«aquela magia da música que vem do éter, é um hábito que se está extinguir (…) a rádio enquanto escuta caseira é um hábito que faliu e que nos fugiu, e não há maneira de voltar». António Sérgio in "Suplemento DN" de 08 de Julho de 2005

terça-feira, 14 de junho de 2005

AINDA O HD RADIO E O MULTICASTING

O João Paulo Meneses ( autor dos blogues "O Segundo Choque" e "Blogouve-se") colocou um comentário no post anterior com umas questões que vou tentar responder.
- IBOC e HD Radio é uma e a mesma coisa?
IBOC e HD Radio são uma e a mesma coisa. O nome IBOC foi recentemente alterado pela inventora do sistema – a iBiquity – para HD Radio. A alteração da denominação de In Band On Channel para High Definition Radio tem a ver com markting. Se a qualquer ouvinte se falar de rádio de alta definição – HD Radio - ele associa imediatamente o conceito ao medium. IBOC é um termo novo e desconhecido, o que levaria, para o ouvinte comum, algum tempo a associar este nome à rádio.
- Dá a ideia que o HD Radio é mais completo/atraente do que o nosso DAB; confirmas?
O HD Radio não é mais completo que o DAB. Aliás, a grande desvantagem da HD Radio é a largura de banda, um máximo de 96 Kb/s - contra o máximo de 256 kb/s que o DAB permite. E, já agora, teoricamente, o som da rádio digital só é superior ao da FM analógica a partir de 160 Kb/s.
- Os Estados Unidos estão muito mais avançados na digitalização da rádio do que a Europa?
Os Estados Unidos estão, efectivamente, mais avançados que a Europa no que diz respeito à rádio digital, principalmente na oferta de serviços. Na América, a digitalização da FM começou ainda nos anos oitenta. Na Europa só uma década mais tarde é que se começou a falar no DAB.E é a pobreza franciscana que se vê (ouve).
- O multicasting coloca problemas de propriedade de frequências: eu posso ter, com uma frequência, vários canais? A recepção faz-se com aparelhos próprios, que sintonizam cada canal?
O multicasting permite que uma estação divida a sua emissão em dois, ou mais, programas. Mas há um senão: quanto mais dividir a largura de banda, menor é a qualidade sonora. O mesmo acontece em relação à quantidade de dados que uma emissora disponibiliza - mais dados menor qualidade sonora ou vice-versa.
Uma estação radiofónica só pode emitir em multicasting com a aprovação da FCC. A recepção terá de ser feita com receptores próprios de HD Radio.
- Se adoptarem o DRM, poderão ter ao mesmo tempo o HD Radio? São compatíveis com um mesmo rádio/receptor digital?
Se, eventualmente, os americanos adoptarem o DRM para as emissões digitais na banda de AM, terá de haver um receptor que receba e transforme em analógico a codificação digital do DRM, que é diferente da codificação do HD Radio. Ou seja, tem de comprar novos receptores ou adaptar os existentes.

RÁDIO DIGITAL - IV (HD RADIO E MULTICASTING)

O In Band On Channel (IBOC) é o sistema de radiodifusão sonora digital que os Estado Unidos adoptaram. Recentemente, a iBiquity – inventora do sistema – alterou o nome IBOC para HD Radio - High Definition Radio.
O HD Radio tem a particularidade de poder ter emissões digitais e analógicas na mesma banda de frequências, tanto em Amplitude Modulada (OM 530 KHz - 1600 kHz), como em Frequência Modulada (VHF 87.50 MHz - 108.00 MHz). Deste modo é possível às estações continuarem a emitir no modo analógico e, simultaneamente, de forma digital. Este processo fará com que a migração do analógico para o digital se faça de uma forma gradual, habituando o ouvinte às emissões digitais, e então será feito o switch off da radiodifusão analógica.
O HD Radio permite - tal como os todos os outros sistemas de rádio digital - que sejam enviados dados juntamente com o sinal áudio. Informações sobre a previsão do tempo, o trânsito, o nome do artista e da música que está a tocar, etc., podem ser lidas no visor dos receptores digitais. Para enviar tal quantidade de informação o HD Radio recorre à tecnologia de compressão de dados Percentual Audio Coder (PAC), que funciona de forma semelhante ao MPEG.
Outra das vantagens do HD Radio é a possibilidade de operar em multicasting - a radiodifusão de diversos canais numa única frequência.
Nos Estados Unidos, já existem mais de 2500 estações de rádio a operar em HD Radio e mais de 750 em multicasting. Em média, é convertida uma estação radiofónica por dia para HD Radio.
Ainda assim, no reino da radiodifusão digital americana, nem tudo é perfeito. Enquanto as transmissões na banda de FM são satisfatórias, em AM as coisas complicam-se - principalmente à noite.
Recentemente a Federal Communications Commission (FCC), a homóloga americana da nossa ANACOM, desaprovou as transmissões nocturnas na banda de AM em HD Radio, pois a enorme interferência provocada no espectro electromagnético torna praticamente inviável a recepção das emissões – digitais e analógicas - na faixa dos 530 KHz - 1600 kHz. Face a esta contrariedade, as emissoras americanas encaram muito seriamente a hipótese de adoptarem o Digital Rádio Mondiale (DRM) como substituto da HD Radio na banda de AM.
Uma das razões para que os americanos adoptassem a digitalização da FM e da AM prende-se com o facto de parte das frequências de transmissão do DAB, adoptadas pelo padrão mundial «Eureka 147» (VHF banda III - 175 MHz a 240 MHz; e VHF banda L - 1452 MHz a 1492 MHz), serem utilizadas pelo sistema de comunicações militares dos Estados Unidos. Outra razão é porque o HD Radio foi totalmente desenvolvido nos Estados Unidos.

