais ou menos sistemático, que se transforma em jornalês». Se “conferir” se traduz em «Conversar com alguém sobre um tema relevante» (dic. Houaiss), então o seu uso na rádio, no contexto de actualizar uma notícia ou acontecimento, está correcto.
quarta-feira, 17 de agosto de 2005
RR memória?
No jornal “Correio da Manhã”, num artigo sobre a Rádio Renascença, reparei num apontamento: «Depois da criação, há mais de 20 anos, da RFM e, mais recentemente, da Mega FM, com o objectivo de cativar o público mais jovem, surge agora a ideia de que o grupo católico poderá criar um 4.º canal, destinado aos que gostavam da RR de há 20 ou 30 anos».
Recrear a rádio de há 20 ou 30 anos é uma boa ideia, já que nessa altura a rádio portuguesa cumpria o seu papel de informar, formar e entreter.
Mas como é que vão fazer este quarto canal? Se for em Frequência Modulada, só dividindo as frequências RR e RFM, ou então copiando a estratégia da Media Capital que compra, ou aluga, rádios locais, arranjando sempre forma de contornar a Lei da Rádio. Se for em Onda Média, então tudo bem. É só reactivar os emissores de Amplitude Modulada que há muito estão silenciados. Aliás, se é para recrear a RR de há 30 anos, então o AM (Onda Média ou Curta) é a escolha correcta e eu apoio. De outra forma só se a concorrência também puder abrir novas estações, sem silenciar emissoras locais.
Recrear a rádio de há 20 ou 30 anos é uma boa ideia, já que nessa altura a rádio portuguesa cumpria o seu papel de informar, formar e entreter.
Mas como é que vão fazer este quarto canal? Se for em Frequência Modulada, só dividindo as frequências RR e RFM, ou então copiando a estratégia da Media Capital que compra, ou aluga, rádios locais, arranjando sempre forma de contornar a Lei da Rádio. Se for em Onda Média, então tudo bem. É só reactivar os emissores de Amplitude Modulada que há muito estão silenciados. Aliás, se é para recrear a RR de há 30 anos, então o AM (Onda Média ou Curta) é a escolha correcta e eu apoio. De outra forma só se a concorrência também puder abrir novas estações, sem silenciar emissoras locais.
Os dias da rádio... já foram?
Gosto de pensar que o melhor da rádio portuguesa ainda está para vir. Os novos media, mais que uma ameaça, são caminhos a explorar pela rádio.
Em finais dos anos setenta, inícios de oitenta, do século passado, surgiram as rádios piratas. Mais que satisfazer a vontade de muitos de "fazer rádio", elas deram um abanão no éter nacional. A RDP-Rádio Comercial, também ela surgida no início da década de 1980, conjugou a experiência do extinto Rádio Clube Português com a irreverência de novos apresentadores que faziam rádio com paixão.
Depois veio a legalização e foi o que se viu. As rádios locais passaram a copiar as grandes emissoras, algumas foram adquiridas pelos grandes grupos de comunicação social, a Rádio Comercial foi alienada pela RDP e, com o tempo, foram terminando os programas de autor, pois o importante era dar música sem parar, copiando as emissoras estrangeiras mais as suas play lists. Claro os programadores das emissoras portuguesas baseavam-se nos panoramas radiofónicos de outros países e tentavam adaptá-los a Portugal, mas não tinham em conta a nossa realidade: país pequeno, muito atrasado em relação ao resto da europa, etc. Esqueceram-se, também, que noutros países um grupo de comunicação social pode ter emissoras exclusivamente musicais – e, até, com géneros específicos – porque também possui emissoras de notícias, de talk shows, de debates, etc., podendo estas ser em Onda Média, Onda Curta, Onda Longa ou em Frequência Modulada. Só que estas emissoras dão mais trabalho e menos lucro.
Lá fora, também existem rádios locais, normalmente generalistas, que trabalham para a comunidade onde estão inseridas. Por cá já existem poucas estações assim.
As emissoras musicais são tão importantes como quaisquer outras, mas com a Internet, iPods, MDs, CDs, telemóveis 3G, etc. o futuro da rádio passa pelo elemento humano: mais palavra e menos música. Talvez assim os dias da rádio ainda estejam para vir.
Em finais dos anos setenta, inícios de oitenta, do século passado, surgiram as rádios piratas. Mais que satisfazer a vontade de muitos de "fazer rádio", elas deram um abanão no éter nacional. A RDP-Rádio Comercial, também ela surgida no início da década de 1980, conjugou a experiência do extinto Rádio Clube Português com a irreverência de novos apresentadores que faziam rádio com paixão.
Depois veio a legalização e foi o que se viu. As rádios locais passaram a copiar as grandes emissoras, algumas foram adquiridas pelos grandes grupos de comunicação social, a Rádio Comercial foi alienada pela RDP e, com o tempo, foram terminando os programas de autor, pois o importante era dar música sem parar, copiando as emissoras estrangeiras mais as suas play lists. Claro os programadores das emissoras portuguesas baseavam-se nos panoramas radiofónicos de outros países e tentavam adaptá-los a Portugal, mas não tinham em conta a nossa realidade: país pequeno, muito atrasado em relação ao resto da europa, etc. Esqueceram-se, também, que noutros países um grupo de comunicação social pode ter emissoras exclusivamente musicais – e, até, com géneros específicos – porque também possui emissoras de notícias, de talk shows, de debates, etc., podendo estas ser em Onda Média, Onda Curta, Onda Longa ou em Frequência Modulada. Só que estas emissoras dão mais trabalho e menos lucro.
Lá fora, também existem rádios locais, normalmente generalistas, que trabalham para a comunidade onde estão inseridas. Por cá já existem poucas estações assim.
As emissoras musicais são tão importantes como quaisquer outras, mas com a Internet, iPods, MDs, CDs, telemóveis 3G, etc. o futuro da rádio passa pelo elemento humano: mais palavra e menos música. Talvez assim os dias da rádio ainda estejam para vir.
segunda-feira, 15 de agosto de 2005
O humor na rádio
Os dias da rádio já passaram. Pelo menos daquela rádio diversificada que existia em Portugal noutros tempos, ainda antes de existir a RTP. A rádio não desapareceu com o advento da televisão, mas teve de se ajustar a uma nova realidade. O aparecimento de novos media voltam a ameaçar a rádio, mas parece que a rádio volta a reagir e a adaptar-se. Pelo menos é o que eu espero.
O “Diário de Notícias” recorda-nos os Novos Parodiantes de Lisboa e outros programas de humor que passaram na rádio portuguesa. «Humor dos Novos Parodiantes resiste ao fim do teatro radiofónico» traz-nos um resumo da história dos Parodiantes de Lisboa e fala-nos do projecto dos Novos Parodiantes. O texto sobre os Novos Parodiantes é complementado com «Humor de norte a sul do País».
«Piadas para a História» recorda alguns programas que ainda estão na memória de portugueses com mais de trinta anos.
Os programas de humor são os últimos resistentes da era de ouro da rádio em Portugal.
O “Diário de Notícias” recorda-nos os Novos Parodiantes de Lisboa e outros programas de humor que passaram na rádio portuguesa. «Humor dos Novos Parodiantes resiste ao fim do teatro radiofónico» traz-nos um resumo da história dos Parodiantes de Lisboa e fala-nos do projecto dos Novos Parodiantes. O texto sobre os Novos Parodiantes é complementado com «Humor de norte a sul do País».
«Piadas para a História» recorda alguns programas que ainda estão na memória de portugueses com mais de trinta anos.