sábado, 11 de junho de 2005

RR: O NOVO DIRECTOR

A Rádio Renascença já tem substituto para Rui Pego. A escolha do conselho de gerência da emissora católica recaiu sobre Nelson Ribeiro – o director da Mega FM, a estação jovem da Renascença.
Segundo o “Diário de Notícias” a escolha terá «gerado "surpresa e algum mal-estar" entre os seus profissionais, confirmaram ao DN fontes da rádio. O facto de "ser muito novo", "pouco conhecedor da realidade da Renascença" e liderar "uma equipa com profissionais com muitos anos de casa" são os argumentos invocados».
Nelson Ribeiro é, provavelmente, o mais jovem director de sempre da RR (tem 29 anos), mas poderá ser a formula correcta para impedir que a RR continue a cair nas audiências.

sexta-feira, 10 de junho de 2005

RÁDIO VOXX: E DEPOIS DO ADEUS...

A Rádio Voxx - a rádio mais “gira-discos”, mas também a mais alternativa de todas - vai deixar o éter. A Alta Autoridade para a Comunicação Social (AACS) autorizou a Media Capital a efectuar as alterações necessárias para que a Cidade FM ocupe as frequências da Rádio Voxx, sendo que as da Cidade FM vão ser ocupadas pela Foxx FM – uma nova emissora da Media Capital que terá um formato de «música urbana negra».
Finalmente a novela da Voxx chega ao fim (pouco feliz para a estação, diga-se). Toda a História remonta a finais de 2003, quando Ricardo Casimiro vendeu a empresa Côco – Companhia de Comunicação, detentora dos alvarás das rádios Voxx e Luna, à Rádio Milénio, que é propriedade de Luís Nobre Guedes. A polémica nasce porque Nobre Guedes é advogado da Media Capital. O caso pode ser lido nos posts de 6 de Dezembro de 2003 e de 4 de Março de 2004 (antigo blogue A Rádio em Portugal).
Além deste acordo, a Milénio já retransmite na zona de Coimbra a Rádio Clube Português e a Best Rock FM.

quinta-feira, 9 de junho de 2005

RÁDIO DIGITAL – III (A RÁDIO MULTICANAL)

A rádio do futuro será multicanal? Parece que sim. O site Digital Radio Tech coloca a hipótese de o Digital Radio Mondiale transmitir - num futuro próximo - em surround 5.1 canais: «MPEG-4 5.1 surround sound might become an option».
Concordo plenamente com esta afirmação, até porque ao longo dos tempos a rádio evoluiu em paralelo com a tecnologia áudio.
No tempo em que a radiodifusão em Amplitude Modulada era dona e senhora do espectro electromagnético, a alternativa – mas apenas para uns poucos - eram os discos monofónicos que giravam a 78 revoluções por minuto.
Em 1948, o advento da microgravação aumentou a qualidade sonora dos discos e também a rádio viu a Frequência Modulada crescer. As estações que aderiram à FM não tinham o alcance das que emitiam em AM, mas tinham cerca de 30 vezes menos ruído estático.
A gravação áudio continuou a evoluir e, em 1958, a gravação estereofónica foi uma realidade*. Também aqui a rádio acompanhou a evolução técnica. Em 1961 foi efectuada, nos Estados Unidos, a primeira emissão radiofónica em estereofonia.
Duas décadas depois, o Compact Disc Digital Audio começa a ser comercializado. Imediatamente os americanos começam a pensar na digitalização da Frequência Modulada. E se bem o pensaram, melhor o fizeram: A FM Digital é uma realidade na América.
Na segunda metade dos anos de 1990 - já o CD tinha demonstrado que não era o som perfeito e eterno que tantos tinham apregoado - surgiram dois formatos áudio de alta qualidade: O Super Audio Compact Disc (SACD) e o Digital Versatil Disc – Audio (DVD-A).
Estes suportes áudio têm duas vantagens sobre o vulgar CD - uma qualidade sonora superior e podem suportar gravações multicanal até seis canais independentes**.
Será que a rádio também vai acompanhar esta tendência? No post de 17 de julho de 2003 (antigo blogue A Rádio em Portugal) já tinha previsto esta hipótese.

* A gravação estereofónica foi inventada em 1933 pela firma britânica Electric & Musical Industries - mais tarde conhecida como EMI – tendo sido gravados vários discos de 78 rpm. No entanto a EMI acabaria por colocar de lado esta inovação e voltar a gravar em monofonia.
** A gravação multicanal também não é uma novidade. Em 1971 foram apresentados os primeiros discos quadrifónicos. No entanto este sistema não vingou devido ao elevado custo do equipamento, tanto de gravação como de reprodução.

quarta-feira, 8 de junho de 2005

O DIA DE PORTUGAL NA ANTENA 2

Para celebrar o 10 de Junho - Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas - a emissão da Antena 2 vai ser ocupada, das 00h às 24h, só com música portuguesa.
Obviamente que a linha clássica da estação vai ser mantida, mas os ouvintes poderão escutar obras de autores portugueses que nenhuma outra emissora do mundo costuma ter nas suas play-lists.
Em entrevista ao “Diário de Notícias”, João Almeida, director-adjunto da Antena 2, faz uma resenha do que vai ser a emissão.
Na sexta-feira, a Antena 2 não vai, de certeza, bater recordes de audiência, mas é assim - passando a música que outros não colocam em antena - que se presta um verdadeiro serviço público.

RÁDIO DIGITAL – II (A QUALIDADE SONORA)

Uma expressão muito em voga é a «qualidade CD». Esta denominação é usada para definir uma boa qualidade áudio, mas nada é mais errado. O termo «qualidade CD» apenas deveria ser empregue em gravações PCM a 16 bits / 44.1 kHz.
Muitas emissoras de webcasting * afirmam que as suas transmissões têm «qualidade CD», mas isto não é verdade, pois nenhuma estação emite online (nem através de ondas hertzianas) em PCM 16 bits / 44.1 KHz, já que isto requereria um débito de 1.4 Mbit/s.
O streaming ** usado por algumas estações é efectuado em mp3 e este formato de áudio digital é comprimido até doze vezes. Não é possível que um sinal áudio com esta compressão tenha a mesma qualidade de som de um CD gravado a 16 bits / 44 100 Hz. Também o Real Audio tem a mesma taxa de compressão do mp3. O Windows Media Audio (wma) tem uma compressão maior. Tanto o Real Audio como o wma têm qualidade sonora inferior ao mp3.
Nem mesmo as emissoras que utilizam sistemas de transmissão hertziana digital deveriam utilizar o termo «qualidade CD», pelo simples facto de que um disco compacto comporta gravações entre os 20 Hz e os 20 000 Hz e nenhum sistema de transmissão hertziano digital tem esta prestação.
O Digital Audio Broadcasting (DAB) - mesmo que transmita a 192 kbit/s - terá sempre uma qualidade sonora inferior à de um CD, mas, em princípio, terá sempre melhor qualidade que a Frequência Modulada, no entanto, a maioria das estações emite apenas a 128 kbit/s.
O Digital Radio Mondiale (DRM) tem uma faixa de reprodução entre os 30 Hz e os 15 000 Hz (o mesmo que a Frequência Modulada), portanto também inferior à de um CD.
Para finalizar, aqui fica uma sugestão para “afinar os ouvidos”: o padrão para comparar a qualidade do áudio deve ser sempre a música de instrumentos acústicos, ao vivo, sem interferência de aparelhos electrónicos. Quanto mais a reprodução electrónica do som se aproximar do original, melhor qualidade têm as gravações e/ou os aparelhos que as reproduzem. Mas atenção: uma má gravação soará mal mesmo na melhor aparelhagem do mundo.
* O termo webcasting tem sido usado para designar as emissoras de rádio com emissões online. A emissão via Internet também pode ser chamado de netcasting ou bitcasting, já que ainda não há um termo definido para a rádio online.
** O streaming é a transmissão contínua de áudio pela Internet. A vantagem do streaming é a de manter uma emissão em tempo real e o ouvinte não tem de fazer o download de um ficheiro áudio para ouvir a emissão.