Os programas de humor são os últimos resistentes da era de ouro da rádio em Portugal.
sexta-feira, 12 de agosto de 2005
O Projecto ROLI
Existem mais de 300 rádios locais em Portugal, mas nem metade tem emissões online. Ciente deste facto, a Associação Portuguesa de Radiodifusão (APR) lançou o projecto ROLI – Rádios OnLine na Internet. Um projecto que tem como objectivo colocar todas as rádios locais portuguesas na Internet, com um dispêndio monetário mínimo com o equipamento necessário e com as emissões online.
Muitos portugueses saíram da sua terra natal na esperança de obter uma vida melhor. Alguns criaram laços fortes com o país de acolhimento e não pensam em regressar definitivamente, mas tentam sempre manter algum contacto com a sua terra de origem. Daí a importância das rádios locais terem emissões online e um sítio na Internet onde os portugueses que estão espalhados pelo mundo possam saber novidades da sua terra.
Tendo em conta os custos das emissões em Onda Curta ou por satélite - até há pouco tempo a única forma das estações cobrirem o globo - a transmissão através da Internet é um “negócio da China”. Além de prestarem um verdadeiro serviço público, as emissoras locais podem ser um ponto de encontro dos emigrantes e seus descendentes com as suas raízes.
Critiquei a APR algumas vezes, é, pois, chegada a hora de lhe dar os parabéns por esta iniciativa.
O projecto ROLI é co-financiado pelo FEDER e pelo FSE, através do Programa Operacional Sociedade da Informação, e conta ainda com o apoio da FCCN - Fundação para Computação Científica Nacional.
Já existem quatro estações locais - todas da zona de Lisboa - a transmitirem através do projecto ROLI.
Muitos portugueses saíram da sua terra natal na esperança de obter uma vida melhor. Alguns criaram laços fortes com o país de acolhimento e não pensam em regressar definitivamente, mas tentam sempre manter algum contacto com a sua terra de origem. Daí a importância das rádios locais terem emissões online e um sítio na Internet onde os portugueses que estão espalhados pelo mundo possam saber novidades da sua terra.
Tendo em conta os custos das emissões em Onda Curta ou por satélite - até há pouco tempo a única forma das estações cobrirem o globo - a transmissão através da Internet é um “negócio da China”. Além de prestarem um verdadeiro serviço público, as emissoras locais podem ser um ponto de encontro dos emigrantes e seus descendentes com as suas raízes.
Critiquei a APR algumas vezes, é, pois, chegada a hora de lhe dar os parabéns por esta iniciativa.
O projecto ROLI é co-financiado pelo FEDER e pelo FSE, através do Programa Operacional Sociedade da Informação, e conta ainda com o apoio da FCCN - Fundação para Computação Científica Nacional.
Já existem quatro estações locais - todas da zona de Lisboa - a transmitirem através do projecto ROLI.
terça-feira, 9 de agosto de 2005
MCR QUER UMA EMISSORA DE NOTÍCIAS
António Craveiro, administrador-delegado da Media Capital Rádio (MCR), em entrevista ao jornal “Diário de Notícias”, não descarta a hipótese de a MCR acrescentar ao grupo uma rádio de notícias ou de informação desportiva, mas afirmou que «As rádios musicais são rádios de low cost, mas as de informação são mais caras». Claro que um computador programado para passar música sai mais barato que uma redacção cheia de jornalistas e animadores.
Na mesma notícia do "DN", Henrique Agostinho, director de marketing da MCR, afirma que «Dentro de dois anos, no máximo, queremos e vamos ser o líder no sector rádio». Penso que para tal acontecer as emissoras da MCR têm de mudar de rumo, pois, na rádio, é a espontaneidade do elemento humano que faz a diferença e que cativa o ouvinte.
Na mesma notícia do "DN", Henrique Agostinho, director de marketing da MCR, afirma que «Dentro de dois anos, no máximo, queremos e vamos ser o líder no sector rádio». Penso que para tal acontecer as emissoras da MCR têm de mudar de rumo, pois, na rádio, é a espontaneidade do elemento humano que faz a diferença e que cativa o ouvinte.
domingo, 7 de agosto de 2005
A LER NO JORNAL "PÚBLICO" DE HOJE
A crónica de João Bénard da Costa no jornal "Público" - «Tempo de tios: a radiotelefonia» - (acesso pago) é uma viagem pelas memórias de infância e juventude do cronista: «Meus dias de rapaz e de adolescente podem não ter aberto a boca a bocejar sombrios, mas abriram os ouvidos a escutar raios e coriscos provindos de um aparelho que foi talvez a maior maravilha tecnológica da minha tenríssima infância».
João Bénard da Costa conta-nos algumas histórias interessantes da rádio de outros tempos.
João Bénard da Costa conta-nos algumas histórias interessantes da rádio de outros tempos.
sexta-feira, 5 de agosto de 2005
O IPAL
Enquanto os receptores de rádio digital vão, muito lentamente, entrando no nosso quotidiano, os receptores analógicos continuam a chegar em força às lojas de electrodomésticos. Alguns destes novos sintonizadores conjugam funcionalidades de outros tempos com a mais recente tecnologia.
O podcasting já conquistou algumas emissoras de rádio, que passaram a trabalhar exclusivamente com podcasts. O iPod também convenceu o mercado da alta-fidelidade, pois já existe um conjunto prévio/amplificador a válvulas para iPod.
Na secção “Sons”, da revista “DNa”, distribuída às sextas com o jornal "Diário de Notícias", é apresentado o Tivoli iPal - um pequeno rádio que faz conjunto com o iPod e o iTrip.
O iPod e um acessório - o iTrip – em conjunto, tornam-se num mini emissor de FM, cujo sinal pode ser captado pelo iPal. Ou seja, pode-se carregar o iPod com podcasts e criar, literalmente, a nossa própria estação emissora de radiodifusão sonora. Embora para um raio muito curto.
O iPal é um pequeno rádio analógico com um altifalante e, portanto, limitado na reprodução sonora, mas ligado a uma aparelhagem hi-fi torna-se num receptor de alta qualidade.
O sítio “hi-fi clube” transcreve na íntegra o artigo da revista “DNa”, além de fotografias e ligações a outros artigos sobre receptores analógicos e digitais.
O podcasting já conquistou algumas emissoras de rádio, que passaram a trabalhar exclusivamente com podcasts. O iPod também convenceu o mercado da alta-fidelidade, pois já existe um conjunto prévio/amplificador a válvulas para iPod.
Na secção “Sons”, da revista “DNa”, distribuída às sextas com o jornal "Diário de Notícias", é apresentado o Tivoli iPal - um pequeno rádio que faz conjunto com o iPod e o iTrip.
O iPod e um acessório - o iTrip – em conjunto, tornam-se num mini emissor de FM, cujo sinal pode ser captado pelo iPal. Ou seja, pode-se carregar o iPod com podcasts e criar, literalmente, a nossa própria estação emissora de radiodifusão sonora. Embora para um raio muito curto.
O iPal é um pequeno rádio analógico com um altifalante e, portanto, limitado na reprodução sonora, mas ligado a uma aparelhagem hi-fi torna-se num receptor de alta qualidade.