terça-feira, 7 de junho de 2005

RÁDIO DIGITAL - I

A rádio está a sofrer uma revolução que vai alterar a forma como é emitida, como é escutada e como é feita. A passagem do analógico para o digital é um passo inevitável, e a rádio terá de saber adaptar-se aos novos desafios que se lhe apresentam.
Na Europa, as discussões - sobre a data do switch-off da radiodifusão analógica e porque somos obrigados a utilizar o DAB - multiplicam-se e não chegam a nenhuma conclusão prática.
Por cá, apenas a RDP transmite em DAB (Digital Audio Broadcasting) e os ouvintes dos seus canais digitais não serão muitos, já que a emissão digital transmite os mesmo programas da Frequência Modulada.
Há sempre uma certa resistência à alteração do statu quo, e a radiodifusão digital vai sentindo entraves tanto de operadores como de ouvintes.
A situação que se vive é a de uma espiral viciosa: Os ouvintes não compram receptores digitais porque são caros e porque não têm oferta dos operadores; os fabricantes de receptores DAB não baixam os preços porque as vendas ainda não atingiram valores que permitisse manter a margem de lucro com receptores de menor preço; os operadores não apostam nos sistemas de radiodifusão digital porque, baseando-se nas estatísticas das vendas de receptores DAB, sabem que o número de ouvintes das emissões digitais ainda não justifica o investimento em novos equipamentos. E tudo volta ao início.
Na Europa a situação é um pouco idêntica à portuguesa, sendo que a excepção parece ser o Reino Unido onde já se venderam mais de um milhão de receptores DAB. O total de vendas na Europa (RU incluído) era, até fins de Abril, de um milhão e meio de receptores vendidos.
Em relação ao Digital Radio Mondiale (DRM) ainda não há dados sobre quantos receptores foram vendidos, mas já são mais de 70 as estações que transmitem neste sistema.Um dos grandes entraves à migração para o DAB é, sem dúvida, a alteração das frequências das estações. Estamos habituados a escutar, em FM, a estação “X” em 105.30 MHz ou a emissora “Y” nos 98.70 MHz, mas em DAB elas estarão algures entre os 175 MHz e os 240 MHz ou entre os 1452 MHz e os 1492 MHz. Mas, em principio, não é necessário memorizar estes números, pois a maioria dos receptores DAB vem equipado com Autotune, um sistema que sintoniza as estações disponíveis com eficácia e memoriza-as em segundos.

sábado, 4 de junho de 2005

AINDA AS QUOTAS DE MÚSICA PORTUGUESA

No post de 26 de Maio já tinha feito referência às quotas de música portuguesa na rádio, mas volto outra vez ao assunto.
Não concordo com um sistema de quotas de música portuguesa na rádio, porque acho que não vai resolver coisíssima nenhuma, nem para as rádios, nem para os artistas portugueses, nem para as editoras discográficas.
O blogue NetFm faz umas considerações, que eu acho pertinentes: «Será que ainda alguém acredita que será possível transformar o panorama radiofónico nacional e torná-lo semelhante ao panorama espanhol, francês ou italiano? Se não dobramos as séries e filmes na televisão, porque haveríamos de consumir mais música portuguesa do que estrangeira? Temos uma tradição semelhante à das rádios alemãs, onde a música nacional não tem, também, grande expressão. É uma questão cultural, equivalente a outras questões (igualmente negativas) que nos diferenciam de outros países europeus e que dificilmente se mudará com quotas e obrigações».
Também o blogouve-se toca no assunto e mostra como a lei pode ser ambígua: «como a lei tem de ser geral e abstracta, a formulação dá para todos os músicos, de qualquer origem, que tiverem residência permanente em Portugal (nem sequer é requerida a nacionalidade portuguesa). Por outras palavras, o próximo disco do Guangdong trio, gravado em Queluz, também é música portuguesa».
Mais música portuguesa na rádio? Claro, mas na rádio pública (RDP), que é a que tem a obrigação de promover a música e os músicos portugueses. As emissoras privadas têm de saber cativar ouvintes. Portanto, se não passam música portuguesa e têm ouvintes, por alguma razão é.

quarta-feira, 1 de junho de 2005

RUI PEGO VAI SER DIRECTOR-GERAL DA RDP

Li no site do "Clube de Jornalistas": «O actual director de programas da Rádio Renascença, Rui Pego, vai ser director-geral da RDP. Nos dois anos em que esteve à frente da programação da RR, as audiências da estação desceram continuadamente. Os trabalhadores da RDP receberam a notícia com alguma estupefacção». Até eu!

Actualização (15h15): Afinal a notícia é do jornal "Correio da Manhã".

terça-feira, 31 de maio de 2005

DRM: EXPANSÃO DAS EMISSÕES ATÉ AOS 120 MHZ E COOPERAÇÃO COM O WORLD DAB FORUM

O DRM Consortium vai expandir até aos 120 MHz as possibilidades de radiodifusão em Digital Rádio Mondiale. Com este alargamento fica coberta a Banda II do VHF, onde se situam as transmissões de radiodifusão em Frequência Modulada (87.50 MHz – 108.00 MHz).
Este alargamento resulta de uma cooperação entre o DRM Consortium e o World DAB Fórum. Estas duas entidades estão a desenvolver projectos mútuos, tentando encontrar soluções comuns para a migração para o digital.
As transmissões em DRM eram feitas, até aqui, abaixo dos 30 MHz, enquanto as emissões em Digital Audio Broadcasting (DAB) estavam restritas a emissões em VHF, banda L (1452 MHz - 1492 MHz) e banda III (174 MHz – 230 MHz).

domingo, 29 de maio de 2005

PARA A HISTÓRIA DA RR

O jornal “A Capital” tem um interessante artigo, da autoria de Serafim Lobato, sobre os acontecimentos na Rádio Renascença há 30 anos: «Passaram, a 27 de Maio, 30 anos da ocupação formal e oficial das instalações da Rádio Renascença, pertença da hierarquia da Igreja Católica, por parte dos trabalhadores da empresa. Foi a acção de ruptura num conflito latente e larvar existente naquela empresa que vinha praticamente desde o 25 de Abril de 1974, empresa essa detida pela Igreja Católica, que se radicalizou, extravasando o mero conflito interno, à medida que evoluiu a crise revolucionária no período de 74/75. Curiosamente, foi na Rádio Renascença que teve lugar o primeiro movimento grevista na comunicação social no pós-25 de Abril. Cinco dias depois daquela data, a 30 de Abril, os trabalhadores dos “serviços de noticiários” da estação radiofónica, com o apoio dos restantes profissionais da empresa, entraram em greve.»