O sítio “hi-fi clube” transcreve na íntegra o artigo da revista “DNa”, além de fotografias e ligações a outros artigos sobre receptores analógicos e digitais.
terça-feira, 2 de agosto de 2005
MADRUGADAS DA RÁDIO
A Rádio é companhia. Ou pelo menos deveria ser... mas em Portugal parece que não é. Durante as madrugadas, as nossas emissoras apenas se limitam a ser pouco mais que um gira-discos. Algumas têm notícias às horas (no caso da TSF as notícias são de meia em meia hora), mas outras limitam-se apenas a passar música e jingles. Ou seja, é sempre mais do mesmo seja qual for a sintonia.
Com a disponibilidade de gravar e transportar a música que hoje em dia existe, qualquer ouvinte prefere uma selecção musical feita por si e à sua medida - que pode estar gravada em cassete, CD, MD, ou num qualquer aparelho de música digital – do que ouvir o que as emissoras passam, e que muitas vezes pouco lhe diz.
As madrugadas da rádio espanhola são bem diferentes. A acreditar nos textos de António Javier, autor do blogue “Vaya Historias”, elas são dinâmicas, interessantes e cumprem o papel principal da rádio: fazem companhia.
No texto «Hablar por hablar, alguien te escucha de madrugada», arquivado na categoria “Radio”, António Javier pergunta o que leva os ouvintes a participar nos programas: «que llevará a la gente a coger el teléfono de madrugada y contar sus intimidades ante miles de personas? ¿La soledad, la ansiedad, la desesperación, el insomnio…?».
Os programas das emissoras espanholas podem ser escutados em Portugal em Onda Média, mas que triste realidade a nossa quando temos de escutar emissões estrangeiras, porque as estações portuguesas – nem mesmo a RDP - não cumprem o seu papel.
Com a disponibilidade de gravar e transportar a música que hoje em dia existe, qualquer ouvinte prefere uma selecção musical feita por si e à sua medida - que pode estar gravada em cassete, CD, MD, ou num qualquer aparelho de música digital – do que ouvir o que as emissoras passam, e que muitas vezes pouco lhe diz.
As madrugadas da rádio espanhola são bem diferentes. A acreditar nos textos de António Javier, autor do blogue “Vaya Historias”, elas são dinâmicas, interessantes e cumprem o papel principal da rádio: fazem companhia.
No texto «Hablar por hablar, alguien te escucha de madrugada», arquivado na categoria “Radio”, António Javier pergunta o que leva os ouvintes a participar nos programas: «que llevará a la gente a coger el teléfono de madrugada y contar sus intimidades ante miles de personas? ¿La soledad, la ansiedad, la desesperación, el insomnio…?».
Os programas das emissoras espanholas podem ser escutados em Portugal em Onda Média, mas que triste realidade a nossa quando temos de escutar emissões estrangeiras, porque as estações portuguesas – nem mesmo a RDP - não cumprem o seu papel.
segunda-feira, 1 de agosto de 2005
A INAUGURAÇÃO DA EMISSORA NACIONAL FOI HÁ 70 ANOS
As primeiras experiências de radiodifusão em Portugal deram-se em finais de 1924, e são devidas apenas à iniciativa de privados. Eventualmente terão existido em Portugal muitas experiências de radiodifusão que não estão documentadas, nem foram focadas pela imprensa da época, mas a década de 1920 viu nascer postos emissores nas cidades de Lisboa, Porto, Coimbra, Setúbal e Funchal. Na década seguinte, Abrantes, Braga, Faro, Ponta Delgada e S. João da Madeira também tiveram estações com alguma expressão local, só que a maior parte teve uma vida efémera.
Ciente do crescente interesse da população por este novo medium e do poder a ele inerente, o governo de então, através do decreto lei n.º 17 899, de 27 de Janeiro de 1930, cria, na dependência dos CTT, a Direcção dos Serviços Radioeléctricos e autoriza a aquisição de dois emissores, um de Onda Média e um de Onda Curta, para a futura Emissora Nacional de Radiodifusão.
Em Maio de 1932, tendo António Joyce como presidente da estação, têm início as emissões experimentais da EN em Onda Média. Passados dois anos foi a vez de se iniciarem as experiências em Onda Curta, estas com emissões dirigidas para o estrangeiro e, principalmente, para as Colónias.
A inauguração oficial da Emissora Nacional de Radiodifusão é feita no dia 1 de Agosto de 1935, nos estúdios da Rua do Quelhas, em Lisboa. O programa oficial da inauguração estendeu-se de 1 a 7 de Agosto, pois o Presidente da República da altura, Óscar Carmona, só foi aos estúdios a 4 de Agosto. Nesta altura presidia aos destinos da EN o capitão Henrique Galvão, que aos microfones anunciou que «a Emissora Nacional, realização do Estado Novo, é hoje, como mais um soldado que se alista, uma força ao serviço do Estado Novo». Henrique Galvão tornar-se-ia inimigo jurado de Salazar, mas a Emissora Nacional seguiria de braço dado com o regime fascista português até ao dia 25 de Abril de 1974.
Em 1975, a rádio portuguesa é nacionalizada e é criada a Empresa Publica de Radiodifusão, que agrega todas as emissoras portuguesas menos a Rádio Renascença, a Rádio Altitude e a Rádio Pólo Norte. Um ano depois a Emissora Nacional passa a designar-se Radiodifusão Portuguesa.
Para comemorar a data a Antena 1 vai contar a história dos primeiros anos da rádio pública portuguesa, num especial de Ana Aranha e Filomena Crespo, após o noticiário das dez da manhã, e depois das cinco da tarde.
Ciente do crescente interesse da população por este novo medium e do poder a ele inerente, o governo de então, através do decreto lei n.º 17 899, de 27 de Janeiro de 1930, cria, na dependência dos CTT, a Direcção dos Serviços Radioeléctricos e autoriza a aquisição de dois emissores, um de Onda Média e um de Onda Curta, para a futura Emissora Nacional de Radiodifusão.
Em Maio de 1932, tendo António Joyce como presidente da estação, têm início as emissões experimentais da EN em Onda Média. Passados dois anos foi a vez de se iniciarem as experiências em Onda Curta, estas com emissões dirigidas para o estrangeiro e, principalmente, para as Colónias.
A inauguração oficial da Emissora Nacional de Radiodifusão é feita no dia 1 de Agosto de 1935, nos estúdios da Rua do Quelhas, em Lisboa. O programa oficial da inauguração estendeu-se de 1 a 7 de Agosto, pois o Presidente da República da altura, Óscar Carmona, só foi aos estúdios a 4 de Agosto. Nesta altura presidia aos destinos da EN o capitão Henrique Galvão, que aos microfones anunciou que «a Emissora Nacional, realização do Estado Novo, é hoje, como mais um soldado que se alista, uma força ao serviço do Estado Novo». Henrique Galvão tornar-se-ia inimigo jurado de Salazar, mas a Emissora Nacional seguiria de braço dado com o regime fascista português até ao dia 25 de Abril de 1974.
Em 1975, a rádio portuguesa é nacionalizada e é criada a Empresa Publica de Radiodifusão, que agrega todas as emissoras portuguesas menos a Rádio Renascença, a Rádio Altitude e a Rádio Pólo Norte. Um ano depois a Emissora Nacional passa a designar-se Radiodifusão Portuguesa.
Para comemorar a data a Antena 1 vai contar a história dos primeiros anos da rádio pública portuguesa, num especial de Ana Aranha e Filomena Crespo, após o noticiário das dez da manhã, e depois das cinco da tarde.
domingo, 31 de julho de 2005
A EMISSORA NACIONAL NO “PÚBLICO”
O jornal “Público” traz um interessante artigo de Adelino Gomes sobre os 70 anos da Emissora Nacional (acesso online pago): «Como mais um soldado que se alista...».
As emissões oficiais da Emissora Nacional, actual RDP, tiveram início a 1 de Agosto de 1935.
As emissões oficiais da Emissora Nacional, actual RDP, tiveram início a 1 de Agosto de 1935.
HOJE JÁ NÃO SE PUBLICOU "O COMÉRCIO DO PORTO"
O decano da imprensa portuguesa do continente já não está hoje nas bancas. A espanhola “Prensa Ibérica”, proprietária dos jornais portugueses “O Comércio do Porto” e “A Capital”, decidiu a suspender a publicação dos títulos que detinha em Portugal.
“O Comércio do Porto” tem um historial de 151 anos. Viu nascer a rádio e acompanhou o seu desenvolvimento. Um dos seus directores, Bento Carqueja, sobrinho do fundador do jornal, foi colaborador da Invicta Rádio, na década de 1930.
“O Comércio do Porto” durante a proliferação das “rádios piratas” acompanhou de perto o fenómeno, divulgando as estações, frequências e programação, além de ter tido uma secção dedicada ao radioamadorismo.
Recentemente, António Sousa Pereira, o responsável pela secção «Memórias do Arquivo», escreveu sobre a Rádio Porto - a primeira estação de radiodifusão do Norte.
Mais artigos sobre as primeiras estações radiofónicas portuenses estavam prometidos nas páginas d’O Comércio do Porto. Espero que o mais antigo jornal português do continente volte às rotativas para que a promessa possa vir a ser cumprida.
Ontem surgiu o blogue O Comercio do Porto, onde se lê que «Num período em que deixou de haver papel para a tinta correr, os jornalistas e demais trabalhadores de O COMÉRCIO DO PORTO encontram neste espaço a via para o exterior, por forma a manter viva a alma do jornal mais antigo de Portugal continental».
Para os funcionários dos jornais “A Capital” e do “O Comércio do Porto”, onde tenho alguns amigos e ex-camaradas de trabalho, deixo um forte abraço de solidariedade.
“O Comércio do Porto” tem um historial de 151 anos. Viu nascer a rádio e acompanhou o seu desenvolvimento. Um dos seus directores, Bento Carqueja, sobrinho do fundador do jornal, foi colaborador da Invicta Rádio, na década de 1930.
“O Comércio do Porto” durante a proliferação das “rádios piratas” acompanhou de perto o fenómeno, divulgando as estações, frequências e programação, além de ter tido uma secção dedicada ao radioamadorismo.
Recentemente, António Sousa Pereira, o responsável pela secção «Memórias do Arquivo», escreveu sobre a Rádio Porto - a primeira estação de radiodifusão do Norte.
Mais artigos sobre as primeiras estações radiofónicas portuenses estavam prometidos nas páginas d’O Comércio do Porto. Espero que o mais antigo jornal português do continente volte às rotativas para que a promessa possa vir a ser cumprida.
Ontem surgiu o blogue O Comercio do Porto, onde se lê que «Num período em que deixou de haver papel para a tinta correr, os jornalistas e demais trabalhadores de O COMÉRCIO DO PORTO encontram neste espaço a via para o exterior, por forma a manter viva a alma do jornal mais antigo de Portugal continental».
Para os funcionários dos jornais “A Capital” e do “O Comércio do Porto”, onde tenho alguns amigos e ex-camaradas de trabalho, deixo um forte abraço de solidariedade.
sexta-feira, 29 de julho de 2005
O QUE A NOVA LEI DA RÁDIO DEVERÁ TER EM CONTA
A rádio portuguesa rege-se por legislação obsoleta é, portanto, mais que necessário adequar a Lei aos dias de hoje. Ainda assim, é necessário entender que Portugal tem particularidades que é necessário levar em conta.
Finalmente foi aprovado a criação de um grupo de trabalho que deverá elaborar até 30 de Novembro o projecto-lei final sobre a nova Lei da Rádio. O governo quer que a Lei entre em vigor ainda este ano.
Há propostas de todos os partidos com assento parlamentar, todas elas definindo quotas mínimas de radiodifusão de música portuguesa, embora todas tenham conceitos diferentes do que é, afinal, "música portuguesa".
Enquanto editores e outros profissionais do meio musical, apoiam uma medida proteccionista da música portuguesa, a Associação Portuguesa de Radiodifusão (APR), que representa cerca de 230 emissoras, está contra este procedimento. Eu apoio a posição da APR, pois se passar muita música portuguesa trouxesse audiências, a Rádio Clube de Matosinhos era campeã, já que 98% da música que passa é portuguesa.
A rádio digital é o futuro. A nova Lei da Rádio deverá estar atenta aos avanços tecnológicos e permitir que voltem a ser atribuídos alvarás em Onda Média e Onda Curta, mas desta vez para emissões em DRM.
A concentração da propriedade dos media também deve de ser tida em conta. A nova Lei não deveria permitir que grandes grupos económicos desvirtuassem o conceito de rádio local, fazendo das pequenas emissoras meros retransmissores das estações de Lisboa, que falam de tudo, menos da terra e o povo que deveriam servir.
Finalmente foi aprovado a criação de um grupo de trabalho que deverá elaborar até 30 de Novembro o projecto-lei final sobre a nova Lei da Rádio. O governo quer que a Lei entre em vigor ainda este ano.
Há propostas de todos os partidos com assento parlamentar, todas elas definindo quotas mínimas de radiodifusão de música portuguesa, embora todas tenham conceitos diferentes do que é, afinal, "música portuguesa".
Enquanto editores e outros profissionais do meio musical, apoiam uma medida proteccionista da música portuguesa, a Associação Portuguesa de Radiodifusão (APR), que representa cerca de 230 emissoras, está contra este procedimento. Eu apoio a posição da APR, pois se passar muita música portuguesa trouxesse audiências, a Rádio Clube de Matosinhos era campeã, já que 98% da música que passa é portuguesa.
A rádio digital é o futuro. A nova Lei da Rádio deverá estar atenta aos avanços tecnológicos e permitir que voltem a ser atribuídos alvarás em Onda Média e Onda Curta, mas desta vez para emissões em DRM.
A concentração da propriedade dos media também deve de ser tida em conta. A nova Lei não deveria permitir que grandes grupos económicos desvirtuassem o conceito de rádio local, fazendo das pequenas emissoras meros retransmissores das estações de Lisboa, que falam de tudo, menos da terra e o povo que deveriam servir.
terça-feira, 26 de julho de 2005
BAREME RÁDIO 2.º TRIMESTRE 2005
De acordo com o relatório "Bareme rádio" da Marktest, para o segundo trimestre de 2005, a TSF e o conjunto das estações radiofónicas do grupo RTP são as emissoras que registaram maior crescimento em relação ao mesmo período do ano passado, mas o grupo Renascença continua a ser o mais escutado.
A TSF - Rádio Notícias, do grupo Lusomundo Media, atingiu os 5,8% de Audiência Acumulada de Véspera (AAV)*, mais 1,1% em comparação com o período homólogo do ano passado, mas menos 0,1% em relação ao primeiro trimestre de 2005.
No que diz respeito ao grupo Rádio e Televisão de Portugal, a Antena 1 manteve os 5,2% de AAV em relação ao primeiro trimestre de 2005, e subiu 1,1% em relação ao mesmo período de 2004.
Também a Antena 2 manteve os 0,6% de AAV do trimestre anterior, e subiu 0,2% em relação ao mesmo período do ano transacto.
A Antena 3 também manteve os 3,5% de AAV do período homólogo de 2004, mas desceu 0,3% em relação ao primeiro trimestre de 2005.