UM DIA DEDICADO AO FUTEBOL - II

Hoje é outro dia que a rádio portuguesa dedica ao desporto-rei. Depois da cobertura da última jornada da Superliga de futebol, agora é a Final da Taça de Portugal a mobilizar as emissoras portuguesas.
A TSF tema emissão dividida em duas partes: das 11h00 às 13h00, dedicada à antevisão do jogo Vitória de Setúbal – Benfica e a partir das 14h terá inicio o especial desporto. O relato estará a cargo de João Ricardo Pateiro e Fernando Correia.
A Rádio Renascença começará a emissão desportiva às 16h00. O relato estará a cargo de Pedro Sousa.
A Antena 1 arranca às 15h00 e vai até perto das 21h00. O encontro vai ter relato de Nuno Matos e Paulo Garcia.
Depois do jogo todas as emissoras terão espaços de opinião dos ouvintes e cujo tema será, obviamente, o jogo da Taça.
A TSF foi a primeira emissora a incluir espaços de opinião dos ouvintes. As outras emissoras não costumavam abrir a antena a quem as escutava, mas com isto iam perdendo audiência. Reconhecido o problema, todas as emissoras também já abrem espaços de interacção com os ouvintes.

quinta-feira, 26 de maio de 2005

ENGENHEIRO MAGALHÃES CRESPO NOMEADO PRESIDENTE EMÉRITO DA RR

O engenheiro Magalhães Crespo cessou as funções executivas na Rádio Renascença. Em reconhecimento e louvor pelos serviços prestados à RR durante mais de trinta anos, o Patriarcado de Lisboa e a Conferência Episcopal Portuguesa – sócios da RR - nomearam o Engenheiro Fernando Magalhães Crespo, Presidente Emérito da Emissora Católica Portuguesa.
O novo Presidente do Conselho de Gerência da Emissora Católica Portuguesa é o Reverendo Cónego João Aguiar Campos que integra, desde há vinte e cinco anos, os quadros da Rádio Renascença, onde desempenhou funções de Director do Centro de Produção do Porto e de Director de Informação. Era, até agora, Director do jornal Diário do Minho. O novo Presidente do Conselho de Gerência da Emissora Católica Portuguesa tomará posse na segunda quinzena do mês de Junho.

QUOTAS DE MÚSICA PORTUGUESA NA RÁDIO

As quotas de música portuguesa na Rádio têm gerado várias discussões - de um lado os artistas, do outro as emissoras - e este será sempre um assunto polémico.
A discussão sobre a música portuguesa na rádio vai voltar ao parlamento. O PS quer que as emissoras privadas sejam obrigadas a passar entre 20% a 40% de música portuguesa e a rádio pública 60%. Isentas do cumprimento da lei ficam as rádios classificadas de temáticas.
Em declarações ao DN, José Faustino - presidente da Associação Portuguesa de Radiodifusão (APR) – afirmou que esta é «uma visão proteccionista com a qual discordamos completamente (...). Este projecto de lei parte do pressuposto falso de que as rádios não passam música portuguesa (...) e a mesma visa proteger as editoras discográficas»
David Ferreira - director da EMI – acha que «as rádios vão ganhar, uma vez que a música de rádio actual diverge do que as pessoas gostam e consomem».
O ideal seria não existirem quotas. Mas entendo que se deve defender a música e a língua portuguesas, só que cabe às emissoras de serviço público estarem na primeira linha desta luta.
Para testar a teoria de David Ferreira mude-se a linha musical, por exemplo, da Antena 1 ou da Antena 3, passando estas emissoras exclusivamente música portuguesa. Se as audiências subirem dou-lhe razão.

NO AR – LIVE ON PAPER

Aí está mais um livro sobre a rádio. José Ramos, uma conhecida voz da rádio e, principalmente, da publicidade, vai apresentar no próximo dia 2 de Junho, pelas 18.30h, no Café CAFÉ, em Alcântara, o seu livro No Ar - Live on Paper.
A apresentação da obra estará a cargo de Herman José e de José Alberto Carvalho.