A RFM continua a liderar as audiências com 13% de AAV - menos 0,5% do que no ao trimestre anterior e menos 1,5% em relação ao período homólogo de 2004.
Em segundo lugar nas audiências vem a Rádio Renascença, que continua em queda, com apenas 10,5% de AAV - desceu 0,9% em relação ao trimestre precedente, mas subiu 0,1% em relação ao mesmo período de 2004.
Ainda do grupo Renascença, a Mega FM desceu para 1,6% de AAV - menos 0,1% em relação aos primeiros três meses de 2005, mas a mesma percentagem do segundo trimestre de 2004.
Em relação às rádios do grupo Media Capital, a Rádio Comercial está no topo das preferências dos ouvintes com 6,8% de AAV - menos 0,4% em relação aos primeiros três meses de 2005, e menos 0,5% em relação ao período homólogo de 2004.
A Cidade FM continua a subir, atingiu 5,1% de AAV, mais 0,2% em relação ao trimestre anterior e mais 1,5% em relação ao segundo trimestre de 2004.
A Rádio Clube Português também subiu, atingiu 3,6% de AAV – o mesmo que no trimestre homólogo de 2004 – e mais 0,5% em relação aos primeiros três meses de 2005
A Best Rock FM ficou-se pelos 1,1% de AAV - desceu 0,5% em comparação com o mesmo período de 2004, e 0,2% em relação ao primeiro trimestre de 2005.
A escuta de outras estações subiu de 12,4% de AAV, no segundo trimestre de 2004, para 13,1% no período homologo de 2005.
* AAV - Audiência Acumulada de Véspera - percentagem de indivíduos que escutaram uma estação no período de um dia, independentemente do tempo despendido.
A TSF - Rádio Notícias, do grupo Lusomundo Media, atingiu os 5,8% de Audiência Acumulada de Véspera (AAV)*, mais 1,1% em comparação com o período homólogo do ano passado, mas menos 0,1% em relação ao primeiro trimestre de 2005.
No que diz respeito ao grupo Rádio e Televisão de Portugal, a Antena 1 manteve os 5,2% de AAV em relação ao primeiro trimestre de 2005, e subiu 1,1% em relação ao mesmo período de 2004.
Também a Antena 2 manteve os 0,6% de AAV do trimestre anterior, e subiu 0,2% em relação ao mesmo período do ano transacto.
A Antena 3 também manteve os 3,5% de AAV do período homólogo de 2004, mas desceu 0,3% em relação ao primeiro trimestre de 2005.
A RFM continua a liderar as audiências com 13% de AAV - menos 0,5% do que no ao trimestre anterior e menos 1,5% em relação ao período homólogo de 2004.
Em segundo lugar nas audiências vem a Rádio Renascença, que continua em queda, com apenas 10,5% de AAV - desceu 0,9% em relação ao trimestre precedente, mas subiu 0,1% em relação ao mesmo período de 2004.
Ainda do grupo Renascença, a Mega FM desceu para 1,6% de AAV - menos 0,1% em relação aos primeiros três meses de 2005, mas a mesma percentagem do segundo trimestre de 2004.
Em relação às rádios do grupo Media Capital, a Rádio Comercial está no topo das preferências dos ouvintes com 6,8% de AAV - menos 0,4% em relação aos primeiros três meses de 2005, e menos 0,5% em relação ao período homólogo de 2004.
A Cidade FM continua a subir, atingiu 5,1% de AAV, mais 0,2% em relação ao trimestre anterior e mais 1,5% em relação ao segundo trimestre de 2004.
A Rádio Clube Português também subiu, atingiu 3,6% de AAV – o mesmo que no trimestre homólogo de 2004 – e mais 0,5% em relação aos primeiros três meses de 2005
A Best Rock FM ficou-se pelos 1,1% de AAV - desceu 0,5% em comparação com o mesmo período de 2004, e 0,2% em relação ao primeiro trimestre de 2005.
A escuta de outras estações subiu de 12,4% de AAV, no segundo trimestre de 2004, para 13,1% no período homologo de 2005.
* AAV - Audiência Acumulada de Véspera - percentagem de indivíduos que escutaram uma estação no período de um dia, independentemente do tempo despendido.
sábado, 23 de julho de 2005
“LUGAR AO SUL”: EM DEFESA DO SERVIÇO PÚBLICO DE RÁDIO
“Lugar ao Sul” é um programa apresentado por Rafael Correia na “Antena 1”. Vai para o ar aos Sábados depois das notícias das 7h e prolonga-se até cerca das 9h. No programa fala-se, principalmente, da cultura alentejana e conversa-se com convidados que partilham com os ouvintes as suas memórias. É uma viagem por um Portugal muitas vezes esquecido.
O horário do programa é contestado por alguns ouvintes, tendo a sua expressão máxima em Álvaro José Ferreira, que tem vindo a pedir o regresso do programa ao horário anterior, menos penalizante para os ouvintes interessados, e que criou um fórum de discussão “Amigos do Lugar ao Sul”.
“Lugar ao Sul” é um verdadeiro serviço público radiofónico, devendo a RDP deveria incentivar o aparecimento de outros programas do género.
O horário do programa é contestado por alguns ouvintes, tendo a sua expressão máxima em Álvaro José Ferreira, que tem vindo a pedir o regresso do programa ao horário anterior, menos penalizante para os ouvintes interessados, e que criou um fórum de discussão “Amigos do Lugar ao Sul”.
“Lugar ao Sul” é um verdadeiro serviço público radiofónico, devendo a RDP deveria incentivar o aparecimento de outros programas do género.
FUMO SEM FOGO...
Afinal, e ao contrário do que a maior parte da imprensa ontem publicou, a Autoridade da Concorrência ainda não aprovou a compra da Lusomundo Serviços, que detém a Lusomundo Media, pela Controlinveste.
O "Diário de Notícias", de hoje, diz que «A Autoridade da Concorrência (AdC) disse ontem que ainda não foi tomada uma decisão final relativamente à compra da Lusomundo Media pela Controlinveste, revelou a Lusa, citando uma fonte daquela autoridade».
O "Diário de Notícias", de hoje, diz que «A Autoridade da Concorrência (AdC) disse ontem que ainda não foi tomada uma decisão final relativamente à compra da Lusomundo Media pela Controlinveste, revelou a Lusa, citando uma fonte daquela autoridade».
sexta-feira, 22 de julho de 2005
LUZ VERDE PARA O NEGÓCIO DA LUSOMUNDO MEDIA
Autoridade da Concorrência aprovou a compra da Lusomundo Serviços, que detém a Lusomundo Media, pela Controlinveste de Joaquim Oliveira.
A Lusomundo Media é a holding que detém as participações da Rádio Noticias, que detém a emissora TSF e da Global Noticias , a empresa que publica o “Jornal de Noticias”, “Diário de Noticias”, “24 Horas”, “Tal e Qual”, "Ocasião" e outros jornais regionais.
A Lusomundo Media é a holding que detém as participações da Rádio Noticias, que detém a emissora TSF e da Global Noticias , a empresa que publica o “Jornal de Noticias”, “Diário de Noticias”, “24 Horas”, “Tal e Qual”, "Ocasião" e outros jornais regionais.
quarta-feira, 20 de julho de 2005
EFEMÉRIDE: MARCONI MORREU HÁ 68 ANOS
O nome de muitos dos que contribuíram para que a rádio seja o que é hoje estão agora perdidos no passado. Porém, muitos outros alcançaram a fama que mereciam. Um deles foi Guglielmo Marconi (1874 – 1937).
Considerado por muitos o pai da rádio, Marconi ficou conhecido quando inventou um sistema prático de Telegrafia Sem Fios. Depois de, em 1895, fazer experiências durante um ano na casa onde morava, perto de Bolonha (Itália), Marconi conseguiu enviar um sinal de T.S.F. a três quilómetros de distância.
No ano seguinte ofereceu o seu invento ao Ministério dos Correios e Telégrafos Italiano, que o recusou, pois achou que não era um grande progresso em relação ao telégrafo eléctrico que transmitia as mensagens através de cabos.
Esta recusa terá sido a sorte de Marconi, pois, frustrado, rumou a Londres onde solicitou em Junho de 1896, a primeira patente de rádio do mundo e onde a sua invenção foi aproveitada pelos correios ingleses. O sistema de Telegrafia Sem Fios utilizado por Marconi foi observado de perto pelo Almirantado e pelo Ministério da Guerra inglês que descobriram, assim, a grande utilidade desta invenção para as telecomunicações militares.
Marconi foi contemplado com o Prémio Nóbel da Física em 1909, dedicando a sua vida ao desenvolvimento da T.S.F. e, mais tarde, da radiodifusão, sendo a Marconi’s Wireless Telegraph Company Ltd. uma das fundadoras da B.B.C..
Marconi visitou Portugal três vezes. Numa dessas visitas ofereceu ao representante dos aparelhos da marca “Marconi” em Portugal – João de Oliveira, proprietário da casa “Auto-Rádio, no Porto - um busto seu, como agradecimento pelos serviços prestados.
Considerado por muitos o pai da rádio, Marconi ficou conhecido quando inventou um sistema prático de Telegrafia Sem Fios. Depois de, em 1895, fazer experiências durante um ano na casa onde morava, perto de Bolonha (Itália), Marconi conseguiu enviar um sinal de T.S.F. a três quilómetros de distância.
No ano seguinte ofereceu o seu invento ao Ministério dos Correios e Telégrafos Italiano, que o recusou, pois achou que não era um grande progresso em relação ao telégrafo eléctrico que transmitia as mensagens através de cabos.
Esta recusa terá sido a sorte de Marconi, pois, frustrado, rumou a Londres onde solicitou em Junho de 1896, a primeira patente de rádio do mundo e onde a sua invenção foi aproveitada pelos correios ingleses. O sistema de Telegrafia Sem Fios utilizado por Marconi foi observado de perto pelo Almirantado e pelo Ministério da Guerra inglês que descobriram, assim, a grande utilidade desta invenção para as telecomunicações militares.
Marconi foi contemplado com o Prémio Nóbel da Física em 1909, dedicando a sua vida ao desenvolvimento da T.S.F. e, mais tarde, da radiodifusão, sendo a Marconi’s Wireless Telegraph Company Ltd. uma das fundadoras da B.B.C..
Marconi visitou Portugal três vezes. Numa dessas visitas ofereceu ao representante dos aparelhos da marca “Marconi” em Portugal – João de Oliveira, proprietário da casa “Auto-Rádio, no Porto - um busto seu, como agradecimento pelos serviços prestados.
terça-feira, 19 de julho de 2005
A RÁDIO NO “PÚBLICO”
O jornal “Público”, de domingo passado, traz três páginas dedicadas à rádio (coisa bastante rara nos dias que correm). São vários artigos (acesso pago), onde são abordados temas como as play lists, a música que passa na rádio e as quotas de música portuguesa.
Uma das frases que mais me chamou a atenção foi a afirmação de Rui Santos – gestor musical da Antena 1 - que lembra que na década de 80 havia «comunicadores objectivos, com personalidades e estatutos bem definidos». Mais à frente afirma-se que «concordam os vários responsáveis [da rádio portuguesa] que Portugal não tem grandes comunicadores, será ainda assim o factor humano a fazer a diferença».
Se Portugal não tem grandes comunicadores, é porque estão amordaçados por play lists e frases promocionais – que são repetidas até à exaustão – impostas pelos tais “responsáveis”.
Talvez seja redundante dizer que, em Portugal, nunca se fez tanta e tão boa rádio como na década de 80.
Uma das frases que mais me chamou a atenção foi a afirmação de Rui Santos – gestor musical da Antena 1 - que lembra que na década de 80 havia «comunicadores objectivos, com personalidades e estatutos bem definidos». Mais à frente afirma-se que «concordam os vários responsáveis [da rádio portuguesa] que Portugal não tem grandes comunicadores, será ainda assim o factor humano a fazer a diferença».
Se Portugal não tem grandes comunicadores, é porque estão amordaçados por play lists e frases promocionais – que são repetidas até à exaustão – impostas pelos tais “responsáveis”.
Talvez seja redundante dizer que, em Portugal, nunca se fez tanta e tão boa rádio como na década de 80.
segunda-feira, 18 de julho de 2005
69 ANOS DA GUERRA CIVIL ESPANHOLA: O PAPEL DA RÁDIO PORTUGUESA
Faz hoje 69 anos que se iniciou o mais sangrento conflito da Península Ibérica. A rádio portuguesa teve um papel activo no desenrolar dos acontecimentos, tendo Franco um forte aliado na figura de Jorge Botelho Moniz - o presidente do Rádio Clube Português.
Os diários do Porto do dia 17 de Julho de 1936, apresentavam uma entrevista com o General José Sanjurjo, em que o militar declarara ignorar a origem do «boato fantasioso» que o dava como prestes a entrar em Espanha para chefiar um movimento revolucionário tendente a derrubar o governo da Frente Popular, chefiado por Casares Quiroga. Apesar das declarações do General exilado, no dia seguinte - 18 de Julho de 1936 - por todo o Marrocos espanhol dá-se um levantamento militar chefiado por Francisco Franco. José Sanjurjo morreu, poucos dias depois, num acidente de aviação em Cascais quando regressava a Espanha para liderar os revoltosos.
O estado português perante a cena internacional mantinha-se neutral - pois era pressionado pelas potências europeias nesse sentido - mas essa neutralidade era apenas aparente, internamente nada fazia para impedir os apoios portugueses aos nacionalistas chefiados por Franco e chegava, inclusive, a incentivá-los. Salazar rompe as relações com o governo de Madrid a 23 de Outubro de 1936, mas só a 28 de Abril de 1938 é que o governo insurreccional seria reconhecido.
Se bem que a Emissora Nacional não apoiasse directamente os nacionalistas espanhóis, as noticias veiculadas pela E.N. davam a conhecer apenas uma parte do conflito - a que interessava ao governo português - e sempre em contra-informação das noticias veiculadas pelas rádios espanholas republicanas. As outras emissoras portuguesas, por força de uma censura férrea, tinham de seguir a mesma orientação.
Com o desenrolar do conflito, o Major Jorge Botelho Moniz, um dos militares da revolução de 28 de Maio, presidente do Rádio Clube Português e amigo de Oliveira Salazar, decide levar avante a criação de um corpo de milícias portuguesas - os Viriatos - para intervir ao lado dos Nacionalistas. Salazar sabendo disto deixou simplesmente que a ideia prosseguisse, mas descartou-se de responsabilidades. O apelo à mobilização é feito a 28 de Agosto de 1936, no Campo Pequeno, em Lisboa, num comício anticomunista. Nesse comício o Major Botelho Moniz discursa perante milhares de pessoas e afirma: «Vai começar a guerra santa, a guerra de todos os instantes. Vai começar a cruzada heróica para a qual chamamos os portugueses(...). Nós, nacionalistas, somos legião e somos portugueses. Constituamos a "Legião Portuguesa", a legião onde só entram "portugueses", mas que fica aberta a todos os portugueses, leais, disciplinados, dignos e honrados que aceitam como lema "pela Família, pela Pátria, pela Civilização Lusitana"».