quarta-feira, 25 de maio de 2005

RADIODIFUSÃO ANALÓGICA: SWITCH OFF ATÉ 2012

A Comissão Europeia quer toda a União Europeia com rádio e televisão digital até 2012. Até lá os 25 Estados membros deverão de terminar com toda a radiodifusão analógica (switch off). Prevê-se que em 2010 os sistemas digitais estejam em pleno funcionamento na maior parte da União Europeia. No entanto, Portugal ainda não notificou a Comissão Europeia das suas intenções.
A migração para os sistemas digitais sempre se fez por imposição e não por escolha dos consumidores. O CD impôs-se porque os discos de vinil desapareceram das lojas e, mesmo assim, demorou cerca de quinze anos. Quando finalmente o CD se impôs, como formato áudio dominante, viu-se ameaçado pelos suportes digitais de alta resolução, como o DVD-Audio e o SACD, e pelos formatos de áudio que circulam na Internet.
As cassetes digitais, DAT e DCC, também não tiveram sucesso e, só agora, é que as cassetes analógicas estão realmente ameaçadas devido ao aparecimento dos leitores/gravadores de áudio digital comprimido (MDs, iPods, leitores de mp3, etc.) e com a facilidade que existe em gravar CDs.
A rádio digital também não é, propriamente, uma novidade. Desde os anos oitenta do século passado que o FM Digital (IBOC) é testado nos Estados Unidos.
Por cá, só mesmo por força de lei é que a migração para a radiodifusão digital vai acontecer, pois as estações terão de adquirir novos emissores e os ouvintes novos receptores.

terça-feira, 24 de maio de 2005

RÁDIOS DE AUTO-ESTRADA

Li no «Rádio Crítica», no post de 23 de Maio, e também eu acho interessante as rádios de auto-estrada.
Estas emissoras «são estações de rádio só captáveis nos percursos de auto-estrada, com repetidores de sinal de X em X quilómetros. Esta rádio-serviço destina-se ao apoio aos automobilistas que todos os dias -aos milhares- cruzam as auto-estradas e via equiparadas (IP; IC). Fornecem informações úteis a quem está ao volante. Rotas, destinos, percursos alternativos, informação sobre as regiões que atravessam, referência ao locais de referência (e outros), as sempre úteis e inevitáveis informações de trânsito, música de viagem, uma companhia específica e coincidente com quem passa muitas horas em trânsito em viagens rodoviárias de médio e longo curso. A qualquer hora do dia ou da noite.»
A ideia é interessante, mas concretizar isto em Portugal...

MERCADO PUBLICITÁRIO VAI CRESCER

A rádio vive da publicidade, portanto é sempre uma boa notícia para este meio quando se prevê um aumento do investimento publicitário.
Segundo a revista “Meios & Publicidade”, «Portugal, em 2004, teve taxas de crescimento superiores às registadas a nível internacional. O mercado publicitário português registou um aumento de 12%, em 2004. Segundo Mário Mateus, CEO do grupo Initiative Portugal, este desempenho está fortemente ligado à organização de grandes eventos como o Euro 2004 e o Rock in Rio. Para este ano as previsões são para que o crescimento seja menos expressivo, 5,1%(...)».
Infelizmente nada garante que os anunciantes apostem na rádio.

segunda-feira, 23 de maio de 2005

PUBLICIDADE À ONDA MÉDIA

Quem abrir o jornal “O Jogo” de Sábado, no final da página 16, pode ver um curioso anuncio: «Voz de Lisboa Onda Média 963 KHz».
A “Voz de Lisboa” é um canal regional da Rádio Renascença, mas nada no anúncio o liga à emissora católica
É interessante que a RR promova um dos seus canais em Onda Média, afinal a escuta deste comprimento de onda está em desuso em Portugal.
Será uma tentativa para a reabilitação da escuta em Amplitude Modulada? Manter emissores de OM operacionais não fica barato e a RR tem vários estúdios regionais a operar em Amplitude Modulada e, nalguns casos, em paralelo com a Frequência Modulada, além da Onda Média Nacional.

domingo, 22 de maio de 2005

PROGRAMA DA RIIST COM PODCASTS

A Rádio Interna do Instituto Superior Técnico (RIIST) disponibiliza programas para podcasting.
O programa "Radiologia", emitido online às quintas-feiras, às 21h, disponibiliza um Feed RSS para podcasts.
O podcasting é um caminho que as emissoras hertzianas vão ter de abraçar, mais cedo ou mais tarde. O importante é que, para não se tornarem obsoletas, as rádios acompanhem a evolução tecnológica e as preferências dos ouvintes.