O Rádio Clube Português foi durante o conflito civil espanhol a voz mais activa, embora também a Rádio Luso, que era financiada pelo regime Nazi da Alemanha, e a Invicta Rádio, que estava ligada ao regime fascista português, fossem difusoras da propaganda de Franco em Lisboa e no Porto.
No Porto o Comandante Henrique Galvão dava palestras, aos microfones da Invicta Rádio, que chamavam a atenção dos ouvintes para o perigo que vinha de Espanha pela mão dos republicanos que, segundo ele, ameaçavam a soberania nacional. Muitas outras palestras destinadas a Espanha foram proferidas em Castelhano.
Foi através do Rádio Clube Português que melhor se fazia sentir o apoio Luso aos falangistas. A organização de vários comboios de abastecimentos, por esta estação emissora, e a propaganda pró-franquista foram uma ajuda preciosa aos revoltosos. Os espanhóis tinham emissões desde o R.C.P. em castelhano, feitas pela voz de Marisabel de La Torre de Colomina, que se tornou o símbolo emblemático do apoio daquela emissora aos rebeldes franquistas. A revista "Rádio semanal", uma publicação da Emissora Nacional, dedica a Marisabel a primeira página do número de Setembro e uma reportagem alargada sobre o R.C.P. dando conta da influência que esta locutora espanhola exercia, tanto em Espanha como em Portugal. As emissões para Espanha eram regulares e o indicativo que se fazia ouvir era "CT1 GL - R.C.P. - Parede - Lisboa - Portugal".
Devido a este conflito e à tomada de partido pelo R.C.P., foi criado em Portugal o primeiro serviço noticioso regular. O R.C.P. tinha vários postos de escuta para ouvir as emissões provenientes de Espanha e das outras estações emissoras da Europa que noticiavam o conflito, toda esta informação era filtrada e retransmitida pelo R.C.P.. Como consequência desta tomada de partido, às 23 horas do dia 20 de Janeiro 1937 o emissor de 5 kW do R.C.P. sofre um atentado com uma bomba relógio. Não houve danos pessoais mas os estragos foram de vulto, passadas vinte e quatro horas as emissões são retomadas.
Se o Rádio Clube Português era uma voz para Espanha, a Emissora Nacional era uma voz para o povo português. As palestras proferidas aos microfones da E.N. sobre o conflito em Espanha, eram contra o perigo "vermelho" espanhol e a favor dos falangistas, que se batiam pela defesa dos valores da "civilização cristã ocidental", e pela "defesa da integridade nacional, ameaçada pelo avanço comunista na Península Ibérica".
A Rádio Renascença começou a emitir experimentalmente em 1936, e nesse ano foi convidada pela Comissão Internacional Católica de Radiodifusão a participar, juntamente com outras emissoras católicas da Europa, numa audiência papal onde se discutiria, entre outros assuntos, o avanço do comunismo, que era visto pela Igreja como um inimigo da fé. Com as dificuldades de comunicação com o resto da Europa, por causa do conflito espanhol, e também porque os recursos financeiros da Rádio Renascença eram parcos, nenhum representante da emissora católica esteve na reunião.
A guerra civil espanhola terminou oficialmente a 1 de Abril de 1939, assegurando a subida ao poder do ditador Francisco Franco. Foram três anos de conflito que se saldou em centenas de milhares de mortos (há historiadores que falam em mais de um milhão), na sua maior parte civis, e outras centenas de milhares de refugiados - só no campo de Argeles estiveram meio milhão.
Na praia onde esteve instalado o campo de concentração de Argeles, França, uma placa comemorativa reza: «A todos los españoles que lucharon por la libertad. Hombre libre, recuerda.»
Os diários do Porto do dia 17 de Julho de 1936, apresentavam uma entrevista com o General José Sanjurjo, em que o militar declarara ignorar a origem do «boato fantasioso» que o dava como prestes a entrar em Espanha para chefiar um movimento revolucionário tendente a derrubar o governo da Frente Popular, chefiado por Casares Quiroga. Apesar das declarações do General exilado, no dia seguinte - 18 de Julho de 1936 - por todo o Marrocos espanhol dá-se um levantamento militar chefiado por Francisco Franco. José Sanjurjo morreu, poucos dias depois, num acidente de aviação em Cascais quando regressava a Espanha para liderar os revoltosos.
O estado português perante a cena internacional mantinha-se neutral - pois era pressionado pelas potências europeias nesse sentido - mas essa neutralidade era apenas aparente, internamente nada fazia para impedir os apoios portugueses aos nacionalistas chefiados por Franco e chegava, inclusive, a incentivá-los. Salazar rompe as relações com o governo de Madrid a 23 de Outubro de 1936, mas só a 28 de Abril de 1938 é que o governo insurreccional seria reconhecido.
Se bem que a Emissora Nacional não apoiasse directamente os nacionalistas espanhóis, as noticias veiculadas pela E.N. davam a conhecer apenas uma parte do conflito - a que interessava ao governo português - e sempre em contra-informação das noticias veiculadas pelas rádios espanholas republicanas. As outras emissoras portuguesas, por força de uma censura férrea, tinham de seguir a mesma orientação.
Com o desenrolar do conflito, o Major Jorge Botelho Moniz, um dos militares da revolução de 28 de Maio, presidente do Rádio Clube Português e amigo de Oliveira Salazar, decide levar avante a criação de um corpo de milícias portuguesas - os Viriatos - para intervir ao lado dos Nacionalistas. Salazar sabendo disto deixou simplesmente que a ideia prosseguisse, mas descartou-se de responsabilidades. O apelo à mobilização é feito a 28 de Agosto de 1936, no Campo Pequeno, em Lisboa, num comício anticomunista. Nesse comício o Major Botelho Moniz discursa perante milhares de pessoas e afirma: «Vai começar a guerra santa, a guerra de todos os instantes. Vai começar a cruzada heróica para a qual chamamos os portugueses(...). Nós, nacionalistas, somos legião e somos portugueses. Constituamos a "Legião Portuguesa", a legião onde só entram "portugueses", mas que fica aberta a todos os portugueses, leais, disciplinados, dignos e honrados que aceitam como lema "pela Família, pela Pátria, pela Civilização Lusitana"».
O Rádio Clube Português foi durante o conflito civil espanhol a voz mais activa, embora também a Rádio Luso, que era financiada pelo regime Nazi da Alemanha, e a Invicta Rádio, que estava ligada ao regime fascista português, fossem difusoras da propaganda de Franco em Lisboa e no Porto.
No Porto o Comandante Henrique Galvão dava palestras, aos microfones da Invicta Rádio, que chamavam a atenção dos ouvintes para o perigo que vinha de Espanha pela mão dos republicanos que, segundo ele, ameaçavam a soberania nacional. Muitas outras palestras destinadas a Espanha foram proferidas em Castelhano.
Foi através do Rádio Clube Português que melhor se fazia sentir o apoio Luso aos falangistas. A organização de vários comboios de abastecimentos, por esta estação emissora, e a propaganda pró-franquista foram uma ajuda preciosa aos revoltosos. Os espanhóis tinham emissões desde o R.C.P. em castelhano, feitas pela voz de Marisabel de La Torre de Colomina, que se tornou o símbolo emblemático do apoio daquela emissora aos rebeldes franquistas. A revista "Rádio semanal", uma publicação da Emissora Nacional, dedica a Marisabel a primeira página do número de Setembro e uma reportagem alargada sobre o R.C.P. dando conta da influência que esta locutora espanhola exercia, tanto em Espanha como em Portugal. As emissões para Espanha eram regulares e o indicativo que se fazia ouvir era "CT1 GL - R.C.P. - Parede - Lisboa - Portugal".
Devido a este conflito e à tomada de partido pelo R.C.P., foi criado em Portugal o primeiro serviço noticioso regular. O R.C.P. tinha vários postos de escuta para ouvir as emissões provenientes de Espanha e das outras estações emissoras da Europa que noticiavam o conflito, toda esta informação era filtrada e retransmitida pelo R.C.P.. Como consequência desta tomada de partido, às 23 horas do dia 20 de Janeiro 1937 o emissor de 5 kW do R.C.P. sofre um atentado com uma bomba relógio. Não houve danos pessoais mas os estragos foram de vulto, passadas vinte e quatro horas as emissões são retomadas.
Se o Rádio Clube Português era uma voz para Espanha, a Emissora Nacional era uma voz para o povo português. As palestras proferidas aos microfones da E.N. sobre o conflito em Espanha, eram contra o perigo "vermelho" espanhol e a favor dos falangistas, que se batiam pela defesa dos valores da "civilização cristã ocidental", e pela "defesa da integridade nacional, ameaçada pelo avanço comunista na Península Ibérica".
A Rádio Renascença começou a emitir experimentalmente em 1936, e nesse ano foi convidada pela Comissão Internacional Católica de Radiodifusão a participar, juntamente com outras emissoras católicas da Europa, numa audiência papal onde se discutiria, entre outros assuntos, o avanço do comunismo, que era visto pela Igreja como um inimigo da fé. Com as dificuldades de comunicação com o resto da Europa, por causa do conflito espanhol, e também porque os recursos financeiros da Rádio Renascença eram parcos, nenhum representante da emissora católica esteve na reunião.
A guerra civil espanhola terminou oficialmente a 1 de Abril de 1939, assegurando a subida ao poder do ditador Francisco Franco. Foram três anos de conflito que se saldou em centenas de milhares de mortos (há historiadores que falam em mais de um milhão), na sua maior parte civis, e outras centenas de milhares de refugiados - só no campo de Argeles estiveram meio milhão.
Na praia onde esteve instalado o campo de concentração de Argeles, França, uma placa comemorativa reza: «A todos los españoles que lucharon por la libertad. Hombre libre, recuerda.»
ANTÓNIO SÉRGIO NA “ÚNICA”
Depois da revista “Y” (distribuída com O Independente o "Público") é a vez da “Única” (distribuída com o “Expresso”) dedicar umas páginas a esse "bicho" da rádio que é o António Sérgio.
Nesta reportagem, António Sérgio afirma que «é no hip hop português, tanto na música como nas letras, que se faz hoje o som da frente».
Nesta reportagem, António Sérgio afirma que «é no hip hop português, tanto na música como nas letras, que se faz hoje o som da frente».
sábado, 16 de julho de 2005
RÁDIOS DO COTONETE NO CLIX.PT
A Internet e a rádio são cada vez mais complementares e as empresas – tanto radiofónicas, como de portais de conteúdos online - reconhecem isso e aí está uma associação entre a Media Capital Rádios (MCR) e o portal Clix.
O portal Clix e a MCR celebraram um acordo de parceria para reforçar a estratégia editorial e comercial das empresas, com distribuição de rádio online.
Desde ontem que, para aceder às rádios do cotonete, o endereço passou a ser http://cotonete.clix.pt.
Também todas as emissoras da MCR (Comercial, RCP, Cidade FM, Best Rock e Mix) deixaram o dominio "iol", passando para o Clix.
O portal Clix e a MCR celebraram um acordo de parceria para reforçar a estratégia editorial e comercial das empresas, com distribuição de rádio online.
Desde ontem que, para aceder às rádios do cotonete, o endereço passou a ser http://cotonete.clix.pt.
Também todas as emissoras da MCR (Comercial, RCP, Cidade FM, Best Rock e Mix) deixaram o dominio "iol", passando para o Clix.
quinta-feira, 14 de julho de 2005
VEM AÍ LEGISLAÇÃO COMUNITÁRIA PARA O AUDIOVISUAL
A Comissão Europeia quer abolir a actual legislação relativa ao audiovisual, praticamente dedicada apenas à televisão, estando a preparar um diploma que inclua outras plataformas de difusão, como a rádio, a Internet e os telemóveis.
A mudança legislativa pressupõe que as emissoras radiofónicas dos 25 Estados-membros passem a ser reguladas por regras comunitárias.
A mudança legislativa pressupõe que as emissoras radiofónicas dos 25 Estados-membros passem a ser reguladas por regras comunitárias.
terça-feira, 12 de julho de 2005
INTIMIDAÇÃO AOS MEDIA
Os media estão debaixo de fogo. Literalmente. Justiça e foras-da-lei fazem pressão sobre os órgãos de comunicação social, cada um à sua maneira.
Nas Filipinas, Rolando "Dodong" Morales, autor e apresentador do programa radiofónico "The Voice of Barangay", foi morto a tiro por traficantes de droga após ter denunciado o tráfico de estupefacientes no seu programa.
Nos Estados Unidos, Judith Miller, jornalista do "New York Times", teve ordem de prisão por se recusar a revelar uma fonte. Como consequência disto, a direcção do jornal "Cleveland Plain Dealer" – o diário com maior tiragem no Ohio - suspendeu a publicação de duas reportagens.
Portugal, infelizmente, também tem casos destes.
Nas Filipinas, Rolando "Dodong" Morales, autor e apresentador do programa radiofónico "The Voice of Barangay", foi morto a tiro por traficantes de droga após ter denunciado o tráfico de estupefacientes no seu programa.
Nos Estados Unidos, Judith Miller, jornalista do "New York Times", teve ordem de prisão por se recusar a revelar uma fonte. Como consequência disto, a direcção do jornal "Cleveland Plain Dealer" – o diário com maior tiragem no Ohio - suspendeu a publicação de duas reportagens.
Portugal, infelizmente, também tem casos destes.
segunda-feira, 11 de julho de 2005
INVESTIMENTO NO MEIO RÁDIO CRESCE 5,1% ATÉ 2009
É sempre uma boa notícia para a rádio quando se prevê que o investimento no meio tenha tendência para aumentar.
Portugal terá em 2009, segundo estimativa da auditora Price Waterhouse Coopers, uma rádio a valer 218,2 milhões de euros, com um crescimento de 4% ao ano entre 2004 e 2009.
Globalmente, e segundo uma estimativa PWC no seu “Global Entertainment and Media Outlook 2005-2009”, a rádio terá investimentos de 66 mil milhões de euros em 2009.
O “Diário de Notícias” traz um artigo sobre o relatório da PWC.
Portugal terá em 2009, segundo estimativa da auditora Price Waterhouse Coopers, uma rádio a valer 218,2 milhões de euros, com um crescimento de 4% ao ano entre 2004 e 2009.
Globalmente, e segundo uma estimativa PWC no seu “Global Entertainment and Media Outlook 2005-2009”, a rádio terá investimentos de 66 mil milhões de euros em 2009.
O “Diário de Notícias” traz um artigo sobre o relatório da PWC.
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