sábado, 21 de maio de 2005

UM DIA DEDICADO AO FUTEBOL

Já há muito tempo que em Portugal um campeonato de futebol não terminava de forma tão renhida, portanto as emissoras que normalmente acompanham a Superliga mobilizaram-se em força para a cobertura dos jogos que decidem o título.
Não tenho memória de alguma vez a rádio portuguesa ter mobilizado igual número de profissionais para os jogos finais do campeonato de futebol. Amanhã, a TSF, a Rádio Renascença e a Antena 1 vão mobilizar mais de uma centena de profissionais para garantir a cobertura do que vier a acontecer.
A TSF tem, logo de manhã, reportagens desde os locais de estágio das equipas e também vai acompanhar o ambiente que se vive à volta dos estádios do Bessa e do Dragão. Às 16h00 são feitos os primeiros contactos com as equipas de reportagem que estão dentro dos estádios onde se vai realizar o Boavista-Benfica, que terá relato de Fernando Correia, e o FC Porto-Académica, que será relatado pelo Hélder Conduto. No final dos jogos haverá reportagens desde pontos estratégicos da cidade do Porto e Lisboa, assim como em vários pontos do país, para acompanhar a festa dos vencedores.
A RR dá inicio ao especial desporto às 13h00, e irá até cerca da meia-noite acompanhando os festejos dos adeptos do novo campeão. O relato Boavista-Benfica estará a cargo de Pedro Sousa, e o do FC Porto-Académica será relatado por Pedro Azevedo.
A Antena 1 estará em directo do Porto entre as 09h00 e as 11h00, e a partir das 15 horas dará inicio à tarde desportiva, onde terá reportagens desde os mais variados pontos do País e desde núcleos de emigrantes. O encontro do Bessa é relatado por Fernando Eurico, enquanto que o do Dragão tem a assinatura de Manuel Chaves. A A1 também vai acompanhar a festa dos vencedores pela noite dentro.

sexta-feira, 20 de maio de 2005

AACS: MAIS PARECERES NÃO VINCULATIVOS

A RDP quer unir as redacções da RDP Internacional e da RDP África, mas a Alta Autoridade para a Comunicação Social chumbou esta decisão, pois considera que a fusão de redacções não serve o serviço público.Também a nomeação de Jorge Gonçalves para o cargo de director da RDP África e Internacional foi alvo de um parecer negativo por parte da AACS.
Estes dois pareceres da AACS não são vinculativos. Pergunto eu: afinal para que serve uma entidade que só dá pareceres, mas estes não são vinculativos? Só serve para gastar (e mal, pelos vistos) dinheiros públicos?
Para dar pareceres não vinculativos sobre a RDP há muita gente por aí (até eu).
É mesmo necessário uma nova entidade reguladora dos media, isenta, que disponha de mecanismos para regular de uma forma eficaz a comunicação social portuguesa.

quarta-feira, 18 de maio de 2005

O MUSEU DA RÁDIO

Hoje é o Dia Internacional dos Museus, pelo que é uma boa altura para uma visita ao Museu da Rádio, em Lisboa, ou ao Museu dos Transportes e Comunicações, no Porto.
O Museu da Rádio mostra a «evolução da radiodifusão sonora, privilegiando a realidade portuguesa. Para tal, reúne uma das mais significativas colecções existentes na Europa, composta por milhares de receptores, equipamentos de registo sonoro, de emissão, suportes de gravação e microfones. A exposição estende-se por 20 salas, algumas das quais temáticas.
No piso 3, o Museu presta uma homenagem aos 90 anos de radio-amadorismo em Portugal.»
No Museu dos Transportes e apresenta a «evolução do objecto rádio e do microfone ao longo do seu tempo de existência».
A exposição conta com um estúdio de rádio que está preparado para a produção, e transmissão na Internet, de emissões radiofónicas.
Se hoje não foi a nenhum destes museus, começe a pensar em ir. Vale a pena.

segunda-feira, 16 de maio de 2005

O QUE É O PODCASTING

O Podcasting é a distribuição livre de ficheiros áudio, através da Internet ou directamente de aparelho para aparelho. A procura deste tipo de ficheiros (podcasts) na Internet é facilitada pelo código RSS que serve para que os interessados recebam automaticamente os programas que lhes interessam sem terem de perder tempo a procura-los. Há, também, quem chame ao podcast áudio-blogue.
Podcasting não tem tradução para português, este neologismo deriva das palavras iPod e broadcasting. No entanto o conceito já não é só aplicado ao iPod, pois outros aparelhos, como computadores e alguns telemóveis, também permitem o Podcasting.
O iPod é um aparelho inventado pela Apple para escutar áudio digital - codificações AAC, Protected AAC, MP3, MP3 VBR, Audible (formatos 2, 3, e 4), Apple Lossless, WAV e AIFF – permitindo guardar até 15000 músicas (60 GB).
Broadcasting é a palavra anglo-saxónica para radiodifusão (1 emissor; “n” receptores) e deriva de um termo agrícola que era usado para descrever o acto de semear ou espalhar as sementes, à mão, em círculos largos. Esta imagem da distribuição de forma generalizada a partir de um ponto central, até à distância que o alcance permite, também está presente no significado tecnológico do termo como método de propagação de ondas electromagnéticas.
Hoje, a TSF passou um trabalho da autoria de João Paulo Meneses sobre este tema, às 07h40. Quem não teve oportunidade de o escutar pode faze-lo agora, pois o programa está online. O texto da peça também está online e tem ligações a outras páginas da Internet.

domingo, 15 de maio de 2005

REVISTAS SOBRE RÁDIO EM PORTUGAL

Não existem em Portugal revistas dedicadas à radiodifusão. As publicações que mais se referem à rádio são a “Media XXI”, a “Observatório” e a “Media & Jornalismo”, que embora não sejam especializadas em rádio, mas sim dedicadas à comunicação em geral, costumam trazer artigos dedicados ao meio. Existe ainda a “QSP – Revista de Rádio e Comunicações”, que é uma publicação dedicada aos radioamadores, mas que aborda, também, a radiodifusão, principalmente a sua vertente histórica. É impressa ininterruptamente desde 1980.
A primeira revista portuguesa dedicada à rádio foi a “TSF em Portugal”. O número um desta publicação foi colocado à venda a 9 de Novembro de 1924, sendo o seu aparecimento justificado com o aumento do interesse pela rádio, o que coincidiu com o aparecimento nesse ano, em Portugal, de postos emissores que faziam serviço de radiodifusão, ainda que de uma forma experimental. No entanto esta publicação não foi a primeira que se dedicava exclusivamente à rádio. Em 1914, apareceu nos Açores o “Jornal Rádio” – um periódico que descrevia as comunicações entre os postos de Telegrafia Sem Fios (TSF) dos Açores e os navios que cruzavam as águas portuguesas. Interessante é verificar que numa altura em que, para descrever comunicações à distância sem fios, se usava os termos “TSF” ou “Wireless Telegraphy”, o periódico se chamasse “Jornal Rádio”. É que a única entidade que usava o termo “Rádio” era a marinha de guerra dos Estados Unidos e, mesmo assim, só nas comunicações oficiais e apenas desde 1912.
O “Jornal Rádio” teve uma vida efémera, porque pouco depois do início da sua publicação rebentou a I Guerra Mundial, o que levou a uma limitação do que podia ser publicado, assim como a uma escassez de papel para impressão do jornal, além do aumento vertiginoso dos preços das matérias primas.
Nas décadas de 1930, 40 e 50, foram aparecendo e desaparecendo várias revistas dedicadas à radiodifusão, entre elas a “Rádio Sciencia” (que substituiu a “TSF em Portugal”), “Antena”, “Microfone”, “Onda”, “Radiófila”, “Radiofonia”, “Rádio Semanal”, “Rádio Ouvinte”, “Rádio Programa”, “Rádio Revista” e a “Rádio Nacional” - uma publicação da responsabilidade da Emissora Nacional.
Com o inicio das emissões da RTP, em 1956, as revistas foram-se adaptando à nova realidade mediática portuguesa e as publicações que se ocupavam exclusivamente da rádio foram dando lugar a outras, como a “Rádio e Televisão” e a “Visor”. Com o passar dos anos também estas acabariam por desaparecer. Já há quase trinta anos que as revistas se dedicam exclusivamente à televisão, principalmente ao resumo das telenovelas.
Também os jornais deixaram de dar importância à rádio. O espaço ocupado outrora com os assuntos da rádio foi diminuindo até quase desaparecer. Hoje os jornais só falam da rádio quando a actualidade assim o impõe, e se é verdade que alguns jornais ocupam um pouco (muito pouco) de espaço com a programação e frequência de emissão de algumas estações, outros nem isso.

A “RÁDIO EM REVISTA”

Vai ser lançada no Brasil, no próximo dia 20 de Maio, a “Rádio em Revista” - uma publicação especializada dedicada ao meio radiofónico.
O conteúdo da revista será preenchido com artigos de professores universitários e profissionais do meio e destina-se não só a estudantes e profissionais do meio, mas também aos ouvintes em geral.
Editada pela Universidade Federal de Minas Gerais, a “Rádio em Revista” é financiada pela Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG e pela FUNDEP - Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa.

sábado, 14 de maio de 2005

O PROVEDOR DO OUVINTE

Um pouco por todo o mundo as grandes emissoras já têm um provedor do ouvinte, sendo mesmo tradição nos media anglo-saxónicos (aí chamado ombudsman), mas em Portugal só na quinta-feira passada é que o governo aprovou a criação desta figura para o serviço público de radiodifusão.
Será o Conselho de Administração da RDP a designar o provedor, mas este terá de ser alicerçado por um parecer favorável - vinculativo - do Conselho de Opinião.
Ao provedor do ouvinte cabe avaliar queixas e sugestões e produzir pareceres. Na RDP terá a seu cargo um programa semanal, com uma duração mínima de 15 minutos, a transmitir em horário considerado adequado. O provedor do ouvinte terá, ainda, de elaborar um relatório anual.
O serviço público de radiodifusão dá um exemplo que deve de ser seguido por outras emissoras portuguesas, pois «Quanto mais prestígio tem um órgão de comunicação social, menos dispensa a figura de um provedor; quanto mais credibilidade ambiciona, mais necessidade há de um provedor».*
A figura do provedor do ouvinte não é, no entanto, consensual, já que alguns a consideram como um mero acto de relações públicas, baseando as suas afirmações no facto de o direito de resposta estar consagrado na Constituição da República Portuguesa, no artigo 37º.

*Meneses, João Paulo (2003). Tudo o que se passa na TSF ...Para um livro de estilo. Porto: Jornal de Notícias.

PARA ESCUTAR NA TSF: O PODCASTING

Na próxima segunda-feira, depois das 07h35, vai para o ar, na TSF-Rádio Notícias, uma interessante peça sobre o Podcasting e o impacto que esta tecnologia começa a ter.